I Put a Spell On You 🔞

48 Capítulo 48 — Several Different Shades


Notas iniciais
Meus queridos!!! Olha quem está de volta desde o ano passado... hahaha sacanagem, sei que piadinha sem graça. Não resisti u.u Anyway... fic está na reta final, galera. Já estou me preparando pra despedida. Esse é um dos últimos capítulos, literalmente. Sentirei falta de IPASOY :/ Maaas vamos deixar isso pro ÚLTIMO capítulo mesmo hahaha agora preciso avisar que o capítulo de hoje tem cenas tensas, amores. E o próximo estará ainda mais... ops. Sorry. No spoilers u.u Quero dedicar o capítulo à MelmoonIight, que enviou uma MEGA LINDA MARAVILHOSA recomendação à fanfic. Muito obrigada, meu amorzinho! Espero que goste do capítulo tanto quanto gostei de suas belas palavras :3 Anyway... aproveitem e perdão por qualquer erro de digitação Tradução do capítulo: Diversos Tons Diferentes

Acordando com um profundo e lento suspiro, eu me espreguiço antes de abrir os olhos e estudar o quarto. O ambiente está frio e solitário. Ao meu lado, encaro o espaço vazio e gelado dos lençóis. Onde será que Steve está?

Largando de lado os cobertores que me deixam aquecida, fico de pé, nua, indo até a mochila e pondo a camisa rosa e meu short preto, os mesmos os quais usei como pijama quando estava em Los Angeles.

Após sair do quarto de Steve, inicio passos lentos e cuidadosos pelo corredor até chegar à sala.

— Steve?

No cômodo grande vazio e gelado, minha voz cria um eco. Um eco profundo e solitário que me faz tremer. Dentro de apenas uma noite, não estarei mais aqui. Acabou. Mas ainda lhe restam algumas horas. Aproveite, menina.

Movida por minha própria influência, caminho com os pés descalços sobre o chão frio e vou até a cozinha.

— Steve?

Novamente, o silêncio me responde. Cruzo os braços frente aos seios sentindo minha pele arrepiada. Onde será que ele se meteu?

Volto à sala e fico parada em frente ao piano. Ainda tentando pensar onde ele possa estar, olho para as escadas. Lá em cima? Talvez no Quarto da Tortura? Arrisque, menina. Ignoro o frio que faz meus dentes trincarem e começo a subir os degraus. Quando alcanço o topo, um barulho chama minha atenção.

BUM

Ahn? O que foi isso?

BUM

Olho para os dois lados do corredor e fecho os olhos para me concentrar em descobrir de onde está vindo, exatamente.

BUM

Da direita. O barulho vem da minha direita. Cruzo os braços com mais força apertando-os contra os seios e continuo andando pelo corredor tão frio quanto o ar de janeiro.

Quanto mais me aproximo, mais escuto o som de pancadas. De repente, a única luz do corredor é que a vem de trás de uma porta branca que está encostada. A curiosidade faz meu couro cabeludo pinicar. É Steve quem está aqui?

BUM

O som me faz dar um pulo, mas eu reprimo o grito que quase soltei. Decidida a descobrir o que está acontecendo, descruzo os braços e estico a mão. Meus dedos trêmulos entram em contato com a maçaneta fria feita de ferro.

Eu a empurro sutilmente, estudando cada pedaço do cômodo recém-descoberto por mim. Nele, há de tudo — pesos, esteira, tatames. E, em seu centro, um Steve suado e ofegante que esmurra e chuta um saco de areia.

BUM BUM BUM BUM

Assim que suspiro, o cheiro de madeira mesclada com couro e suor adentram minhas narinas. Eu franzo o nariz, mas não interrompo minha caminhada. Avanço alguns passos cautelosos e sorrateiros, mas ao arriscar um último, a madeira estala sob meus pés e Steve vira o rosto em minha direção.

Eu me sinto como se houvesse sido pega fazendo algo de errado. Mas por que estou me sentindo assim? Eu não fiz nada. Ele não pode me punir nem brigar comigo. Eu apenas acordei, procurei por ele e o encontrei. Simples.

