I Never Told You
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Kagami revirava a bola de basquete nas mãos, sem realmente ter vontade de levantar daquele chão e treinar sozinho seus arremessos. Muito pelo contrário, estava totalmente desanimado, não queria fazer absolutamente nada, só estava ali para se torturar ainda mais, era o que pensava. Tantos lugares no mundo para ficar e escolhia justamente aquele lugar.
Estava em uma quadra bem longe da que os outros costumavam ir. Era mais próxima da casa de Aomine Daiki e poucos iam lá, além de Momoi Satsuki, que passava muitas vezes por ali para ir até a casa do às da Töö Gakuen, perdera a conta de quantas vezes ela não o pegara jogando com Aomine ali, e ainda mais quantas vezes ela os viu aos beijos. Sorriu fraco, era sempre engraçado, apesar de sempre mostrar-se irritado com o maior.
Momoi era uma boa pessoa, sempre gostou bastante dela, era simpática e o dava dicas sempre que podia, não apenas sobre os jogadores, mas também sobre Aomine, o que o ajudava bastante a lidar com a personalidade daquele garoto metido. Entretanto aquilo não fora o suficiente, aliás, nem chegou perto de o fazer entender o que Aomine pensava.
Agora estava ali, sozinho, olhando para a quadra vazia e lembrando de todos os momentos que tivera com o maior, como se pudesse ver ambos correndo, rindo pela quadra e marcando pontos. Sentia muita falta.
Flashback on.
- Aomine! — gritou alto quando o maior passou por si para pegar a bola e acabou derrubando-o com força.
- Ah, merda! — o maior largou a bola e correu até o garoto deitado no chão com a mão na cintura, sua expressão era de dor. — Kagami, doeu? Me desculpe. — Aomine o segurou com cuidado, deixando-o apoiado em suas coxas.
- Idiota, eu tenho que jogar essa semana ainda, sabia? — o ruivo estava furioso, Aomine suspirou, estava realmente preocupado. — Bati as costas...
- Droga, vem cá... — o maior passou um dos braços por baixo das costas do ruivo e o outro pelas pernas, erguendo-o no colo. — Você é pesado. — riu o de cabelos azuis.
- Você também é. — resmungou Kagami corando forte. — E por que está me carregando assim, não sou nenhuma moça, sabia? — reclamava o menor olhando irritado para Aomine, que apenas mantinha aquele sorrisinho que desarmava todo o corpo do ruivo.
- Você é minha moça. — Kagami quase lhe deu um soco na face, mas apenas fechou ainda mais a expressão e olhou para longe, deixando um rosnado leve escapar pela garganta.
- Idota.
- Você parece um tigre irritadinho, sabia? — Aomine sorria, aquele sorriso divertido que só existia quando estava com Kagami, o ruivo tentou ficar ainda mais irritado, mas não conseguiu, não com aquele sorriso, então apenas voltou a desviar os olhos. — Está doendo muito?
- Não, só um pouco... — suspirou o ruivo observando o caminho que faziam até a casa do maior. Já podia vê-la. — Não precisa se preocupar, logo passa.
- Mas ainda assim é bom passar alguma coisa, você tem jogo, não é? Então é melhor prevenir. — Kagami controlou o suspiro que quis escapar por seus lábios, Aomine sempre lhe arrancava suspiros quando agia daquela forma. Sempre cuidava do ruivo como se fosse de cristal, como se fosse a coisa mais preciosa de sua vida.
Muitas vezes se perguntou por que se apaixonara justamente por aquele perfeito idiota, mas por mais que ele fosse um idiota com os outros, era totalmente diferente com o ruivo. O tratava bem, com tanto carinho que chegava a parecer outra pessoa, mas nunca achou isso ruim, achava que Aomine lhe mostrava seu verdadeiro eu quando estava consigo. Apesar de na quadra serem eternos inimigos, fora dela eram amantes.
- Oe, chegamos. — falou o maior chamando a atenção do ruivo. — Consegue ficar em pé?
- Acho que sim. — Aomine o fez colocar os pés no chão devagar, mas não o soltou, continuou abraçando sua cintura para que se apoiasse melhor. O maior abriu a porta e entrou ajudando Kagami, para em seguida trancar a porta, levou o ruivo até seu quarto e o deitou em sua cama, de bruços.
- Tira a camisa, Taiga. — pediu indo até seu guarda roupa.
