Notas iniciais
Amores!!!!! Antes de tudo, muito obrigada por me darem a imensa alegria de 144 comentários, 74 acompanhamentos, 35 favoritos, 2 recomendações e 2.235 visualizações! Nha! O capítulo de hoje é inteiramente dedicado à Loveromanoff, que recomendou a fic! Muito obrigada, vidoca! Inclusive, leiam as fics dela, gente :3 Okay... chega de enrolar! Aproveitem e perdão por qualquer erro de digitação! Tradução do capítulo: Coração partido

— Tempo!

Solto minha caneta de tinta azul e suspiro, olhando para os lados e vendo a maioria dos meus colegas fazerem o mesmo que eu.

— Muito bem, pessoal! Entregando suas provas e saindo!

A voz carrancuda da Sra. Clayton faz minha cabeça latejar. Não que ela seja culpada, mas especialmente hoje acordei com uma terrível enxaqueca.

Levanto de minha carteira trazendo comigo a prova em mãos e entregando a ela. Quando me viro, Rebby faz o mesmo que eu antes de se dirigir a mim.

— Hey! E aí? Foi bem?

— Espero que sim. – respondo sem ânimo a caminho da porta.

— Hey, Natasha!

— Shhh shhh, Rebby. Por favor. – fecho os olhos e faço uma expressão de dor. — Fale baixo. Estou com muita dor de cabeça!

— Dor de cabeça? – Rebby pronuncia as palavras com cuidado. — Que horas foi dormir ontem à noite?

— Quê? Isso não tem nada a ver, Rebby!

— Claro que tem, Natasha! Que horas você foi dormir ontem à noite?

Ah, não! Mais uma pessoa mandando em mim? Será que essa eu peito? Se bem que peitei Steven Rogers ontem e me saí muito bem!

— Não fui dormir muito tarde.

— A pergunta não foi essa.

Continuo olhando para Rebby e reparo em sua expressão. Ela está com as duas mãos na cintura e me encara com uma de suas sobrancelhas erguida.

— Certo. Eu... ér... passava um pouco das duas da manhã.

— Duas da manhã?! Cara, você é muito idiota! Acha que se matar assim vai fazer você passar?

— Rebby...

— O cérebro também precisa descansar, Natasha.

— Okay, okay. Eu já entendi.

— Não, você não entendeu. Aposto que vai fazer o mesmo hoje para a prova de amanhã!

— Não vou, não. – ergo os ombros e desvio o olhar para os lados.

— Hmmm... – Rebby cruza os braços. — Tá, vamos logo para casa. Você tem que ligar para o Sr. Rogers e marcar o horário das fotos.

— É, eu sei.

— Você vai ficar comigo durante a sessão de fotos, não vai?

— Rebby, você quem as quer. Não tem por que eu estar lá.

— Ah, não tem? – Rebby cerra seus olhos azuis e me dá um sorriso travesso.

— Não começa. – sorrio timidamente e ligo o carro.

— Tudo bem. – ela ergue as mãos em rendição e sorri ainda mais. — Falei com Peter sobre as fotos. Ele já tem um compromisso, então é Miguel quem vai nos ajudar.

— Okay. Então vamos logo! Tenho que estar na livraria daqui a pouco e ainda estudar para a prova de amanhã!

▪️▪️▪️

Vai. Vai. Vai, imbecil. Cara, vai! Deixa de ser covarde! Pega a porra do cartão e ligue para o Steve! Natasha! Ele está te esperando! Prometeu que ligaria depois da prova. Ligue, idiota. Ligue! Já, já serão dez da manhã e ele foi bem claro dizendo para ligar antes das dez! Vai!

Bufo, soltando mais um palavrão e discando os números no celular.

Atende, atende, atende. Não! Espera! Inspira e expira. Isso. Calma. Feche os olhos e fique tranquila. Ele vai atender e você vai falar com ele calma e normalmente, entendeu?

Sim.

Oh, Deus! O que é isso? Estou falando sozinha?

Claro que não, imbecil! Eu estou bem aqui. Sua amiga interior, sua tão conhecida e apelidada Little Red. Oh...

Alô?

Engulo em seco ao me sentir transpirando.

Alô? – chama mais uma vez. — Alô?

— Ér... o-oi.

Natasha?

— Ér... si-sim, Steve.

Oi!

— Oi! – sorrio calorosamente. — Ér... pediu que eu ligasse quando... quando chegasse da prova e... – quero me matar por gaguejar tanto, portanto agradeço aos céus quando Steve me interrompe.

Ah, sim! – diferente de mim, ele parece relaxado. — E como foi?

— Como foi o quê? – indago com o cenho franzido.

A prova. – ele ri.

Imbecil! O que mais poderia ser?

— Ah, tá. Ér... acho que fui bem.

Que bom! Tenho certeza de que foi mesmo!

— Obrigada!

De nada, Nat.

Nat... me chamou de "Nat" mais uma vez! Porque você pediu, idiota. Agora mantenha a pose de mulher madura! E não de adolescente apaixonada. Certo...! E para que bancar a gaga!

— Ér, então... sobre as fotos?

Sim, sim. Terei compromissos importantes mais tarde e não poderá ser depois das quatro da tarde. Então, só posso mais cedo.

— Mais cedo?

Sim.

