I Need Your Love.
18 Agora ou nunca.
Notas iniciais
Duas semanas desde o jantar fracassado tinha se passado. Percy não foi a minha reunião, na verdade mandou um representante, um homem de uns quarentas anos, que com certeza, não era lindo como Percy, nem gostoso, e nem me dá tesão. O contrato foi assinado, meu escritório agora trabalha para a Jackson Global.
Perguntei ao homem quando o Senhor Jackson poderia ter uma reunião comigo, e ele falou:
–Em breve.
Luke e eu tínhamos ido a Suíça conhecer o colégio, é necessário falar que passei metade da viagem resmungando? Pois é, mas a escola era boa. Tinha duas sedes, uma para o início do ano letivo, e para quem não sabe a Suíça é um freezer, é para a época da nevada forte. Conhecemos as duas, e a estrutura é magnifica, a arquitetura ao mesmo tempo que era rustica, era moderna. Era dividido nas alas das meninas e dos meninos. E a Senhora Gilbert disse um monte de regras para a idade de Jonathan, e ele até que gostou.
Havia um campus enorme para praticar diversas atividades, era amplo. Diversos e magnifico. Ai meu Deus, eu estava amando aquele colégio! Mas, claro que eu não iria assumir isso... Luke estava estranho, passou a viagem toda verificando o celular. Falando no telefone do banheiro, ou saindo durante toda a viagem.
Ignorei.
Voltar ao Estados Unidos foi normal. Só havia mais três semanas até Jonathan ir para o colégio interno, então decidi aproveitar. Liguei para Percy algumas vezes, mas ele nunca atendia. Até que um dia, eu estava em meu escritório lendo uma revista, e Silena invadiu a sala:
–Annie, eu estou grávida. –Assim, de repente. Ela soltou a bomba.
–Ual! –Sorri satisfeita e feliz. –Parabéns, Si... Eu estou feliz por você. –Falei.
–Obrigada, Annie. –Ela dava pulinhos alegres como um criança boba que tinha acabado de ganhar um brinquedo novo. –Estou com quatro meses... Esperei o primeiro trimestre acabar, sabe? O risco sempre são maiores. –Ela explicou, mas eu sabia disso.
–Eu sei. Tenho certeza que esse bebe será lindinho igual a mãe. –Falei a abraçando. E ela correspondeu. Silena era uma irmã para mim, não aquelas em que posso desabafar como Clarisse, mas sim aquelas que se ajudam.
Ela sorriu, e logo saiu.
Algum tempo depois, me vi revirando minha bolsa de couro que estava perto do computador, e lá de dentro da minha carteira havia quatro fotos de ultra-som, passei os dedos pela superfície lisa e senti uma nostalgia. Todos aqueles pequeninos bebes eram meus com Luke, e nunca nasceram. Lágrimas desceram, eu raramente costumava chorar por causa disso, mas quando isso acontecia, geralmente eu desabava.
Coloquei a mão no rosto, e me afundei. Mas, eu não devia desanimar, eu tenho um filho. Lindo, saudável e feliz.
Que vai embora.
Meu celular tocou. Ignorei. Eu olhava para um ponto fixo na parede branca, mas não conseguia focalizar em nada. Meu olho ardia, a maquiagem estava borrada. Eu deveria estar feliz, afinal minha amiga ia ter o primeiro filho. Eu sou uma vadia egoísta.
Depois de muito tocar, decidi atender o celular, apesar de a voz falha e possivelmente chorosa. Nem olhei o visor, simplesmente atendi.
–Annabeth Chase. –Falei.
–Annie, é o Percy.- Oh não. — Você está chorando? – Meu coração acelerou ao ouvir o nome de Percy. Tentei melhorar minha voz.
–Não, só alergia.
–Annabeth.... –Ele provocou.
–Não é nada, Percy.
–Pode vim aqui amanhã para a nossa reunião?
–Tudo bem. –Tenho certeza que a minha voz falhou.
–Quer conversar? –Perguntou ele.
–Não. –Falei ríspida. Me arrependi quando ouvi ele supirar. –Hoje não, cabeça de algas. –Falei sorrindo à toa.