— Natasha? – sua voz está ofegante e cansada.

— Oi. – murmuro parada em sua frente.

Seu rosto, braços e provavelmente todo o resto do corpo estão pingando suor. As bochechas estão coradas e o peito sobe e desce mantendo uma respiração acelerada e fatigada. Movo o olhar para suas mãos vendo que estão enfaixadas. Em seguida, começo a entender o cenário. E tudo fica ainda mais óbvio quando analiso, novamente, o saco de areia que está pendurado na frente de Steve.

Ele está nervoso e precisa descontar em algo. Antes no saco do que em você, menina. Não! Steve jamais me surraria desse jeito, Little Red! Jamais!

— O que está fazendo fora da cama? – sua voz está rouca e grave num tom que eu ainda não tinha escutado.

— Já estou bem descansada. – avanço dois passos em sua direção. — Você está bem?

— Sim. – responde ao voltar a socar. — Desculpe. Não quis te acordar.

— Não acordou. – eu me aproximo mais, mas Steve corre até mim e me afasta. — O que foi?

— Não pise aqui! Você está descalço. Vai se machucar.

— Por quê? Como assim?

— Eu quebrei um copo de vidro. E ainda não varri o chão. Peguei a vassoura, mas deixei para fazer isso depois.

— Ah... tudo bem, eu posso varrer para você. – eu me afasto para alcançar a vassoura encostada na parede, mas Steve me puxa pelo braço.

— Natasha! Fique aqui. Vai acabar se cortando.

— Não vou. Não se preocupe.

— Ai, que inferno! Eu mandei você ficar aqui! – suas mãos me pegam no colo.

Penso em argumentar, mas Steve me põe novamente perto da porta.

— Vou varrer esta merda! Fique aqui.

— Steve...

— Obedeça! – ordena entredentes.

— Steve, entendo que sou sua submissa, mas eu não sou sua filha! Por que me trata como uma criança?

— E por que age como uma criança? – ele se vira em minha direção vendo que eu me afastei um pouco da porta. Não quero discutir com ele, portanto volto a recuar os dois passos que tinha avançado. — Não saia daí.

— Okay...

— Aliás, saia. Saia daqui.

— Ahn?

— Volte para a cama. – ele desenfaixa suas mãos antes de pegar a vassoura e começar a varrer o chão.

— Não estou cansada. Eu vim até aqui porque acordei e não te vi na cama.

— E? – Steve ergue as sobrancelhas sem entender.

— Eu fui te procurar e não encontrei. Daí comecei a escutar uns barulhos. Era você socando. – aponto para o objeto que está carregando quilos e quilos de areia em seu interior. Ele permanece em silêncio diante de minha explicação. — Por que não dormiu? Eu achei que você estivesse cansado.

— Acho que posso dizer o mesmo sobre você. – retruca terminando de juntar os cacos de vidro e os pondo sobre uma pá cinza.

— Mas eu te disse que dormi. – Steve joga o vidro quebrado no lixo. — Posso sair daqui agora?

— Deve! Vá para o quarto.

— Quero... quero ir para perto de você.

— Não pise aqui. – Steve aponta para o local o qual o copo se quebrou. — Ainda pode ter restos de vidro e você... – ele bufa e retira seus tênis. — Tome.

— Ahn? Por quê?

— Porque você não vai me obedecer. E não quero que se corte.

— E você vai se cortar?

— Não é problema para mim. – Steve me pega no colo e me põe sentada sobre uma mesa de madeira mogno escuro que enfeita a lateral de sua sala de treinamentos.

— Steve...

— Fique quieta, Natasha. – ele puxa minhas pernas e calça seus tênis em meus pés. Eles ficam largos, mas eu ignoro.

— Steve, você está bravo comigo?

Ouço sua pesada respiração e ele ergue o rosto antes de acariciar o meu.

— Não vamos falar disso agora, está bem?

— Ahn? Como assim? – fico de pé e ele se afasta de mim.

— Natasha, está tarde. Vá dormir.

— Não está tarde.

— Já se passa das três da manhã.