— E esse mais cedo seria que horas?

Bom, Priscilla e eu estamos livres às duas.

— Okay... – eu me sinto murchar por dentro. — Vou falar com Rebby. Quer dizer... Srta. Deelwish.

Está tudo bem?

— Sim. Está. – tento forçar uma voz relaxada e calma, mas Steve parece perceber.

Eu já não te disse para não mentir para mim? É inútil. – ele diz após dar um longo suspiro.

— Só estou um pouco cansada, só isso.

Cansada? – sua voz muda. Agora, possui o tom autoritário e firme que me intimida. — Você dormiu?

— Dormi. – respondo curta e grossa. — Então, sobre as fotos, Rebby disse que duas da tarde está bom para ela.

Natasha...

— Com licença, Steve. Preciso desligar agora, tenho muitas coisas para fazer.

Natasha, espera...

— Tchau.

Natasha...

Retiro o telefone da minha orelha e o ponho no gancho. Não sei como ou por quê, mas sinto algo molhado e quente sair de dentro de meus olhos e escorrer pelo rosto. Estou chorando... mas por quê?

Porque você é uma menininha boba que está triste por não poder ver Steve hoje.

É, Little Red. Você está certa...

▪️▪️▪️

— Nat?

Aaargh! O que é agora? Já passa do meio-dia e eu ainda estou no mesmo módulo da matéria!

— Sim, Clint? – desistindo de me concentrar nos estudos, fecho o livro e o guardo na mochila.

— Dispensada.

O quê?

— O quê?

Clint me encara de volta enquanto passa uma flanela laranja ao redor da capa de um livro.

— Dispensada.

— Dispensada? Clint, como assim? Você está bem?

— Estou, Natasha. – ele ri e abre os braços, erguendo os ombros no processo. — Por quê?

— Ah, é que... eu... e-eu não sei exatamente o motivo de você estar me dispensando, então...

— Rebecca falou comigo. – diz. — Parece que ela precisa da sua ajuda num projeto da faculdade. E eu deixei você ir.

— Ma-mas... eu não vim trabalhar ontem e você ficou sozinho.

— Nat, vai. É sério. Eu dou conta.

— Não, Clint! Não é justo. Não é certo! Rebecca não pode ligar para cá e te pedir toda hora que eu saia cedo. Desculpe, mas não vou fazer isso com você. Não de novo.

— Natasha, você não quer ir embora?

— Quero, mas... ér... desculpe. – meu rosto ruboriza quando Clint me lança um sorriso singelo.

— Pode ir, Nat. E sei que você precisa estudar para essas provas finais aí. – ele aponta para a mochila atrás da cadeira em que estou sentada, onde estão guardados meus livros da faculdade.

— Mesmo? Não vai atrapalhar você? Pode dar conta?

— Vai! – Clint insiste ao rir mais uma vez.

— Okay! – sorrio antes de juntar minhas coisas e as guardar na mochila. — Obrigada, Clint! Prometo compensar quando puder. E isso não acontecerá novamente!

— Vai logo, menina! – ele ri mais uma vez antes de voltar para o fundo da loja.

▪️▪️▪️

Dirijo pelas ruas de Nova York, já em Manhattan, totalmente atrapalhada e atrasada. A ideia de chegar à minha casa, tomar um rápido e relaxante banho e depois descansar um pouco acabou fugindo dos planos. O banho até que consegui. Mas o descanso foi além do que eu planejei.

Arfando, finalmente chego ao prédio que Steve trabalha, estacionando o fusca ao meu fio e saindo de dentro do carro em disparado.

Corro para as portas giratórias e paro na recepção.

— Oi! – falo com a voz ofegante.

— Boa tarde! – a mulher jovem e bonita me cumprimenta. — Em que posso ajudá-la?

— Eu... ér, quer dizer, minha amiga, Rebecca Deelwish, está tirando fotos com Steve Rogers e Priscilla Donut. Ela me pediu...

— Certo. Um momento. – a recepcionista pega o telefone e disca alguns números para logo depois levá-lo até a orelha. — Seu nome, por favor.

— Natasha Romanoff.

Enquanto isso, procuro passar minhas trêmulas e geladas mãos pela cabeça, tentando — inutilmente — abaixar meus fios ruivos que estão extremamente rebeldes devido à pressa em correr para chegar ao fusca, já que estava e ainda está ventando nas ruas de Nova York.

— Srta. Romanoff? É isso?

— Oi. Sim.

— Aqui está o andar da sessão de fotos. Pode ir.

— Obrigada!

Pego o cartão branco com o número do andar e sigo para o elevador, ainda tentando acalmar minha descompensada respiração.

▪️▪️▪️

Saio do elevador e corro pelo extenso corredor cinza, que está vazio. Diminuo os passos quando me aproximo de uma sala e, através do vidro transparente, já consigo enxergar alguns flashes piscando.

Procuro acalmar minha respiração, inspirando e expirando com tranquilidade. Finalmente abro a porta e avisto Rebby no canto. Eu a chamo com um sussurro que por sorte ela consegue ouvir.

— Natasha! – murmura vindo até mim. — Por que demorou tanto?

— Desculpe. Eu acabei me atrapalhando um pouco.

— O que aconteceu? Disse que já estava a caminho, mas chegou mais do que atrasada!