- Ok... — murmurou o ruivo tirando a camisa e olhando para o maior depois, este encarava seu corpo um tanto sério demais, mas então sorriu fraco e pegou o kit de primeiros socorros e tirou de lá um gel. — Acho que só deu mal jeito... sei lá.
- Vou fazer massagem, e se continuar doendo até amanhã, vamos ao médico, ok? Tirar um raio X. — O ruivo sorriu e assentiu, logo o maior se aproximou e selou seus lábios com carinho para então começar a massagem, Kagami tentou de tudo para não ficar corado por tempo demais.
Flashback off.
Kagami limpou uma lágrima que escorreu por seus olhos, depois deixou uma risada seca escapar por sua garganta. O que é isso?, perguntava-se enquanto as lágrimas agora caíam em cascata por seus olhos, sem que pudesse controlar, então apenas colocou as mãos sobre o rosto e deixou que o choro evoluísse, que seus soluços preenchessem a noite, que a água molhasse sua camisa.
- Ka-chan... — o ruivo olhou para cima assustado, encontrando os olhos rosados e preocupados de Momoi. Sorriu fraco, tentando controlar a dor nele, o que foi impossível, então a garota o abraçou, deixando que seu rosto se escondesse em seu pescoço delicado, foi o limite para Kagami, que a abraçou forte e chorou como jamais havia chorado na vida. — Não fique assim, por favor...
- C-como não? — soluçou, apertando o casaco da garota, não aguentava mais a dor em seu peito. — E-eu...
- Kagami-kun... — ela segurou seu rosto e suspirou, fazendo-o encará-la. — Por que não conversa com ele? Por que não vai atrás dele? De que adianta você ficar aqui, triste, ele lá, triste também? Olha, você sabe que eu nunca me meto no relacionamento dos outros, mas dessa vez é o Dai-chan... e ele está sofrendo também, apesar de achar que está escondendo muito bem isso, eu sei que está doendo. Só quero que pense em tudo o que aconteceu e se coloque no lugar dele... ainda tem como.
- Momoi-chan, eu agradeço, de verdade, o que está fazendo por nós e tudo que já fez... mas dessa vez não tem volta. Eu estraguei tudo. — Kagami afastou as mãos da garota e se levantou, pegando sua bola de basquete e a mochila da escola que havia deixado jogada ao seu lado. — Melhor eu parar de vir aqui. Até o próximo jogo, Momoi.
- Ka-chan...
Mas o ruivo já caminhava para longe.
~x~
A bola batia na parede e voltava para as mãos de Aomine, e isso se repetia por vários minutos. Tinha mais ou menos meia hora que Satsuki havia saído, deixando-o ainda mais perdido em pensamentos sobre Kagami. Haviam terminado há dois meses e lá estava ele ainda louco pelo ruivo.
Mas foi a melhor coisa a se fazer, Kagami estava brincando com ele. Seis meses de namoro e não havia escutado sequer uma vez os sentimentos do ruivo, ele jamais falava se o amava ou se ao menos gostava dele, sentia-se muito inseguro e, sem perceber, estava entregando tudo de si para aquele imbecil, havia se apaixonado e não pensou em se jogar naqueles sentimentos. Mas e Kagami?
Ficou em dúvida por meses e, quando finalmente disse que o amava, o ruivo nem ao menos olhou em seus olhos. Havia sido seu limite. Não ficaria amando alguém e mendigando sentimentos dos outros quando a pessoa jamais o sentiria. Foi então que decidiu terminar tudo e se dedicar aos estudos e ao basquete, deixaria relacionamentos para quando fosse a hora deles.
Mas aquele idiota não saía de sua mente.
Flashback on.
- Aomine... — o moreno olhou para o lado de onde vinha a voz, Kagami estava apenas com uma toalha envolta da cintura e o corpo ainda molhado, será que ele não tinha noção do quanto aquilo enlouquecia o maior?
- Hum?
- Só vou me trocar e podemos ir até a locadora, ok? — comentou o ruivo, caminhando em direção ao seu quarto. Estavam na casa de Kagami naquela noite, já que morava sozinho, decidiram passar a noite lá assistindo filmes.
- Ah, sim. — assentiu o maior, trocando de canal, mas sem tirar os olhos do ruivo, que entrou no quarto e encostou um pouco a porta.
Aomine levantou-se e caminhou devagar até a porta, observou pela fresta o ruivo desenrolar a toalha e começar a secar as pernas, sorriu fraco, Kagami era muito organizado em tudo o que fazia e sempre tinha um ritual para tudo. Sempre se secava no quarto e sempre começava pelas pernas, Aomine sempre lhe falava que era uma perda de tempo, já que a água de cima escorreria para baixo molhando o que ele já secara.
