I Put a Spell On You 🔞

14 Capítulo 14 — You can't control me


Notas iniciais
Oi!!! Segunda-feira chegou e o capítulo novo também! E este capítulo eu quero dedicar inteiramente à Jessie J, uma leitora muita fofa e amada que acabou de se tornar mamãe hahaha parabéns, minha linda!!! Capítulo dedicado a você e à sua filhinha, Maria Helena hahaha e também dedico ao papai u.u Então... enjoy it e perdão por qualquer erro de digitação Tradução do capítulo: Você não pode me controlar

Uma semana se passa e o ano novo chega. Gostaria de continuar com mamãe, Hazel e Robert, mas eles precisaram voltar para Los Angeles.

No momento, estou rindo e conversando com Miguel e Rebby em nossa sala de estar.

— Então... tenho que ir, meninas. – Miguel se levanta, vestindo o casaco e pegando sua mochila. — Até mais, niñas.

— Tchau, Miguel. – diz Rebby, como sempre, enrolada em seu grosso cobertor de cor azul.

— Tchau, Rebby. – ele se vira para mim. — Tchau, Nat.

— Tchau, Miguel. – eu o abraço rapidamente. — Vai com cuidado. E Feliz Ano Novo!

— Para vocês também. – ele deposita um rápido beijo no rosto antes de acompanhá-lo até a saída. — Tchau, Rebby!

— Tchau! – ela grita e acena para ele.

Faço o mesmo que ela antes de fechar a porta e prender meus cabelos num rabo de cavalo.

— Nat?

— O quê?

— Seu celular está tocando. – ela aponta para a mesa de centro onde o aparelho está vibrando.

— Ah! – corro até lá e pego o celular. — Alô?

Natasha?

— Oi, Steve!

Como vai?

— Ah, eu vou bem. E você?

E o que estava fazendo?

— Co-como assim, Steve? O que está acontecendo?

Nada. Apenas quero saber o que Miguel estava fazendo na sua casa.

— Quê?

Responda.

O quê? Será que eu estou ouvindo bem? Steve realmente está me perguntando isso? Aliás, perguntando, não. Cobrando!

É, isso mesmo! Ele está me cobrando uma explicação de meu amigo Miguel estar na minha casa! Quem ele pensa que é? Não somos nem namorados! Não somos simplesmente nada! Somos... somos apenas... duas pessoas que se encontram e se beijam. Nossa! Grande definição, menina! Meus parabéns! Por favor, Little Red. Sem piadas.

Oh, céus...! Essa relação está acabando comigo. Steve não faz nada por mim além de me dar ordens e mais ordens. Com qual direito vem me exigir explicações de eu receber um amigo em minha casa?

Natasha? – ouço sua voz, mas desta vez decido ficar calada propositalmente. — Natasha, responda!

— Não!

Não? – ele indaga com a voz firme e grossa. — Não?

— É, Steve! Não! Você só sabe fazer isso: dar ordens! Já estou cansada, sabia? Faz dias que não nos vemos e quando você me liga é para perguntar o que Miguel estava fazendo aqui. E também... – paro de falar ao passar pela janela e avistar um carro preto estacionado ao meio fio da calçada de meu prédio. Volto para o lugar e analiso o veículo mais uma vez. Eu conheço este carro! É o mesmo que ficou parado em frente à livraria. — Steve?

O que foi?

— Como sabe que Miguel estava aqui?

Ér... eu...

— Está me espionando? – uma incontrolável e desconhecida raiva se forma dentro de mim.

Natasha, eu...

— Responda! – exclamo quase gritando. — Agora sou eu quem lhe exige uma resposta!

Consigo ouvir sua pesada e profunda respiração do outro lado da linha. Posso até mesmo visualizar suas ações: olhos fechados e cabeça pendendo para frente, com a testa apoiada nas pontas dos dedos.

Natasha, eu... eu sinto muito.

— Então é verdade? Com que direito faz isso?

Desculpe. Não estou te espionando. Estou apenas me certificando de que esteja bem.

— Co-como assim?

Sei o problema que está enfrentando com o Sr. Barton, e pensei que, caso precisasse de alguma coisa, Fury já estaria por perto. Ele viu quando Miguel chegou e foi embora.

Steve pode até ter errado em ter me cobrado sobre Miguel, mas, sinceramente, esse ato de sua parte me atingiu profundamente!

— Ah... ér... bem, eu.. eu agradeço sua preocupação. – brinco com as pontas de meus cabelos e sorrio. — Desculpe, Steve.

Eu que te peço desculpas, por... por Miguel.

— Não, não, tudo bem, eu entendo.

