I Need Your Love.
40 Todos os tipos de amor.
Notas iniciais
Para Mara, Sara e todos os meus leitores.
A volta dos Jackson’s coincidiu com o ápice do relacionamento dos filhos deles, Jonathan e Sophie estavam a mil maravilhas e a todo momento ele buscava trazer melhorias para a saúde mental dela e tentava a todo custo livrar a ‘‘sua’’ garota dos tormentos de um amor passado. Trocavam diversas vezes durante o dia beijos singelos ganhando sorrisos cúmplices de uma Annabeth meiga e suspiros cansados, mas com apoiadores de Percy.
A notícia da gravidez de Annabeth só chegara ao casal de adolescentes quando o casal retornou de Paris, foram pegos de surpresas e ficaram excepcionalmente felizes, principalmente Sophie que não via a hora de encher o irmão de mimos. Já Jonathan, ficou imensamente feliz de ganhar um outro irmão, apesar de saber que logo iria conhecer, também, seu irmão por parte de pai. Mesmo com esses dois irmãos a caminho, Jonathan não negava a ansiedade para conhecer Aisha. A primeira Chase-Jackson.
Para Jonathan não existia esse lance de meio irmão, irmão de consideração e afins... Acreditava que era tudo a mesma coisa, o mesmo grau de importância que teria o filho de sua mãe com Percy seria igual ao de Luke com a Megan e a mesma importância da pequena Aisha.
Por falar em Aisha...
A garotinha de dois anos e quatro meses chegou quatro dias depois de Annabeth e Percy retornarem da Lua de mel, era dona de uma pele da cor de chocolate diluído no leite e de uma boca pequena e delicada como um botão. Os cabelos eram formados por cachos fortes e volumosos da cor caramelo no estilo Black Power. Tinha um jeito singelo e tímido, sorria pouco e trajava um vestido azul claro simples feito a mão e uma mochila da Peppa, já surrada.
Annabeth assim que viu a pequena menina na soleira da porta fez questão de se levantar, estava com o corpo cansado e dolorido devido as injeções diárias de anticoagulantes, e Percy a ajudou. Foram até a menina que estava acompanhada com uma senhora de meia idade com cabelos já brancos tomando o topo da cabeça, Annabeth sorriu ao ver a filha pela primeira vez e depositou a mão no ventre onde guardava um outro filho.
Seus filhos.
Percy segurou sua mão e eles indicaram para que as duas figuras na frente entrasse dentro da casa, tanto Jonathan como Sophie não estavam no apartamento pois, as aulas tinha começado; Annabeth sentou-se logo em sua poltrona cinza e sentia mal por não poder dá total atenção a filha que estava ao seu lado, mas assim como iria cuidar bem de Aisha, também precisava cuidar bem de seu menininho.
–Oi, Aisha. Meu nome é Annabeth e serei sua mamãe e esse... –Ela indicou Percy que sorriu para a menina. –Esse é Percy, seu papai.
A menina sorriu, transbordava inocência e meiguice.
–Mamãe... –Ela disse apontando para Annabeth com seu dedinho gordo, soava com uma voz doce e de sotaque fino. –Papai... –Dessa vez, ela apontou para Percy que rasgou os músculos da bochecha, esbanjando um sorriso enorme.
–Jackson's... Espero que realmente estejam dispostos a cuidar de Aisha, é terrível a quantidade de pais que devolvem as crianças quando elas não se adaptam e isso é traumatizante. Por enquanto, vocês estão com a guarda temporária de Aisha e daqui a um mês, retornarei aqui e decidirei se vocês merecem ou não a guarda da garota.
A mulher se levantou e alisou a saia negra, saindo e fechando a porta, sem nem sequer da tchau a menina que trazia ou a qualquer uma das pessoas daquele cômodo.
–Você está com fome, Aisha? Ainda é cedo e o almoço demorará para ficar pronto. –Disse Percy.
Aisha sorriu tímida e abriu a bolsa surrada, retirando um paninho já desbotado com uma chupeta. Fechou a bolsa e apertou as pernas em volta de si.
–Tem totolacado? –Ela perguntou com a chupeta na boca.
–Achocolatado? Tem sim. Você toma na mamadeira, não é? –Perguntou Percy sorrindo para a garotinha e indo para perto dela. Aisha balançou a cabeça e seus cachos seguiam o movimento enquanto ela pedia um achocolatado, Annabeth sorriu maternalmente.
Novamente, a garotinha abriu a bolsa e tirou uma mamadeira. Era tão velha que nem sequer desenhos tinha mais, haviam saído devido ao excesso de uso e a borracha da chupeta já estava amarelada. Annabeth crispou a boca e fez um gesto com as mãos, indicando para que a garotinha desse a ela a mamadeira.