— Três? – arregalo os olhos espantada pela quantidade de tempo que eu dormi.

E, de repente, meu peito dói. Já se passa das três da manhã. Sendo assim, não me resta um dia aqui, e sim algumas horas apenas. Com o nascer do sol, eu estarei indo embora. Acho que mereço aproveitar meus últimos instantes com Steve. Eu tenho esse direito. Eu o amo.

Decidida a viver minha despedida alegremente, forço um semblante relaxado e tento fazer algo divertido para nós dois.

— Eu... eu posso treinar também? – aponto para o saco de areia.

— Não. Você vai se machucar. – sua resposta me faz murchar, mas eu não desisto.

— Não vou, não. – franzo o cenho e me aproximo. — Eu sou boa nisso!

— Natasha...

— Até enfaixo as minhas mãos. – insisto.

— Natasha...

— Por favor. – tento mais uma vez, mas Steve está irredutível.

— Ei! – ele segura meu rosto. — Eu disse que não. Pare de insistir, tá bom?

— Mas o que eu vou fazer? – pergunto ao desistir da minha brincadeira de despedida.

— Dormir. – seus lábios dão um beijo em minha bochecha.

— Mas eu não quero. Não estou com sono. – faço beicinho, pois não pretendo me despedir dele ao deixar baba em seu travesseiro.

— Não perguntei se você quer ou se está com sono.

— Steve! – exclamo boquiaberta.

— Por que não vai tocar piano?

— Piano? – ergo uma sobrancelha ruiva.

— Sim. – ele solta meu rosto e caminha para longe

— Você gostaria de me ouvir tocar? – de repente, eu me animo com a ideia. — Pode escolher o que quiser.

— É uma boa oferta. – Steve força um sorriso. — Mais tarde eu desço lá. Agora vá.

— Talvez depois. – abraço sua cintura, mas Steve segura meus pulsos e me afasta. — O que foi? Por que está me evitando?

— Não estou te evitando.

— Sim, está. O que aconteceu?

— Nada. – seus olhos me estudam. — Está com fome?

— Não.

— Sede?

— Não.

— Está sentindo alguma coisa?

— Ahn? Não! Por que está perguntando tudo isso?

— Por nada. Vá dormir. Ou tocar. Eu já disse.

— Não estou com sono. – rebato. — Eu também já disse.

— Não discuta comigo. – diz ao me olhar atentamente. — Vá fazer qualquer outra coisa, Natasha. Só saia daqui.

— Eu não estou com sono, Steve! – sem perceber, bato o pé contra o chão. — Não estou com sono, não quero tocar nem quero fazer outra coisa. Quero ficar aqui!

— Natasha, não estou com cabeça para suas pirraças de menina. Eu mandei sair daqui.

— E eu disse que não quero. – cruzo os braços furiosa.

— Saia.Daqui.Agora!

— Por quê? – choramingo.

— Porque você... – ele morde a língua. — Ér... bem... você sabe.

Aonde você está querendo chegar, Steve? E por quê?

— Ahn? Como assim?

— Vai fingir que não sabe?

— Steve, o que está acontecendo?

Seus músculos ficam tensos e seus olhos pegam fogo. Preocupada e receosa, vejo que ele direciona as mãos para cintura e solta um bufo.

— Você sabe! Não tomou as pílulas corretamente! – ele grita furioso comigo.

— Ahn? Pílulas? Como assim?

— Os anticoncepcionais, Natasha!

— Mas... o quê?! Claro que tomei! Do que está falando?

— Sabe que não tomou! Você está grávida, Natasha!

O quê?

— O quê?!

— Não precisa negar! E nem adianta.

— Ma-mas... claro que preciso! De onde tirou isso?

— Não importa!

— Óbvio que importa! Diga! Quem te disse essa merda?

— Abaixe o tom e cuidado com o linguajar! – Steve se aproxima com seu tronco largo e forte me intimidando, mas eu me forço a não andar nem um centímetro sequer para trás.