Mas ele jamais mudara seus costumes.
Não podia deixar de notar o quão perfeito era seu corpo, Kagami era o homem mais lindo que já vira, claro que muitos julgavam Kise o mais bonito do basquete, mas, na opinião de Aomine, nenhum deles chegavam aos pés de Kagami, com seu corpo forte e expressão desafiadora, os olhos, os lábios, tudo o atraía naquele homem.
Não notou quando, mas seus pés o levou até o ruivo, e então o abraçou por trás, aspirando o cheiro de seu cabelo, suas mãos deslizaram pela barriga malhada, subindo até seu peitoral devagar, enquanto sua outra mão alisava o lado de seu corpo, parando em sua cintura.
-Taiga. — chamou o nome do ruivo num sussurro, roçando seus lábios pelo pescoço dele. — Você é lindo, sabia?
- Aomine... eu estou me trocando... — murmurou o ruivo, tentando sair dos braços do maior, que o soltou, mas apenas para ficar a sua frente e roubar um beijo de seus lábios.
Kagami suspirou quando seus lábios foram tomados com carinho e as mãos fortes do maior apertaram sua cintura, grudando mais seus corpos. Deixou-se abraçar o pescoço deAomine e corresponder ao beijo.
Aomine sorriu levemente e começou a deitar Kagami na cama de casal do quarto do ruivo, ficando por cima. Voltou a beijá-lo, enquanto acariciava seu corpo com a ponta dos dedos, deslizou os lábios até seu pescoço, começando a beijar-lhe ali, lamber enquanto roçava seu corpo ainda coberto por roupas no corpo nu de Kagami, que começava a ofegar baixo.
- A-Aomine... — o maior sentiu as mãos do ruivo em seus ombros, empurrando-o. — Tenho que me vestir... a locadora vai fechar se não formos logo. — Aomine o encarou confuso, mas o ruivo olhava para outro lado, estava com as mãos apoiadas na cama agora, mas não desistiu.
- Deixa fechar, amor... — sussurrou, descendo o rosto até o peitoral do ruivo, depositando beijos pelo local, mas voltou a ser empurrado.
- Não, quero ver aquele filme. — Aomine encarou-o e deixou uma risada desacreditada escapar pelos lábios, mas ainda assim Kagami não o encarou nem falou que era brincadeira, apenas sentou, forçando Aomine sair de cima de seu corpo.
O de cabelos azuis encarou Kagami por mais alguns segundos e saiu do quarto, fechando a porta com cuidado, sem conseguir acreditar na forma como fora rejeitado pelo próprio namorado. Qual era o problema? Será que havia feito algo? Era a única coisa na qual conseguia pensar.
Depois daquilo foram até a locadora e Kagami alugou os filmes que queria ver enquanto Aomine ia até o supermercado mais próximo e comprava pipoca de microondas. Foram para casa do ruivo sem trocar muitas palavras e Aomine não tentou nem ao menos tocar sua mão pelo resto da noite e acabou dormindo na metade do primeiro filme. Acordou deitado no sofá e coberto por uma manta e com um travesseiro debaixo da cabeça, enquanto Kagami dormia em sua cama.
Acabou indo embora sem falar com o ruivo, estava magoado demais para sequer falar bom-dia para Kagami.
Flashback off.
Desde aquele dia o ruivo estava realmente estranho sem motivo algum. Aomine não se lembrava de ter lhe dito ou feito algo para que se afastasse daquela forma, chegou até a pensar que era por causa dos jogos, mas sempre souberam separar aquilo muito bem, pensou se ele não estava cansado de namorar escondido, mas quando sugeriu que assumissem um namoro oficial, o ruivo disse que era melhor não, pensou em mil coisas e tentou esclarecer quase todas...
Menos a que mais se prendia em sua mente: Kagami podia estar apaixonado por outra pessoa.
- Kagami, seu bastardo! — rosnou, jogando a bola com força contra a parede, que voltou com a mesma força contra sua face, fazendo-o gritar de dor quando a bola atingiu seu nariz e começou a sangrar. — Porra! — berrou com a mão no nariz.
Suspirou, sentia vontade de chorar, mas não faria, prometera não chorar desde o dia que terminou com o ruivo. Foi até seu banheiro e limpou o sangue que escorria de seu nariz, ficou olhando para ver se não havia quebrado, estava doendo muito. Então suspirou e decidiu pegar o carro de seu pai e ir até o hospital.
