I Need You - Novas Espécies
7 Quase Juntos
Notas iniciais
Francine tomou consciência de seu corpo e escutou uma batida ritmada, tomando conta da sala. Sentiu que alguém tocava a sua barriga, deslizando algum aparelho, fazendo pressão. Abriu os olhos, e viu quatro pessoas na sala, mas nenhuma olhava para ela. Estava todos direcionados ao monitor próximo a cama.
_Esse é o coração dele?
Trisha olhou rapidamente sorriu.
_Sim, esse é o coração do nosso garoto. É um menino!
Francine sentiu lágrimas inundarem os olhos. E sorriu feliz.
_Como ele está? Ele vai sobreviver?
_Sim. E está totalmente formado, sem nenhuma anomalia. Portanto acreditamos que está tudo certo.
_Graças a Deus! Graças...
_Mas descobrimos algumas coisas. E precisaremos de alguma atenção sobre essa gestação que já está quase na metade.
_Como assim metade? – ela se surpreendeu.
_Você quer que o Jericho venha ouvir essas informações com você? Você e ele têm estado próximos. E sua filha gosta realmente dele.
_Tudo bem. — ela disse tímida, realmente não queria se sentir só naquele momento.
_E o Justice também manifestou interesse em estar presente.
_Tudo bem.
Trisha foi quem saiu para o corredor, a fim de chamar os dois homens para ouvirem o boletim médico. Quando chegou se surpreendeu, ao ver Jericho andando de um lado para o outro, com a menina Mel adormecida em seu ombro.
_Oi! Vocês dois podem vir comigo. — ordenou direta – E você Slade pegue a menina e a leve para dormir na cama, ela vai ficar mais confortável. – Trisha pensou com um meio sorriso.
Melissa era uma garota realmente esperta, quem escolheria uma cama, quando tinha os braços fortes de um nova espécie? Mas seus pensamentos foram interrompidos, por um chiado estranho, e ela encarou Slade. Que levantou as mãos como se estivesse se rendendo.
_Ninguém vai tirar a filhote de mim, ela pode acordar com medo, e não me ver.
_Ei, calma grandalhão, ela não pode entrar na sala de exames, e uma área imprópria para crianças. E além do mais Slade sabe o que está fazendo, temos um filho.
_Jericho, isso está serio demais. Entregue a menina a Slade e vamos ver a fêmea. – Justice ordenou.
Os braços de Jericho levaram segundos para começar a obedecer à ordem de Justice. E mesmo relutante ele entregou a menina para Slade, entrando na sala de exames com uma expressão de revolta. Porém essa se desfez ao cruzar os olhos com os de Francine.
Com passos largos chegou até ela e acariciou a sua testa, notando as diferenças entre os tamanhos.
_Oi. – ela disse ainda muito pálida.
_Você me assustou. Eu não consegui te alcançar antes que batesse no chão.
_Está tudo bem! Eu não me machuquei. — ela estava sorrindo abertamente – Eu estou esperando um menino.
_Um macho?
_Sim, e ele está bem. Não é mesmo Doutora? – Francine perguntou segurando as mãos de Jericho.
_Isso é ótimo. — Justice também se alegrou.
Mas Jericho permaneceu sério.
_Bom. Vou usar uma linguagem bem comum. – O Dr. Gusman começou a dizer – A formação fetal está normal, e não pudemos identificar nenhuma anomalia gestacional. Porém o sangue de mãe e filho não são compatíveis. Já apliquei a vacina, que evitara que haja ameaça de aborto, como a que ocorreu hoje. Será necessário monitorar de perto essa situação, e fazer exames periódicos.
_Como assim? – Jericho foi quem perguntou.
_O corpo dela, vai reagir ao feto. Como um corpo estranho. E vai querer eliminá-lo. Isso não é tão incomum. Ou nada que seja absurdo. Precisamos ter atenção, como a gravidez tem um ritmo acelerado precisamos ficar atentos.
_Como assim ritmo acelerado? – Francine foi quem perguntou apreensiva.
_Francine, estimamos que a gravidez de um nova espécie gire em torno de cinco meses. E acredito que você passou pela inseminação há aproximadamente dois meses, não é isso?
_Sim.
_Seu bebê acima da média, mesmo para um bebê nova espécie. Acreditamos que em dois meses ele nasça.
_Oh!