–Dou a mamadeila não... –Respondeu a garotinha e Annabeth gargalhou.
–Compramos algumas para você, amor. Estão já lavadas e prontas para você usar, são novinhas e essa sua já está beeeem velhinha. Não quer uma nova? –Continuou Annabeth, a garotinha sorriu e pareceu pensar na proposta. Olhou para a mamadeira velha e depois para a mão branca e com dedos pequenos e gorduchos de Annabeth, e sorriu travessa e entregou a mamadeira para sua nova mamãe.
–Vou pedir para Maria fazer seu achocolatado e que tal conhecermos seu novo quarto? –Falou Percy sorrindo para ela e alisando seus cabelos.
A menininha mostrou seus dentinhos em um sorriso brilhantes e apertou os olhinhos, seu cílios eram negros e volumosos, curvados perfeitamente. Era linda. Suas maças do rosto bem delineadas e brilhantes, emanava doçura e cheirava a baunilha.
–Eu vou ter um quarto? Só para mim?
–Claro. Do lado dos seus irmãos, entre os dois por motivos de eles serem bem brincalhões e ficarem impedindo um e o outro de dormirem, acredita? –Falou Annabeth, essa era a maneira dela de dizer que eles não dormiam porque passavam a noite toda transando.
Percy riu.
–Você tem irmãos bem malvados, Aisha. Tem dois, um menino e uma menina, Jonathan e Sophie. Eles não são irmãos, mas são seus irmãos.
–Eu não entendi, papai. –Percy corou ao ouvir a garotinha, sua garotinha, falando isso olhou para Annabeth que estava apoiada na parede do corredor e sorriu, ganhando outro de volta.
–Aqui... –Annabeth pegou o celular no bolso da calça e mostrou para a filha, Percy colocou Aisha no colo para que a mulher não fizesse esforço de se abaixar. –Esse é Jonathan comigo e o pai dele, o nome do pai de Jonathan é Luke e não é o mesmo que o seu pai. Assim como essa é Sophie e eu não sou a mãe dela, mas Percy é o papai. É complicado, amor... Você não precisa entender isso agora.
–Mas, eu tendi, mamãe. Ó, essa é filha do papai Ercy, mas não é da mamãe Deth. Esse é filho da mamãe Deth, mas não do papai Ercy. É moleza.
–Inteligente, que bom que entendeu, Aisha... Eu já estava confundindo tudo, acredita? –Falou Percy seguindo com ela pelo corredor, indo para o segundo andar.
–Papai bobo... –A menina gargalhou e apertou os braços finos no pescoço do pai. Subiram até o quarto que fora montando pela própria Annabeth em uma rapidez incrível e dezenas de telefonemas, além de um Percy subindo e descendo procurando bonecas, pelúcias e jogos de cama da Disney.
Sophie achava a maior bobeira aquilo, nunca fora fã da princesinhas da Disney, sua mãe não gostava que ela visse aquilo, sempre fora do estilo que gostava de música, só não virou cantora porque não queria decepcionar de jeito ou maneira o pai, afinal ela seria a futura presidenta da Jackson’s Global e não deveria fazer dinheiro cantando nesses barzinho das esquinas da cidade.
O quarto de Aisha saíra simplesmente, perfeito. Cores como rosa goiaba e marrom claro inundava o quarto em diversas formas, uma cama de dossel branca ficava no meio da parede principal. Uma escrivaninha branca estava com inúmeras canetas, lápis, borrachas, folhas e revistas para a menina poder se divertir. E diversas bonecas estavam enfurnadas em pequenos cubículos de uma enorme prateleira e o principal estava ali, no canto do quarto.
Por mais que Sophie tenha sempre reclamado das princesas, era o que Percy chamava de amor incubado. A verdade era que, Sophie sempre adorou o universo da Disney, mas Thalia não, mas uma das frustrações da adolescente como diria Percy. Ali no cantinho do quarto, estava o presente de aniversário que Sophie havia ganhado de Annabeth há quase uma década atrás. Um castelo. Um castelo dourado repleto de bonecas de porcelanas, Percy lembrou que Thalia odiara aquele presente pois só fez crescer ainda mais o amor de Sophie pelas princesas, mas ele havia adorado. Sophie havia adorado e havia um ditado que Poseidon sempre dissera que Percy jamais esqueceria.
‘‘Quem adoça a boca dos meus filhos, adoça a minha.’’
Aisha deu um pulo do colo do pai e foi para o chão, começando a rodar pelo quarto com as mãos levantadas, maravilhada com todo aquele universo novo. Aisha que sempre morara em orfanatos, dividindo brinquedos, roupas e o quarto com colegas e, agora tinha tudo para si.
–É tudo meu? –Ela perguntou.