Quando cheguei em casa, a única coisa que fiz foi me jogar na cama, depois de um longo banho. Tive um sonho estranho.
Eu estava em uma casa imensa de modo que havia vários corredores. Não conseguia focalizar em nenhum ponto, algo me empurrava para dentro de um corredor estreito e comprido, fui até ele. Era branco, o piso e a parede, olhei aos lados.
–Jonathan? –Não tive resposta. –Percy? –Continuei. Sem reposta. Dei alguns passos a frente e senti o piso frio, e percebi que estava descalça; -Luke? –Mas, uma vez, não tive resposta.
Havia duas portas. A da direita, era azul. E a da esquerda, era um tom cinza.
O cômodo parecia diminuir cada vez mais, e isso estava me deixando em plena agonia. Gritei, não sei o porquê. Gritei, o cômodo parecia esticar, então algo me puxou por trás, e algo fino como uma lâmina tocou meu pescoço. Gritei, mas a voz não saiu.
Acordei ofegante com o Luke ao meu lado me encarando.
–Você estava gritando e suando frio... –Fechei meus olhos rapidamente, e tive um flash branco.
–Foi só um sonho. Tá tudo bem.
Eu não sou nenhuma mulher que sabe o significado de sonho, mas acho que é obvio. O corredor era minha atual situação correndo entre um e outro –Percy e Luke- e ansiando cada vez mais pelo primeiro. E as portas eram minha escolha. A azul era Percy e a cinza era Luke. E a última parte era como se... Nenhuma das duas valessem a pena.
E por incrível que pareça eu dormir pensando em olhos verdes e um sorriso sarcástico.
~*~
Eu não estava mais suportando aquilo, aquela agonia. A de amar e mesmo assim, sentir uma confusão dentro de mim, aquela que tanto me machuca por acha que vai machucar os outros. Eu preciso da razão, eu sou uma das poucas Olympus racional. Eu fico pensando nele, o dia todo. Durante meu trabalho, meu jantar, minha vida. Conto as horas. Eu quero gritar. Eu quero sentir. Eu quero ele. Mas, eu posso?
Claro que você pode sua idiota. Desde quando homem te impediu de algo, Annabeth Chase?
Cheguei a empresa de Percy e deixei meu carro no estacionamento. O prédio da empresa era grande e havia portas de vidros largos e possivelmente blindados, com o logotipo da empresa JG. Havia uma escadaria para levar as portas transparentes, eu subi sendo observada por dois guardas, eu estava vestida normalmente com roupas de trabalho. Saia longa e blusa social vermelha até a metade do braço, usava um salto alto vermelho na tentativa de ficar aceitavelmente alta. Abria as portas e havia duas bancadas cheia de secretárias com telefones no ouvido, mexendo no computador e atendendo as pessoas, fui até uma loira e me identifiquei.
–Oi, eu sou Annabeth Chase, advogada do Senhor Jackson. –Falei, ela subiu. O decote dela estava todo exposto.
–Aqui, senhora. –Ela falou. –Me dando um cartão de uns 15 centímetros, mostre ao cara do elevador.
Sorri e agradeci. Caminhei pelo piso negro, as paredes eram brancas e havia pequenos detalhes azuis. Os quadros eram de praias e barcos, o hobby de Percy era desenhar barcos para construir.
O cara do elevador sorriu para mim, pedi para apertar o botão até o andar de Percy e ele assim, fez. Era no 15º andar. O andar era enorme, assim como no meu escritório aquele andar pertencia só a Percy e a secretária dele. Na hora, que meus pés pisaram no piso de mármore negro, senti um frio na barriga e uma vontade, louca de ir embora.
–Senhora Castellan, certo? –Falou a secretária dele.
–Senhora Chase é melhor. –Falei simplesmente. Ela sorriu.
–Senhor Jackson pede que você vá comigo para uma reunião com os acionistas para se manter a pá de tudo.
–Claro. Vamos.
Caminhei com ela, e entramos no elevador novamente; ela abriu uma porta de madeira negra e polida. Ao ver o que tinha dentro, havia um grupo de homens bem vestidos com ternos caros e cabelos bem penteados, conversando sobre algo. Vi Nico sentando ao lado dele. Perseu. Eu podia reconhecer aqueles cabelos lisos e bagunçados, novamente senti aquele frio na barriga.