— Que se foda o linguajar! – solto uma lufada de ar quente e furioso contra seu rosto. — Você está me acusando de algo grave! Não vou abaixar o tom nem tomar cuidado com porra nenhuma! Que se foda tudo! Agora responda ao que eu perguntei!

— Tá! – Steve bufa. — Eu... eu fiquei sabendo.

— Ficou sabendo? Como?

— Ouvi por aí.

— Como é? Não... esse tipo de coisa não se "ouve por aí". – faço aspas com os dedos. — Alguém fofocou para você! Quem foi?

— Natasha...

— Diga, Steve! – eu o encaro nos olhos tentando descobrir por mim mesma. — Quem foi?

— E quem você acha que foi?

— Bem, pensando bem, eu aposto que foi a Peggy! – cruzo os braços sentindo meu sistema nervoso ficar ainda mais abalado.

— Não importa quem foi, Natasha.

— Importa, sim. E, pela sua atitude, eu tenho certeza de que foi ela! – sou firme em minhas palavras.

— Ah, então é verdade?

— Ahn? Claro que não, Steve! – afirmo. — Eu estou tomando as pílulas corretamente! E, também, nem teve tempo de eu engravidar. Faça as contas! Estamos juntos há quanto tempo? Um mês? Sim. E você só parou de usar camisinha há algumas semanas. Sei que elas podem estourar, mas nós teríamos visto. E sentido. Eu.Não.Estou.Grávida!

— Tem certeza?

— Óbvio que tenho! – balanço a cabeça ainda com raiva. — Meu Deus!

— Perdão. É que... eu... a ideia de você estar carregando uma coisa dessas me apavora!

Suas palavras chamam minha atenção. "Coisa"? Ahn? Como assim?

— O que você quer dizer?

— Ahn?

— Você... você disse "...carregando uma coisa dessas"? Por que disse isso?

— Porque... sim!

— Steve...

— Não iria querer isso, Natasha! Acredite.

— E você decide por mim?

— Eu sei o que é melhor para nós dois.

— Não! Você não estaria pensando em mim, estaria pensando em você como sempre!

— Natasha...

— O que você faria se eu estivesse esperando um filho seu?

— Não diga isso. – suplica com a voz baixa, porém firme e odiosa.

— O que faria, Steve? Em? O que você...

— Você sabe!

— Não, eu não sei! Por que você não me diz de uma vez?

— Sem dúvidas, você tiraria essa coisa!

Fecho os punhos pronta para socá-lo, mesmo que ele me revide todos os golpes! Não me importo!

— Como é?

Noto que seu olhar se torna mais sútil e menos nervoso, mas já é tarde. Ele já disse e não pode voltar atrás.

— Repete. – faço tanta força com os punhos que começo a sentir as unhas rasgarem minhas palmas.

Steve me fita com calma e paciência. Sua atitude piora ainda mais toda a raiva que sinto.

— Não estou pronto para ser pai, Natasha. E nem sei se estarei algum dia.

— E?

— Como "e?", Natasha? Não ouviu o que eu acabei de dizer? Não estou preparado para isso. E não quero isso.

— E você acha que eu quero?

— Aonde está querendo chegar?

— Acorda, Rogers! – grito. — É grande o suficiente para fazer sexo, mas não é grande o suficiente para entender que isso tem consequências e que uma destas é a gravidez?

— Eu sei disso.

— Então não haja como se não soubesse!

— Natasha, qual é o ponto aqui? Você disse que não está grávida.

— Foda-se! Isso não faz diferença, uma vez que você tomaria uma atitude tão inescrupulosa quanto essa.

— Natasha...

— Eu não estou grávida. Mas, se eu estivesse, não mataria o meu filho só porque você é um covarde!

Seus olhos azuis me alvejam de tiros, mas eu me esquivo de todas as balas.

— Retire o que disse!

— Retire você! – grito de volta com os olhos ardendo e lacrimejando. — Você que errou! Foi horrível o que você acabou de dizer!

— Feito! Eu retiro! Perdão! – ele respira fundo enquanto me encara nos olhos. — Eu não pensei direito. Ainda não teria tempo de você ter engravidado.