- Porcaria. — resmungou descendo as escadas. — Pai, acho que quebrei meu nariz, posso pegar o carro e ir até o hospital? — falou para o homem que via o jornal na sala, este o encarou confuso e arqueou as sobrancelhas ao ver o garoto com um algodão cheio de sangue no nariz.
- Como fez isso?
- Estava jogando a bola contra a parede, mas fiz com muita força uma das vezes e ela veio em cheio no meu nariz. — Suspirou vendo o homem começar a rir.
- Incrível, como um membro da Geração dos Milagres consegue fazer isso? — o homem ria-se. — Vem cá. — o garoto foi até o pai, que olhou para seu nariz e o tocou, o filho quase o xingou. — Não quebrou não, bem, não completamente, acho... mas vamos sim, melhor dar uma olhada nisso.
- Ok... — o garoto se levantou e seguiu o pai, diziam que o menino era a cópia perfeita do pai quando este era mais novo, mudando alguns poucos traços que tinha da mãe, mas o garoto sempre se perguntava se seu pai sentia orgulho de si.
Nunca falaram muito sobre isso, seu pai sabia que era homossexual, nunca fora contra nada que o filho decidia, a menos que isso o trouxesse coisas ruins.
- Daiki, não adianta nada ficar se sentindo mal e destruir-se dessa forma, você sabe disso. — Seu pai falou quando já estavam no carro. — Seu desempenho no basquete está péssimo, você está tratando todos de forma muito ruim e suas notas abaixaram demais, não foi assim que criamos você. — O garoto abaixou a cabeça, seu pai não estava errado. — Se está se afetando tanto assim, vá até o Kagami-kun e lhe pergunte o que aconteceu, converse com ele. Da mesma forma que ele não te deu motivos para se afastar, você não o deu motivos para terminar. Então seja homem como nós o criamos para ser e converse com ele.
- Eu sou homem.
- Não está parecendo. — seu pai falou irritado. — Quem foge assim e fica meses agindo como se o mundo quisesse colocar para baixo é a sua irmã, que é uma garota. E você está pior que ela. Não sei se você sabe, mas ela foi lá conversar com o namorado dela, e eles estão bem agora. Por que não age como um Aomine e vai falar com o Kagami?
- Até você, pai? — resmungou o garoto.
- Sim, até eu. — o homem riu e bagunçou o cabelo do filho. — Sabe, sua irmã podia ser lésbica também... — o garoto arregalou os olhos para o pai. — É sério, assim não correria o risco de engravidar... — o filho teve de soltar altas risadas.
- Pai, ela é virgem, minha irmã não pretende fazer isso tão cedo. — falava em tom despreocupado.
- Ah, sim, claro. — o pai revirou os olhos parando o carro no estacionamento do hospital. — Você é mais coruja do que eu, Daiki.
- O quê?! Ela não é?!
- Aquele Kise é rápido. — o homem suspirou.
- Vou matar a-
- Deixa sua irmã, menino, apesar de tudo ela sabe se previnir.
- Mas ela tem só 17 anos!
- Sua mãe perdeu a virgindade antes dela. — o menino colocou a mão sobre o rosto, seu pai e seus comentários desnecessários.
- Ok, pai, vamos logo.
- E você tamb-
- Pai! — exclamou o filho. Seu pai nem parecia ser japonês.
~x~
- Trinta voltas trotando pela quadra, depois dez voltas correndo e quinze andando, repitam isso três vezes! — exclamou Riko para os jogadores, que assentiram e começaram do mesmo ponto a trotar.
A garota ficou observando-os trotar, todos estavam sem camisa, notou que Kagami ganhara um pouco de peso, mas seu corpo ainda estava em forma, mas seria bom se voltasse ao peso normal, os outros não haviam mudado quase nada depois daquelas férias, mas Kagami era o que mais a preocupava.
O garoto parecia perdido em seus pensamentos e parecia realmente triste. Queria saber o que havia acontecido, mas ele não parecia apto a falar o que estava se passando, então resolveu deixar o tempo resolvesse as coisas, mas aqueles olhos mostravam que havia chorado e não havia dormido, estava claro demais. Será que os outros haviam notado?
- Riko! — a garota se assustou quando seu nome foi exclamado. Ao olhar para o lado viu, antes de tudo, os seios enormes e depois o rosto de Momoi Satsuki. Perguntou-se o que aquela garota fazia ali. — Posso falar com você?