Posso perguntar o que ele queria?

— Ah, ele queria apenas conversar. – mordo o lábio e ouço Steve suspirar.

Eu já te disse para não mentir para mim.

— Mas eu não estou mentindo.

Diga a verdade, Nat. Eu não minto para você. Então por que você mente para mim?

Sinto um aperto em meu peito junto do sentimento de culpa que me preenche.

— Desculpe. Eu não... não quero mentir. Só não quero que se zangue.

Fico zangado quando tenta mentir para mim. – esclarece após suspirar. — Diga a verdade, Natasha. Por que eu me zangaria?

— É que... na noite em que saímos e eu estava bêbada, antes de eu sair do bar e ficar na rua, Miguel me disse uma coisa.

O que ele disse?

— Ér... ele disse que... disse que gosta de mim.

Que gosta?

— É.

Miguel disse que gosta de você?

— É, Steve.

E o que você respondeu?

— Nada. Só disse que éramos amigos. E depois saí do bar. Foi quando tudo aquilo aconteceu e você chegou.

E o que ele disse hoje?

— Nada. Nada de mais, veio só conversar.

Conversar?

— É. Rebby está aqui em casa e participou da conversa.

Certo. Vocês conversaram sobre... a tal declaração dele?

— Sim. Ele já tinha me pedido desculpas antes. Mas pediu de novo hoje. Acho que ainda está envergonhado por não ser correspondido. Não sei.

E você desculpou?

— Não! Ele não tem que ser desculpar por desabafar sobre seus sentimentos. Nós conversamos e continuamos amigos. Nada mudou.

Só que ele não desabafou sobre seus sentimentos, Natasha! Ele tentou forçar algo!

— Quê? Claro que não, Steve! Ele jamais faria isso!

Bom para ele! Espero que ele tenha entendido que você disse "não"!

— Ele entendeu. – afirmo tentando acalmar Steve. — Entendeu e não voltará a falar sobre isso.

Ótimo! – ouço a respiração de Steve mais uma vez. — O que fará hoje na noite de Ano Novo?

— Vou ficar de babá de um menino. – sorrio ao me lembrar da criança. — O nome dele é Terry. Tem oito anos.

De onde o conhece?

— Ele mora no Bronx. Seus pais vão trabalhar e ele vai ficar na casa da tia, que mora no Brooklyn, mas ela está com uns problemas de saúde e eu vou ajudar.

E...?

— E que o pai dele voltará mais cedo do trabalho, portanto eu o deixarei em casa antes da hora do Ano Novo.

Vai até o Brooklyn sozinha para depois ir até o Bronx? Ainda por cima em dia de Ano Novo?

— Não vou estar sozinha, vou estar com...

Com um menino de oito anos. Nossa! Estou bastante aliviado, Srta. Romanoff!

— Steve!

E depois vai voltar com quem?

— Ah, eu vou com o meu carro.

Não poderá andar de carro. As ruas estarão fechadas.

— Merda! Tinha me esquecido! – levo a mão à testa. — Então vamos pegar o metrô. O trajeto da estação até sua casa não é tão longo.

Metrô? Em noite de fim de ano? Uau! Estou bem mais despreocupado, Natasha! Obrigado! Muito obrigado!

— Steve! – exclamo após rir.

Natasha, é perigoso. Ainda mais com esse jeito ingênuo que você tem.

— Ingênuo? Como assim?

Steve realmente não me conhece! Ele não tem ideia de que aprendi autodefesa quando pequena. Não tem ideia de que papai tinha amigos policiais na Rússia que me ensinaram inúmeros golpes. Ele não tem ideia de nada sobre mim!

Qual a parte do "não quero que corra riscos" que você não entende?

— Steve, que riscos eu posso correr? Porque sou mulher?

— Não sou em quem faz essas regras, Natasha. É perigoso.

— O mundo é perigoso! – rebato. — E não é por isso que devemos nos enfiar numa caixa de concreto!

— Pois deveríamos.

— Quê?

Olha, ficará bem se fizer o que eu te digo para fazer.

— Como é que é? – Rebby ergue os ombros em minha direção querendo entender o que está acontecendo. — Do que está...

Ah, meu Deus! Por que tem que ser tão teimosa e fazer tantas perguntas?

— Steve...

Apenas faça o que eu digo, Natasha!

— Por que está gritando comigo? Pare com isso!

Você é impossível! Eu estava certo quando disse que isso não iria funcionar!

— E exatamente o que não iria funcionar, Steve? Seu controle sobre mim? Tem razão, jamais irei me submeter a isso!

Estou vendo que não.

— Ótimo, então pare de tentar me controlar!