— É, eu sei. Foi mal. Nada de importante. – no momento em que viro o rosto acabo me deparando com os azuis e sombrios olhos de Steve me encarando enquanto Miguel bate mais fotos. — Como está indo? Priscilla já tirou as fotos?

— Daqui a pouco é a vez dela. – responde Rebby. — Preferimos começar com o Rogers e depois pegarmos a Priscilla. E então finalizamos com os dois juntos.

— Ah, sim. – mesmo sem ver, ainda posso sentir que Steve está me olhando.

— Srta. Deelwish!

Rebby e eu nos viramos e Rebby se prepara para responder, mas então nos damos conta de que Priscilla está olhando para mim com uma expressão de sarcasmo mais do que estampada no rosto.

— Sim, Priscilla? – Rebby tenta amenizar o momento.

— Não falei com você. – Priscilla rebate e Rebby comprime os lábios. — Estou falando com esta mocinha que, por algum motivo, também se chama Rebecca Deelwish. – ela aponta o dedo na minha cara, o que me faz arquejar e abaixar a cabeça.

— Ér.. Priscilla, eu posso explicar. A culpa foi toda minha, eu...

— Quieta. – diz para Rebby, que se cala. — Não pedi explicações.

— Ér... com licença, Priscilla? – a morena olha diretamente para mim. — Por favor, não fale assim com Rebby. Eu realmente tenho uma explica...

— Por favor, digo eu! – exclama e Miguel olha para trás por alguns segundos antes de voltar a tirar fotos de Steve. — Como me diz como ou não falar com minha assistente?

— Assistente? – olho para Rebby. — É assistente dela?

— Algum problema? – pergunta Priscilla.

— Não. – diz Rebby. — Não, nenhum. Eu amo o meu trabalho, Priscilla!

— Ótimo! Não está feliz pela sua amiga, Srta... ér... como posso chamá-la? – questiona e me sinto corar novamente.

— Romanoff.

— O quê?

— Romanoff. – repito com mais firmeza. — Natasha Romanoff.

— Natasha Romanoff. – Priscilla me analisa de cima a baixo. — Pelo que vejo, não tem o dom da moda assim como sua amiga tem.

Tenho de concordar. E discretamente checo meu visual. Estou vestindo calça jeans escuro, botas que vão até metade de minhas panturrilhas, camisa preta de mangas compridas e, por cima, minha jaqueta verde musgo.

— É. Rebby tem mais habilidade para essa coisa. – murmuro ainda envergonhada.

— Habilidade para essa coisa? – Priscilla indaga. — É... ela tem.

Penso em responder ou então que ela vá me dizer mais alguma coisa de humilhante, mas de repente vejo Steve se aproximar e segurar em seu braço.

— Olá! – cumprimenta e forço um sorriso.

— Oi.

— Está tudo bem por aqui? – ele alterna seu olhar de mim para Priscilla e vice-versa.

— Sim! – Priscilla sorri descaradamente, como se nada que tivesse dito para mim tivesse sido rude ou sarcástico. — Está tudo perfeito! Já está na minha hora?

— Sim, Srta. Donut. – responde Miguel. — Pode ficar parada ali na frente daquele cenário?

Priscilla concorda antes de se afastar e seguir as instruções de Miguel.

De soslaio, vejo Rebby trocar um rápido sorriso com Steve antes de nos dar uma licença que, em sua concepção, foi discreta.

— Oi, Nat!

O cumprimento de Steve me faz erguer o rosto e me deparar mais uma vez com seus intensos olhos azuis. Olhos estes que sempre me dão calafrios e me deixam nervosa. Ele consegue me controlar apenas pelo olhar. Não precisa dizer nem fazer nada e eu já estou entregue à sua imensidão sombria.

— Oi.

— Como está?

— Bem.

— É? Eu também. – Steve sorri. — Apesar de não gostar nada, nada de que desliguem na minha cara.

Coro. Coro de novo. Continuando corando muito, como se meu rosto estivesse pegando fogo. E então me dou conta de que meu pensamento talvez não tenha soado como uma metáfora, pois do jeito que eu coro pode mesmo estar em chamas! Ah, por favor, Natasha, não seja ainda mais patética!

— Ér... me... me... desculpe, Steve. Eu... e-eu na-não quis...

— Não quis fazer, mas fez?

— É. Quer dizer, não! Não, não! É que eu estava...

— Cansada?

— Sim. – mordo meu lábio inferior. — E completamente atarefada.

— Atarefada? – ele sorri e ergue suas sobrancelhas. — Eu também estava. E muito. Indo para uma reunião. Na verdade, já dentro da sala sentado em minha cadeira na ponta da mesa. E nem por isso fiz tal grosseria com você. Aliás, eu jamais faria.

Oh, meu Deus! Oh, Steve! Por favor, já estou me sentindo péssima! Por que me fazer sentir mais?

Porque você merece! Desligou na cara desse gato lindo e ainda por cima não quer que ele fale essas coisas? Você merece isso e muito mais! Imbecil!

— Steve, desculpe. – meu corpo treme de vergonha. — Desculpe. Eu... ai... me desculpe!

— Tudo bem. – ele fala e eu volto a olhá-lo. — Acho que já te torturei o suficiente.

