I Never Told You

1 Capítulo Único


1937, esse foi o ano em que Arthur Kirkland, escritor, saiu da Inglaterra, seu país de origem, para morar no subúrbio da pequena cidade francesa Homps. Era escritor e morava ao lado do parisiense Francis Bonnefoy. Nada separava os quintais deles, a não ser uma enorme roseira que o franco tinha há anos. Todos os dias, pela manhã, Bonnefoy ia regar suas preciosas rosas vermelhas e pintar a bela paisagem suburbana que apenas a charmosa Homps apresentava. Nada poderia traduzir melhor a expressão "carpe diem" que a agradável vida de Arthur naquele singelo lugar. Pelo menos, foi isso o que o britânico pensou ao se mudar para lá em busca de paz e sossego. Tudo era perfeito, a não ser por Francis, que parecia dedicar sua vida a brigar com Arthur. Dois anos passaram, e as desavenças tornaram-se rotineiras.

— Você tocou nas minhas rosas, seu inglês bêbado!

— Por que eu faria isso, seu frog bastardo?!

— Por que não fazer?

...

Não era uma simples briga, era algo que ambos encaravam, inconscientemente, como alguma estranha forma de diversão, de modo que um sentia falta do outro ao passar o dia sem vê-lo. Talvez eles brigassem por qualquer motivo porque se importassem demais um com o outro. Os dias se passavam, e Arthur sempre via notícias mundiais em seu jornal. A Alemanha, que saiu da grande guerra em crise, parecia estar cada vez mais forte, assim como a antiga colônia inglesa onde morava sua prima Amélia F. Jones, uma modelo talentosa e linda. Toda a vez que a moça visitava o primo, era tratada de maneira estranha por Bonnefoy. O francês costumava flertar com todas as garotas que conhecia, até mesmo levava algumas jovens francesas para sua casa, o que incomodava Arthur ao extremo. Qual seria o problema dele com a prima do britânico? Todos os domingos, Arthur lia notícias sobre a Alemanha e Itália. Ninguém acreditava quando o britânico dizia que a situação global era assustadora, esse foi o motivo de uma discussão calorosa entre o inglês e o francês.

— Guerra? Do que você está falando? Não haverá outra guerra mundial!

— Será que você não percebe frog?! Olhe para a Alemanha. Ela está ficando muito forte. Por que ninguém faz algo?!

— Por que não é necessário! E eu acho que os alemães já aprenderam a lição com a Grande Guerra.

— Não sei se é assim que eles pensam.

— Ora, cale a boca, seu servo da rainha! Nunca ouvi tantas bobagens vindas de um inglês antes.

— Eu estou tentando te avisar, seu frog bastardo! Ou você acha que Inglaterra e França vão ficar apenas assistindo essa guerra? Francis, a França fica bem ao lado da Alemanha.

— E a Inglaterra ao lado da França. Vamos estudar a localização dos países agora?- O francês riu ironicamente.

— Quer saber? Esqueça! Eu só estava avisando porque me preocu... Por nada seu ingrato!- O britânico jogou o jornal sobre Francis e voltou para casa deixando o de olhos azuis falando sozinho. Aquele era apenas o início de 1939. Passou-se janeiro, fevereiro e março. Tudo parecia ter voltado ao normal.

Mas, enfim, setembro chegou. E com esse mês, a guerra. Arthur tinha razão. Não demorou muito até que a Inglaterra e a França declarassem guerra contra a Alemanha depois da invasão alemã à Polônia. Arthur não via mais Francis sair de sua casa para cuidar de sua roseira que já estava murchando. O inglês, que nunca imaginaria passar mais de uma semana sem discutir com o vizinho, passou sentir falta dele a cada dia que se passava. O britânico cuidava das flores de Francis, além de todo o jardim, mas nunca se atreveu a bater na porta de madeira escura com um vitral colorido azul, vermelho e branco. Talvez Arthur realmente se importasse com o franco. Já se passava um mês desde quando o inglês teve seus olhos tomados pelos brilhosos olhos azuis de Francis pela última vez. Ele realmente sentia saudades de ouvir a voz do vizinho falando inglês com um sotaque forte. Aquele sotaque que o britânico nunca cansaria de ouvir. Ele tomou coragem e bateu na porta, que estava entreaberta.

