I See Fire

14 Capítulo 14


Notas iniciais
E como combinado aqui está o capítulo de domingo! :D Obrigado de coração a quem comentou: Fabio Scofield, Karen de Avalon, Carol Faria, Rebeca Woset, celinhaswan e Mary Andrade! Vocês são fantásticos!

Mas o que eu podia fazer?

Foi então que uma ideia louca surgiu na minha cabeça como um relâmpago. E se...

– Eu posso comprar o colar. – parei repentinamente.

***

Deixei o meu corpo descansar sobre o enorme sofá azul. Estava na casa de Graham. Cansada, como se um caminhão tivesse passado por mim, só queria dormir e chegar rápido à manhã seguinte.

Rumplestilskin ficara muito surpreendido com a minha proposta de comprar o colar e demorou a aceitar. Provavelmente nunca pensara nisso. A verdade é que a ideia era como uma bênção que Deus decidiu botar na minha cabeça.

Killian queria o colar mas não o queria comprar porque acreditava que era injusto. Mas agora estava preso por tentar roubá-lo. Eu ia resolver isso. E depois me entendia com ele em relação a isso. Quando ele estivesse em casa. Em Storybrook.

– A mesa está pronta. Vamos comer! – Graham gritou na cozinha.

Me levantei a custo e fui até ele. O frango assado tinha um aspeto divinal. Comi até ficar completamente cheia. Graham era um chefe de mão cheia. E talvez, só um pouquinho, chato em relação ao meu regresso a Storybrook.

Apesar de ter sido o melhor ex-parceiro do mundo em me deixar passar a noite em sua casa, não confiava nele o suficiente para lhe contar sobre Killian. E a noite foi passada entre risadas e recordações de histórias antigas. Eu não me sentia totalmente bem por estar omitindo o que estava realmente acontecendo. Por isso não foi muito tarde da noite quando saí para o quarto de hóspedes, liguei para o meu garotão cheio de saudades, e dormi.

Para acordar na manhã seguinte com a energia super carregada. Me preparei, fiz o café da manhã, comi um pouco e fui me despedir de Graham.

– Já vai?! Eu ainda nem provei as panquecas!

– Preciso ir, G. Ainda hoje volto para Storybrook. – sorri satisfeita.

– E eu não vou te ver mais?

Limpei a garganta. Bom... isso era provável.

– Claro que sim! Se não for hoje, espero uma visita lá em Story.

Me abraçou com o que eu acho ser toda a sua força e depois me soltou.

– Pode acreditar que eu vou.

– Eu espero que vá! – beijei a sua bochecha. – Muito obrigado por me ter deixado ficar aqui.

– É sempre bom te ter por perto, Emma.

Sorri e fui pegar a minha bolsa. Antes de sair voltou a me abraçar. Eu sabia, porém, que nos iríamos voltar a encontrar.

***

– Wow.

Foi o que saiu da minha boca quando Rumplestilskin tirou o colar de uma grande caixa. Era um pedaço de arte. Não era de ouro como eu imaginava, mas um fio de prata estupidamente trabalhado e brilhante. E um pingente pequeno, liso, em forma de cruz, finalizava o colar com um toque simples mas sofisticado. Era perfeito. Perfeito. Killian tinha uma mãe com muito bom gosto.

A cada momento que passava, mais eu gostava de ter tido a oportunidade de a ter conhecido.

Quando eu ouvi o preço do colar, fiquei literalmente de boca aberta. Não por ser alto. Pelo contrário. Por ser uma coisa com que eu podia, na verdade, lidar. Rumple devia estar equivocado.

– É uma peça discreta mas acho uma das mais bonitas da loja. – pegou no colar. – É original. Minha irmã trabalhou horas nesse colar. Ela adorava fazer estas coisas. Esse preço tem alguma atenção da minha parte. É uma peça com grande valor sentimental e eu quero ter a certeza que continuará assim.

Não esperava nada disso. Nem que o valor fosse tão sustentável, nem as palavras de Rumple, nem acabar por sentir uma ligação ao colar.