— Eu sei que não. Não teria e não tem. Como eu disse, estamos juntos há um mês. – tento fazer com que minha voz não vacile, mas é impossível. Toda vez que lembro disso, a realidade me atinge com golpes e mais golpes. Acabou. Acabou. Acabou.

— Natasha...

— Até porque, com o amanhecer trazendo o início de fevereiro, o que acontecerá em poucas horas, por sinal, eu irei embora, né? – cruzo os braços novamente. — É só isso. Um contrato.

— Sabe que não.

— Ah, eu sei? – rebato. — Jura que eu sei? E por quê?

— Natasha...

— Você me levar para voar, para jantares, comprar coisas caras para mim — nada disso significa que me valoriza.

— Como assim?

— Eu me sinto comprada. – luto para que lágrimas não escorram de meus olhos. — Não peço algo material seu. Peço algo sentimental.

— Sentimental? – Steve sorri ironicamente. — Isso é a vida real, Natasha! Não são os contos de fada que lia quando criança.

— Eu sei! – afirmo. — Mas e daí? Só por isso você não pode ter sentimentos? Não pode ter coração?

— Eu não tenho coração. – diz firmemente. — A maioria das pessoas que eu conheço me dizem isso.

Encaro Steve como se ele fosse um jogo de quebra-cabeças com mais de mil peças. Peças as quais são tão confusas e difíceis que qualquer um desiste de se divertir. E é aí que a ficha cai: esse tipo de jogo não é para diversão, é para lógica. É para ser desvendado. E é isso que Steve é: um mistério constante prestes a ser descoberto.

— E por que elas diriam uma coisa dessas? – indago com a voz tão calma e baixa que penso estar falando com uma criança. E é isso que o seu Capitão é, menina.

Steve me encara de modo indiferente erguendo os ombros antes de me responder.

— Porque elas me conhecem bem.

— Ah, é? – eu me aproximo com dois passos. — E por que eu tenho a sensação de que isso não é verdade?

Ele parece perdido e aturdido por um momento, mas rapidamente recupera sua pose de durão a qual não se deixa abalar por nada.

— Porque você não me conhece.

— Engano seu! Eu te conheço melhor do que ninguém.

Steve me encara com um sorriso debochado.

— É mesmo? E por quê? Por você ser psicóloga?

— Será que por um momento pode parar de achar que estou tentando fazer uma sessão com você?!

— E você não está?

— Não! Eu só quero conversar.

— Já disse que não converso!

— Ah, é! Eu me esqueci que você não é normal.

— Pois é! Não sou! E é melhor calar a boca, senão...

— Senão o quê? – arfo o peito, encarando Steve sem medo. Nesse momento, não penso em consequências, penso apenas no aqui e no agora. O futuro é algo a parte, o presente é algo preciso. — "Senão..."? Vamos. Termine! Vai fazer o quê?

— Natasha, pare.

— Diga! Vai me bater? Em? – ele me dá as costas, mas não desisto de persuadi-lo. — Diga, Steve. Por que ficou estranho?

— Não estou estranho, Srta. Romanoff. Agora faça o que eu mandei. Fique quieta! Ou saia daqui.

Seu tom sai frio e áspero. Puta da vida, reviro os olhos e passo as mãos pelo rosto tentando me acalmar.

— Acho que o seu silêncio já me diz tudo. – Steve se vira para mim confuso.

— Meu silêncio?

— É. Seu silêncio, seu rosto, suas ações — como sempre, você não se expressa em palavras. – eu lhe lanço um sorriso cínico.

— Natasha, por favor...

— O que foi, Steve? Por favor o quê? Eu já estou cansada desta merda! Chega!

— Ah, é isso? Está cansada de mim? É isso mesmo? Não quer mais ser minha submissa? Então pode ir embora. Já cansei de te falar isso, porra!

Sua fala atravessa meu peito. O tom de sua voz abala meu coração. É como se um tiro invadisse meu tronco rompendo todo o ar que tenho nos pulmões.

— E eu já cansei de te perguntar a mesma coisa: é realmente isso o que quer? – luto para segurar as lágrimas. — Quer que eu vá embora?

