Notas iniciais
Pequeno, mas espero que gostem...

Jericho olhou para o alto, o resgate não demorou mais do que cinco minutos, eles içaram Francine, o bebê e os médicos. Mas ele não iria. Aqueles dois era sua prioridade. Ele iria a Homeland correndo se necessário.

_Eles vão se salvar amigo! – Valliant disse de algum lugar a sua direita.

Mas ele simplesmente se afastou. Não queria ouvir ninguém. E seus pés se moveram ao comando involuntário. Não tinha a certeza de que queria ir a algum lugar ou se simplesmente queria ficar ali. Se enfiar no meio da mata e assumir seu lado animal, esquecer qualquer dor, qualquer perda, qualquer prazer ou sentimento bom que já sentira. Fechou os olhos e pensou no sorriso gostoso de Melissa feliz. No gemido suave de Francine sob o seu corpo. Seu ventre se remexendo quando ele tocava.

O urro que ele emitiu fez todos das proximidades se virar para ele. Jericho correu sem direção e seus pés descalços subiram automaticamente em uma das arvores mais alta, não levou mais do que segundos para estar no topo dela. Seus olhos vermelhos brilharam ao ver as luzes do helicóptero ao longe. Encheu os pulmões e gritou.

Seu grito de dor foi tão alto e tão forte. Que todos os espécies na região responderam em seguida, compartilhando a dor do companheiro.

***

Trisha gritou pelo rádio que queria uma equipe a posto e uma sala cirúrgica a sua disposição. Sempre fora calma, ser médica exigia isso dela. Mas como manter a calma vendo a vida de uma criança ser perdida, daquela maneira tão drástica e saber o impacto daquela realidade em suas vidas a fez exigir mais de si. Depois de uma massagem cardíaca e de leves compressões, a menina pálida em suas mãos voltara a respirar com dificuldade e muito lentamente.

O primeiro rosto que viu quando o helicóptero pousou foi o de Breeze:

_Onde está a Francine? – ela exigiu saber.

_Eu não sei. Onde está a equipe que pedi? Breeze a Melissa está morrendo!

A notícia chocou a mulher nova espécie que ficou imóvel, enquanto enfermeiros e paramédicos chegaram ao auxilio de Trisha. O grito de Ellie pedindo a ela ajuda com os meninos a alertou. E instintivamente ela pegou Salvation no colo. E outras pessoas ajudaram Ellie e Forest desembarcar.

Justice se aproximou, mas liberou o caminho para a maca e uma Doutora Trisha estressada que gritava ordens sem parar. Ele caminhou até Ellie.

_O que aconteceu lá? Vocês estão bem? Fury disse que os encaminhou para a segurança dos prédios centrais de Homeland.

_Eu não sei. Fury ouviu tiros e quando chegamos até a casa de Slade a Mel já estava ferida. E o pai dela morto!

_O Jericho morreu também? Ele estava vivo!- Forest chorou e se apertou ao pescoço de Ellie.

_Vem cá! Não estamos falando de Jericho, estávamos falando de um outro pai que Melissa tinha! Um pai malvado.

_Eu tenho um pai malvado tambem?- ele perguntou indo ao colo de Justice com total abandono.

_Não. E nem Melissa tem mais! – ele respondeu rosnando baixo.

_Um residente matou ele. – Salvation contou eufórico.

_Sim, vamos entrar. Preciso de notícias da Melissa ela esteve mesmo mal durante o voo. Já tem noticia da reserva?

_Todos os nossos estão vivos. Aqueles malditos só causaram danos na pequena. Não conseguiram levar a Francine. Mas ela teve o bebê em condições precárias, e está sendo trazida em estado grave também.

_E a criança?

_Só sabemos que está viva!

***

_Francine está me ouvindo? – O Dr. Gusman perguntou percebendo que ela recuperava lentamente a consciência. Mas o barulho do helicóptero atrapalhava.- Seu filho está vivo! Seu filho está vivo! Está me entendendo? Precisa lutar pela sua vida! Francine! Não conseguimos estancar o sangramento mesmo depois da retirada da placenta. Precisa ficar firme, ele está vivo.

_O que aconteceu?- ela mexeu os lábios sem sair som.- Jericho! Onde ele está?

Ela choramingou enquanto ele tentava outro procedimento para estancar a hemorragia que a assolava.

_Fique calma. Vamos trazer ele para você!

_Meu filho? Como está meu filho?- ela perguntou de olhos fechados. Não estava completamente consciente.

***

Jericho chegou onde havia jipes estacionados, e entrou em um. Mas slade o segurou pelo ombro.

_Cara, você está fora de si, não fala uma palavra. Não podemos deixar que dirija assim. – ele gritou ficando cara a cara com o amigo, que tinha uma expressão sombria.

_Não mesmo. Não sabemos se ainda há deles por aqui! Não deve sair sozinho. – Leo complementou.

_Atire em mim!- ele se virou para entrar no carro.

Mas valliant o segurou.

_Não vamos atirar em você seu bastardo enorme!

_Se tentarem me impedir eu mesmo atirarei em vocês. Apenas me deixem ir. – Jericho rosnou baixo e perigosamente. E viu que pelo menos cinco Novas espécies o cercavam de perto.

_Pare de rosnar e olhar como um animal raivoso. Não podemos permitir que prossiga para a área hospitalar assim, precisa esfriar essa maldita cabeça. – Fury disse.