Sem esperar por sua resposta, encerro a chamada e bufo, percebendo que Rebby estava me observando todo o tempo enquanto eu gritava com Steve ao telefone.

— Então... – ela empurra as costas e se senta no sofá. — ...vocês brigaram?

— Mais ou menos isso. – reviro os olhos e ando até a geladeira para pegar um pouco de suco.

— E pode me dizer o motivo?

— Sim. Ele é um idiota. – sorrio ironicamente ao levar o copo à boca.

— O que ele fez?

— Nada! Esse é o problema, Rebby! Ele não faz nada por nós, quer apenas... me dar ordens. Eu não aguento isso!

— Natasha...

— Steve é importante para mim, mas... – sinto algo quente e molhado escorrer de meus olhos e Rebby se aproxima de mim em rápidos segundos. — ...eu... eu queria que ele... que ele me levasse para jantar, ou... passear. Que demonstrasse mais interesse e sentimento na relação que temos, seja ela qual for, entende?

— Nat, calma. Não fique assim. Deve estar sendo tudo novo tanto para você quanto para ele.

— Para ele?

— É, acho que Steve não é do tipo que se envolve romanticamente.

— Ele me disse isso. – Rebby franze seu cenho com meu comentário. — Ele me disse que... que não faz o estilo romântico.

— É, eu acho que não. Mas por quê?

— Eu não sei, ele me disse que iria me explicar, mas aí aconteceu tudo aquilo com o tio John e nós não pudemos sair.

— Vocês iam sair?

— Sim.

— Aonde vocês iam?

— Acho que ele iria me levar à sua casa.

— Casa dele? Natasha, você não me conta mais nada!

— Rebby, isso não é verdade. O que eu estou fazendo agora?

— Só está respondendo ao que eu pergunto, mas não tem que ser assim. Sou sua melhor amiga e é mais do que necessário que eu saiba das coisas nos mínimos detalhes. – Rebby e eu sorrimos enquanto ela cruza seus braços.

— O que mais você quer saber?

— Quando eu te dei a notícia sobre o Sr. Barton, você começou a falar que tinha dormido na casa do Steve.

— É, mas pode ir limpando esta sua cabecinha suja. Eu também te disse que não aconteceu nada daquilo.

— Nada mesmo? Nem no dia seguinte?

— Não, mocinha. Ele apenas cuidou de mim, mas não se aproveitou da minha inconsciência.

— Ah, então, isso quer dizer que...

— É, eu continuo virgem. – largo o copo em cima da pia e ando até meu quarto.

Ainda, Natasha? Menina, perde logo...

— Rebby, para. Não é assim.

— Nat...

— Não tem que ser pela idade ou pelo o que os outros pensam. O corpo é meu e acima de tudo está o que eu quero, entendeu?

— Tá, tá, tem razão. O corpo é seu e ninguém tem direito sobre ele.

— Exatamente. – afirmo. — Quando tiver que ser será. Mas será porque eu irei querer.

— Eu concordo com você. Desculpe.

— Tudo bem. – ando até meu quarto e me jogo na cama. — Já checou suas notas?

— Claro! – Rebby ri e se atira ao meu lado. — Todas acima de nove também!

— Parabéns, gatinha! – eu lhe lanço um sorriso casto. — Vai procurar emprego fixo com Priscilla?

— Eu estou trabalhando em uns modelos para poder apresentar a ela, mas quero que você veja antes e me diga o que acha, tá?

— Tá, deixa eu ver.

— Não, ainda não estão prontos. Eu comecei há dois dias.

— Bom, aposto que vão ficar maravilhosos, ainda mais agora que o inverno chegou e as tendências da moda ficam ainda mais elegantes.

— Hmmmm... arrasou, hein, dona Natasha! – eu me viro de lado e sinto Rebby bater a palma de sua mão em minha nádega direita. — Parabéns pelo conhecimento!

— Obrigada! – agradeço com um sorriso. — Vai trabalhar hoje?

— Vou, mas pego só até às cinco. – Rebby se levanta e mexe em seus cabelos de frente para o espelho de meu quarto. — E você?

— Também. Vou tomar conta de Terry.

— Ai, eu adoro o Terry! – Rebby sorri afavelmente.

— Pois é! E o bom é que entra algum dinheiro, assim eu posso ajudar meus pais um pouco.

— Como assim?

— Eles vão pagar minhas dívidas dos empréstimos estudantis. – revelo com um revirar de olhos.

— Mas eles precisam, Natasha! – Rebecca sai em favor de meus pais. — Você está sem emprego. Não recebeu seu último salário da livraria e, sinceramente, as economias que tem guardadas não serão o suficiente.