Annabeth disse que sim, e Aisha a abraçou com destreza. Os braços da menina apertaram os ombros de Annabeth e ela pode inalar o cheiro de baunilha e de criança que vinha da filha. Sua filha. Sua menina. Sua Aisha. Annabeth correspondeu o aperto e beijou o rosto da filha, sorrindo para ela.
–Eu espero que você goste de nós, Aisha. Porque nós adoramos você. –Ela sussurrou. –Eu quero ser sua mamãe, então por favor seja minha filhinha que ama princesas e me encha de beijinhos todos os dias.
Aisha sorriu com o todo o amor que fora dado pela aquela mulher, sorriu sentindo o afeto se espalhar pelos braços daquela loira de pele branca e trazer para os dela, dedinhos ralados e bracinhos mal cuidados. Annabeth prometia para si mesmo dá tudo o que pudesse para sua menina.
Quando se separaram, a menina pulou nos braços do pai. Recebendo o mesmo aperto firme e repleto de amor do pai. Sorriu sentindo o cheiro de sal que vinha dele, Percy alisou as costas dela por cima do vestido e a menina depositou um beijo na bochecha dele e ele beijou a dela e sua barba por fazer tocava de forma que fazia cocegas na pele da menina.
–Eu posso brincar? Um pouquinho? –Perguntou a menina.
–Vá lá. –Disse Percy e a menina correu em direção as bonecas de pano que ficavam perto da cama.
** *
Aisha era um amor e nem mesmo Zeus conseguiu não ceder aos encantos da pequena menina. Annabeth e Percy foram convocados a apresentar a nova integrante da família Chase-Jackson para o líder do ‘‘clã’’ Olympus. Pura frescura na opinião do casal.
Demorou uns quatros meses para Aisha se habituar a rotina do casal.
Acordava bem cedo e dormia as sete pontualmente, o que acabou por dá uma rotina para toda a família. Jonathan e Sophie se mostraram irmãos perfeitos para Aisha, levavam ela para sair e fazer algum programa juntos. Ir ao cinema era o preferido de Aisha, adorava sentar entre os dois e impedir os beijos melados deles, amava comprar um copo grande de coca e tomar durante o filme, mas não gostava de pipoca. Pipoca ardia e cortava as gengivas dela.
Aisha amava Taylor Swift para completo ódio de Sophie que preferia algo mais maduro, talvez uma Lana Del Rey ou até mesmo um Beyonce. Mas, Taylor Swift? Céus. E para aumentar o ódio de Sophie, Jonathan colocava no carro todas as vezes que saiam os três juntos, as músicas da cantora loira e cantava junto com a irmã mais nova enquanto Sophie bufava.
Houve também um dia que Aisha e Thalia se encontraram e por incrível que pareça, Aisha adorou a mãe de Sophie. Ela usou o termo descolado para definir Thalia Grace, o que Annabeth achou bem apropriado, pois quando saiu da cozinha e deu de cara com Thalia em um jeans surrado, um ray ban negro no topo da cabeleira preta, um dos braços repletos de tatuagens, salto doze e uma blusa com a seguinte:
‘‘Que a liberdade seja nossa própria substancia.’’
–Thalia, não sabia que você estava aqui. –Pronunciou-se Annabeth já beirava o quinto mês de gestação e sentia-se tão cansada que poderia dormir a qualquer instante do dia ou a qualquer barulho.
–Sophie pediu para que eu viesse aqui, mas acho que ela ainda não chegou. –Respondeu Thalia, não havia qualquer interação entre aquelas duas mulheres que por anos foram melhores amigas, daquelas que chegam a ser uma irmandade. Tão amigas a ponto de compartilhar segredos íntimos como primeira relação sexual, traição e até gravidez precoce... E agora, parecem duas estranhas encarando uma à outra.
–Vejo que conheceu Aisha, ela não é lindinha? –Falou Annabeth andando com seus passos sôfregos devido a dor na bacia, local onde algumas injeções foram aplicadas no último mês.
–Sim, e é um amor de menina, estávamos conversando sobre Sophie e Jonathan e ela concordam que eles são uma melação só.
Aisha riu e se afundou nas almofadas do sofá, ela persistia com a mania de querer se esconder quando as pessoas conversavam com ela ou com uma timidez como se ela odiasse ser o centro das atenções, mas era inegável tentar redobrar isso... Ela era a primeira Chase-Jackson. A primeira Olympus a ser adotada e ainda mais, a primeira filha de Perseu e Annabeth.
–Parabéns pela gravidez, Annabeth... Espero que esteja muito feliz com a chegada do novo integrante.
Annabeth sorriu, agradecendo a Thalia.
–O primeiro trimestre já passou e pude suspirar aliviada, mas as regras ainda são controladoras e devo dizer que estou a cada dia mais cansada e olhe que não faço nada.