_Só vou fazer isso quando fizer alguém sangrar!

—Bom. Já que matamos todos que você poderia usar. Podemos ter uma luta rápida! –Slade disse.

_Apenas saia da frente desse carro e me deixe passar! Se tem algum laço de amizade entre nós apenas me deixe ir.

_É por termos esse laço de amizade e familiar que não o deixaremos ir. Não sem derrubar alguns de nós. – Valliant desferiu o primeiro soco contra Jericho que revidou no piloto automático.

***

Jericho dirigiu em alta velocidade pela estrada de terra da reserva, sentia-se mais leve agora que tinha distribuídos socos, mordidas e pontapés. Pelo retrovisor viu ao longe dois faróis o seguindo aqueles idiotas não desistiam. Limpou o lábio que sangrava e seu supercílio rasgado também doeu. Apertou o pé no acelerador e se adiantou.

Fez o trajeto em tempo recorde. Limpou novamente o sangue em seus lábios quando desceu. E correu para a porta do hospital. Justice já o esperava.

_Você está estável agora? Não vai machucar ninguém?

_Elas estão vivas? Minha estabilidade depende dessa resposta.

Justice engoliu em seco.

_Estão sendo operadas. Francine teve uma hemorragia que não pode ser reparada sem cirurgia. Não a vi consciente, colocaram ela para dormir, assim ela não sente dor. Mas os médicos disseram que esta estável. Estão tentando controlar alguma dificuldade sanguínea. Não sabemos o que ainda ou como agir. Mas ela está nas mãos dos melhores. Já chegaram três especialistas humanos que mandei vir para sua companheira. – Justice explicou parado na porta com a mão no ombro dele.

_E minha filhote?

_Também está sendo operada. Não sabemos muito sobre ela. E antes que pergunte o bebê esta na incubadora e passa bem. O que houve com você que está machucado assim, e esse sangue todo? São deles!

_Não. Fui atacado pelos nossos! E tive que machuca-los e fui machucado. Mas isso me acalmou e me ajuda a manter a cabeça no lugar.

_Posso entender. Tome um banho. E vá ver o menino.

***

Jericho entrou na sala e notou a pequena incubadora em um canto. Uma enfermeira estava monitorando de perto, e havia um médico sentado em uma mesa. A criança chorava sem parar, esperneando os pequenos braços e pernas.

_Porque ele está chorando? Ele está sentindo dor?

_Não sabemos ao certo. Já ministramos todos os medicamentos e cuidados possíveis. – a enfermeira respondeu triste.

_Posso me aproximar e toca-lo?

_Esterilize as mãos ou use luvas. – o médico alertou ainda com suas anotações.

A enfermeira cuidou do pedido do médico e então Jericho se aproximou. O olhar dele brilhou.

Era tão pequeno, indefeso. Assim como ele fora um dia. Pensou em si mesmo. E no que não teve. Com cautela colocou as mãos nas aberturas das laterais e tocou as pequenas mãozinhas que se fecharam por instinto. Haviam vários fios pequenos e coloridos ligados a ele, e uma mangueira minúscula levando oxigênio as pequenas narinas, seu rosto era suave, porem as maças do rosto proeminentes e os olhos fechados muito apertados. A criança choramingou ainda mais com o toque.

_Ei! Estou aqui com você!- Jericho acariciou a cabecinha coberta por uma touca de lã azul, a barriguinha de pele fina. Os pezinhos.

A enfermeira se aproximou dos monitores e chamou o médico.

_Dr., ele esta ficando mais estável. Os sinais vitais estão mudando. E ele esta parando de chorar.

O médico se levantou.

_Continue tocando e falando com ele!

Jericho engoliu em seco, tentou abaixar o tom de voz, não queria falar alto e sabia que sua voz era grave demais.

_ O que você tem? Está com medo? Tudo aqui é novo e assusta eu sei. Mas você não está sozinho. Você tem uma família, eles não vão judiar de você. Sabe por quê? Eu sou pai. E vou te proteger sempre. Não chore. Apenas não chore. — ele disse emocionado, enquanto o bebê parava de chorar. Posso pegá-lo? Eu preciso tê-lo em meus braços.

_Parece que ele também precisa disso.

Tão logo Jericho retirou as mãos para que a enfermeira abrisse a incubadora, ele começou a chorar alto. Justice entrou na mesma hora que a enfermeira dava ordem para que Jericho se sentasse em uma banqueta. Desajeitado Jericho estendeu os braços e o recebeu cuidadosamente

Lágrimas escorreram dos olhos dele, enquanto o pequenino se aninhava em seu peito:

_Não chore. Vai ficar tudo bem! Não chore. — ele consolou o pequeno sem saber como consolaria a si mesmo.

O pequeno abriu os olhos devagar, e Jericho tombou o pescoço para vê-lo. E sorriu. Os olhos dele eram puxados de uma tonalidade amarelo dourado ao castanho, s cílios escuros típicos dos grandes felinos.

_Meu pequeno felino! Aceitara esse seu pai primata?

A criança soltou um suspiro, e fechou os olhos, como se enfim estivesse em segurança. E aquilo era definitivamente um sim.

Notas finais
Oi acho que nao demorei tanto como das outras vezes. espero que tenham curtido!