_Além do mais tememos por uma insuficiência istmo-cervical. Ou seja, como o feto é grande, seu organismo pode não suportar o peso da criança, e causar um parto muito prematuro. – o médico explicou.
_A situação é delicada, e inspira cuidados. Ela conseguira levar essa gravidez até o fim, mas precisa ter cuidados. Muita calma, paz. Nada de estresse. Precisa de alguém que cuide dela. Uma casa, um lar!
_Podemos providenciar isso. Temos muitas fêmeas que estariam dispostas a ajuda-la. – Justice disse pensativo.
_Eu vou cuidar dela. — Jericho disse com um rosnado.
_Jericho, pelo que entendi não podemos cometer deslizes, e você não tem experiência.
_Eu vou cuidar da fêmea. Me arrume uma casa. Não durmo mais no dormitório masculino nenhuma noite.
A expressão de espanto de Trisha e de Francine formaram um belo par com o som que ambas emitiram como assombro.
_Você sabe se a fêmea quer isso Jericho?
_A filhote gosta de mim. Ela pode gostar também.
_Não é assim que as coisas funcionam.
_Sou o responsável por ela, e pelos filhotes. — disse Jericho enfático.
_Francine você quer que Jericho cuide de você? Eles são turrões assim, mas ele vai respeitar a sua decisão. — Trisha sentiu necessidade de dizer.
Francine encheu os olhos de lágrimas como se estivesse prestes a chorar.
_O que está sentindo? Você vai chorar. Alguma coisa está doendo? Ajude-nos. — ele disse olhando para os dois médicos na sala.
_Estou bem, só fiquei emocionada. – ela fungou- Então, agora eu tenho um protetor?
_Aceita ou não, caso não agrade, temos outros machos também. — Justice disse e Jericho emitiu um rosnado.
_Calma, fera, eu não quero mais ninguém alem de você. — ela disse sorrindo, e puxando Jericho para um abraço, que ele aceitou desajeitado- Obrigada. Muito obrigado.
_Ai, esses rosnado são tão sexy’s.
_Seria melhor você procurar seu marido, descansar um pouco. Vou pedir a Fury que acompanhe o Doutor. E Jericho cuide de sua fêmea. Vou pedir alguém que cuide de Melissa por algumas horas.
_Pode leva-la para o quarto, faça com que ela tome um banho. E lhe faça companhia. Vocês dois tem muito que conversarem. Passo mais tarde na hora do medicamento para ver vocês.
Com sorrisos e acenos todos saíram deixando Jericho e Francine sozinhos.
_Você permitira que eu cuide de você?
_Vou poder chorar? Ando sentimental. E não gosto de chorar na frente das pessoas.
_Chorar? Porque choraria? Vou cuidar de você. Alimentar, aquecer, te dar prazer. Cuidarei da sua filhote. Não deixarei que ninguém a perturbe.
_Isso já é suficiente para me fazer chorar. Esse carinho essa dedicação. – ela disse e tentou se levantar e ele se pôs pronto a ajuda-la.
_As nossas fêmeas não choram assim. Choram por dor, medo, e algumas são bem duronas!
_Eu costumava ser bem durona, mas os hormônios estão me deixando uma manteiga derretida.
_Hormônios? Quer que eu chame um dos médicos de volta.
_Eu vou beijar você. – ela não acreditou que tinha dito aquilo.
E instintivamente levou suas mãos para o pescoço grosso e o puxou. Mas ele não fez resistência apenas, se abaixou o suficiente para unir seus lábios em um beijo casto. Ele se afastou em seguida, e a olhou de soslaio, ela podia jurar que suas maças do rosto ficaram enrubescidas.
_Ah que se dane. – ele disse e a puxou novamente, dessa vez fazendo sua língua tocar a dela, e ele gemeu rouco com o contato.
Absortos na troca de carinho não perceberam Breeze entrar.
_Olha, olha! – ela sorriu.
_Sai daqui. — ele rosnou para a fêmea.
_ Calma. Me pediram para trazer um vestido para ela, e que a ajudasse no banho. Estou cumprindo ordens. Mas agora tenho algo interessante para contar no dormitório feminino.
_Breeze. Desculpe, eu o beijei e... — Francine tentou se explicar, mas ele a interrompeu.
_Você não deve explicações.
_Ei, eu sei, e nem quero explicações. É só que muitas fêmeas tentaram beija-lo, mas ele sempre afastou nossas mulheres.