Thalia riu e Annabeth sentou no sofá ao lado de Aisha enquanto a mesma apoiava a cabeça na barriga da mãe, não era esforço grande. Annabeth gostava disso. Do carinho que Aisha sentia pelo seu irmão.
Sim. Irmão.
–E o sexo? Já sabe? Espero que não seja homem, Percy quase enlouqueceu querendo que Sophie fosse um menino, ele queria um filho surfista.
–Sophie é menina, e surfa super bem. –Lembrou Annabeth e Thalia levantou o dedo e inclinou, como se concordasse com a opinião da atual mulher de seu ex marido. –Na minha opinião, acho isso uma besteirol, se vier com saúde estou feliz. Mas, sim... É um garotinho. Louis.
–Oh céus... Louis significa guerreiro glorioso, é um nome forte. Gostei. –Thalia disse.
–Como anda a galeria?
–Surpreendentemente, bem. Acabei de inaugurar uma em Los Angeles, estou com planos para duas em Chicago e DC. Mas, daqui a alguns anos... Acabei de inaugurar uma sessão exclusiva para Rock rol e estou adorando rodar o mundo a procura de relíquias.
–Isso é maravilhoso e o que você sempre quis. Conhecer o mundo e permanecer com o rock na sua vida, fico feliz por você, sinceramente.
–Sabe, Annie, casar com Percy só me deu duas coisas boas minha galeria e minha filha, por anos tive que permanecer dormente ao lado de Percy ou para jantar com sócios da JG ou para jantares e festas com políticos e eu acabei ficando estressada e mal humorada, eu deveria ter pedido o divórcio há muito tempo atrás e ter salvado minha relação com minha filha. Mas, eu sentia tanta raiva de você, mas não por roubar meu marido.
–Por que? Eu, apesar de tudo, sempre gostei de você.
–Voce ofusca tudo, Annabeth... Nunca parou para pensar nisso? Eu era a queridinha de Zeus até você chegar aos oito anos em um jatinho escondida da mãe e carente, meu pai me largou e foi cuidar de você, te enchendo de mimos e presente. Te deram um quarto, uma família nova. Sempre foi a garota com cabelos bonitos e olhos que seduzia a todos. Voce era o Sol do Ensino Médio e quem não fosse amiga de Annabeth Chase não era nada e quando você e Percy começaram a namorar, massacraram tudo. Voce chegou a ser impiedosa, Annabeth. Soberba e mesmo assim, todos te amavam. Voce brilhava e exalava esplendor, rebaixava a todos que basicamente viviam as migalhas e eu vivia das suas migalhas, só podia pegar caras que você já tinha ficado e por aí vai e então, quando eu vi que você queria Percy e eu o tinha, eu pensei que era a minha vez de ser o Sol, não era. Mas é impossível. Sempre, todo o nosso grupinho de populares fomos coadjuvantes perto de você. Mas, você era Annabeth Chase e eu era Thalia, só Thalia.
–Por favor, Lia. Eu sempre fui sua amiga, sei que não fui a melhor adolescente ou a popular mais bondosa do mundo. Mas, você era minha melhor amiga e eu me sinto horrível, agora duas décadas depois de saber como você se sentia. Voce era minha irmã, Lia. Voce é minha irmã e é como Jonathan diz, sangue chama sangue assim como amor chama amor.
Annabeth chorava. Ela se achava ridícula por chorar naquele momento, principalmente com Thalia e suas feições normais na sua frente, mas devia dá um desconto para ela. Estava gravida e gravidas choravam não é mesmo?
–Eu te peço perdão, Thalia Grace. Por tudo que você passou só e eu não estive lá. Perdão por você não ter participado dos melhores momentos da minha vida e principalmente por todas as vezes que eu te fiz chorar.
–Eu não choro. –Retrucou Thalia virando a cara.
–Sim, você chora.
E nesse momento, Thalia Grace desabou e Annabeth deixou Aisha deitadinha no sofá e foi para perto da outra, era mais baixa que Thalia e mesmo assim seus braços se curvaram, perfeitamente ao redor dela e seus corpos se encaixaram e choraram baixinho, uma perdoando a outra.
Annabeth podia ser até ser o Sol, mas Thalia e toda a sua vibe pesada era a Lua que iluminava a escuridão toda a vez que o Sol ia embora. Há lendas que dizem que Sol e Luas são apaixonados entre si, nessa história sempre houve amor entre eles. Amor de irmãs, amor de amigas. Daqueles que não acabam mesmo quando uma some e deixa a outra brilhar só.
***
–Sophie, deixa de ser boba... Venha cá. –Chamou Jonathan, a voz melodiosa e grossa dele chamando a namorada para o quarto do hospital. Os filhos de Luke e Megan eram dois meninos. Guilherme e Gabriel.