— Eu sei. – aperto o rosto contra o travesseiro e deixo minha voz sair abafada. — Só queria não me sentir uma inútil desempregada e depende de papai e mamãe aos vinte e dois anos de idade!

— Tem gente com muito mais idade do que você que faz questão de ser assim na vida. – Rebby tenta me consolar. — Olha, não tem nada de errado em você estar atolada num problema e poder contar com pessoas para te ajudar. Principalmente se tratando de sua família.

— Quando foi que você resolveu ficar tão melancólica? – levando o rosto do travesseiro e encaro Rebby, que agora está rindo. — Está me enganando e cursando Direito no lugar de Moda?

— Deixa de ser orgulhosa! – ela repreende com mais um tapa em minha bunda. — Seus pais precisam te ajudar. Nós vamos nos mudar dentro de dias e ainda precisaremos pagar o aluguel.

— Eu vou arranjar alguma coisa para...

— Não estou falando nada disso, sua idiota! – Rebecca me atira uma almofada.

— Então o que foi?

— Crescer compete a aceitar quando se tem um problema. E aceitar a ajuda fornecida. – ela pisca significativamente. — Você não é menos mulher nem menos adulta por poder contar com seus pais. Tá?

— Chata!

— Bom, já fiz minha parte! – Rebby empurra meu cabelo para frente de meu rosto e fica de pé. — Vou me arrumar para o trabalho! Até mais tarde, resmungona!

— Até mais tarde, sabichona!

Rebby sai do quarto e eu volto a deitar na cama repensando em minha discussão com Steve. Será que peguei pesado? Será que fui egoísta por não querer ouvir seu lado? Será que...? Deixa de ser tonta, menina. Já conversamos sobre valores! Ache o seu e o mantenha com você. Sempre! Okay, Little Red, okay...

▪️▪️▪️

Parada em frente a um dos simples prédios do Brooklyn, aguardo até que a porta seja aberta.

— Tia Nat!

Terry! – pego o garoto em meus braços e beijo seu rosto antes de cumprimentar sua mãe.

— Oi, Natasha. Tudo bom?

— Oi, Sra. Shay. Tudo. E com a senhora?

— Bom, tenho que trabalhar até tarde, então... – a Sra. Shay ergue os ombros e sorri em simplicidade. — Olha, confio plenamente em você, portanto pode curtir o quanto quiser com Terry.

— Okay. Pode deixar, Sra. Shay. – ponho Terry no chão e me viro para ela. — Vai até que horas?

— Plantão

— O quê? Mas hoje é Ano Novo.

— Sim, mas essas coisas não significam nada no meu trabalho.

— Nossa! – exclamo imaginando o tamanho do cansaço que Sra. Shay sentirá hoje. — Então, eu te desejo boa sorte!

— Obrigada, querida! Kisha está no quarto, acabou de tomar os remédios e acabou pegando no sono. Bom, preciso ir. Até mais! Qualquer coisa, ligue para mim ou para Mike.

— Certo.

— Tem nossos telefones, não?

— Tenho, sim.

— Okay. Tchau, Terry!

— Tchau, mãe. – Terry corre até sua mãe e deposita um beijo em seu rosto. — Eu amo você.

— Também te amo, filho. Comporte-se.

— Ele vai. – pego na mão de Terry e o puxo para dentro do apartamento de sua tia. — Bom trabalho, Sra. Shay!

— Obrigada, Natasha. Para você também. Feliz Ano Novo!

— Igualmente!

Trocamos rápidos sorrisos antes da Sra. Shay se virar e começar a descer os degraus. Fecho a porta e encaro Terry, que está com as mãos na cintura.

— E aí, Terry? Como está na escola?

— Chato. O recesso de fim de ano é muito rápido. – Terry faz bico quando se joga no sofá teatralmente.

— Oh, eu sei! – resolvo ser solidária à sua angústia entediante. — Estudar no meio da neve deve ser um saco mesmo! Acredite, eu já passei por isso.

Meu comentário arranca uma risadinha de Terry, que agora se senta no sofá.

— Tia Nat, posso te pedir uma coisa?

— Uma coisa? – eu me aproximo dele. — Depende. O que é?

— Vamos fazer um bolo?

— Hmmm... bolo?

— É!

— De chocolate?

— Sim!

— Okay. Vamos lá. – corro até a cozinha e me preparo para lavar as mãos.

— Mas tem que ser com muuuuita calda! – Terry exige ao meu lado antes de despejar detergente entre os dedos.

— Anotado, Master Chef Jr.!

