I Put a Spell On You 🔞
50 Capítulo 5O — Nobody said it was easy
Notas iniciais

No momento, travo uma batalha interna entre continuar a encarar meu reflexo no espelho, voltar a chorar na cama e abrir a porta desse quarto para partir.
Tudo está tão confuso. Tão doloroso. Tão... recente. Saber que meu último momento com Steve será uma despedida fria e angustiante faz onda de calafrios percorrerem por todo o meu corpo. Calafrios estes que antes eram consequências de prazer e felicidade. Tudo ao seu lado. Mesmo que suas palavras e atitudes me deixassem confusas, também me deixavam feliz.
Steve sempre me tratou com tanto carinho. Com tanto cuidado. Já perdi a conta de quantas vezes cogitei a ideia de ele me amar. E de quantas vezes sonhei com o momento em que ele se declararia por mim. Claro que tudo não passara de ilusões. Ilusões bobas de uma menina mais boba ainda. Mas isso acabou.
O fato de eu ter amadurecido por conta do comportamento que Steve apresentou ontem não me incomoda. Claro que eu nunca esperei que fosse ser daquele jeito, mas eu já esperava que poderia ser algo parecido. Desde que o conheci, sempre tive a sensação de que estava caminhando em um campo minado, a qualquer momento podendo voar pelos ares. Ontem aconteceu o contrário. Eu me afundei. Afundei de forma profunda e rápida. E, assim como um navio naufragado, eu me encontro no fundo do oceano. Um oceano gelado, escuro e sombrio. Tão sombrio quanto os olhos azuis de Steve, que me transmitiam paz e medo. Segurança e nervosismo. Sempre o mesmo duelo paradoxal.
Nunca me senti eu mesma com ele. E ao mesmo tempo sempre fui eu mesma com ele, apesar de ter tido sempre a sensação de estar encarnando uma personagem. Uma personagem que ele queria que eu fosse. Que ele ansiava que eu me tornasse. Agora isso acabou. E acabou tarde. Mas, antes tarde, do que nunca.
Decidida, suspiro uma última vez antes de limpar as lágrimas e sair do quarto, descendo as escadas e encontrando um Steve pensativo e de aparência perturbada na sala. Seu rosto expressa um semblante preocupado e nervoso.
O que será que ele... Menina! Chega! Não se deixe levar. É. Tem razão, Little Red. Não posso pensar nisso. Não posso pensar em como ele será atingido, tenho que continuar com a decisão que tomei. Por mim. Por ele... Não! Não por ele! Somente por você, Natasha! Por pensar demais nele, você acabou chegando aonde chegou!
Batendo continência a mim mesma, termino de descer os últimos três degraus e paro diante de Steve, que ainda não me olha.
— Eu estou indo. – ele levanta a cabeça e me fita com a boca entreaberta.
— Agora? – percebo sua surpresa, mas me esforço a não ficar mexida com isso.
— Sim.
— Natasha... – Steve se levanta do sofá, mas eu recuo alguns passos e estendo o braço em sua direção.
— Não chegue perto.
— Não me peça isso. – ele se aproxima mais, o que me obriga a dar a volta na mesinha atrás de mim.
— Não chegue perto de mim. Eu não quero que me toque.
— Mentira.
— Não, não é.
Pode parecer estranho. E na verdade é. Mas eu não estou querendo enganá-lo. Eu realmente quero manter distância. Se ele me tocar, não sei o que poderá acontecer. Quer dizer, se ele me tocar, não sei se eu conseguirei seguir em frente com o meu objetivo.
— Você não precisa ir embora, Natasha. Quero que saiba disso. – sua voz vacila por rápidos segundos, mas ele aparenta recuperar a compostura fria e robusta.
— Steve...! – solto um riso nervoso antes de voltar a encará-lo. — Agora sou eu quem falo: não me peça isso.
— Eu sei que você não quer ir embora. Eu sei que não quer me deixar, que não quer se afastar de mim.
— Isso não importa mais.
— O quê? Mas é claro que importa! Eu... – ele se silencia e eu franzo o cenho diante de sua abrupta ruptura.
O que houve? Por que você parou? Continue.
— Quer me dizer alguma coisa? – pergunto na estúpida esperança de ele se abrir comigo.
Seus lábios se separam e os olhos se arregalam. Nunca senti meu coração bater tão forte quanto está batendo agora. É como se estivesse galopando ou socando meu peito. Ou as duas coisas!