Não fazia muito sentido, mas eu estava realmente feliz por fazer aquilo.

***

Demoramos cerca de duas horas na polícia. As perguntas a Rumple foram tantas que eu me perdi no meio. Eles queriam saber tudo, o porquê, o porque sim, o porque não. Mas conseguimos. Foi retirada a queixa contra Killian. Ele estava livre. Livre.

Porém eu só ia acreditar quando o visse fora das grades.

Quando finalmente saímos da esquadra, respirei o mais fundo que podia, sentindo o ar puro preencher os meus pulmões.

– Posso acompanha-la até Killian, menina Swan? – Rumple interrompeu o meu momento.

Me sentia leve como um pássaro. Tinha a impressão de que se saltasse, ia voar. Estava aliviada, me sentindo muito útil e acima de tudo, pronta para pegar Killian. Errr... no sentido literal, claro.

– Claro. Vamos no meu carro.

Dei umas risadas ao assistir o homem alto entrar no meu carro pequeno e arrumar uma posição para a viagem. Se Henry crescesse muito eu estava fodida.

E foram pensamentos como esse que me distraíram durante a viagem, me salvando de nervos e ansiedade. Tanto que nem dei pelo passar do caminho. Aliás, acho que liguei o piloto automático. Porém, nos últimos metros até à meta chegou uma inquietação. E forte. Nunca pensei que fazer aquilo por Killian me faria sentir tanto.

Quando parei o carro em frente ao meu antigo emprego, o meu estômago embrulhou. Eu estava preparada? Se Frank e Graham estivessem lá... eu ia ter que enfrentar muita coisa que não queria. Mas era o único jeito.

Segui o tio de Jones e paramos na receção. A mulher me reconheceu, pela expressão que fez, mas nada disse.

– Bom dia. Eu quero cancelar o meu contrato com a vossa empresa. Já retirei a queixa na polícia.

Sim senhora, era isso mesmo que eu queria, Rumple sendo direto e inquestionável.

– Pode me dizer o seu primeiro e último nome, por favor? – a mulher pediu.

– Barbara Rumplestilskin.

A gargalhada ficou tão presa na minha garganta que eu me engasguei. Quase morri. Barbara? Isso era muito bom para ser escondido. Uma pequena e quase inaudível risada saiu da minha boca e ele me olhou com um aspeto não muito amigável. Ah, foda-se. Eu não podia engolir!

– Agora vou precisar do seu número de identificação civil e de... – deixei de ouvir a voz estridente.

A minha mente quis pensar noutras coisas. Em como Killian estaria. Em como ele reagiria quando soubesse que estava livre. Estava tão ansiosa e animada para esse momento e não tinha reparado nisso até ao momento. Me sentia como uma criança: animada, inquieta, doida para receber um doce.

A conversa ainda demorou algum tempo. Eu estava distraída, não ouvia as suas vozes, apesar de ver que estavam a falar. Pelas suas expressões tudo estava a correr bem e eu não queria saber de mais nada.

– Vamos? – Rumple me perguntou.

Onde?

– Claro!

O segui, confusa. Graças a Deus ele seguiu a rececionista. Isso significava que já íamos buscar Killian. E passar pelo gabinete de Graham. Merda, merda!

Andei pelos corredores tentando não me preocupar muito com eles. Tudo estava a correr bem. E o meu coração batia mais rápido a cada passo.

– Emma?! – se corresse tudo bem não seria a minha vida.

Me virei para dar de caras com o meu querido antigo chefe. O tio de Killian também se virou e a expressão de Frank foi um misto de confusão, choque, confusão e pânico.

– Senhor Rumplestilskin. – cumprimentou. – Veio ver o seu sobrinho?

– Bom dia. – riu. – Na verdade eu venho buscar Killian. Retirei a queixa de novo. Você sabe, família.

– E aí, Frank? Tudo de boa? – tentei parecer descontraída, como se não tivesse nada a ver com o assunto.

Não funcionou.

– Emma, eu pensei que você já estava indo embora...