- O que está fazendo aqui? — Kagami roubou a pergunta da boca de todos.
- Ah, Ka-chan... — ela sorriu e se aproximou do garoto, abraçando-o depois. — Tive uns problemas com o Dai-chan... acho que ele não quer mais ser meu amigo... — ela riu chorosa, e logo os outros se assustaram quando se desmanchava em lágrimas. — Eu bati nele.
- Heein?? — Kagami arregalou os olhos e então ela explicou tudo, deixando todos os outros abismados.
- Aomine é um idiota. — falou Kuroko assustando um pouco os outros.
- Momoi... — Kagami atraiu a atenção da garota, fazendo uma pergunta muda com os olhos, ela apenas suspirou e limpou os olhos.
- Ka-chan, vem aqui comigo... Riko, posso roubá-lo um segundo? Depois quero falar com você... — a menor apenas suspirou e assentiu. Kagami e Momoi saíram da quadra sendo acompanhados pelos olhos curiosos dos outros, nenhum deles entendendo aquela súbita amizade de ambos. — Ka-chan, o Dai-chan está muito estranho...
- Como assim? — Kagami sentou ao lado da garota num dos bancos do vestiário masculino.
- Outro dia ele machucou o nariz, mas não quebrou, ele disse que foi com a bola de basquete... ele anda muito mal nos treinos, na maioria ele não vai, mas quando vai ou perde ou erra muitos lances, está sendo arrogante com todas as pessoas a volta dele, está ficando de recuperação em muitas matérias e estamos nas primeiras provas ainda. — ela passou as mãos pelo rosto. — Eu não sei mais o que fazer, principalmente agora.
- Aomine não vai parar de falar com você por isso, Momoi. — suspirou Kagami. — Eu não sei o que fazer também, não tenho mais nada para fazer.
- Kagami-kun! — exclamou a garota. — Você que se afastou do Dai-chan sem motivo nenhum! Foi por isso que ele terminou com você, me desculpe, mas a culpa de tudo o que aconteceu é sua e somente sua.
- Eu não sabia o que ele pensava, Momoi! Eu não sabia se ele gostava mesmo de mim ou estava se forçando a isso, sem contar que ele sempre gostou do Tetsu e nunca escondeu isso de ninguém, ele sempre ficava agindo daquela forma estranha com ele, queria que eu pensasse o quê? Eu só não quis me envolver demais, não quis me machucar demais. — O maior apoiou os cotovelos nas coxas e suspirou.
- Ele estava agindo como sempre agiu porque você disse que era melhor namorarem escondido, não acha que seria muito óbvio se, na sua presença, ele começasse a tratar do Tetsu-chan de forma diferente? — o ruivo a encarou, achava que aquilo não tinha nada a ver. — Ka-chan... engole logo esse seu orgulho e vai falar com o Dai-chan...
- Não. — resmungou. — Ele terminou comigo sem nem ao menos conversarmos, eu não vou correr atrás de ninguém, principalmente alguém que me rejeitou. — mas antes que a garota pudesse falar qualquer coisa o vestiário se encheu de homens molhados com toalhas enroladas na cintura, que pararam assim que viram Momoi e Kagami no banco. — Ahn...
- O que estão fazendo aqui?! — um dos homens perguntou encarando Momoi que estava completamente vermelha. Kagami reconheceu sendo os garotos da natação.
- Estávamos conversando, desculpa. — Kagami se levantou e olhou para Momoi, que estava travada olhando para baixo com o rosto todo vermelho, ele quis rir, mas tudo que fez foi puxá-la pelo pulso e andar ao seu lado por entre os homens até saírem do vestiário. — melhor você ir, Momoi...
- Ok, Ka-chan, se prefere que as coisas sejam assim... — ela suspirou. — Vou falar com a Riko.
- O que quer falar com ela?
- Não é da sua conta.
~x~
Kagami deitou-se e se cobriu, a chuva caía forte lá fora e estava realmente frio. A sua frente havia uma caixa de chocolate com licor de morango, era realmente gostoso, mas estava um pouco tonto, era muito forte aquele chocolate, e estava comendo muitos; uma garota do colégio, que não conhecia havia lhe dado os chocolates antes de ir embora, depois saiu correndo sem dar explicações.
Pela janela podia ver as luzes da cidade, pensava que era uma noite muito solitária e triste, queria que Aomine estivesse ali, para abraçá-lo, queria escutar aquelas palavras doces que ele dizia com a voz rouca.