Terry ri quando eu bato contingência para ele antes de abrir o armário e apanhar todos os utensílios necessários.

▪️▪️▪️

Movimentando a colher de pau na calda de chocolate, olho para Terry ao meu lado, que aguarda ansiosamente para despejarmos toda a panela por cima do bolo.

— Certo! Use a faca para furar a massa enquanto eu jogo a calda por cima.

— Tá bom! – Terry assente e afunda a ponta até o cabo, alargando e deixando espaço para que o chocolate derretido possa adentrar. — É assim, né? – ele me encara em expectativa.

— Isso mesmo, Terry! Está indo muito bem! – sorrio para ele e ouço meu celular começar a tocar e vibrar em cima do balcão da cozinha. — Continua que eu já volto, tá?

— Tá bom.

Corro até o celular e torço para ser Steve.

— Alô?

Oi, filha.

— Ah, oi, mãe.

Está tudo bem, querida?

— Está, mãe, está, sim. – escondo minha chateação por não ser Steve do outro lado da linha. — E aí, como você está?

Estou bem, querida. Inclusive, eu te liguei para perguntar a mesma coisa. Como vai Harold?

— Ah, vai muito bem. Os médicos disseram que ele está respondendo aos medicamentos e a cirurgia deve acontecer semana que vem.

Já conseguiram o dinheiro?

— Sim, mãe. Eu te disse que tia Edith iria vender a livraria.

Ah, sim, mas não pensei que fossem comprar tão rápido.

— É, eu também não, mas parece que já tinha uma moça interessada na propriedade, então...

E você já sabe o que farão da livraria?

— Miguel disse que será uma casa de doces.

De doces? – mamãe parece sorrir do outro lado da linha. — Já vi que você não sairá dessa loja, do jeito que adora doces...

— Também não é assim, mãe. – sorrio. — Não sou viciada em doces.

— Ah não, tia Nat? – Terry ri para mim e aponta para o bolo de chocolate, o que também me arranca uma risada e um revirar de olhos.

— Pode parar, mocinho! – ele ri quando eu aponto um dedo em sua direção antes de voltar a furar o bolo.

Mocinho? Quem está com você, filha?

— Terry. Lembra dele? Seus pais estão trabalhando e me chamaram para tomar conta. É até bom, porque acaba entrando um dinheiro extra.

Ah, sim! Nossa! Quanto tempo não o vejo! Ele está com que idade agora?

— Oito.

Hmmmm... será que Hazel e ele iriam ser amigos?

— É, quem sabe? E como ela está?

Bem... – minha mãe força sua voz a ter um simples tom.

— "Bem..."? – repito já apreensiva. — Mãe, o que houve? Fala a verdade para mim, está tudo bem mesmo?

Está...

— Mãe, diga a verdade! Hazel está bem?

Está, filha, é que... – mamãe suspira e me deixa ainda mais nervosa. — É que ela...

— Pelo amor de Deus, mãe! O que aconteceu?

Ela... ela ficou mocinha, Natasha.

— Oh... oh... – meu coração se acalma novamente. — Meu Deus, mãe! Todo esse suspense para me dizer isso? Eu quase morri aqui!

— Desculpe. É que é estranho ver que meu outro bebê não é mais um bebê.

— Ela só tem doze anos, mãe. Ela sempre será um bebê! – teimo com a ideia de Hazel estar crescendo.

Você parece uma mãe falando!

— Como ela reagiu? – pergunto após uma risadinha tímida.

Bem. Já havíamos conversado sobre isso. Claro que se assustou um pouco, por não saber muito bem o que fazer, mas correu tudo bem.

— Quando foi que ela ficou?

Dois dias atrás.

— Já a levou ao ginecologista?

Ainda não, mas já marquei uma consulta.

— Com a sua, né?

Sim.

— É, acho que Hazel se sentirá mais confortável com uma mulher.

Ah, com certeza! – minha mãe afirma. — E você, querida? Como está com Steve?

— Bem, mãe. – eu me remexo de maneira desconfortável ao relembrar de nossa mais recente discussão E de que, de lá para cá, não trocamos nenhuma outra conversa. — Por quê?

Por quê? – mamãe indaga com um riso. — Natasha, tem que aprender a mentir melhor. Digo, melhor, não. Tem que aprender a mentir.

— Mãe!

Começando por não gaguejar. – mamãe parece estar falando realmente sério do outro lado da linha, o que me faz rir nervosamente.

— Certo, mãe, certo. Você me pegou. – reviro os olhos antes de me render. — Nós nos vimos depois do Natal e as coisas pareciam estar indo bem, mas... é complicado.

E por que é complicado, querida?

