I See Fire
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Mas o que eu podia fazer?
Foi então que uma ideia louca surgiu na minha cabeça como um relâmpago. E se...
– Eu posso comprar o colar. – parei repentinamente.
***
Deixei o meu corpo descansar sobre o enorme sofá azul. Estava na casa de Graham. Cansada, como se um caminhão tivesse passado por mim, só queria dormir e chegar rápido à manhã seguinte.
Rumplestilskin ficara muito surpreendido com a minha proposta de comprar o colar e demorou a aceitar. Provavelmente nunca pensara nisso. A verdade é que a ideia era como uma bênção que Deus decidiu botar na minha cabeça.
Killian queria o colar mas não o queria comprar porque acreditava que era injusto. Mas agora estava preso por tentar roubá-lo. Eu ia resolver isso. E depois me entendia com ele em relação a isso. Quando ele estivesse em casa. Em Storybrook.
– A mesa está pronta. Vamos comer! – Graham gritou na cozinha.
Me levantei a custo e fui até ele. O frango assado tinha um aspeto divinal. Comi até ficar completamente cheia. Graham era um chefe de mão cheia. E talvez, só um pouquinho, chato em relação ao meu regresso a Storybrook.
Apesar de ter sido o melhor ex-parceiro do mundo em me deixar passar a noite em sua casa, não confiava nele o suficiente para lhe contar sobre Killian. E a noite foi passada entre risadas e recordações de histórias antigas. Eu não me sentia totalmente bem por estar omitindo o que estava realmente acontecendo. Por isso não foi muito tarde da noite quando saí para o quarto de hóspedes, liguei para o meu garotão cheio de saudades, e dormi.
Para acordar na manhã seguinte com a energia super carregada. Me preparei, fiz o café da manhã, comi um pouco e fui me despedir de Graham.
– Já vai?! Eu ainda nem provei as panquecas!
– Preciso ir, G. Ainda hoje volto para Storybrook. – sorri satisfeita.
– E eu não vou te ver mais?
Limpei a garganta. Bom... isso era provável.
– Claro que sim! Se não for hoje, espero uma visita lá em Story.
Me abraçou com o que eu acho ser toda a sua força e depois me soltou.
– Pode acreditar que eu vou.
– Eu espero que vá! – beijei a sua bochecha. – Muito obrigado por me ter deixado ficar aqui.
– É sempre bom te ter por perto, Emma.
Sorri e fui pegar a minha bolsa. Antes de sair voltou a me abraçar. Eu sabia, porém, que nos iríamos voltar a encontrar.
***
– Wow.
Foi o que saiu da minha boca quando Rumplestilskin tirou o colar de uma grande caixa. Era um pedaço de arte. Não era de ouro como eu imaginava, mas um fio de prata estupidamente trabalhado e brilhante. E um pingente pequeno, liso, em forma de cruz, finalizava o colar com um toque simples mas sofisticado. Era perfeito. Perfeito. Killian tinha uma mãe com muito bom gosto.
A cada momento que passava, mais eu gostava de ter tido a oportunidade de a ter conhecido.
Quando eu ouvi o preço do colar, fiquei literalmente de boca aberta. Não por ser alto. Pelo contrário. Por ser uma coisa com que eu podia, na verdade, lidar. Rumple devia estar equivocado.
– É uma peça discreta mas acho uma das mais bonitas da loja. – pegou no colar. – É original. Minha irmã trabalhou horas nesse colar. Ela adorava fazer estas coisas. Esse preço tem alguma atenção da minha parte. É uma peça com grande valor sentimental e eu quero ter a certeza que continuará assim.
Não esperava nada disso. Nem que o valor fosse tão sustentável, nem as palavras de Rumple, nem acabar por sentir uma ligação ao colar.
Não fazia muito sentido, mas eu estava realmente feliz por fazer aquilo.
***
Demoramos cerca de duas horas na polícia. As perguntas a Rumple foram tantas que eu me perdi no meio. Eles queriam saber tudo, o porquê, o porque sim, o porque não. Mas conseguimos. Foi retirada a queixa contra Killian. Ele estava livre. Livre.
Porém eu só ia acreditar quando o visse fora das grades.
Quando finalmente saímos da esquadra, respirei o mais fundo que podia, sentindo o ar puro preencher os meus pulmões.
– Posso acompanha-la até Killian, menina Swan? – Rumple interrompeu o meu momento.
Me sentia leve como um pássaro. Tinha a impressão de que se saltasse, ia voar. Estava aliviada, me sentindo muito útil e acima de tudo, pronta para pegar Killian. Errr... no sentido literal, claro.
– Claro. Vamos no meu carro.
Dei umas risadas ao assistir o homem alto entrar no meu carro pequeno e arrumar uma posição para a viagem. Se Henry crescesse muito eu estava fodida.
E foram pensamentos como esse que me distraíram durante a viagem, me salvando de nervos e ansiedade. Tanto que nem dei pelo passar do caminho. Aliás, acho que liguei o piloto automático. Porém, nos últimos metros até à meta chegou uma inquietação. E forte. Nunca pensei que fazer aquilo por Killian me faria sentir tanto.
Quando parei o carro em frente ao meu antigo emprego, o meu estômago embrulhou. Eu estava preparada? Se Frank e Graham estivessem lá... eu ia ter que enfrentar muita coisa que não queria. Mas era o único jeito.
Segui o tio de Jones e paramos na receção. A mulher me reconheceu, pela expressão que fez, mas nada disse.
– Bom dia. Eu quero cancelar o meu contrato com a vossa empresa. Já retirei a queixa na polícia.
Sim senhora, era isso mesmo que eu queria, Rumple sendo direto e inquestionável.
– Pode me dizer o seu primeiro e último nome, por favor? – a mulher pediu.