— Natasha, eu...

— Agora, eu te pergunto. Se quer que eu vá, por que ficou preocupado em eu considerar uma proposta de emprego fora de Manhattan?

Sinto que minhas palavras o encurralam. Mas é claro que ele não se permite ficar preso. Solta-se com garra e maestria.

— Só não quero que fique me cobrando coisas.

— E o que eu te cobro, Steve? – decidida a acabar com seu afastamento, ando até ele e o encaro nos olhos. — O que eu te cobro? Uma conversa? Um desabafo? Uma confiança? É isso?

— Pare. Natasha, pare. – ele se desvencilha de mim, o que me faz fitar a parede.

— Não. Não paro. Vai fazer o quê? Vai me punir? – volto a encará-lo e ele se vira para mim com fogo nos olhos.

— Sim! Sim, eu vou puni-la! Eu quero puni-la!

— Quer me punir?

— Sim!

— Agora?

— É. Agora! Quero te punir exatamente agora!

— Por quê? – minha voz está baixa e magoada. — Por que quer me punir, Steve?

— Porque você merece!

— Eu mereço? – quanto mais Steve se afasta de mim, mais eu me aproximo dele, o que o deixa nervoso e encurralado. — E por que eu mereço?

— Natasha...

— Diga, Steve. Por que quer me punir?

— PORQUE VOCÊ MERECE! PORQUE VOCÊ É MINHA SUBMISSA! PORQUE VOCÊ... – sua boca se fecha e seus olhos fazem a mesma ação por breves segundos.

— "Porque você..."? – uno todas as minhas frágeis forças e engulo a vontade de chorar. Não posso deslizar agora. — Diga. O que é?

— Pare. Pare de falar. – ele tampa minha boca com sua mão. — Natasha, por favor, por favor, eu não quero te machucar. – seu olhar me exala uma terrível súplica. — Por favor. Eu não aguentaria vê-la machucada, ainda mais sabendo que fui eu quem provocou isso. Por mais que eu queira te punir, eu não posso machucar você. Eu não consigo.

Cuidadosamente, retiro sua mão de meu rosto, consequentemente destampando minha boca. Respiro fundo tentando controlar meus batimentos cardíacos.

Sua imensidão azul e determinada não abandona meu olhar verde e confuso.

— Você quer me punir? – pergunto baixinho e ele assente. — Eu estou quebrando alguma regra?

— Está me perguntando coisas que não deve.

— Tipo...? É só você me dizer.

— Pare. – suas mãos seguram os dois lados de meu rosto cuidadosamente. — Por favor. Por favor, pare de me estudar.

— Só me diga o que é. Diga o que é e eu paro de perguntar.

— Natasha...

— Por favor. Por favor, conte. Eu...

— Chega!

Steve me puxa para ele e prende em seus braços enquanto sobe a blusa por meu corpo. Quando sinto que desce meu short, começo a me debater tentando fugir, mas não consigo. E, logo, ele inicia uma série de tapas em minhas nádegas.

— Steve...

— Quieta!

— Não!

Com muito esforço, consigo me soltar de seu rústico toque e empurro para longe de mim. Ainda estou tremendo quando subo meu short de volta para o lugar de modo atrapalhado.

— Você não tem esse direito!

Ele mantém a respiração ofegante. Seu rosto está suado e seus olhos não abandonam o contato que mantêm com os meus.

— Natasha...

— Não ouse tocar em mim para me bater!

Ele fecha os olhos e respira fundo. Sinto sua busca por controle, mas não o controle que ele quer aplicar em mim, e sim o controle que ele busca para si próprio.

Quando volta a me fitar, ainda mantém um ritmo de respiração acelerado, mas seus olhos estão mais calmos.

— Eu estou nervoso, Natasha. Eu não...

— Sim, eu sei que está. Mas não sei por quê.

Parece que ele está reacendendo as chamas de sua raiva, pois Steve me fita com os olhos cerrados.

— Por sua causa!

— O quê? Por quê?

— Pela suspeita de gravidez! E por ter me confrontado.

— Não quis confrontar você, só quis... só quis te entender.