— É, você fez isso muito bem. – sorrio e Steve suspira enquanto aperta os punhos e mexe o maxilar.

— Está ocupada? Aceita ir tomar um café comigo depois das fotos?

Ahn??? Um café? Com você? Depois daqui? Sim, sim, sim! Ei! Calma! Respira. Desesperada...

— Ah... ér... bo-bom, eu... é que... vim com o meu carro, então...

— Com o seu carro? – suas sobrancelha se destacam num V. — Não tem como pedir para que a Srta. Deelwish volte com ele para casa?

— Ér.. bom, eu... posso tentar.

— Okay. Iremos quando eu acabar, tá?

— Tá! – sorrio abertamente. — Mas não tem um compromisso?

— É só um café. – Steve fala simplesmente e me sinto murchar. Mas, então, ele completa. — E também vale à pena um pequeno atraso por você.

Coro, mas desta vez o que se aquece é meu coração. Mas... Não! Fique quieta, Little Red! Quieta! Eu quem falo agora!

— Então você aceita? – ele me pergunta novamente, com um sorriso pequeno e fechado nos lábios.

— Sim, sim. Claro! – sorrio novamente. — Mas não podemos demorar. Até porque tenho que estudar para as provas.

— Okay. – Steve olha para Miguel, que está o chamando. — Vou bater as últimas fotos com Priscilla e podemos ir, tudo bem?

— Claro!

Seu sorriso mais uma vez me faz sentir mole e flutuante. Jesus! Estou indo tomar um café com Steve Rogers, logo eu, que detesta café puro!

— Hey! – Rebby agarra meu braço e o cruza com o seu após Steve sair de perto de mim.

— Oi. – sussurro de volta.

— E aí? O que vocês falaram?

— Ah... nada de importante. – minto ainda me sentindo corar.

— Eu reparei que ele não parou de te olhar desde que você chegou aqui! – Rebby ri junto comigo.

— Ele me chamou para tomar um café com ele depois daqui. – minha amiga solta um gritinho contido. — Shhhh shhhhh, disfarça.

— Um café? Mas você não gosta de café puro!

— Shhhhh! – murmuro de novo. — Eu sei, mas não preciso tomar café. Posso pedir outra coisa. E fale baixo, caramba!

— Tá, foi mal. – Rebby respira fundo. — Mas você não disse que tinha que estudar?

— É, eu sei. Mas não pude recusar. – ela sorri ainda mais com minha confissão.

— Ah, eu te entendo! Também não recusaria, amiga. E aonde vocês vão?

— Não sei, qualquer cafeteria. Steve escolhe.

— Okay. Bom, quero os detalhes depois, ouviu?

— Tá bom. – sorrio. — Ah, Rebby?

— Fala.

— Vou precisar da sua ajuda.

— Para...?

— Eu vim com o meu carro. Tem como você voltar para casa com ele?

— Ah, Nat, eu vim com o meu. – Rebby lamenta.

— Mas ele não estava no conserto?

— Estava. – Rebby ergue uma sobrancelha. — Eu o peguei hoje antes de vir para cá. Por enquanto está funcionando. Espero que continue assim!

— Hmmm...

— Ah! Peça a Miguel, ele volta com o seu carro. Sem problemas. Ou você pode deixar estacionado aqui e...

— Não. Talvez, depois do café, Steve me leve em casa. – deixo meus sonhos saírem em voz alta.

— Cuidado! – Rebby fala com firmeza. — Não vá cair do cavalo, okay?

— Okay. – assinto ainda aérea. — Está certo. Mas vou pedir a Miguel mesmo assim.

— Deixa que eu peço. E, como recompensa, você vai me contar tudo, hein. – Rebby sorri euforicamente, o que me faz enrubescer.

— Tá, tá, agora fique quieta.

▪️▪️▪️

Eu me pego mais uma vez corando e encarando Steve com um sorriso completamente bobo se formando em meus lábios. Ele força uma tosse enquanto ajeita sua gravata, o que chama minha atenção.

Desperto, piscando e fingindo endireitar meu casaco ao seu lado enquanto caminhamos pelo corredor até chegarmos a um dos elevadores.

— Ele é o seu namorado?

Oi?

— Oi?

— O rapaz. – Steve me olha seriamente. — O fotógrafo.

— Miguel? – escorrego com minha voz. — Não! Não, claro que não! Miguel é... é um irmão para mim. – sorrio para aliviar seu senso de humor, mas ele continua a me encarar de modo sinistro. Será que esse homem não sabe devolver um sorriso nem por educação? Quieta, Little Red!

— E o cara da livraria?

— O cara da livraria?

— É! Aquele que te abraçou e se apresentou a mim.

— Clint?! – pergunto incrédula e Steve nem pisca. — Não, também não!

Penso em perguntar o motivo de todo aquele interesse, mas quando abro a boca, Steve se vira e caminha mais rápido para o elevador. Eu apenas o sigo, ainda que as dúvidas estejam borbulhando dentro de mim.

— Ouvi dizer que ele voltaria para casa com o seu carro.

— Quem? Miguel? – indago e Steve assente. — Bom, é que eu vim com o fusca e estou indo tomar um café com você. Não quero deixar o carro estacionado por aqui, então pedi a ele que deixasse em frente ao meu prédio.