Inspirei e uma onda de “foda-ses” passou por mim. Expirei. E daí que eles todos soubessem? Eu estava fazendo a coisa certa. Ajudando um inocente que eles prenderam.

– Não, Frank. Na verdade esse é o motivo de eu ter vindo. – a sua expressão de confusão voltou. – Eu dei de caras com Killian em Storybrook quando fui para lá. Não falei com vocês porque eu... – estava mais preocupada em fugir dos malditos lábios dele. – pude conhecê-lo de outra forma. Não como o criminoso que estava acostumada. Soube o porquê de tudo o que ele fez e o considero inocente.

Voltei a inspirar e expirar. Sabia bem contar a verdade.

– O quê?! – alguém gritou atrás de mim.

Oh, claro. Graham faltava para a festa. Agora podíamos fazer o trém do amor!

– Você ouviu. – o olhei. – Desculpa por ter mentido. De coração. Me senti muito mal por ter te mentido. – fui sincera. – Eu não queria que vocês entrassem logo me julgando e me impedindo de fazer o que eu vim cá fazer.

– Eu não entendo... – Frank estava quase sem voz.

– Killian não é quem vocês pintam. Eu o deixei me ajudar com Henry. – olhava para um e para outro enquanto falava. Eu queria que eles me entendessem. – Tudo o que ele fez tem um motivo que eu acredito que vos levasse a fazer o mesmo. Killian é inocente.

Graham parecia que tinha visto um fantasma.

– Não, Emma. Ele te fez uma lavagem cerebral. – Frank, sempre realista.

Rumple estava ali especado, me olhando. Eu queria sair dali. Ir ter com Killian e voltar para casa. Ignorar os julgamentos dos dois e fugir.

– Desculpem. Eu vos adoro. Mas preciso ir para casa. – e era o que eu ia fazer.

Empurrei levemente Frank para o desviar do caminho e saí andando. Eu não ia ficar ali explicando o porquê daquilo tudo a alguém que não queria ouvir e compreender. E quando estava quase chegando à sala de Killian, alguém me parou. Graham.

– Emma você não pode fazer isso. Lembra de quem ele é? O que ele fez?

Respirei fundo. Puxei a minha mão que ele estava agarrando e o encarei.

– Eu sei quem ele é melhor do que você, Graham. – agora ele ia ouvir. – Sabe do que eu mais me arrependo agora? Depois de ouvir a história de Killian? De ter sido colecionadora. Perseguir e prender pessoas que não fazemos a menor ideia de quem são. De onde vêm. Do que fizeram! Killian fugiu de mim, sim. Mas nunca me maltratou nem ameaçou. Pelo contrário. – quase gritei, mas parei a tempo de me acalmar. – Abre os olhos e deixa essa merda desse emprego.

Uma expressão de choque e surpresa passou pelo seu rosto.

– Agora, por favor, me deixa tirar Killian dessa merda de cela e ir para casa.

Puxei as chaves do seu cinto e procurei a maior, que fechava aquela sala em especial. A encontrei e abri a porta rapidamente. Graham ficou exatamente no mesmo lugar. O meu coração estava tão frenético no meu peito que doía.

Entrei e imediatamente vi Killian, deitado na cama. Rumple entrou atrás de mim.

– Ei, Jones. – chamei. – Vamos para casa.

E quase caiu da cama, de novo. Dessa vez eu ri alto. Não ia existir Graham ou Frank que me tirasse o bom sentimento que eu tinha.

Felicidade.

– Você tem aqui uma mulher e pêras, Killian. – Rumple afirmou.

Pude quase ouvir o meu sangue disparar para as minhas bochechas. Talvez tenha sido por isso que Killian gargalhou quando me olhou.

Gargalhei junto com ele. Idiota!

Notas finais
Killian já está livre! Killian já está livre! Killian já está livre! *-* O que vocês pensam desse capítulo? Gostaram? Espero que sim! E o que será que vai acontecer daqui para a frente? Será que as coisas vão se arrumar para Emma e Killian? Quero saber as vossas opiniões! Beijo e até ao próximo! :D