— Eu não sei. – respondo não querendo chorar. — Ele é tão confuso...

Meu bem, se não for para ser, não será. Não force as coisas, está bem? Tudo tem seu tempo, até mesmo o amor.

— Eu sei. – respiro fundo e vejo Terry me chamar. — Eu sei, mãe. Obrigada.

Vai ficar bem?

— Vou, vou. Aliás, eu já estou. – sorrio. — Bom... preciso desligar, Terry e eu estamos fazendo bolo.

Okay. Até mais, querida. Eu te amo.

— Também te amo, mãe.

Encerro a chamada e respiro fundo mais uma vez antes de me virar para Terry.

— Muito bem! – elogio seu trabalho caprichoso em furar o bolo. — Que tal jogarmos a calda agora?

— Bora! – Terry ri empolgado. — Tia Nat?

— Sim? – estou de costas para ele enquanto pego a panela quente sobre a boca do fogão.

— Seu namorado é mau?

Perco o equilíbrio e, devido a isso, ponho a panela sobre o balcão. A pergunta de Terry me pega tão de surpresa a ponto de eu precisar tomar fôlego antes de me virar pra ele.

— De onde tirou isso, Terry? – eu o encaro atentamente.

— Eu sou criança, mas não sou burro. Entendi o que estava falando com sua mãe.

— Terry...

— Eu amo você, tia Nat, e não quero que ninguém te faça sofrer.

Penso no que responder para Terry, mas fico sem reação ao vê-lo se aproximar ainda mais de mim e abraçar minha cintura com seus curtos e finos braços morenos.

Sorrio com ternura, passando as mãos por seus cabelos trançados.

— Eu também te amo, Terry. – ele levanta a cabeça e me encara. — Não se preocupe, ninguém está me fazendo sofrer.

— Mesmo?

— Mesmo! – sorrio e aponto para a panela. — Vamos jogar a calda para podermos atacar logo isso aí?

— Sim! – Terry ergue seus braços e segura no cabo da panela junto comigo, começando a derramar a calda por cima do bolo já pronto.

▪️▪️▪️

Movimentando a colher de pau na calda de chocolate, olho para Terry ao meu lado, que aguarda ansiosamente para despejarmos toda a panela por cima do bolo.

— Certo! Use a faca para furar a massa enquanto eu jogo a calda por cima.

— Tá bom! – Terry assente e afunda a ponta até o cabo, alargando e deixando espaço para que o chocolate derretido possa adentrar. — É assim, né? – ele me encara em expectativa.

— Isso mesmo, Terry! Está indo muito bem! – sorrio para ele e ouço meu celular começar a tocar e vibrar em cima do balcão da cozinha. — Continua que eu já volto, tá?

— Tá bom.

Corro até o celular e torço para ser Steve.

— Alô?

Oi, filha.

— Ah, oi, mãe.

Está tudo bem, querida?

— Está, mãe, está, sim. – escondo minha chateação por não ser Steve do outro lado da linha. — E aí, como você está?

Estou bem, querida. Inclusive, eu te liguei para perguntar a mesma coisa. Como vai Harold?

— Ah, vai muito bem. Os médicos disseram que ele está respondendo aos medicamentos e a cirurgia deve acontecer semana que vem.

Já conseguiram o dinheiro?

— Sim, mãe. Eu te disse que tia Edith iria vender a livraria.

Ah, sim, mas não pensei que fossem comprar tão rápido.

— É, eu também não, mas parece que já tinha uma moça interessada na propriedade, então...

E você já sabe o que farão da livraria?

— Miguel disse que será uma casa de doces.

De doces? – mamãe parece sorrir do outro lado da linha. — Já vi que você não sairá dessa loja, do jeito que adora doces...

— Também não é assim, mãe. – sorrio. — Não sou viciada em doces.

— Ah não, tia Nat? – Terry ri para mim e aponta para o bolo de chocolate, o que também me arranca uma risada e um revirar de olhos.

— Pode parar, mocinho! – ele ri quando eu aponto um dedo em sua direção antes de voltar a furar o bolo.

Mocinho? Quem está com você, filha?

— Terry. Lembra dele? Seus pais estão trabalhando e me chamaram para tomar conta. É até bom, porque acaba entrando um dinheiro extra.

Ah, sim! Nossa! Quanto tempo não o vejo! Ele está com que idade agora?

— Oito.

Hmmmm... será que Hazel e ele iriam ser amigos?

— É, quem sabe? E como ela está?

Bem... – minha mãe força sua voz a ter um simples tom.

— "Bem..."? – repito já apreensiva. — Mãe, o que houve? Fala a verdade para mim, está tudo bem mesmo?