— Mas disse que pediria à Srta. Deelwish. – Steve murmura firmemente.

— Eu sei, mas ela veio com o carro dela. – continuo sem entender qual é o seu ponto.

— E por que pediu a ele?

— Ér... porque ele é meu amigo e eu confio nele, Steve! Qual o problema? – franzo o cenho.

Steve suspira e olha para as portas de ferro que estão coladas uma na outra.

— Nada. – diz. — Obrigado por responder.

— De nada. – falo ainda atenta a ele, que continua sem me olhar.

▪️▪️▪️

Steve nos conduz até uma mesinha redonda de cor preta com cadeiras uma de frente para a outra. A mesinha está no canto perto do janelão, que nos permite ter uma ótima vista do Central Park.

Sorrio pela gentileza de Steve em puxar a cadeira para que eu me sente.

— Boa tarde!

— Olá, Patrick! – Steve se senta à minha frente.

— Olá, Sr. Rogers! – Patrick devolve no mesmo tom antes de olhar para mim. — Oh! Como vai, querida?

— Oi. – cumprimento timidamente. — Prazer, Natasha Romanoff. – Patrick aperta minha mão.

— Muito prazer, Srta. Romanoff. Sou Patrick Swan, mas pode me chamar só de Patrick.

Sorrio de maneira simpática e simples, vendo — de soslaio — que Steve cerra os punhos e desvia seu olhar para baixo, parecendo estar nervoso.

— E o que vão querer? – pergunta Patrick.

— Ahn... Natasha? – Steve indaga e eu pisco.

— Bom... eu não estou com fome. Vou querer só com Cappuccino. – Steve suspira e aperta os punhos novamente.

— Por favor, vou querer um Cappuccino também e um cupcake de morango com chocolate. – ele não desvia seu olhar repreendedor de mim.

— Certo. Voltarei já, já com os pedidos! – anuncia Patrick antes de se afastar.

— Então... – tento começar algum assunto agradável, mas Steve me corta.

— Por que não vai comer, Natasha?

Como é? Já, Steve? Mal sentamos para conversar.

— Por quê? – ergo os ombros e olho para cima. — Porque não estou com fome, oras!

— Revirou os olhos para mim?

Ele pergunta e eu me sinto ameaçada, mas fico em dúvida se acabo rindo ou não ao notar suas pupilas dilatadas. Um discreto sorriso quer se formar ao canto de sua boca enquanto Steve aperta, mais uma vez, os punhos sobre a mesa.

— Ahn... eu...

— Sabia que isso não é nada educado, Srta. Romanoff?

Coro. E desta vez sinto ser a pior de todas as outras vezes. Esfrego as palmas das mãos por baixo da mesa, olhando para minhas pernas e ainda me sentindo corar.

— Fiz uma pergunta, Srta. Romanoff.

Volto a erguer meu olhar com o rosto ardendo. Abro e fecho a boca várias vezes, mas nada sai. Que coisa...!

— Bom, sim. – uma risada nervosa me escapa. — Desculpa.

— Okay. – ele sorri junto a um suspiro. — Eu perdoo você. Mas fique sabendo que a senhorita merecia um castigo...

— Ahn... ér.. bom, obrigada por me perdoar. – eu rio e franzo meu cenho. Quê? Um castigo?

— Aqui estão! Aproveitem!

Patrick chega com os nossos pedidos e os põe sobre a mesa. Steve e eu afastamos nossos braços e sentimos o cheirinho gostoso dos Cappuccinos. Hmmm, que delícia!

— Obrigada, Patrick! – sorrio por seu bom atendimento

— Obrigado. – diz Steve.

Patrick ri para nós e se afasta novamente, voltando para trás do balcão.

— Coma.

Paro o trajeto da xícara do Cappuccino à boca e fito a mão de Steve empurrar o cupcake para mim. O quê? Coma? Qual a parte do seu "não estou com fome" que ele não entendeu? Calma, Little Red!

— Quê?

— Coma.

— Mas eu não pedi...

— Coma, Natasha.

Eu rio ao colocar a xícara de volta ao pires. Subo o olhar e encaro Steve com uma de minhas sobrancelhas ruivas erguida.

— O senhor é bem autoritário, Sr. Rogers.

— E a senhorita é bem teimosa, Srta. Romanoff. Coma.

— Desculpe. – afasto o cupcake lentamente. — Eu disse que não estou com fome, por isso pedi somente o Cappuccino.

— Natasha...

— Acredite, Steve, se eu realmente quisesse comer alguma coisa, eu pediria.

Ótimo! Isso aí! Continue assim, não perca o controle agora.

— Eu sei que não almoçou.

— Como sabe?!

— Viu? – Steve sorri. — Peguei!

Idiota! Você é uma tapada mesmo, né? Calma, Little Red. Como eu ia saber que ele estava armando uma pegadinha para mim?

— Ér... bom... é. – ergo os ombros e suspiro. — Eu não almocei porque saí da faculdade e deixei Rebby em casa antes de ir trabalhar.

— E depois?

— Bom, depois saí de lá mais cedo e voltei para casa, mas acabei tomando um banho e dormindo. Quando acordei, já estava atrasada e fui correndo para o seu trabalho.

— Então pelo menos você dormiu?

— Sim. Mas também cheguei a comer um sanduíche antes de vir.