É, talvez. Mas a sensação de ansiedade vai se esvaecendo à medida que Steve vai abaixando o olhar.
— Não. – sua resposta me faz murchar mais uma vez. — Não é nada.
O nó de ontem à noite volta a se formar em minha garganta. A dor física que sinto nos quadris nem me incomoda. Mas a sentimental deixa um buraco enorme no meu peito.
Um tiro de fuzil não tem nem comparação com o estrago que você fez e ainda faz no meu coração, Steve.
— Certo. – luto para deixar meus muros bem erguidos. — Então eu já vou.
Steve suspira como se estivesse tentando esconder a dor que está sentindo. Quer dizer, isso se ele está sentindo alguma dor. Algum arrependimento. Algum vazio. Não é possível que só eu esteja tão sofrida!
Eu sangro por dentro. Uma hemorragia desencanada toma conta de minha alma. Nossa! A dor é insuportável...!
— Okay.
Seu rosto se mascara novamente numa nuvem negra cobrindo qualquer resquício de expressão que possa ser vista e sentida. Sua fria e sucinta resposta me faz piscar e eu balanço a cabeça tentando afastar os pensamentos melancólicos para fora de minha mente.
A batalha já está perdida, pois não sou mais capaz de evitar que minha dor escorra por meus olhos. E, por trás das lágrimas quentes e pesadas, eu observo o rosto de Steve oscilar entre raiva e dor. Parece que máscara está se soltando.
Sinto que quer vir até mim e me beijar como nunca me beijou antes. E, se isso acontecer, eu serei obrigada a lhe estalar um tapa no rosto. Mesmo que eu receba outro em troca, eu lhe devolverei o mesmo ato. Mesmo que fiquemos nos estapeando na sala, jamais deixarei que fique por cima de mim novamente. Jamais! Ele nunca mais será o meu Dominador! E nem eu nunca mais serei a submissa de alguém! Nunca!
— Pedirei que Fury a leve para casa. – sussurra ainda sem olhar para mim.
— Obrigada. – dou um longo suspiro. — Eu... eu deixei o Iphone em cima da cama. E gostaria... ér... quer dizer, eu quero o meu carro de volta.
Steve move os olhos lentamente até mim parecendo estar estudando meu semblante.
— Fury já fez a venda.
Sua resposta me pega de surpresa, mas eu ergo os ombros e suspiro num gesto de simplicidade.
— Está bem. – assinto. — Então eu quero o dinheiro que ele conseguiu com a venda.
— Mandarei um cheque.
— Okay. E eu devolverei tudo que me deu.
— Não precisa. Como você mesma disse, eu dei. Então agora é seu.
— Nunca foi meu. – ergo os ombros. — Devolverei tudo. Não se preocupe.
— Não estou preocupado com isso, Natasha. E você não tem que me devolver nada.
— Eu insisto.
— Está bem. – Steve olha para o chão. — Como quiser. – ele parece um pouco sem jeito, mas logo suspira e me encara de frente.
Solto um sorriso amargo e permaneço em silêncio. Então é assim? Ele não vai dizer nada? Vai ficar apenas nisso? Concordâncias? Sim, Natasha. Não há o que dizer. É a quebra de um contrato. Acabou. Vá embora. Tem razão, Little Red. Já passei tempo demais aqui.
Desistindo de tentar mais uma vez esperar algo dele, giro os calcanhares e caminho até porta. Minha mão treme no momento que estico o braço e puxo a maçaneta. Mas preciso ser forte. E ir até o fim.
Ainda me sentindo zonza e fraca, aperto o botão do elevador e me preparo para ir, mas ouço passos firmes e determinados vindo em minha direção. Viro o rosto a tempo de ver um Steve ofegante e ostentoso caminhar para perto de mim.
— Pare.
Ele não diz nada em troca nem interrompe a determinada caminhada até mim.
— Steve! Pare! – apelo novamente, mas ele está decidido.
Até mesmo em momentos como esse, Steve não se preocupa em disfarçar seu foco. E é agora que noto o que ele sempre foi: um verdadeiro diversos tons.
— Steve...
Tento recorrer a mais negações, mas nada é suficiente para que ele cesse suas ações. Oh! Cessar suas ações... o contrato! Palavras-chave! Diga, Natasha!
— Escuro!