Sophie surgiu na porta, a calça jeans surrada realçava com a blusa branca. Ela estava com vergonha daquele lado da família do namorado. Sim, n-a-m-o-r-a-d-o. Jonathan havia enchido o quarto dela de flores vermelhas formando corações na cama e enchido as paredes com algumas fotos deles. Ele havia se declarado para ela. Dito que o amor transbordava entre eles, um amor incinerante que seria capaz de tudo e principalmente de cuidar de tudo. Ele a amava tanto que gotículas do amor deles ultrapassava cada veia e artéria do corpo dele. Ele amava-a. Amava e seria capaz de mover as estrelas por aquela mulher.
Ela aceitou namorar com ele. Aceitou um compromisso com ele, sério. De andar de mãos dadas e uma vez ou outra burlar — quase sempre — o sistema de regras de Annabeth e dormiam juntos de conchinhas. As mãos dele enrolando a cintura dela, a protegendo durante a noite e sussurrando ‘‘Eu te amo tanto.’’ durante as vezes que eles faziam amor.
Faziam amor.
Sophie fazia careta só de ouvir esse termo. Ria escandalosamente, achava o termo brega, cafona, o tipo de frase que definia Annabeth e Percy naquele pote de nutella que eles chamam de amor.
–Conheça seus cunhados, Sophie. –Falou a madrasta de Jonathan, tinha um semblante cansado, mas feliz. Olheiras debaixo dos olhos, inchaço na barriga e aspereza na voz.
–Olhe como são lindinhos... –Falou Sophie tocando na bochecha de Guilherme, acariciando levemente com a ponta de seus dedos. -Mas, lindos do que você, Jonathan. –Implicou a garota com o namorado que riu acompanhado por Luke.
–Meus meninos.
–Quanta testosterona para uma família Castellan só. Deuses! –Brandiu Megan e Sophie riu. –Cuidado para não ser mamãe de meninos também, Sophie.
Sophie riu. Filhos? Nunca. Ela era Sophie Jackson. Pegaria Jonathan e casaria. Viajariam pelo mundo enquanto os pais tivessem vivos e capacitados para seguir a frente das empresas. Sophie sabia que Perseu daria a ela a frente da Jackson Global. Fora prometida a cadeira da presidência assim como a frente da AC fora dada a Jonathan desde que era um feto em promessa de seu amor pelo filho.
É, infelizmente, Aisha e Louis não teriam vez no comando das empresas, mas mesmo assim ganhariam dinheiro com o trabalho duro dos outros, e poderiam escolher o que quiserem.
Sophie não planejava filhos com os olhos azuis de Jonathan e seus cabelos negros. Ou quem sabe os cabelos loiros e olhos verdes. Era uma mistura inconfundível. Annabeth sentia-se a mulher mais maravilhosa do mundo carregando no ventre o fruto do seu amor com Percy, palavras proferidas da boca da madrasta de Sophie. Nesse momento, ela pensou em como se sentiria grávida?
Balançou a cabeça lentamente e levou embora todos aqueles pensamentos dela. Confusos, frenéticos. Sophie mãe? Nem de cachorrinho.
Sophie e Jonathan ficaram quase uma hora babando e mimando os meninos. Sorrindo, apertando as bochechas e ninando eles até chegar a hora da mamada e Luke expulsar os dois do quarto, pois Hermes e May queria ver os netinhos.
–Vem cá, coração... –Chamou Jonathan passando os braços na cintura dela.
–Eca, deixa de melação. Coração é o caralho!
Jonathan gargalhou e eles deram as mãos, saindo do hospital.
***
Aisha ria feito uma bobona apaixonada.
Encarava o enorme bolo da Ariel, sua princesa preferida e de Percy também, apaixonada. Era seu primeiro aniversário naquela família e em pouquíssimas semanas ela havia ganhado o coração de todos, principalmente o de Annabeth que passava o dia com ela deitada na cama e brincando as duas de bonecas.
Annabeth, era definitivamente, uma mamãe coruja. Conseguia passar horas e horas brincando juntas de bonecas ou de casinha e de vez ou outra até convidavam Percy para tomar um chá da tarde com elas. E ele vinha.
Aisha se sentia importante e amada ouvindo aquelas pessoas cantando parabéns, comemoravam o seu aniversário. Tinha ganhado presente maravilhosos da vovó Sally e do vovô Poseidon. E até conheceu a vovó Athena.
–É o melhor dia da minha vida. –Ela sussurrou enquanto velas enormes explodiam na sua frente.
Annabeth e Percy que estavam ao seu lado riram e beijaram a bochecha da filha, a filha deles – haviam conseguido a guarda permanente da menina.
–Amamos você, Aisha.
***
Durante a mesma noite do aniversário de Aisha quando todos foram embora e apenas Athena ficou para passar algumas noites, Annabeth teve a pior noite de toda a sua gravidez.