— Perfeito! – Steve pega o cupcake e dá uma mordida. — Fico feliz por saber que ao menos você descansou. Mas ainda tem olheiras sob seus olhos.

— Eu sei. – abaixo o rosto. — Amanhã serão as últimas provas. Prometo dormir bastante. – sorrio e ele sorri de volta. Isso!!!

— É, espero que sim. – Steve dá mais uma mordida em seu cupcake. Tento segurar um riso, mas não consigo. Ele percebe e me pergunta. — O que foi?

Meu rosto cora e eu tomo mais um gole de meu Cappuccino, disfarçando o desvio de meu olhar.

— Natasha?

— Hmm?

— Do que você riu?

— Ahn?

— Do que você riu?

— Ér... nada, eu...

— Diga.

Ah. Estava bom demais para ser verdade. E lá vamos nós, novamente, com o Steve autoritário e firme. Calma, Little Red, calma. Eu consigo acalmá-lo...

— Ér... que... você mordeu o cupcake e...

— "E..."? – Steve ergue suas sobrancelhas. — Eu me sujei?

— É. – coro ainda mais. — Desculpa. Eu sei que é infantil, eu só...

— Tudo bem. – ele ri e procura por guardanapos. — Importa-se de limpar para mim?

Sinto meu coração acelerar mais do que já estava. É. Nem é preciso eu estar com Steve para me sentir nas nuvens ou então em um caldeirão de água quente. Só por dizer seu nome, pensar nele... qualquer coisa, da mais simples que seja, já faz sensações dentro de mim serem despertadas a tal ponto que chega até mesmo assustar.

— Cla-claro. – concordo ainda trêmula. — Ér... co-com licença. – pego o guardanapo de suas mãos e evito de encostar em sua pele.

— Toda.

Fecho os olhos, suspirando e mordendo meu lábio inferior. Ouço Steve inspirar profundamente e torno a olhar para seu rosto. Sério e apreensivo. Mas o que eu fiz agora?

Limpo o canto de seu lábio inferior e me pego corando fortemente ao perceber que estou inclinada sobre a mesa com meu olhar focado no seu. Pessoas ao nosso redor nos observam. Discretamente, mas observam.

— Ér... prontinho!

Volto a sentar e deixo o guardanapo na mesa.

— Obrigado. – ele sorri rapidamente.

— De nada.

Dou mais um longo e profundo gole em meu Cappuccino, sentindo o líquido quente e adoçado escorrer pela garganta. Olho para os lados e mexo as pernas ansiosamente. Steve parece notar.

— Está nervosa?

— Um pouco. – resolvo ser direta. — Você me intimida.

— É bom saber disso! – rebate calmo. — Mas não quero que fique nervosa. Vamos falar de algo que te ajude a relaxar.

— Tipo o quê?

— Conte sobre você.

— Sobre mim? E isso me ajudará a relaxar? – pergunto aos risos.

— É, por que não? Vamos tentar. Fale de você.

— Okay... e o que quer saber?

— De você. – dá de ombros. — Da sua vida, seus passa tempos, seus gostos... de você. Vamos começar com uma mais fácil: o que pretende fazer depois de se formar?

— Bom, no momento, só penso em passar nas últimas provas. – solto um riso tímido pelo nariz. — Depois, Rebby e eu nos mudaremos para Nova York. – ergo os ombros. — Inclusive, já começamos a empacotar algumas coisas. E devemos terminar logo.

— Que bom! – exclama.

— É... e, passado algum tempo, pretendo começar a procurar emprego em alguns consultórios, mas a minha meta é conseguir o estágio na Minds Manhattan. Começará em fevereiro. Durará um mês. Se eu passar, ganho um emprego permanente. Quero me especializar na parte de Psicologia Infantil. É minha meta de pós-graduação.

— Entendo. – Steve assente. — Bom, espero que consiga! Tem um potencial muito esforçado e ambicioso pelo que vejo.

— Obrigada. – murmuro, mas abaixo o olhar. Ambiciosa? Eu? Nunca notei.

— Fale mais.

— Mais?

— É.

— E o que mais quer saber? – minhas bochechas ainda estão ardentes.

— Fale da sua vida. Conte sua história para mim.

— Ah, eu... não sei o que falar de mim. – sorrio timidamente. — Quer dizer, não há muito o que falar sobre mim. É bem fácil. – dou de ombros — Olhe para mim.

— Mas eu estou.

Meu coração dá mais palpitadas aceleradas. Nosso encontro na livraria. As mesmas palavras, as mesmas sensações, a mesma textura de seu olhar e de seu tom... ah, Steve!

Sorrio, vendo que Steve faz o mesmo. Ah! Então, ele se recordou também! Ele se recordou, assim como eu!

— Ér... bom... eu... eu sou da Rússia. – digo após ficarmos nos encarando.

— Hmm, como será que eu não adivinhei antes?

Coro com a brincadeira de Steve, mas decido continuar após lhe lançar um casto sorriso.

— Meu pai é de lá, mas minha mãe é de Chicago. Ela se mudou para a Rússia numa viagem de negócios que lhe rendeu um trabalho de dois anos. Assim, papai e ela se conheceram. – explico e Steve assente.

— Conte mais.