— Olá? Tem alguém aí?

— Vá embora! — Arthur sorriu ao ouvir a voz do loiro. — Não vou até saber se você está bem. — Ele entrou na sala de estar, onde encontrou Francis sentado no chão com uma garrafa de vinho.

— Seu inglês bastardo, eu sei que você me odeia, então por que veio me procurar?

— Nã-não é que eu te odeie.

— Do que você está falando? É claro que você me odeia.

— Não. É claro que VOCÊ me odeia, mas eu nâo te culpo. Quem não me odiaria?- Arthur sentou-se ao lado de Francis, pegou o vinho da mão dele e deu uma golada.

— Que tal aquela americana?

— Quem?

— Você sabe. Aquela Am... Am... Amélia. Ela está sempre visitando você.

— Você está falando da minha prima Amélia?- O britânico riu. — Ela está noiva de um italiano, ou estava. Agora que a guerra começou...

— SEU DESGRAÇADO! A moça está noiva e é sua prima. Mesmo assim... Santo De...

— Espere! Você entendeu tudo errado. Ela é minha prima. Crescemos juntos e o amor que eu tenho por ela é fraterno. Eu nunca me apaixonaria ou tentaria ter algo com Amelia.

— Ah sim. — O francês riu sem graça. — Bom, eu não te odeio.

— Eu também não te odeio Francis Bonnefoy. Os dois sorriram um para o outro. Francis retirou a garrafa de vinho cuidadosamente das mãos de Arthur, em seguida, olhou nos olhos brilhantes do inglês. Como nunca reparou aquele tom de verde tão lindo? Talvez o franco estivesse tão ocupado discutindo com o britânico que nunca percebera a incrível pessoa que Arthur era. Ele segurou o rosto do britânico, que corou. Em seguida, beijou-o timidamente. O de olhos verdes correspondeu ao beijo. Em seguida, Arthur se levanta.

— Eh, que bom que você está melhor. — Ele disse caminhando em direção à porta sem quebrar o contato visual com Francis. Ao chegar à porta da sua casa, suspirou. Por que não conseguia parar de pensar no francês? Os dias se passaram como se nada tivesse acontecido. O Bonnefoy voltou a acordar de manhã para cuidar de sua roseira e falar, ou melhor, discutir com Kirkland. Tudo parecia normal. Um ano se passou, e a França não parecia se envolver fisicamente na guerra. Bonnefoy tinha esperanças de que aquilo tudo terminassem sem derramamento de sangue francês, infelizmente, no início de maio de 1940, Francis soube que aquelas horas de paz na sua singela casa, ao lado de Arthur, haviam acabado. Os alemães estavam prestes a invadir Paris e, como o grande patriota que ele costumava ser, sabia que deveria se juntar ao exército francês e defender a capital. Não seria fácil lutar contra o exército alemão. Como Arthur disse, eles estavam ficando cada vez mais fortes. Arthur... Talvez Francis devesse contar que estava partindo, o inglês ficaria feliz em não ter que aturá-lo por mais tempo. Uma manhã, o britânico estava lendo seu jornal no quintal enquanto Bonnefoy cuidava da roseira.

— Arthur?

— Sim?

— Eu tenho uma notícia boa para você.

— Como um frog bêbado teria uma boa novidade para mim?- Ele riu sarcasticamente.

— Bem, é que você não vai mais ter que aturar esse frog bêbado...

— Você? E por que eu não teria mais que te aturar?

— Porque, Arthur, a França vai ser invadida. E eu vou defender meu país. Creio que você faria o mesmo pela Inglaterra.

— Como assim você vai defender o seu país?!

— Amanhã, pela manhã, pego um trem para Paris.

— Francis, você não pode ir!- Arthur grita furiosamente com os olhos cobertos d'água. Em seguida, entra na sua casa e bate a porta com força. Preocupado com a reação inesperada de Kirkland, o francês vai até a casa dele. Por muitas horas, Francis bateu na porta sem sucesso. Parecia que Arthur não queria vê-lo. Então, voltou para a sua casa, pois precisava fazer as malas. Já eram cinco horas da tarde e Arthur continuava trancado em sua casa. Francis bateu na porta novamente. Realmente estava preocupado com o inglês.

