I Remember
6 Capítulo 6 - Vinho
Notas iniciais
Capítulo 6 – Vinho.
— Nossa, agora eu comi muito! Não tô nem aguentando olhar pra comida agora! — disse Ash, espreguiçando-se na mesa.
— Será que você não consegue ter educação nem que seja por um minuto? Ah, não vou falar mais nada também. — reclamou Dawn.
— Depois que a gente come bate um sono... Posso deitar no seu colo, Dawn?
— Sai daqui moleque! Você tá me fazendo passar mico na frente da senhorita Cynthia! — respondeu ela.
— Heh, heh. Eu acho vocês dois juntos tão fofo. — sorriu a loira.
— Não, não! Você entendeu errado senhorita!! — disse Dawn corada.
— Bom, já está ficando tarde, vou tentar resumir um pouco minha história, onde havíamos parado mesmo?
— Você e os rapazes estavam indo para a casa do Steven. O Lance e o Stanley tinham acabado de sair da delegacia.
— Ah sim, permita-me continuar a história.
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Steven e os outros retornaram para a mansão, Lance e Stanley abriram um champagne com o amigo e ficaram algum tempo conversando. Cynthia relembrava dos dias em que eles estudavam juntos, eram bons tempos, não haviam preocupações com trabalhos, contas ou diversos problemas que a idade nos trás. Uma fase que não tem volta, mas que todos com certeza haviam aproveitado ao máximo.
— Nossa Steven, você lembra da nossa formatura de oitava série? São momentos que não dá pra esquecer. — riu Lance, lembrando-se de todas essas boas lembranças de quando somos criança.
— Caramba, faz tanto tempo isso! Nossa formatura foi em um cruzeiro, não é? Eu lembro quando deu um tornado e todo mundo começou a passar mal porque o barco balançava muito! — complementou Steven.
— Nossa, eu nem lembro onde eu dormi essa noite, passei muito mal. Eu queria matar aquele capitão, o cruzeiro não parava de se mexer!
— O Steven também passou mal no cruzeiro? — perguntou Cynthia.
— Pior que não, esse filho-da-mãe é mó acostumado a andar de barco, então ele só ficava rindo da gente que tava quase morrendo de enjôo.
— Nosso quarto era minúsculo e o banheiro era menor ainda, mas só de estar com os amigos e ainda por cima sozinho, é uma experiência única. — disse Steven.
— E você Stanley? Onde você estudava? — perguntou Cynthia.
— Na verdade eu só completei os estudos até a oitava série, depois eu comecei a lutar e segui essa carreira. — respondeu o homem.
— O Stanley morava na minha rua e a gente sempre batia uma bolinha junto. Ele sempre era mais forte e mais alto que eu só que quando se trata de futebol eu sou imbatível, né? — disse Lance. — Nossa, viver naquela rua era foda, até hoje é uma das mais violentas da cidade.
— Sorte que nunca aconteceu nada com vocês dois, não é? — sorriu Cynthia.
— Não aconteceu nada? Onde você acha que eu ganhei essa cicatriz de facada no peito? — riu Lance. — Sem contar o Stanley que tem tomou três tiros.
— Ah... Eu não sabia. — respondeu Cynthia um pouco sem graça.
— Mas nem tenho o que reclamar de minha infância, tenho tanta história engraçada pra contar daquele bairro. A infância é uma fase que realmente não tem retorno. Engraçado, eu sempre lutei para escapar da infância o mais rápido possível, e assim consegui agora quero voltar correndo para ela... — suspirou Lance. — Bom Steven, a conversa tá boa, mas acho que já vou voltando pra casa, eu ainda tenho um compromisso agora tarde, fiquei de levar uma garota para uma festa, sabe com é. — riu lance, levantando-se do sofá.
— Vou acompanhar o Lance então, ainda preciso resolver algumas coisas. — disse Stanley.
— Tudo bem, eu os acompanho até a porta. — disse Steven, despedindo-se dos amigos.
Logo a noite caía sobre a cidade, não havia sequer uma única nuvem no céu, era possível ver todas as estrelas assim como a linda lua no céu, o que era muito raro naquela cidade.
— Bom, agora estamos sozinhos. — sorriu Cynthia.
— Quer beber alguma coisa? — perguntou Steven.
— Heh, heh... Mas você acabou de abrir um champagne! — disse a loira, levantando-se um pouco tonta por conta da bebida alcoólica — Opa! Eu tô caindo de bobeira! Hah, hah!
— Cynthia, você está se sentindo bem? — riu Steven.
— Ah, mas é claro meu amor, vamos abrir um vinho e aproveitar que stamos sozinhos! — disse ela, aproximando-se do rosto de Steven e rindo por qualquer coisa.