_Me dê esse vestido. Eu vou leva-la e a ajudarei.
_Não. Algumas fêmeas não gostam de ajuda de machos nesses momentos. – ele rosnou – Nossa Jericho você anda rosnando tanto nos últimos dias. Fazendo ruídos que nunca vimos.
_Sai.
_Obrigado Breeze. Ele vai me ajudar, e eu estou bem. Prometo que se precisar de ajuda ele a chamara para mim. Não é mesmo Jericho?
_Eu a ajudarei. – ele disse enfático, e puxou o vestido das mãos dela.
_Está vendo só. Por essas e outras que as fêmeas espécies não querem compromissos. Bem vindo ao mundo macho e turrão dos novas espécies. – Breeze disse divertida — Ah, fico feliz que você e o filhote estejam bem. – ela disse e saiu.
_Você rosna sempre? – ela perguntou com um sorriso tímido.
_Se estiver com fome, com sono, agitado, com raiva, ou me sentir ameaçado.
_Então sempre. E quando você quer... Bem... — ela não acreditava que quase o perguntara sobre sexo.
Era uma absurdo ela acabara de ter uma ameaça de aborto, estava numa cama de hospital.
_Me leve daqui. Por favor. Quero tomar um banho e tirar esse cheiro de remédio de mim.
_Ok! – ele disse e a levou para o quarto.
No quarto, ele a levou para o banheiro, a deixou só por alguns instantes enquanto ela se despia. E se enrolava na toalha. E ele voltou com uma cadeira que colocou devidamente debaixo do jato de água do chuveiro. Ligando o testando a temperatura.
_Pode entrar, a porta permanecera aberta, caso precise estarei ao lado. – ele se virou dando a ela privacidade.
_Jericho! Muito obrigado.
_Não agradeça, faço apenas o que merece. — ele lhe sorriu um sorriso tímido, e ela tinha certeza de que era incomum ele sustentar o sorriso.
***
Francine estava sentada na cama, se sentia bem mais disposta, não sangrava mais, a comida estava firme em seu estômago e sua cabeça não rodava. Jericho estava sentado em uma poltrona ao lado. E remexia no celular impaciente.
_Você pode ir. Estou super bem. Posso ficar sozinha um pouco.
_Não. E se você chorar.
Ela arqueou as sobrancelhas.
_Por mais que eu deteste admitir me tornei uma chorona em poucas semanas. Destruindo o que levei uma vida para conseguir.
_Por quê? – ele largou o celular e se ajeitou displicentemente na poltrona.
_Por que. Bom... Nunca tive uma família cresci em lares adotivos. Uma garota negra sem família vivendo dos restos que a sociedade sempre me ofereceu. Não fui menos vítima de um sistema do que os criados pela Mercille com dinheiro público.
_Você foi torturada? Obrigada a fazer coisas? – ele disse com um jeito cruel.
_A pressão psicológica de viver se iguala a tortura. Não fui torturada sexualmente se essa é a sua dúvida. Apanhei em algumas instituições. Sobrevivi. E aprendi que chorar é uma fraqueza. E que não posso chorar perto das pessoas sofremos mais quando as pessoas sabem nossas fraquezas. Por isso me escondi no heliporto.
_E o pai da sua filhote? Onde ele está?
_O nome dela é Melissa.
_Filhote é adequado para pessoas pequenas e em crescimento. — ele disse com um tom brincalhão.
_Minha filhote! — ela concordou com um sorriso- Tem algo que eu não tive. Uma mãe. Para protegê-la e eu não sei onde o pai dela está. – ela fez uma pausa pensativa – Ele era meu patrão, eu lavava os banheiros da casa dele. E ele me prometeu tanto. Me ajudar, cuidar de mim. E então eu me entreguei a ele. Virgem, inocente, e então tudo mudou. Fui banida daquela casa, sem direito a receber sequer o dia trabalhado. E me vi sozinha sem ter o luxo de poder chorar. – ela disse e seus olhos marejaram – Nessa época aprendi a esconder meu pranto.
_Saiba que se um dia ele cruzar meu caminho, eu vou matá-lo. Uma surra é pouco para ensiná-lo a ser decente. – ele rosnou.
_ Cada vez que você rosna meu coração acelera. –ela confessou.
_Não precisa ter medo de mim.
_Não tenho. – e isso é o que me faz ter medo, ela pensou.
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