–Senhora Chase chegou. –Falou a mulher.
Percy se levantou. O blazer estava na cadeira e usava só a blusa social, não tive coragem de olhar para o peitoral dele. Se não babaria.
–Mil desculpas pelo atraso, mas tive um pequeno imprevisto mais cedo. –Me desculpei. Percy sorriu e eu aliviei. Ele me mostrou aonde sentar, que era ao lado esquerdo dele.
Então, percebi que eu era a única mulher ali.
–Chase, querida. Esses são os acionistas e o conselho da empresa. Normalmente, só me dão trabalho, mas hoje eles queriam conhecer minha nova advogada.
–Sinto-me lisonjeada. Será ótimo trabalhar com a Jackson’s...
–Adorei seu sotaque britânico. Vocês, ingleses puxam muito as silabas finais. É sexy. –Falou um homem de uns trinta anos sorrindo e piscando para mim. Ouvi risos. E um Percy bufar ao meu lado.
–Tenho certeza que meu marido também acha sexy. –Respondi e Percy riu.
–Sempre respondona, Annie....
–Coisas de ingleses, sabem? –Falei rindo.
–Então, já como Annabeth Chase já chegou, vamos ao que interessa...
Eu tive uma aula de matemática empresarial. Vi dados e estatísticas, passei horas vendo aquilo. Fiz algumas perguntas e fui respondida. Li alguns contratos.
–Ok. Alguns desses contratos estão sendo super faturados, talvez não tenham percebidos ainda, mas... Uma coisa que eu aprendi é que, uma palavra muda tudo. Quero cópias de todos os contratos com assinatura do senhor Jackson.
A reunião terminou e aos poucos as pessoas foram indo.
–Você precisa de mulheres nesse conselho. –Falei. E Percy concordou. Entramos no escritório dele, e ele colocou vários papeis na mesa. –Vai me ignorar? E falar comigo só o necessário? –Ele me encarou e eu sabia que a hora tinha chegado. Não dava para ignorar aquilo. -Vou direto ao ponto e serei a mais sucinta possível. Mas, entenda de uma vez por todas... Eu preciso de você, Percy Jackson. Entenda, eu só não falei que te amava naquele dia porquê... Eu tenho medo. Medo de você me decepcionar. Medo de ter que reorganizar toda a minha vida por você e no fim, nada disso valer a pena. Eu sinto muita coisas por você, mas do que eu deveria. Porque, eu sou casada! –Exclamando. -Tenho um filho! Eu não posso arcar com isso só. Porque você me encanta. Eu passo todo o dia pensando em você, nos seus olhos, em seu toque. É isso é errado! Muito errado. –Ele ainda me encarava surpreso, e estático. Dei um passo a frente dele e toque i rosto dele. -Esqueça que eu fui embora, não maltrate o que eu sinto por ti, e me ame! –Sussurrei no ouvido dele. -Case comigo, largue tudo... Me faça sua, porque eu te amo. Tanto que eu fico perdida e eu não sei. Eu tenho medo de me levar por uma coisa que não pode não me levar a nada, então me leve para algum canto... Uma praia, um hotel, um motel. Me leve para um altar Percy! Eu não quero que você me ignore. Eu largo meu marido, divido a guarda compartilhada do meu filho com Luke, por você. Porque você virou minha vida de cabeça para baixa, e por incrível que pareça eu amo isso. Eu gosto de você. Me coração bate por ti, eu amo cada pedaço de você, e quando eu fui embora, eu senti tanta saudade... Porque eu não aguentava te amar tanto. Porque eu sempre te amarei, e esmaguei algo dentro de mim, e tentei ser feliz com os outros, mas... Os outros, não são você. Não tem o seu sarcasmo. Ou seu olhos. Agora, você sabe o que se passa dentro desse coração idiota que me fez te largar a anos atrás, e agora... Eu te quero Percy, se isso ainda não ficou claro. Certo? E eu espero, do fundo do meu coração, que você também queira ficar do meu lado.
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