Está...

— Mãe, diga a verdade! Hazel está bem?

Está, filha, é que... – mamãe suspira e me deixa ainda mais nervosa. — É que ela...

— Pelo amor de Deus, mãe! O que aconteceu?

Ela... ela ficou mocinha, Natasha.

— Oh... oh... – meu coração se acalma novamente. — Meu Deus, mãe! Todo esse suspense para me dizer isso? Eu quase morri aqui!

— Desculpe. É que é estranho ver que meu outro bebê não é mais um bebê.

— Ela só tem doze anos, mãe. Ela sempre será um bebê! – teimo com a ideia de Hazel estar crescendo.

Você parece uma mãe falando!

— Como ela reagiu? – pergunto após uma risadinha tímida.

Bem. Já havíamos conversado sobre isso. Claro que se assustou um pouco, por não saber muito bem o que fazer, mas correu tudo bem.

— Quando foi que ela ficou?

Dois dias atrás.

— Já a levou ao ginecologista?

Ainda não, mas já marquei uma consulta.

— Com a sua, né?

Sim.

— É, acho que Hazel se sentirá mais confortável com uma mulher.

Ah, com certeza! – minha mãe afirma. — E você, querida? Como está com Steve?

— Bem, mãe. – eu me remexo de maneira desconfortável ao relembrar de nossa mais recente discussão E de que, de lá para cá, não trocamos nenhuma outra conversa. — Por quê?

Por quê? – mamãe indaga com um riso. — Natasha, tem que aprender a mentir melhor. Digo, melhor, não. Tem que aprender a mentir.

— Mãe!

Começando por não gaguejar. – mamãe parece estar falando realmente sério do outro lado da linha, o que me faz rir nervosamente.

— Certo, mãe, certo. Você me pegou. – reviro os olhos antes de me render. — Nós nos vimos depois do Natal e as coisas pareciam estar indo bem, mas... é complicado.

E por que é complicado, querida?

— Eu não sei. – respondo não querendo chorar. — Ele é tão confuso...

Meu bem, se não for para ser, não será. Não force as coisas, está bem? Tudo tem seu tempo, até mesmo o amor.

— Eu sei. – respiro fundo e vejo Terry me chamar. — Eu sei, mãe. Obrigada.

Vai ficar bem?

— Vou, vou. Aliás, eu já estou. – sorrio. — Bom... preciso desligar, Terry e eu estamos fazendo bolo.

Okay. Até mais, querida. Eu te amo.

— Também te amo, mãe.

Encerro a chamada e respiro fundo mais uma vez antes de me virar para Terry.

— Muito bem! – elogio seu trabalho caprichoso em furar o bolo. — Que tal jogarmos a calda agora?

— Bora! – Terry ri empolgado. — Tia Nat?

— Sim? – estou de costas para ele enquanto pego a panela quente sobre a boca do fogão.

— Seu namorado é mau?

Perco o equilíbrio e, devido a isso, ponho a panela sobre o balcão. A pergunta de Terry me pega tão de surpresa a ponto de eu precisar tomar fôlego antes de me virar pra ele.

— De onde tirou isso, Terry? – eu o encaro atentamente.

— Eu sou criança, mas não sou burro. Entendi o que estava falando com sua mãe.

— Terry...

— Eu amo você, tia Nat, e não quero que ninguém te faça sofrer.

Penso no que responder para Terry, mas fico sem reação ao vê-lo se aproximar ainda mais de mim e abraçar minha cintura com seus curtos e finos braços morenos.

Sorrio com ternura, passando as mãos por seus cabelos trançados.

— Eu também te amo, Terry. – ele levanta a cabeça e me encara. — Não se preocupe, ninguém está me fazendo sofrer.

— Mesmo?

— Mesmo! – sorrio e aponto para a panela. — Vamos jogar a calda para podermos atacar logo isso aí?

— Sim! – Terry ergue seus braços e segura no cabo da panela junto comigo, começando a derramar a calda por cima do bolo já pronto.

▪️▪️▪️

— E acaba por aqui! – fecho o colorido livro de animais de Terry. — Mais alguma curiosidade sobre os leões?

— Não. – diz.

— Certeza? – espreito os olhos e aproximo meu rosto do de Terry, fazendo-o rir.

— Sim, tia Nat.

— Okay, então... – sou interrompida pelo toque de meu celular vindo da cozinha. Olho para Terry e o vejo erguer os ombros enquanto se deita no sofá marrom. — Toma. Assista um pouco de TV enquanto eu atendo, tá?

— Tá bom.

Eu me levanto do chão onde estava sentada com Terry e pego meu celular, desta vez, torcendo para realmente ser Steve.