— Bom, nós nos mudamos para Nova Jersey quando eu tinha sete anos. Meu pai recebeu uma incrível proposta de trabalho e não pôde recusar. E, então, aqui estou eu! – mexo os braços em tom de surpresa.

— Seus pais ainda são casados? – Steve termina seu cupcake e se prepara para iniciar o Cappuccino.

— Não. – dou mais um gole em minha bebida quente. — Eles se divorciaram seis meses depois de nos mudarmos. E então mamãe conseguiu minha guarda e fomos morar em Los Angeles com minha avó. Apesar de meu pai ser advogado, ele não lutou contra isso. O divórcio deles foi amigável.

— E como foi a experiência de morar em Hollywood? – pergunta e eu solto um audível riso.

— Bom, foi... legal.

— Legal?

— É. Quer dizer, eu demorei para fazer amizade, mas consegui. Minha mãe teve uns dois namorados no decorrer de alguns anos, mas parece que agora encontrou o verdadeiro amor. – sorrio novamente. — É uma verdadeira romântica incorrigível!

— E seu pai? Casou de novo?

— Papai? Não. Também chegou a ter algumas namoradas. Na verdade, acredito que umas três, mas nada muito sério. Apenas passagens.

— Hmmm... então, vamos deixar o Sr. Romanoff de lado e falar de você.

— De mim? Mas pensei que já estivéssemos fazendo isso. – comento com o cenho franzido.

— Não. Falamos de sua vida, mas você se focou mais nos seus pais. Agora, quero que me fale de você, Natasha.

— De mim? – repito ao corar. — Mas o que eu posso falar de mim mesma? – solto mais um riso nervoso e tímido.

— Pelo o que me disse, não tem namorado.

— É. Não tenho.

— Tem alguém que goste?

Ai, Steve! É sério que está me perguntando isso? Não está mais do que na cara?

— Ér... bom... não sei.

— Não sabe?

Steve me encara de modo atento e presunçoso. Coro de novo.

— É complicado, eu... eu não estou acostumada com essas coisas. – meu rosto queima.

Coisas? Que coisas?

— Ér... essas coisas de... de relacionamentos. Não sou do tipo namoradeira.

— Entendo. – Steve assente. — E qual é o seu tipo, Natasha?

— Meu tipo? – sorrio encabulada. — De homens ou de comportamen...

— Os dois.

— Ahn... bom... eu.. eu sou uma pessoa quieta, simples e sonhadora. Sei que que essa coisa de príncipe encantado é mentira. Já cansei de ouvir isso, mas sou do tipo que acredita que ainda possa existir um. E que o mesmo chegará para mim.

— Príncipe encantado? – Steve pergunta. — Do tipo romântico, gentil e carinhoso?

— Sim.

Meu corpo treme em antecipação. Príncipe encantado, Natasha? Como você diz isso para o cara que está se interessando? Vai afugentar qualquer um! Idiota!

— É, eu sei. Ridículo e antiquado. – ergo os ombros. — Tudo a ver comigo, não?

Vejo ele sorrir e desviar o olhar rapidamente, mexendo as pontas de seus dedos enquanto dá mais um gole em seu Cappuccino.

— Não.

— Não o quê?

— Não é ridícula e antiquada por acreditar no verdadeiro amor. – Steve suspira. — É apenas ingênua e romântica. Apenas tenha cuidado. Nem sempre é o que parece.

— É. – assinto tensa. — É, já me alertaram sobre isso. Sei que devo manter os pés no chão. – mordo meu lábio inferior. — Mas e você? Não quer...

— Desculpe. – Steve termina seu Cappuccino. — Já acabou? – pergunta apontando para minha xícara.

— Ahn... sim.

— A conta, por favor! – ele ergue o braço em direção a Patrick.

— Conta? – observo suas rápidas ações. O que houve? Estávamos nos dando bem, oras!

— Sim. – Steve evita meus olhos. — Preciso ir.

— Ah. – constato. — É o trabalho, não?

— É... sim. Estou bem ocupado hoje.

— Entendo. – Patrick se aproxima da mesa.

— Oi! Gostaram do lanche?

— Sim, Patrick. Muito bom! Quanto deu?

— Aqui, Sr. Rogers. – ele estende a máquina de cartão de crédito para Steve.

— Certo. – Steve abre sua carteira e pega o cartão para passá-lo.

— Precisa mesmo ir, né? – pergunto, querendo passar mais tempo com ele. Será que minha ideia de Steve me levar em casa irá se realizar?

— Sim. Tenho coisas a fazer. E você precisa estudar.

— É. – sorrio tristemente. — Bom, eu posso... – começo a abrir minha carteira, mas Steve percebe e me impede.

— Nada disso! – exclama antes de digitar sua senha. — Eu te chamei, eu pago.

— Não! Eu pedi...

— Eu disse "não", Natasha!

Sua voz se eleva. Eu me assusto e enrubesço sob o olhar de Patrick, que tenta disfarçar, mas consigo perceber que está me encarando.

Ah, Steve! Por quê? Você estava tão bem e calmo. Estava, queridinha. Estava...

— Certo. – guardo a carteira no bolso de trás da calça jeans e me preparo para levantar. — Vamos?

Ele assente e eu empurro a cadeira para trás. Ao me virar, caminho em direção à porta, que é segurada por Steve para que eu passe em sua frente.