Steven foi até seu bar e pegou um ótimo vinho para abrirem naquela noite, Cynthia foi andando até ele e tropeçou no tapete derrubando o rapaz em cima do sofá, os dois se olharam e começaram a rir com a cena.
— Certeza que você está bem Cynthia? Você não acha que já bebeu muito?
— Psht! — disse ela, colocando a ponta de seu dedo indicador nos lábios de Steven. —A noite só está começando, mocinho! Que vinho você trouxe?
— Romanée-Conti, safras de 1961 a 2003.
— Vamos brindar então! Ao meu querido e amado namorado. — sorriu Cynthia, beijando Steven apaixonadamente.
— À garota mais linda e perfeita do mundo.
A noite foi caindo e os dois nem perceberam o tempo passar. Logo o dia já clareava, feixes de luz passavam por entre as cortinas do quarto, refletindo sobre o rosto de Steven que jazia deitado na cama, fazendo-o abrir seus olhos lentamente. Ele colocou a mão em seu rosto ainda um pouco tonto, e observou tudo em volta, mas não conseguia lembrar-se do que havia acontecido.
— Onde eu... estou...? — sussurrou Steven, ainda deitado de bruços sobre a cama.
Enquanto o rapaz continuava observando o quarto, ele sentiu alguém pular sobre suas costas e abraçá-lo com força.
— Bom dia meu príncipe encantado. — sorriu Cynthia, abraçando o rapaz pelas costas.
— Cynthia? O que está fazendo aqui?? E por que eu estou nesse quarto? Era pra mim estar dormindo na sala! Não me diga que...
— Minha nossa Steven, depois dessa noite... Eu não imaginava que você era assim!!
— E-Eu não lembro!! Eu... Eu... — repetia Steve, até avistar a pequena garrafa de vinho vazia. — Eu fiquei bêbado??
— Ah, só por causa daquele vinho? Você fica bêbado tão fácil, é tão fofinho! — riu a loira continuando a abraçar o rapaz.
— Que horas são?? Eu tinha uma entrevista hoje!!
— Ah, sei lá, deve ser meio dia.
— MEIO DIA?? Meu Deus, eu vou me atrasar!! — gritou ele.
— Aaaw, não quer ficar aqui mais um tempinho comigo? E ainda falta uma hora para a entrevista começar!
— Cynthia, é que essa entrevista é realmente importante! E cadê minha roupa? Meu Deus, bem hoje eu tinha que atrasar tudo?!
— Você não está atrasado, bobinho. E sua roupa está no banheiro, pode aproveitar e pegar a minha? — perguntou Cynthia, cobrindo-se com o cobertor da cama.
Steven rapidamente arrumou-se e desceu para tomar um rápido café-da-manhã, Cynthia continuou seguindo-o apenas com o lençol da cama envolta de seu corpo.
— Droga, odeio acordar em horário diferente, sinto-me perdido no tempo. — disse Steven, preparando um suco na cozinha e arrumando a gravata.
— Steven...
— O que foi?
— Eu te amo. — sorriu Cynthia, aproximando-se do rapaz e dando um beijo em seu rosto. Steven observou-a um pouco surpreso, durante muito tempo de sua vida ele sempre esteve sozinho e agora era estranho ter alguém ao seu lado. Ele sentia-se bem com a presença da garota.
— Eu também te amo Cynthia. — respondeu ele, beijando a cabeça da garota. — Agora vai colocar uma roupa ao invés de ficar andando pela casa com esse cobertor. Preciso ir agora!
— Cuide-se Steven, estarei esperando! — sorriu a loira.
Steven acenou e entrou no carro para ir trabalhar, agora ele tinha tudo que sempre sonhara, estes eram os melhores dias de sua vida.
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Cynthia ficou um tempo observando o copo de vidro que trazia o mesmo vinho daquela noite. Ao mesmo tempo que lhe trazia boas lembranças também lembrava a moça de que pouco tempo depois daquele dia sua vida viraria de cabeça para baixo.
— Nós dormimos juntos aquela noite, eu sentia que amava o Steven cada vez mais. — disse Cynthia. — Porém, só de lembrar que pouco tempo depois aconteceu aquele terrível incidente...
— Incidente? O que aconteceu? — perguntou Ash.
— Minha nossa Ash, será que você não consegue ser um pouco menos cara-de-pau? Foi quando a senhorita Cynthia foi seqüestrada! Apareceu em todos os jornais! — disse Dawn.
— Sim... Acredito que a história esteja chegando ao fim, os dias felizes e românticos terminam nesse ponto, a partir desse dia percebi que minha vida nunca mais seria a mesma. — respondeu Cynthia.
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