— Alô?

Oi, Nat!

— Rebby? Ah, oi...

Nossa! Bem que você podia ao menos fingir que não ficou nem um pouco frustrada por estar falando comigo, né?

— Desculpe, Rebby. – abaixo a cabeça e rio de seu tom — O que foi?

Está ocupada?

— Bom, na verdade eu já vou levar Terry para casa. – respondo após checar a hora no relógio.

Ai, que ótimo!

— Ótimo? Por quê?

Preciso que faça um favor para mim. Pode?

— Bom, sim, mas... qual?

Tá, preciso que vá até a casa de tecidos e compre três metros de azul turquesa.

— Azul turquesa? – indago. — Três metros?

Isso. Vai lembrar?

— Vou. – afirmo, anotando em meu bloco e sorrindo por estar enganando Rebby.

Ótimo! Preciso disso para hoje!

— Hoje? – olho para meu relógio de pulso mais uma vez. — Mas, Rebby, não tem mais nada aberto!

Ai, que droga! É verdade! Será que aquela senhora da loja quarenta e quatro não está trabalhando?

— Acho que não, Rebby.

Você se importa de passar por lá para ver? É até caminho para levar Terry para casa.

— Mas, Rebby...

Por favor!!!

Suspiro, mordendo o lábio inferior e revirando os olhos enquanto penso num modo de esganar Rebby.

— Ai... tá, tá! Eu vou!

Ah, obrigada, Natasha! – Rebecca comemora com um riso. — Valeu mesmo, amiga!

— Okay, okay. Então deixa eu ir logo. Mas já vou avisando que deve estar tudo fechado.

Okaaay. Mas, se a loja estiver aberta, não se esqueça: três metros de azul turquesa.

— Não vou esquecer. – pego meu casaco. — Ei! Espera!

O que foi?

— Onde você está? Não ia sair às cinco?

E eu saí.

— E por que não foi para casa?

Porque... eu...

— Está com Sam, né?

Ér... Nat, eu...

— Sua doente! Por que não comprou o tecido quando saiu do trabalho?

Eu esqueci! Sam me fez uma surpresa e me buscou no trabalho. Só lembrei agora com um e-mail da Priscilla me pedindo para apresentar meus modelos na volta do Ano Novo.

— Rebby, você é muito espertinha! – cerro os olhos e seguro um sorriso.

Desculpe, Nat. Por favor, faça isso por mim. Eu juro que vou recompensar.

— Okay, okay. Tenho que ir. Feliz Ano Novo, Rebby! Beijo.

Beijo, Nat. Dá outro em Terry. Feliz Ano Novo para vocês dois!

— Valeu. Tchau. – desligo o telefone e me viro para Terry. — Vamos.

— Já?

— Sim. Tenho que te levar para casa. E vou aproveitar o caminho, já que Rebby me pediu para passar numa loja de tecidos e comprar três metros de azul turquesa para ela. – arregalo os olhos drasticamente para Terry, que sorri de volta.

— Mas tem alguma loja aberta, tia Nat?

— Rebby acredita que a loja da esquina esteja.

— Hmm... estou com saudades da tia Rebby.

— É, ela disse a mesma coisa hoje mais cedo. E te mandou um beijo e desejou Feliz Ano Novo.

— Diga o mesmo a ela. – Terry ri mais uma vez.

— Okay, eu digo. Pegou seu casaco?

— Peguei, tia Nat. Deixa só eu calçar meus tênis.

— Certo. – guardo seu livro e álbum de figurinhas dentro de sua mochila Jansport de cor preta. — E não faça barulho. Sua tia ainda está dormindo.

— Okay. Pronto! – Terry vem até mim.

— Ótimo! Vamos!

Pego em sua mão e o conduzo para fora do apartamento após apanhar minhas chaves, celular e carteira.

Assim que terminamos de descer as escadas, abro a portaria e saio na frente de Terry, que vem atrás de mim. Fecho o portão e me viro, segurando em sua mão enquanto ponho as chaves dentro da bolsa rosa.

Terminando de guardar meus pertences, tenho uma tremenda surpresa ao erguer o olhar.

— Olá, Srta. Romanoff!

Notas finais
Não se esqueçam de absorver a conversa de Nat e Rebecca pra vocês: todos nascemos com nossa virgindade e cabe SOMENTE a nós decidir quando e com quem a perderemos. É nos nossos termos, no nosso tempo e na NOSSA concepção! Espero que tenham gostado do capítulo! O próximo sairá na quinta :3 Por favor, acompanhem, favoritem, recomendem e comentem :3 Beijocas!