— Não tem como me entender, Natasha. – Steve mantém a voz baixa. — Nem eu consigo.

Cruzando os braços, eu arrisco a aproximação de alguns passos. E continuo ao notar que Steve não recua.

— O que houve com você? – minha voz falha. — O que te fizeram? Por que você é assim?

— Natasha, por favor. – ele anda até mim e acaricia meu rosto. — Eu não vou punir você, mas pare de fazer perguntas.

— Esqueça isso. Eu não ligo para punições. – afirmo mesmo que meus medos mais internos estejam me chamando de mentirosa. — Mas me diga. Por que está tão bravo comigo? O que eu fiz?

— Não foi você.

— Então o que foi?

— São os problemas. Problemas no trabalho. E também fiquei puto com o fato de ter que voltar para Manhattan e você ficar lá.

— Mas...

— Se eu pudesse, ficaria com você vinte e quatro horas por dia e não deixaria ninguém se aproximar.

— Steve!

— O quê? É verdade.

— Ahn... não, você só pode estar ficando louco. – solto um riso nervoso, mas Steve permanece sério.

— Estou falando a verdade, Natasha. Não gosto de te dividir com ninguém.

— Meu Deus, Steve...

— Mas eu não gosto, oras! – rebate com um beicinho.

Sei que discutimos há poucos minutos, mas não quero brigar com ele novamente. Quero aproveitar qualquer oportunidade que tenho para ficarmos em paz novamente. E decido agarrar a primeira chance que paira para mim.

— Sr. Rogers, quando faz esta carinha, minha vontade de te beijar é ainda maior.

— Não adianta, Natasha. Não vai conseguir me amolecer. – seus olhos se desviam dos meus.

— Eu não quero te amolecer. Só não quero que fique com raiva de mim.

— Impossível.

— O quê? Impossível?

— Sim. É impossível ficar com raiva de você. – Steve toma meu rosto em suas mãos. — Mesmo que eu tente, não consigo.

No início, sua declaração espalha voos de invisíveis borboletas em meu estômago. Mas agora espalha dúvidas e mais dúvidas por todo o meu corpo.

— E você tenta?

— O quê?

— Tenta ter raiva de mim?

Acompanho o subir e descer de seu peito e ombros enquanto ele obtém uma respiração frustrada.

— Sim.

— Por quê?

— Para eu conseguir te punir.

— E por que precisa me punir? Por que tem que fazer isso?

— Porque você merece. Faz parte das regras.

— Eu sei, mas eu não quebrei as regras.

— Quebrou, sim.

— O quê?

— Perguntou coisas que não deveria.

— Está bem, mas...

— E não está dormindo. E nem tocando, como eu havia mandado fazer.

— Isso é ridículo! – solto o rosto de suas mãos quentes. — Estou cansada desse controle todo sobre mim!

— Natasha...

— Você pode ser carinhoso e gentil comigo de vez em quando, mas tem horas que é um machista imbecil! E eu não gosto disso!

— O que você disse?

Seu toque machuca a pele de meus braços. Tento me soltar, mas Steve está com raiva. Nervoso.

— Tire as mãos de mim!

— Não!

— Como assim "não"? É sério, Steve. Mandei me lagar! – empurro seu peito e me afasto dele. Meus olhos ardem. — Você me machucou!

— Você não faz ideia do que é machucar de verdade. – seu tom é sombrio e doloroso.

— Nem você irá me mostrar! Não se atreva a encostar em mim. – cruzo os braços e ando para longe dele.

— Natasha!

Ignoro seu chamado e continuo em direção à porta.

— Ei! Nat!

Sua mão me puxa para ele e eu desvio meu olhar do seu.

— Nat, olhe para mim.

— Por quê? – novamente, eu me afasto. — Por que você tem que me machucar? – ele abre a boca para responder, mas eu ergo a mão. — Por que você quer me machucar? Por que quer me ver com medo de você?

— Não... – Steve enruga seu cenho. — Não quero que tenha medo de mim. Só quero que me obedeça. Já te expliquei...