— Arthur, por favor, abra essa maldita porta! Pela primeira vez, o britânico obedeceu. A porta se abriu. Francis pode ver que o vizinho estava acabado. E pior, ele nem sabia o porquê.

— Olá. — Disse o inglês um tanto envergonhado.

— Oi. — Disse o francês ao entrar na casa.

— Eh, desculpe pela minha reação com tudo isso. Eu só...

— Pensei que você estivesse preparado para a guerra.

— Eu estava preparado para uma guerra, não para perder você! — Arthur disse o que nunca diria, mas estava desesperado. Francis se surpreendeu, mas não disse nada. Deixou o inglês continuar. — Nunca pensaria que você iria lutar nela. Você nem faz parte do exército, ou tem treinamento para isso.

— Eu tenho treinamento.

— Como?

— Eu tenho o treinamento militar. Na verdade, eu estava na reserva do exército francês. Até me chamarem, é claro.

— Francis, minha família me chamou para voltar à Inglaterra. Volte comigo. Sou rico, posso conseguir uma casa para você lá.

— Por que você faria isso por mim seu inglês bastardo? — o franco tentava esconder que estava tentado pela oferta. — Além disso, não posso fugir do exército. Isso não é moral.

— Beijar seu vizinho também não é moral.

— Mas, parecia tão certo. — Francis disse se aproximando de Arthur. — Ainda parece certo. — Ele segura o rosto do inglês que cora. O franco se aproxima mais, deixando o britânico um tanto nervoso.

— Arthur? — Disse o franco acariciando os cabelos loiros do britânico.

— Hum? — Ele perguntou sem tirar a concentração dos cabelos ondulados de Francis.

— Boa noite.

— Boa noite. — O inglês sorriu ao fechar os olhos para dormir, aconchegando-se no abdome de Francis.

Era de manhã cedo, ele acordou e viu que Bonnefoy não estava lá. Sentiu-se desesperado. Kirkland rapidamente foi até a casa do francês.

— Bonjour, Arthur. — Quando o inglês o viu, todas as suas angústias foram embora. Ele correu para abraçar o de olhos azuis fortemente.

— Good morning. — Ele disse com os olhos lagrimejando, pois sabia que aquele talvez fosse o último abraço que daria em Francis.

— Arthur, eu tenho que ir. — Disse Bonnefoy mechendo nos cabelos de Kirkland.

— Eu sei. — Disse o inglês soltando o francês que, já com suas malas em mãos, caminhou até a porta. Ao abrí-la, sentiu um aperto no coração. Precisava dizer o que talvez nunca mais tivesse a chance de ser dito.

— Eu te amo. — Francis tomou coragem e disse isso. A surpresa de Arthur foi tamanha, que ele não conseguiu expressar uma palavra. O francês saiu da casa, deixando Kirkland e tudo o que fazia parte daquela pacata e feliz vida. Demoraram alguns minutos até que o britânico deu por si. Francis partiu, e nada mudaria aquele fato. Foi a pior sensação que ele já sentira. Os dias que se passaram foram monótonos e difíceis. Arthur cuidava das roseiras e da casa de Bonnefoy esperando que ele voltasse milagrosamente. O inglês não conseguia mais escrever seus livros, muito menos ler seu jornal. Ele estava cansado de esperar.

— Arthur?

— Francis? Você voltou!- Disse o inglês ao correr em direção ao de cabelos longos.

— Claro que voltei. Nunca poderia ficar sem você na minha vida.