Com meu último grito, suas pernas travam. Steve se torna uma estátua. Seu corpo fica sem se mexer. Se não fosse o pano leve de sua camisa movendo-se para frente e para trás, eu poderia pensar que ele havia parado de respirar.
Seus olhos azuis estão grandes e incrédulos. E, pela primeira vez, Steve não consegue disfarçar o olhar de dor e culpa que preenche sua expressão. Cheguei até aqui. Preciso e vou continuar. Ainda com a respiração vacilando e mãos trêmulas, viro novamente e entro no elevador.
Minhas costas batem contra a parede gelada feita de aço e eu continuo a encarar o homem que amo. O primeiro homem por quem me apaixonei e com quem dormi. O homem o qual me faz acreditar plenamente no amor e agora também me fez acordar desse transe inconsequente.
As portas de correr começam a se fechar e a última coisa que vejo é o rosto do homem por quem sou loucamente apaixonada distorcer-se em amargura e ansiedade.
— Nat...
— Steve...
▪️▪️▪️
Já sentada sobre o banco de couro com Fury guiando-me para casa, deixo que meus muros sejam derrubados por minha própria fraqueza e abro as comportas: as lágrimas em abundância assim como as águas das Cataratas de Niagara Falls.
Come up to meet you, tell you I'm sorry
Vim para te encontrar, dizer que sinto muito
You don't know how lovely you are
Você não sabe o quão amável você é
I had to find you
Eu tinha que encontrar você
Tell you I need you
Contar que eu preciso de você
Tell you I set you apart
Contar que te escolhi
Tell me your secrets
Conte-me seus segredos
And ask me your questions
E faça suas perguntas
Oh, let's go back to the start
Oh, vamos voltar para o início
A mesma dor continua a matar meu coração. Uma morte lenta e angustiante. Terrível e sofrida. Um tiro seria menos doloroso. Os tapas que ganhei ontem me fizeram sofrer bem menos.
As coisas pareciam estar mais fáceis no começo, quando tudo o que eu sentia era uma paixão avassaladora e um frio na barriga. Quando tudo o que eu queria era alcançar o final feliz. Lá, no início dessa jornada, eu era uma competidora forte e determinada. Agora eu estou em ruínas. Meu oponente me derrubou.
Running in circles
Correndo em circulos
Coming up tails
Lançando a moeda
Heads on a science apart
De cara numa ciência à parte
Nobody said it was easy
Ninguém disse que seria fácil
It's such a shame for us to part
É uma pena nos separarmos
Nobody said it was easy
Ninguém disse que seria fácil
No one ever said it would be this hard
Ninguém jamais disse que seria tão difícil
Por quê? Por que os filmes nos iludem? Por que os livros nos fazem sonhar e acreditar no amor? Por que os conselhos de nossas mães nos dão a coragem para seguirmos com o desejo de encontrar o cara? Por quê? Por que todos fazem com que pareça tão fácil e tranquilo? É tudo mentira... nada disso existe!
Tem sempre uma hipocrisia escondida atrás de tanta perfeição. Nada é perfeito. Ninguém é perfeito é a citação mais perfeita que existe! Que ironia idiota e verdadeira!
Oh, take me back to the start
Oh, leve-me de volta para o início
I was just guessing
Eu só estava pensando
At numbers and figures
Em números e figuras
Pulling the puzzles apart
Montando o quebra-cabeças
Príncipes encantados são apenas nas histórias de Era uma vez... Homens fortes e lindos são apenas nos filmes de romantismo. Garotos bad-boys que viram um Romeu doce e carinhoso com a garota meiga e inocente são apenas em livros de fantasia e perda de tempo. É. Perda de tempo! Nada é real! O amor não é real.
É duro e errado dizer isso e pensar assim? Okay. É. É, sim. O amor existe. E o que mais dói é o fato de que ele acaba. Ou que se manifesta somente em algumas almas.
Esse mundo de sentimentos é uma bagunça total. Sorte dos que acreditam e trabalham no exato. A ciência comprova e desmente todos os dias enquanto o progresso do coração faz isso a cada cinco minutos. São mundos diferentes que nos dividem entre a razão e a emoção. E Steve Rogers sempre cambaleou entre essa corda.