Para começar, Percy estava de mal humor e não queria conversar com ela sobre aquilo. E Annabeth não gostava disso, porque Perseu não queria compartilhar aquilo com ela? Ela era sua mulher, sua esposa e tiveram uma discussão rápida que Perseu logo cedeu quando Aisha chamou ele para resolver algo lá em cima. Até mesmo uma briguinha com Percy causava a aula uma vontade de chorar, sentiu as lágrimas descerem e uma vulnerabilidade surgir em torno dela. Vestiu um pijama de seda e deitou-se com o barrigão para cima enquanto as lágrimas desciam.
Percy voltou quase duas horas depois e ela se perguntou o que ele estava fazendo, olhou para Annabeth e alisou a barriga dela com carinho. Nem mais um toque. Pegou uma cueca na gaveta do closet e foi para o banheiro. Annabeth continuou chorando ali, baixinho. Até que sentiu a primeira pontada.
E Annabeth ignorou-a. Havia sentido muitas dores devido a injeção e essa não era diferente. Era fininha e dolorosa.
Annabeth ignorou-a tanto que adormeceu.
Acordou com Percy chamando ela, era quase seis da manhã. E ele estava tão assustado.
–Annabeth!! Voce está sangrando... Levante! Jonathan está ligando para Luke e a sua médica e Sophie para a ambulância. Vamos!
Uma dormência atingia sua virilha e vagina, um sangue escorria pelas pernas e ela sentia um rebuliço na barriga. Sentia o mundo girar e rodar. Como um furacão, ela gritou no instante que Percy a colocou no colo e gemeu de dor.
–Meu bebe, Percy... Nosso Louis. –Ela balbuciou. Percy estava tão frustrado quanto ela e suas mãos tremiam. Demorou quinze minuto até chegarem ao hospital, Annabeth foi sedada nesse meio tempo e o sangramento fora estancado. Mas ela não estava fora do perigo... Nem o bebe.
***
Demorou exatamente quatro horas até que Luke viesse noticiar a família sobre o paradeiro dela e do bebe. Luke tinha o semblante cansado, não, exausto. Seus passos eram lentos, como se tivesse ficado em pé nas últimas horas direto.
–Perseu... –Ele chamou. –Annabeth está te esperando para conhecer Louis. Quarto 1900. Vou dizer uma coisa, você tem a mulher mais forte do mundo ao seu lado, eu nunca havia visto uma mulher daquela.
Percy já estava indo em direção ao quarto quando Luke segurou firme um de seus braços.
–Fale coisas boas e amáveis para Annabeth... Ela está muito instável, pode ir a qualquer momento e não poderemos fazer nada. As injeções afetaram muito ela e... -Ele se calou. -Vá conhecer seu filho e amar sua esposa. -Ele indicou.
Perseu assentiu e praticamente voou em direção ao quarto. Pensou em como seria seu filho. Puxaria a beleza e inteligência da mãe? Seria maravilhoso.
Percy bateu na porta do quarto e abriu. Podia ouvir a respiração cansada de Annabeth ao fundo e fechou os olhos, e abriu em seguida. Hesitou por um momento, mas continuou. Annabeth estava ali, usava roupas de hospital e tinha o semblante pior do que o de Luke, olheiras tão fundas embaixo dos olhos. O rosto mantinha uma aparência dolorosa e segurava um embrulho azul da bolsa de Louis com suas primeiras roupas.
–Oi, amor. –Ela sussurrou baixinho.
–Eu não imaginei que ele fosse nascer aos oito meses de gestação. –Disse Percy se aproximando. –Está tudo bem?
–Tentaram fazer uma cesariana, mas não eu não iria aguentar a anestesia. Luke disse que eu poderia morrer em parto normal, mas eu precisava manter Louis vivo e bem, optei por ele. Então, se eu não aguentar até o fim de semana, eu quero que você cuide de Aisha e Louis e se puder, de uma olhada em Jonathan...
–Voce não irá morrer. Voce tem três filhos e um marido, uma empresa para cuidar. Voce não irá morrer, Annabeth Jackson. Eu não deixarei.
Annabeth assentiu baixinho, os olhos cinzas foram direcionados ao embrulho azul. Dentro dele, estava um bebe. Uma pele branca, quase pálida e cabelos negros. Os olhos estavam fechados, e dormia calmamente no colo da mãe.
–Perseu Louis Olympus Chase Jackson. –Annabeth sussurrou e deu o embrulho para Percy. –Nosso bebe.
Percy sentiu aquela sensação apenas uma vez na vida. E foi a dezessete anos atrás. Sentia uma onda forte invadir todo o seu ser quando seus braços fortes e firmes seguraram o corpo frágil do bebe. Seu bebe. Seu filho. Louis. Ele suspirou de alívio, sentido naquele momento que todas as vezes que Annabeth chorou de dor valeram a pena.