Sentia tanta saudade de como aqueles olhos azuis ficavam quando estavam enrolados nos cobertores se amando, como ele o beijava com carinho antes de dormirem, como ele dormia tão lindamente. Aomine sempre o cuidava tão bem.
Sentia falta de seu sorriso, de sua risada quando Kagami ficava envergonhado, de como o apertava em seus braços e o fazia ficar ainda mais envergonhado após rir. Aomine sempre o deixava louco quando faziam amor, sempre o fazia sentir coisas inexplicáveis, mas ainda assim tinha tanto medo de que ele realmente não sentisse nada, que fosse apenas um escape.
Nunca dissera que o amava, nem ao menos que gostava dele. Tinha medo, tanto medo. E, quando Aomine falava sobre seus sentimentos para com Kagami, sempre pensava que ele podia estar se enganando, podia estar sendo preciptado, afinal haviam começado aquele relacionamento sem nem ao menos se conhecerem direito. Amor até podia ser criado com o tempo, mas ainda assim... o medo não o deixava.
O ruivo não conseguia acreditar que mesmo depois de todo aquele tempo ainda queria Aomine ao seu lado, queria seus beijos, seus toques, tudo. Uma lágrima escorreu por seu rosto, e então várias outras seguiram o caminho desta; abriu a gaveta da mesa de cabeceira e tirou de lá uma foto que mandara revelar de Aomine, ele estava dormindo ao seu lado, mas estava tão lindo que Kagami acabou tirando uma foto.
Sorriu fraco em meio ao choro, voltando a comer o chocolate. Sabia que a culpa também era sua por nunca falar como estava se sentindo e sempre se afastar quando aqueles pensamentos o tomavam, nunca conseguia falar o que o afetava tanto, sempre se achava um estorvo para Aomine e sabia que iria irritá-lo a forma como se sentia, então sempre preferia se afastar para que aquilo passasse e, quando estivesse bem, voltava a agir normalmente.
Mas parece que Aomine não soubera lidar com aquilo e Kagami nunca soubera como lidar bem com o maior, ele era um caixinha de surpresas, hora era romântico demais, hora frio demais. Não sabia como lidar com ele.
Pegou mais um chocolate, mas antes que o levasse até a boca a campainha tocou. Olhou para o relógio sobre a mesinha de cabeceira, era quase uma da manhã, quem iria para sua casa a essa hora? Levantou-se ainda enrolado no cobertor e caminhou até a porta, abriu um pouco, sem tirar a corrente de segurança e viu a pessoa que o esperava.
Aomine estava completamente molhado e ainda usando o uniforme de seu colégio com a mochila em um dos ombros, a cabeça baixa e respirava ofegante. Kagami arregalou os olhos.
- Aomine... — sussurrou e então começou a abrir o cadeado para que o maior pudesse entrar. — Entra... — falou abrindo a porta, o maior acenou e entrou, parando no tapete da entrada, Kagami ficou preocupado com o estado do maior, ele podia acabar doente. — Vou pegar uma toalha para você... — Kagami correu para o quarto e pegou uma toalha e um roupão para o maior, voltou para a sala e o viu tirando o casaco de seu colégio. — Tome um banho...
- Uhum... — Aomine pegou as coisas que o ruivo lhe oferecia e caminhou para o banheiro.
Kagami sentia seu coração disparado, mas disfarçou bem. Foi até seu guarda-roupas e pegou uma roupa quente e confortável para o maior, bateu na porta do banheiro e lhe entregou a roupa, em seguida voltou a deitar em sua cama. Ficou escutando a água da ducha cair, seu corpo todo tremia de nervosismo, suas mãos suavam.
O que Aomine estava fazendo àquela hora na sua casa? Todo molhado e com aquela expressão? Bem, teria de esperar as respostas quando o outro saísse do banho. Voltou a pegar o chocolate que deixara no pote quando saiu e o comeu devagar, saboreando-o. Não teve certeza de quanto tempo esperou, mas Aomine apareceu na porta do banheiro com a toalha sobre os ombros e vestindo as roupas do ruivo.
- Ah... oi. — Kagami sentou rápido na cama, observando-o secar o cabelo. Aomine era realmente lindo e parecia querer provocá-lo agindo daquela forma, era a única conclusão que podia chegar. Seu corpo estremeceu com aquele olhar que o maior o lançava.