Questions of science
Questões de ciência
Science and progress
Ciência e progresso
Do not speak as loud as my heart
Não falam tão alto quanto meu coração
Tell me you love me
Diga que você me ama
Come back and haunt me
Volte e me assombre
Oh, and I rush to the start
Oh, e eu corro para o início
Nossa! Como dói! Como está doendo, meu Deus...! É como se um ferro em brasas e afiado estivesse descendo por minha garganta e rasgando todo o caminho até o estômago. Meu tronco inteiro arde, mas a dor principal se instala no coração.
Minha alma queima. Pega fogo. É uma dor insuportável. Uma dor de infarto nem se compararia com essa. É. Essa aqui é bem pior. Porque é uma dor que não tem cura. É uma dor que remédio nenhum pode fazer parar. Uma dor que médico nenhum pode tratar. É uma dor que tempo algum pode aliviar.
Uma dor marcante. Uma dor calorosa. Sufocante. Uma dor que me deixa sem ar. Mas também é uma dor que me dá forças. É uma dor que me deixa mais amadurecida. Uma dor que me dá coragem para seguir em frente. Uma dor que me torna mais mulher.
Nobody said it was easy
Ninguém disse que seria fácil
Oh, it's such a shame for us to part
É uma pena nos separarmos
Nobody said it was easy
Ninguém disse que seria fácil
No one ever said it would be this hard
Ninguém jamais disse que seria tão difícil
O pouco que sei sobre a agonia é que não dura para sempre. É como uma cicatriz. Nos primeiros dias é terrível. É feia. Monstruosa. Com qualquer descuidado, acaba voltando a se abrir e fazendo um estrago ainda maior. Cria uma ferida ainda mais infectada e dolorosa. Mas, com o tempo e cuidado certo, acaba cicatrizando. Mesmo que continue marcada para a vida toda. Mesmo que continue desenhada em sua alma até você morrer. Mesmo que ainda te incomode com o passar de anos e mais anos, ela se cura. Ela ameniza. Ela para de te perturbar.
A dor existe para ser sentida. É uma escala de zero até o infinito. A verdade é que não tem uma nota máxima. Não para em um certo número. Ela continua. Sempre e sempre. Nada a para. Nada a cura. Nada a faz ficar menor.
Literalmente, é como uma cicatriz. Ela nos marca para a vida toda e nos deixa com um rastro de história para a eternidade. Uma cicatriz de acidente. É isso que a dor é. A lembrança de algo terrível que nos aconteceu. De algo que tivemos forças para lutar e nos reerguer. A dor é um renascimento. Uma luz para a vida.
É um caminho iluminado que devemos seguir. Mesmo que o momento seja escuro, sombrio e tenebroso, há sempre uma luz no final do túnel. Por incrível que pareça, esta luz é o nosso sofrimento. Quando nossos olhos se abrirem e avistarem esta luz, os mesmos irão arder. Arder muito. Irão começar a lacrimejar abundantemente, querendo voltar a permanecerem fechados. Isto será a dor nos atingindo. Mas não podemos permanecer com os olhos fechados para o mundo para todo o sempre. Temos que abri-los e enxergar o que há ao redor.
Oh, take me back to the start
Oh, me leve de volta ao começo
Oh, take me back to the start
Oh, me leve de volta ao começo
Oh, take me back to the start
Oh, me leve de volta ao começo
Oh, take me back to the start
Oh, me leve de volta ao começo
E será nesta hora em que a mágoa irá nos ensinar. Será nesta hora em que nos mostrará que a vida não tem sentido. E que é por isso mesmo que precisamos continuar a seguir em frente. Ficarmos parados e sofrendo não fará nada mudar. Não fará nada melhorar. Não fará nada voltar a ser como era antes. E, também, nada garante que, se continuarmos com o nosso caminho, as coisas irão amenizar.
Os problemas não param. Eles acontecem sempre. A vida toda. Nunca desistir é uma forma de combatê-los, mas não uma forma de resolvê-los. Eles podem continuar a nos importunar. E vão. Mas precisamos deles. São com os problemas e desgostos que nos tornamos fortes. Nada é bom. Nada é carinhoso. Nada é doce e feliz. A vida não é assim. E é justamente por isso que o lado obscuro e triste existe.
O final feliz não é real, mas também não é negativo. Ele pode existir, mas os problemas estarão juntos. Mas você estará lá, forte e determinado a seguir em frente! E é nisso em que me agarro para me mantar firme.
Steve Rogers quebrou meu coração, mas ele não quebrou minha alma. Esta será eterna e unicamente minha. Eu ainda estou aqui, viva e confiante. Posso dar a volta por cima. E eu vou!
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