Cada careta e lágrimas silenciosas devido as injeções valeram a pena. As dietas rigorosas e as reclamações dela valeram a pena. Cada um dos desejos inusitados no meio da noite valeram a pena, contribuindo para aquilo. Aquele pequeno e delicado ser em seus braços. Seu menino, fruto do seu amor com a mulher que tanto amava.
–Olá, garotão. –Ele falou baixinho. –Seja bem-vindo a família. Saiba que você tem uma mamãe que te ama muito e um papai que te ama mais ainda e três irmãos esperando loucamente para conhecer você. É Louis, espero que esteja preparado para essa família e boa sorte, filho!
Ele sorriu e por milagre do destino, o bebe sorriu junto com ele e Percy sentiu vontade de chorar. Mas de alegria. Percy não chorou. Lágrimas o lembrava de Annabeth com dor ou de uma Annabeth sangrando com princípio de aborto. Mas, ali era só sorrisos.
Ele beijou a testa do filho, mas não demorou muito. Dois segundos e sorriu. Era só sorrisos.
–Annabeth... Voce vai ficar bem e ao meu lado, como sempre ficou. Por que eu preciso de você e se isso, não for amor, eu não sei o que é.
A mulher sorriu.
–É eu ficarei com você. –Ele beijou os lábios dela e devolveu o bebe a ela. –Ficarei com Aisha, com Sophie e com Jonathan. Afinal, todos precisam do meu amor. Amor de mamãe, não é Louis?
***
Sete anos depois...
–Aisha Jackson, pelo amor dos deuses olimpianos, desça essas escadas como gente, menina. Voce vai acabar se machucando. –Gritou Annabeth vendo a filha descer as escadas saltitando como se fosse um palco de balé. Alternando degraus, as vezes pulava dois ou até mesmo quatro.
–Relaxa, mãe. Voce só tá com raiva porque papai viajou e te deixou só. –Respondeu a menina, usava coturnos e um legging preto e blusa branca com um coração vermelhos. –Olha o sapato que tia Thalia me deu, não é maravilhoso!!
–Maravilhosa é sua nota em matemática, Aisha. Isso que é maravilhosa. –Ralhou Annabeth. Jonathan jamais tinha tirado algo menos que +B e essa menina aparece aqui com um +C?
–Desculpa, mamãe. Eu prometo que vou melhorar. –Ela falou, fez um bico e seu lábios pareceram um grande botão vermelho. Os cabelos estavam soltos e envolto de uma grande fita azul. Annabeth sorriu e beijou a testa da filha.
–Acho bom mesmo. Onde está Louis? Depois que Percy deu aquele Xbox de aniversário, esse menino não quer outra vida a não ser matar zumbis. Perseu Louis, eu vou trancar você nessa casa e sem comida. –Gritou Annabeth.
Percy dizia que Annabeth estava frustrada desde que Jonathan e Sophie saíram de casa e foram morar do outro lado de Manhattan. Mal via o filho mais velho, somente na empresa. É descontava nos caçulas. Aisha e Louis sofriam pela exigência da mãe. Ótimas notas, ótimos comportamento.
– ‘To indo, mãe. Calma.
O menino desceu. Enquanto Aisha tentava ao máximo imitar o visual de Thalia, sua tia favorita, Louis era mais recatado. Seus cabelos negros eram penteados de lado e todos os fios perfeitamente alinhados. Uma calça jeans e uma blusa branca com casaco de couro. Annabeth suspirou.
–Estão lindos. Os dois. Agora vamos. Sophie e Jonathan estão esperando.
Annabeth desceu até a garagem com os dois que conversavam alegremente sobre alguma coisa relacionada a super heróis. Se tinha algo em comum que aqueles dois amavam era super heróis e o universo Marvel. E toda vez que Percy ia para D.C trazia algo para eles.
Para quem não saber, Perseu Jackson está cumprindo o primeiro mandando como Senador. Sim, Senador para a frustação de Annabeth que tinha que equilibrar sua vida em cuidar dos filhos – com a ajuda de Maria -, presidir a AC que está em seu ápice na bolsa e cuidar de seu marido para que ele não de um belo e nada digno par de chifre na casa dela.
–Acho que o papai deve estar lá na casa dos irmãos de vocês. –Falou Annabeth colocando eles na cadeirinha e indo em direção ao banco do motorista.
–Mamãe, coloca Taylor Swift!!! –Implorou Aisha batendo as mãozinhas.
–Sinceramente Aisha, não entendo como você quer ser como madrinha Thalia se continua ouvindo essas cantoras adolescente. Já pensou em pedir alguns discos de Jonathan ou Sophie emprestado? Seria de grande ajuda. –Falou Louis sorrindo. Ajeitou os óculos no rosto e sorriu para a irmã.