Aomine não disse nada, apenas saiu de seu quarto em silêncio após olhar feio para os chocolates que comia, deixando-o confuso, mas logo ele apareceu novamente segurando uma caixa quadrada, com embrulho para presente azul e uma fita vermelha em volta. O maior sentou em sua cama, de pernas cruzadas e de frente para ele, o presente sobre suas pernas. Não olhava nos olhos de Kagami.
- Eu não pretendo ficar... só vim te entregar isso, mas se puder me deixar ficar aqui até a chuva passar, eu agradeço, amanhã mesmo trago suas roupas de volta. — murmurou Aomine; em meio a um suspiro pesado, entregou a caixa a Kagami. — Parece que alguém foi mais rápido que eu... — riu seco olhando para os chocolates que Kagami comia.
- Ahn? — o ruivo pegou o presente e o abriu, eram seus chocolates favoritos. — O quê...?
- Olha a data, Kagami... — pediu o maior, Kagami olhou o calendário, era dia dos namorados. — Geralmente nessa data se entrega chocolates à pessoa que se gosta. — Kagami tinha se esquecido completamente, olhou para os chocolates que estava comendo, a garota havia lhe entregada um dia antes do dia dos namorados e, Aomine, pensando que seria o primeiro, fora à casa do ruivo uma hora da manhã, mesmo com a chuva.
- Eu esqueci... — murmurou. — Ah... obrigado... — olhou para baixo, sentindo-se culpado.
- Quem lhe deu aqueles? — o maior apontou para os chocolates que estivera comendo.
- Não a conheço. — deu de ombros pegando mais um dos chocolates com licor. — Ela apenas me deu e saiu correndo... — ia comer o chocolate que pegara, mas Aomine bateu em sua mão, jogando-o no chão, Kagami arregalou os olhos assustado para Aomine. — O que está fazendo?
- Se não gosta dela, não coma seus chocolates. — resmungou o maior, olhando para fora.
- Não desgosto dela nem gosto. Não a conheço e quando ela me deu ainda não era dia dos namorados. — resmungou o ruivo. — Eu gosto desses chocolates.
- Mas eu te dei os seus favoritos.
- Aomine.
Ficaram em silêncio, era óbvio o ciúme do maior, que passou as mãos pelo rosto e suspirou irritado. Kagami deixou os chocolates que havia ganhado do maior sobre a mesa de cabeceira e ia se levantar quando Aomine segurou seu pulso.
Olhou para o maior, estava com os olhos lacrimejando.
- Você sabe o quanto está sendo difícil para mim? — O ruivo paralisou ali mesmo, de joelhos sobre a cama com seu pulso sendo apertado pelo seu ex-namorado.
- E você? Sabe como está sendo para mim? — repetiu a pergunta, sentando-se novamente e tirando seu pulso do toque do maior, que agora tinha lágrimas escorrendo pelo rosto.
- Eu nunca quis aquilo... eu não quero. — Aomine limpou os olhos voltou a encarar o ruivo. — Por que estava agindo daquela forma? Kagami... você sabe que eu amo você, eu sempre te disse isso, eu sempre fiz tudo para te mostrar isso...
- Aomine... — O ruivo passou as mãos pelo rosto e saiu da cama. — Por favor, pare. — Olhou para o maior e sorriu torto, pegando mais um cobertor e um travesseiro dentro de seu armário. — Pode dormir aqui, vou dormir na sala... — sorriu fraco, estava doendo demais aquilo. Não era agora que devia contar? Não era agora que devia falar o que jamais falara para ele? Aomine se levantou rápido e tirou o cobertor e o travesseiro das mãos do menor.
- Eu que digo para você parar com isso. — rosnou irritado.
- Taiga... — abraçou-o com força, sentindo seu cheiro, sentira tanta falta dele. — Eu amo você. — Kagami estremeceu sentindo uma gota quente cair em seu pescoço. — Vou repetir quantas vezes forem necessárias para você entender que é o homem da minha vida... Eu amo você. Eu amo você. Eu te amo tanto...
- Daiki... — Kagami suspirou cansado e segurou o rosto do maior, aproximando seus lábios dos dele e então selando-os com carinho; Aomine apertou sua cintura, prendendo-o como se pudesse desaparecer a qualquer segundo, pressionou os lábios contra os de Kagami, pedindo passagem com a língua e então beijaram-se como deviam ter se beijado há muito tempo atrás. O ruivo abraçou o pescoço de Aomine e deixou-se envolver.