— Mas, como você conseguiu voltar? E o exército? Isso é tão irreal que parece até um so... — O britânico abre os olhos. Realmente era apenas um sonho. A falta que sentia de Bonnefoy era tão grande que escorreu pelos seus olhos. — Francis, uma parte de mim diz para desistir de você, que não faz sentido eu esperar aqui, que você provavelmente está... — Ele respirou fundo para conseguir forças e continuar — que você está morto. Mas outra parte de mim não consegue viver sem você. Eu deveria ter te dito isso. Pegou uma xícara de chá e sentou-se em sua mesinha para ler o jornal que não lia fazia muito tempo. A notícia foi a pior de todas. Paris foi conquistada pelos alemães, Bonnefoy estava lá. Estava... Lá... Não pode ser! Francis não pode estar morto. Aquela era a pior coisa em que o inglês poderia pensar. Ele correu para a caixa de correio onde a encontrou atolada de cartas. Sua família perguntava se estava bem, vivo e seguro. Diziam para ele voltar à Inglaterra imediatamente. — Mas se eu voltar, como Francis vai me encontrar quando isso acabar? — Ele ignorou a possibilidade do francês estar morto. Passou a noite pensando sobre o assunto, até que entendeu o que precisava ser feito. Os germânicos já haviam dominado a França. Não era mais seguro viver lá, e sem o francês, aquele não era mais seu lar. Dois dias depois, Arthur já estava na Inglaterra, na casa de seus tios, Amelia e Lovino também estavam lá.

Arthur estava triste, muito triste. E ninguém realmente se importava com isso. Todos achavam que era algo natural do inglês, pois normalmente ele tinha mal humor. Mas era diferente, demorou um tempo até que apenas Amelia percebeu o que se passava.

— Arthur, o que há com você?- Ela disse sentando-se ao lado do britânico.

— Nada. — Ele não prestou atenção na loira. Estava distante, pensando em Francis.

— Eu te conheço. Anda, fala. — Ela o sacudiu.

— Eu sinto falta de uma pessoa.

— Quem é ela?

— Hum...- Ele estava com medo da reação de Amelia, então mentiu. — Francine Bonnefoy.

— Ela tem um nome lindo.

— Realmente. — Ele sorriu.

— Agora diz o nome real. Eu sei bem quando você está mentindo. Qual é o nome da francesa e por que você não a trouxe?

— Eu não o trouxe por que ele foi servir no exército.

— Oh. — Amelia se assustou.

— O nome dele é Francis Bonnefoy.

— Você o ama, não é?

— Amo.

— Ele sabe?

— Eu não sei. Eu nunca disse. Eu deveria ter dito, mas guardei isso para mim.

— Arthur, você sabe que a França foi conquistada pelos alemães, não sabe?

— Esse é o problema, Amelia, meu bem. Eu tenho medo. — A voz dele ficou chorosa. — Eu tenho medo que ele esteja morto. Naquele momento, Lovino entra na sala.

— Oi amor. — Disse Amelia sorrindo.

— Oi. — Ele deu um beijo na loira e sentou-se ao lado dela.

— Esse é Lovino Vargas, o italiano de quem eu falei. A irmã dele mora aqui em Londres com o marido dela e eu o conheci quando vim visitar meus pais. Ele estava na casa dela.

— Que sorte. — O inglês estendeu a mão para o italiano. — Prazer, sou Arthur Kirkland, primo de Amelia.

— Prazer.

— Você não é de falar muito, certo?

— Ah, desculpe se passei uma má impressão. É que eu estava na casa de Felicia, minha irmã. Ela mora aqui em frente. Eu não consigo aturar aquele marido dela.

— Qual é o nome? Se ele for inglês, talvez eu o conheça.

— Ele não é inglês. É alemão.

— A-alemão?! — Kirkland foi tomado por um ódio profundo. Para ele, a culpa de Francis não estar lá era de todo e qualquer um que fosse da Alemanha. Ele saiu da casa e bateu furiosamente na porta de Felicia.

— Vamos seu alemão covarde, abra essa maldita porta! — O marido de Felicia abriu a porta um tanto assustado. Arthur não pensou duas vezes antes de empurrar o germânico contra a parede e surpreendentemente levantá-lo pelo pescoço. — Você não é tão valente sem o seu exército, não é?!

— O quê?

— Você não tem vergonha de morar aqui? A culpa é sua, e toda sua! — Arthur foi forçado a sair de perto do alemão quando Felicia e Lovino o empurraram para longe. Ele se ajoelha no chão. — Você levou o Francis. Você o tirou de mim!

— E-eu sinto muito. — O marido de Felicia não sabia bem o motivo de estar se desculpando, mas, naquele momento, parecia a coisa certa a fazer.

— Não sinta. — O britânico se levantou e foi embora. Ele sentou-se no gramado de sua casa e Amelia, como sempre, ao lado dele.

— Aquela sua explosão foi algo bem interessante de se ver. — Ela riu.