– Barbara Rumplestilskin.
A gargalhada ficou tão presa na minha garganta que eu me engasguei. Quase morri. Barbara? Isso era muito bom para ser escondido. Uma pequena e quase inaudível risada saiu da minha boca e ele me olhou com um aspeto não muito amigável. Ah, foda-se. Eu não podia engolir!
– Agora vou precisar do seu número de identificação civil e de... – deixei de ouvir a voz estridente.
A minha mente quis pensar noutras coisas. Em como Killian estaria. Em como ele reagiria quando soubesse que estava livre. Estava tão ansiosa e animada para esse momento e não tinha reparado nisso até ao momento. Me sentia como uma criança: animada, inquieta, doida para receber um doce.
A conversa ainda demorou algum tempo. Eu estava distraída, não ouvia as suas vozes, apesar de ver que estavam a falar. Pelas suas expressões tudo estava a correr bem e eu não queria saber de mais nada.
– Vamos? – Rumple me perguntou.
Onde?
– Claro!
O segui, confusa. Graças a Deus ele seguiu a rececionista. Isso significava que já íamos buscar Killian. E passar pelo gabinete de Graham. Merda, merda!
Andei pelos corredores tentando não me preocupar muito com eles. Tudo estava a correr bem. E o meu coração batia mais rápido a cada passo.
– Emma?! – se corresse tudo bem não seria a minha vida.
Me virei para dar de caras com o meu querido antigo chefe. O tio de Killian também se virou e a expressão de Frank foi um misto de confusão, choque, confusão e pânico.
– Senhor Rumplestilskin. – cumprimentou. – Veio ver o seu sobrinho?
– Bom dia. – riu. – Na verdade eu venho buscar Killian. Retirei a queixa de novo. Você sabe, família.
– E aí, Frank? Tudo de boa? – tentei parecer descontraída, como se não tivesse nada a ver com o assunto.
Não funcionou.
– Emma, eu pensei que você já estava indo embora...
Inspirei e uma onda de “foda-ses” passou por mim. Expirei. E daí que eles todos soubessem? Eu estava fazendo a coisa certa. Ajudando um inocente que eles prenderam.
– Não, Frank. Na verdade esse é o motivo de eu ter vindo. – a sua expressão de confusão voltou. – Eu dei de caras com Killian em Storybrook quando fui para lá. Não falei com vocês porque eu... – estava mais preocupada em fugir dos malditos lábios dele. – pude conhecê-lo de outra forma. Não como o criminoso que estava acostumada. Soube o porquê de tudo o que ele fez e o considero inocente.
Voltei a inspirar e expirar. Sabia bem contar a verdade.
– O quê?! – alguém gritou atrás de mim.
Oh, claro. Graham faltava para a festa. Agora podíamos fazer o trém do amor!
– Você ouviu. – o olhei. – Desculpa por ter mentido. De coração. Me senti muito mal por ter te mentido. – fui sincera. – Eu não queria que vocês entrassem logo me julgando e me impedindo de fazer o que eu vim cá fazer.
– Eu não entendo... – Frank estava quase sem voz.
– Killian não é quem vocês pintam. Eu o deixei me ajudar com Henry. – olhava para um e para outro enquanto falava. Eu queria que eles me entendessem. – Tudo o que ele fez tem um motivo que eu acredito que vos levasse a fazer o mesmo. Killian é inocente.
Graham parecia que tinha visto um fantasma.
– Não, Emma. Ele te fez uma lavagem cerebral. – Frank, sempre realista.
Rumple estava ali especado, me olhando. Eu queria sair dali. Ir ter com Killian e voltar para casa. Ignorar os julgamentos dos dois e fugir.
– Desculpem. Eu vos adoro. Mas preciso ir para casa. – e era o que eu ia fazer.
Empurrei levemente Frank para o desviar do caminho e saí andando. Eu não ia ficar ali explicando o porquê daquilo tudo a alguém que não queria ouvir e compreender. E quando estava quase chegando à sala de Killian, alguém me parou. Graham.
– Emma você não pode fazer isso. Lembra de quem ele é? O que ele fez?
Respirei fundo. Puxei a minha mão que ele estava agarrando e o encarei.
– Eu sei quem ele é melhor do que você, Graham. – agora ele ia ouvir. – Sabe do que eu mais me arrependo agora? Depois de ouvir a história de Killian? De ter sido colecionadora. Perseguir e prender pessoas que não fazemos a menor ideia de quem são. De onde vêm. Do que fizeram! Killian fugiu de mim, sim. Mas nunca me maltratou nem ameaçou. Pelo contrário. – quase gritei, mas parei a tempo de me acalmar. – Abre os olhos e deixa essa merda desse emprego.
Uma expressão de choque e surpresa passou pelo seu rosto.
– Agora, por favor, me deixa tirar Killian dessa merda de cela e ir para casa.
Puxei as chaves do seu cinto e procurei a maior, que fechava aquela sala em especial. A encontrei e abri a porta rapidamente. Graham ficou exatamente no mesmo lugar. O meu coração estava tão frenético no meu peito que doía.
Entrei e imediatamente vi Killian, deitado na cama. Rumple entrou atrás de mim.
– Ei, Jones. – chamei. – Vamos para casa.
E quase caiu da cama, de novo. Dessa vez eu ri alto. Não ia existir Graham ou Frank que me tirasse o bom sentimento que eu tinha.
Felicidade.
– Você tem aqui uma mulher e pêras, Killian. – Rumple afirmou.
Pude quase ouvir o meu sangue disparar para as minhas bochechas. Talvez tenha sido por isso que Killian gargalhou quando me olhou.
Gargalhei junto com ele. Idiota!
Fale com o autor