–Babaca! –Murmurou Aisha.
–Aisha, não fale assim com Louis. É eu vou colocar as músicas que eu gosto, vai ser Beyonce sim e se reclamarem vão morar com a vovó Athena.
Os meninos fizeram cara de nojo e Annabeth sorriu enquanto tocava alguma música no carro. Demorou vinte e cinco minutos até chegarem a casa de Jonathan e Sophie.
Annabeth saiu do carro com os dois filhos agarrados em suas mãos. Jonathan e Sophie moravam em um apartamento, não era tão grande quanto os dos pais, mas Sophie dizia que era confortável suficiente para os dois.
Annabeth sempre percebera na ênfase que Sophie dava quando dizia nos dois. Nós dois sempre. Ela não tinha planos de ter filhos e Annabeth entendia seu ponto, só esperava que ela não se arrependesse no fim.
–Vamos ver os irmãos de vocês. –Falou Annabeth, identificou-se na portaria e subiu com os menos até o sétimo andar. Olhou para os filhos, implicando um para o outro como se fosse irmãos de sangue. Como se o laço que os unia fosse maior do que mera amizade. Eram irmãos, apesar da diferença.
Assim, que a porta do elevador começou a fechar, um vulto preto impediu e Annabeth bufou.
–Papai!! –Gritou os dois meninos pulando no homem de terno e gravata azul escuro. Perseu gargalhou segurando um filho em cada braço e beijando a bochecha de cada um.
–Como estão meus amores? –Perguntou Percy sorrindo de orelha a orelha. Annabeth ignorou a cena, formando um bico e pegou o celular, conferindo os emais. O pai e o menino conversaram um pouco sobre presente e vovô Poseidon.
O elevador se abriu no andar dos meninos e Annabeth foi a primeira a sair, batendo o pé com seus saltos doze. A porta do apartamento já estava aberta e risadas altas já eram nítidas mesmo ali. Percy colocou os meninos no chão e pediu que eles fossem na frente, Annabeth tentou ir. Mas, Percy a impediu.
–Desculpe pela demora, Beth. –Ele disse.
–Uma semana em Washington, Perseu! Voce disse que era dois dias e passa uma semana em DC fazendo Deus sabe lá o que! Vou dizer uma coisa, eu não vou cuidar de Aisha e Louis a semana toda para você chegar e mimá-los com presentes no sábado e no domingo. Uma semana, depois vira quinze dias e após você passará um mês E eu aqui...
–Deixe de drama, Annabeth Chase Jackson. Eu jamais deixaria você só, é que o negócio tá pegando lá na Casa Branca, estão querendo corte de dinheiro e estamos brigando. Mas, esse fim de semana será só nosso.
–Thalia disse que ficaria honrada em cuidar dos meninos. Espero que Aisha não volte com tatuagens e piercings.
–Besteira... Agora me dê um beijinho bem gostoso.
–Meu Cabeça de Algas. –Ela juntou os lábios deles, se deliciando com a maciez da língua dele invadindo a boca dela. Ele passou as mãos pela cintura dela, tão pequena e fina, sorriu entre o beijo e ofegavam baixinho um na boca do outro. Sentiam tanta saudade, eram tantas ocupações, mas durante todo o momento do dia eles lembravam deles.
–Tem um quarto lá fundo, caso queira. –Ofereceu Sophie na porta rindo com a mão na cintura. –Se quiserem podem ir.
Percy se afastou dela e apertou a mão da esposa, beijando-a em seguida. Sorriu para Sophie e foi até ela, beijando-a na testa.
–Como está, querida?
–Eu preciso conversar com você, papai. E com a mamãe. Olá, Annie.
O almoço foi uma maravilha, toda a família estava ali. Não só os Jackson’s, mas os Castellan e Grace – no caso, só Thalia -. Um papo descontraído começou, Jonathan implicava com as crianças e Sophie conversava com o pai.
Até que Sophie e Jonathan chamaram atenção de todos. Ela parecia nervosa, mas ele não negava a felicidade. E caso alguém queira saber, eles não se casaram. Não podiam, tecnicamente. Somente um Jackson podia presidir a Jackson’s Global e se Sophie casasse com Jonathan ganharia o nome Chase – era esse o nome que ele usava-. Então, decidiram não casar.
–Luke, Annabeth, mamãe e papai... Vocês vão ser avós. –Ela deu um sorriso amarelo e Jonathan sorriu feito idiota. -Parabéns!
Annabeth e Luke bateram palmas e deram risadas. Tão felizes.
–Oh céus... –Reclamou Thalia e Percy ao mesmo tempo. –Essa menina não tem juízo.
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