- Taiga... — Aomine o encarava confuso quando separaram seus lábios.
- Me ame... — pediu o ruivo começando a tirar sua camisa, Aomine arregalou os olhos observando-o tirar a roupa e sentar na cama. — Por favor... — sentiu todo seu corpo estremecer com o olhar que Kagami lhe lançava, queria muito tocá-lo. Tirou suas roupas devagar e subiu na cama do maior, deitando-se sobre ele.
- Seu corpo está frio... — murmurou abraçando o menor enquanto acariciava seu cabelo.
- Esquente-o então... — Kagami fechou os olhos sentindo o corpo de Aomine encaixar-se tão perfeitamente ao seu, os lábios macios do moreno tocaram os seus ao mesmo tempo em que seus dedos se entrelaçavam, o ruivo sentia que era exatamente ali que queria estar, era àquele homem que queria pertencer.
Os beijos. Os beijos de Aomine eram os melhores que poderiam existir no mudo, Kagami sentia tudo com aqueles beijos, a forma como ele conseguia extrair qualquer sentimento existente em si. A forma como suas mãos o domavam, como todo lugar onde elas tocavam começava a formigar e ficava quente.
- Ahn... — deixou um gemido baixo escapar quando o maior começou a roçar seus corpos, começando a atiçar seu membro, sentira tanta falta daquele jeito carinhoso, mas safado de Aomine para provocá-lo. Os beijos desceram até seus mamilos e mordeu o lábio, controlando mais gemidos, apertou a nuca do maior, ofegavam excitados demais.
- Taiga... — sussurrou o maior com aquela voz. Kagami abriu os olhos e ofegou alto, Aomine estava tão lindo, tinha um sorriso desenhado nos lábios e os olhos brilhavam naquele azul intenso, o ruivo lhe retribuiu o sorriso e sentaram juntos, Kagami sobre Aomine, que abraçava sua cintura e alisava suas costas.
- Daiki... — o ruivo beijou a testa do maior e lhe sorriu, segurando seu rosto. Olhou em seus olhos e roçou seus lábios nos dele e então, como se fosse o maior segredo que já lhe contara, como se fosse algo que jamais poderia ser dito com a mesma intensidade como seria dita agora, sussurrou para que ele apenas sentisse contra seus lábios as palavras que tanto desejava ouvir e Kagami tanto desejava falar. — Eu amo você, Aomine Daiki...
Foi baixo, mas verdadeiro.
E se amaram como jamais haviam feito. Fora tão intenso e verdadeiro quanto poderia ser, haviam colocado a alma naquilo, admitindo cada um o que realmente sentiam um pelo outro, segredando seus sentimentos e, quando chegaram ao limite do prazer, Kagami soube que jamais deixaria aquele homem ir novamente. Pertencia a ele.
Beijaram-se lentamente e sorriram verdadeiros, não eram necessárias palavras, os olhos e as mãos entrelaçadas diziam tudo por si só. Aomine abraçava Kagami por trás, suas mãos entrelaçadas enquanto observavam a chuva cair pela janela, sentia o cheiro do ruivo, amava aquele cheiro, o lembrava sua infância, apertou o ruivo em seus braços e beijou seu ombro. Kagam virou o rosto e o beijou com carinho e amor, era o beijo mais gostoso de sua vida, resumia todos os sentimentos que sentiam.
- Você está com cara de bobo, Daiki... — o ruivo riu de forma um tanto infantil.
- Eu sou bobo por você. — o maior riu de como Kagami corou. — Ficou com vergonha.
- Isso foi muito gay.
- Mas você gostou. — o maior arqueou a sobrancelha e piscou.
- Não faz essa cara.
- Que cara?
- Essa!
- Mas esse é o meu rosto, oras.
- Não com essa expressão de quem é o melhor.
- Eu sou o melhor.
- Aomine. — ruivo arqueou as sobrancelhas, mas o maior apenas riu e beijou seu rosto.
- Eu te amo, sabia?
- Mesmo? — o ruivo virou-se, encolhendo-se nos braços do maior, encarando-o de forma infantil.
- Mesmo. Amo muito, muito. — Aomine sorriu e roçou seu nariz na bochecha do ruivo, que sorriu corando. O maior os cobriu e apertou-o ainda mais num abraço cheio de carinho.
- Daiki...?
- Hum?
- Você vai voltar para mim? — ruivo olhou nos olhos azuis de Aomine, que sorria fraco.
- Eu nunca te deixei, não de verdade.
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