— Eu fui impulsivo. Um idiota impulsivo.

— Arthur, qual é o problema?

— O problema, você quer saber? Bem, eu sinto falta de Bonnefoy. Eu vejo aqueles olhos azuis toda vez que eu fecho os meus. E sinto como se a Inglaterra não fosse mais meu lar, por que eu pertenço ao lugar onde ele está, e é exatamente por isso que eu me sinto sozinho...

— Arttie...

— Eu não sei mais o que fazer. — Ele disse com a voz chorosa abraçando a norte-americana. — Você tem que prometer não contar isso para ninguém.

— Não se preocupe. Eu nunca contaria.

— Enfim, é difícil admitir isso, mas eu queria uma chance de dizer a ele tudo o que eu sinto. Sabe Amelia? Eu não respondi quando ele disse que me amava porque nas circunstâncias em que estamos o melhor a fazer seria me segurar. Mas eu fui racional quando deveria seguir meu coração. Estou tão cansado de sempre seguir minha mente. Eu deveria deixar a minha emoção me guiar algumas vezes. Meu Deus, eu escrevo tantos romances de casais apaixonados que fazem de tudo para ficar um com o outro, e olhe só para mim! Sabe o porquê de eu não conseguir mais escrever? É porque eu estaria sendo um hipócrita. Um completo, nojento e inútil hipócrita!

— Não fale assim...

— Não, Amelia, você não compreende? Ele não vai voltar. E eu vou ter que esperar até a guerra acabar para ver onde ele foi enterrado. E a roseira? — Arthur disse com lágrimas nos olhos. — Quem vai cuidar da roseira?

— Quê?

— O que eu faço Ammie?

— Bom, tente se manter calmo e voltar a escrever. Essa guerra vai acabar logo, eu creio. Tudo vai ficar bem. Outra coisa, você nem sabe se Francis está realmente morto.

— Tem razão, Amelia. Obrigado.

— De nada, Arttie. — Ela beijou o rosto do britânico e foi embora. O inglês pensou um pouco nos ciúmes que Francis sentia ao vê-lo com Amelia. Kirkland deu um riso sutil ao perceber que sua prima e ele pareciam realmente um casal. Ele se levantou e foi até o seu quarto para dormir, pois estava exausto pelo surto de adrenalina que tivera há alguns minutos.

— Arttie? Olha só quem voltou? — Disse Amelia com um sorriso adorável ao lado de Lovino que encaminha Francis para a sala de estar onde Arthur lia as últimas notícias.

— Bonnefoy! — Ele se levantou e correu em direção ao francês para abraçá-lo de modo que ambos caíram no chão. Amelia e Lovino riram olhando um para o outro enquanto ajudavam eles a se levantar.

— Como eu pude viver sem você? Cada dia, cada batalha, sobrevivi pensando em você, em ver seu rosto, abraçar você.

— Francis eu...

—Corram! Corram todos para o abrigo antiaéreo! — Gritou Amelia fazendo com que Arthur acordasse e corresse para o abrigo no jardim. Antes de entrar, ele olhou para cima e viu a cena mais aterrorizante de sua vida. Eram aviões alemães sobrevoando Londres e jogando dezenas de bombas sobre a cidade do britânico. Sentado lá, no abrigo escuro, Arthur começou a questionar a sua segurança. Já era setembro de 1941, e ele continuava na mesma situação de sempre. Tudo parecia estar destruído. A casa de Felicia estava acabada. O que fez com que ela tivesse que se mudar com Ludwig, seu marido, para a casa dos tios do britânico, o qual teve de se acostumar com a presença deles. Aquele dia foi o primeiro de vários bombardeios à capital. Arthur pensava que iria morrer, mas, em maio de 1941, quando os ataques a Londres acabaram, ele ainda estava vivo. Mesmo assim, viver os seguintes anos sem Amelia, morta em novembro de 1940 pelas bombas nazistas, era pior que a morte. Lovino havia voltado para Roma e Felicia escondia Ludwig das ameaças de morte feitas por ingleses os quais culpavam o alemão pelos ataques. Os três anos seguintes foram os mais difíceis da vida de Arthur.