Sorrio em agradecimento e saio. Steve está logo atrás de mim e encara o movimento dos carros transitando. O vento gelado passa por meu rosto e eu me sinto arrepiar. Esfrego as mãos nos braços, que estão cobertos pelo panos da camisa e jaqueta, e suspiro. Steve me olha.

— Frio?

— Um pouco. – respondo. — Apesar de ter parado de nevar, a temperatura ainda está muito baixa.

— Pois é. – Steve parece sério e tenso ao meu lado. — Bom, tenho que ir.

— Okay. Ér... sobre as fotos...

— Tenho certeza de que ficarão boas! – afirma sem sorrir. — Adeus, Srta. Romanoff.

Quê? Adeus? Por quê?

— Adeus?

Natasha! Sempre pensando em voz alta...!

— Sim. – diz após dar um profundo suspiro.

— Oh.

— Terminamos aqui.

— Ér... ter-terminamos? – indago sem entender sua fala.

— Sim. – Steve olha para mim sem expressão alguma no rosto.

— Então...

— Quer dizer que eu não poderei vê-la novamente.

— Ah, ah eu... eu compreendo. O trabalho realmente...

— Não é isso. – ele me interrompe. — Apenas não nos veremos mais.

Nossa! Nossa, como isso dói! Dói demais! Mas por que dói tanto assim? Qual garantia de um futuro encontro, seguido de outros e mais outros, Steve havia me dado? Okay, nenhuma. Mas também me alimentou esperanças. Esperanças falsas e sonhadoras, bobona!

— Ér... eu... – meus olhos ardem e eu suspiro para não chorar. — Eu não entendo. Fiz alguma coisa que o chateou? – pergunto com a garganta queimando.

— Não. – Steve me olha com certo apreço.

— Então... qual o problema?

— Não tem problema nenhum. Eu só... – ele suspira e passa as mãos nos cabelos sem parar de me fitar. — Natasha, você tem que ficar longe de mim. – Steve se aproxima mais e eu sinto o calor de sua mão queimar meu rosto quando me toca. — Faço isso por você.

— Quê? Longe de você? Como assim? Do que está falando, Steve? – questiono ainda sem compreender sua atitude. — Oh! É um homem comprometido? É isso?

Minha voz está embargada e a garganta, seca e doída. O nó que se forma é apertado. E ainda dói muito.

— Não! Não, não tem ninguém. Apenas não posso ser o que quer que eu seja. – diz e me sinto mais confusa ainda.

— Steve, eu aceito quem quer que você seja.

— Não sabe o que está dizendo. – ele afasta a mão de meu rosto e, novamente, o frio me isola ainda mais em pensamentos dolorosos. — Fique longe de mim. – pronuncia cada palavra de modo lento e categórico.

Chega. Chega de humilhação. Estamos em público e você está desesperadamente implorando por mais um toque dele, enquanto ele te esnoba e te manda se afastar. Já deu, Natasha! Vá embora!

— Certo. – concordo com minha voz interior. — Como quiser, então.

Suspiro, virando e me preparando para atravessar a rua. Entretanto, sem perceber, um entregador de comidas dirigindo uma moto vem rapidamente em minha direção.

Na tentativa de desviar dele, piso em falso e quase sou atropelada, mas sinto um puxão em meu braço e um grito de "Cuidado!" soar atrás de mim. Quando me dou conta estou nos braços de Steve, que está com as costas encostadas em um poste de placa da rua.

Seu rosto está muito próximo do meu. Apenas cinco centímetros. Exatos cinco centímetros que separam nossos lábios um do outro. Vamos, Steve. Por favor. Só um beijo. Dê ao menos isso para mim: me beije! Só um único beijo! Por favor!

Fecho os olhos e sinto sua acelerada e quente respiração bater contra meu rosto, concentrando-se em meus lábios, que estão entre abertos.

Sua mão pressiona um lado de meu rosto sutilmente, fazendo minha pele queimar sob seu toque.

— Ande com cuidado, Natasha!

Como é? Estou louca por um beijo seu e você vem me repreender?

— O quê? – abro meus olhos.

— Ande com cuidado! – lentamente, seus braços me soltam. — Sabe-se lá o que poderia ter acontecido, se eu não estivesse aqui! – ele leva as mãos aos cabelos nervosamente.

— Steve...

— Sabia que atropelamento por moto é tão ou mais perigoso quanto um de carro?

— Mas eu...

— "Mas" nada! Fique atenta, caramba!

Steve praticamente grita e eu me murcho toda. Respiro fundo e engulo a saliva com força, empurrando a vontade de chorar para longe de mim. Ao menos eu me esforço para que consiga!

— Pode deixar. Obrigada por me salvar! E adeus, Sr. Rogers. Para sempre, como o senhor quer!

Notas finais
E aí? O que acharam do capítulo, amores? Steve foi muito duro com a Nat? Como será que ela vai se sentir? :/ Ah! Atualizei a fic EVANSSON há alguns dias. Passem por lá e comentem: https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-chris-evans-evanssons-life-3476044 Outra coisa! Senti falta de MUITOS leitores no capítulo passado. Por favor, comentem no de hoje, okay? :/ É isso, babies! Comentem, favoritem, acompanhem e se quiserem... recomendem :3 Beijocas!!!!