— Não é verdade. Por algum doentio e desconhecido motivo, você sente prazer em machucar mulheres. Por quê?

— Natasha, pare.

— Conte, Steve. Por que precisa fazer isso?

— Porque é o jeito que eu sou! – seu grito ecoa pelo cômodo quente e com luz fraca. As paredes que fecham o ambiente deixam o momento ainda mais tenso, assim como eu.

Ele me dá as costas e apoia as mãos contra a mesa de madeira mogno. Os músculos de seus braços ficam tensos.

— Quer saber mesmo o porquê, Natasha?

Eu grito interiormente para dizer "sim", mas não consigo. Continuo parada encarando a camisa molhada de suor grudada em suas costas.

— Pois eu vou te dizer.

As palpitações de meu coração vibram por todo o meu corpo. Um calor frio e tenso percorre minha coluna.

— Porque eu sou fodido em diversos tons diferentes!

A última parte de sua fala sai num sussurro vazio e solitário. Meu peito se aperta. Não por medo de seu grito anterior, mas por pena. Por tristeza.

Agora eu sei. Tenho certeza. Algo aconteceu na vida de Steve. Alguma coisa terrível marcou seu passado.

— Di-diversos tons diferentes? – repito esperando que ele olhe para mim, mas Steve continua de costas.

— Sim. – admite com a respiração acelerada.

— Por quê?

— Porque fizeram isso comigo. – ele se vira e seu olhar encontra o meu. — Minha vida foi fodida em diversos e perversos tons diferentes, Natasha.

— Steve...

— Dos terríveis aos piores. – ele faz uma pausa sem desviar sua atenção de meu rosto. — Você não faz ideia do que eu passei, Natasha.

Um medo se aflora em meu peito. Algo que se instala em minha cabeça me deixa aterrorizada.

— Por que você não me conta?

— Não. – Steve pisca e tenta fugir, mas eu dou a volta e paro em sua frente. — Eu disse que não.

Pego em suas mãos e sinto que estão suadas e geladas.

— Por quê?

— Eu não posso. – ele tenta se soltar de mim, mas eu não permito.

— Então diga uma coisa. – peço e ele não desvia o olhar do meu. — O que fizeram com você eram punições?

Os olhos de Steve brilham. Noto que são lágrimas lutando para não se libertarem.

— Sim. – diz com a voz trêmula. — Recebi punições até por respirar em hora errada.

— Steve...

— Por favor, se não quer que eu faça o mesmo com você, pare de perguntar.

Pode doer. Pode me machucar profundamente. Posso me arrepender pelo resto da minha vida devido à decisão que estou prestes a tomar, mas é preciso ser feito.

Menina! Menina, não. Não faça isso. Você já teve várias chances para parar de discutir com ele. Mas, desde que entrou aqui e o enfrentou nos olhos, não parou de falar merda. Todas vezes que o acalmou, você acabou atacando-o novamente. Pare. Pare imediatamente. Não faça mais nada irracional. Não...

Eu tenho que fazer, Little Red. Só assim poderei entender ao menos parte de seu trauma.

— Então me mostre. – murmuro e Steve me interroga com o olhar.

— Mostrar o quê?

— O seu pior. – revelo. — Eu estou te importunando. Eu estou perguntando. Eu... eu te respondi mal. Eu... eu faltei com respeito ao meu Capitão. – cruzo os braços decidida. — Então mostre a punição que eu mereço.

— Você ficou louca?

— Nunca estive tão lúcida em toda minha vida, Capitão Rogers. – eu o desafio com o olhar. — Quero que me castigue conforme eu mereço ser castigada. Mostre o quão ruim isso pode ser.

Notas finais
E então? Apostam no que vai acontecer? Acha que será o mesmo que Christian fez com Ana? Será que eu tive coragem de escrever o mesmo? Ou será que fiz algo pior? MUAHAHAHAHA deixo a vocês o benefício da dúvida Anyway... muito obrigada pelos 1.422 comentários, 286 acompanhamentos, 129 favoritos, 22 recomendações e 46.150 visualizações *0* Feliz 2017 pra nós, meus lindos, e beijocas o/