Agosto de 1944, o britânico recebe a grande notícia de que Paris foi libertada pelas tropas aliadas. Por um lado, ele estava feliz, pois poderia regressar à França onde procuraria Bonnefoy. Pelo outro lado, estava com medo de a hipótese na qual Francis estava morto fosse confirmada. Mesmo não contendo a ansiedade e a curiosidade, Kirkland decidiu esperar por mais tempo para partir à França. Em 1946, ele já havia completado vinte e nove anos e estava pronto para regressar. Ele já havia voltado a escrever e era um autor renomado na Europa. Chegando à Paris, começou sua busca por Francis. Procurou por um ano, até que finalmente encontrou a temida resposta. Alguém que trabalhava próximo ao cemitério contou que lá havia uma lápide com a escritura F. Bonnefoy. Aquela foi a pior notícia que Arthur poderia receber. Antes Francis continuasse desaparecido. Talvez ele não devesse ter procurado pelo francês. Ele gostaria que Amelia estivesse lá, para ajudá-lo a lidar com aquilo. Mas ela não estava. Ele nunca mais veria nem Amelia e nem Francis pelo resto de sua vida. Na manhã seguinte, ele se encaminhou ao cemitério. A lápide estava lá. "F. Bonnefoy" era a única coisa que estava escrita na pedra. Ele ajoelhou-se na grama.

— O-oi, Francis. Ou pelo menos o que me restou de você. Não sei se você contou, mas faz seis anos desde a última vez que eu te vi. E eu queria dizer que sinto a sua falta. Daqueles olhos azuis, de como você me beijou, do gosto do seu sorriso. E a cada dia que passo sem você, é como se não houvesse nascer do Sol. Mas eu nunca te disse o que eu deveria ter dito. — Ele não conseguia conter as lágrimas. — Não, eu nunca te disse. Eu fui um idiota e me segurei. Porque eu pensava que conseguiria te esquecer. Pensei que pudesse lidar com isso, mas não. E agora eu sinto saudade de tudo em você e não acredito que eu ainda te quero. Depois de tudo que nós passamos juntos. Eu sinto falta de tudo em você, seu frog bastardo bebedor de vinho.

— Arthur Kirkland? — Disse uma voz familiar com aquele maldito sotaque francês. Imediatamente, o britânico se levanta e vira para encarar a pessoa que mencionou seu nome. Era ele, Francis Bonnefoy.

— Mas como?!

— Esse é o túmulo do meu pai. Eu sou Francis Bonnefoy II. — Ele disse rindo. — Você esteve me procurando por quanto temp... — Antes que ele terminasse a pergunta, Arthur abraçou-o. Ele pode sentir as lágrimas do inglês molhando o casaco azul que estava usando.

— Pensei que eu tivesse te perdido.

— Mas não perdeu. Eu sempre estive aqui.

— Eu te amo. — Disse o britânico olhando nos olhos de Francis.

— Eu também te amo, Arthur. Só uma pergunta: Por que você decidiu esperar até eu estar morto para falar tudo aquilo? — Ele riu. O britânico ruborizou.

— Vo-você escutou?

— Aquilo tudo era verdade?

— Cada palavra.

— Sendo assim. — Bonefoy tomou o inglês pela mão. — Vamos dar uma volta pela minha cidade. Afinal, eu lutei uma guerra para consegui-la de volta.

— Lutou nada. Se não fosse pelos ingleses, vocês nunca se livrariam dos nazistas.

— Do que você está falando, seu servo da rainha? — Ele riu. Ambos se divertiam com aquilo. — Será que você não pode passar um minuto sequer sem criticar a França?!

— Posso. — Disse Arthur dando um beijo inesperado em Francis.

— Bem, vamos andando. Você tem que conhecer a Avenue des Champs-Élysées.

— Campos Elísios?

— Você andou estudando francês, roast beef?

— Eu tive seis anos para aprender. — Ele riu.

— Então você entende quando eu falo na minha primeira língua?

— Por que você não tenta?

— Je t'aime.

— Do que você me chamou, seu frog bastardo?!

Notas finais
Essa fanfic também está disponível em:http://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-hetalia-axis-powers-i-never-told-you-1995342 Essa fic foi inspirada na música I Never Told You da Colbie Caillat, segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=XfxP4ORIIOY
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!