I Need You
6 A elegia de Tichborne
Notas iniciais

Meu apogeu da juventude, nada além da frieza dos cuidados,
Meu banquete de prazer, nada exceto um prato de dor,
Meu plantio, nada além de um campo de ervas daninhas
Todos os meus bens, nada exceto vã esperança de ganho;
O dia já passou, e ainda não vi o sol,
E eu vivo agora, e agora a minha vida acabou.
Elegia— Chidiock Tichborne
3 meses antes
JIN
Me sentei no chão com um grunhido e respirei fundo tentando controlar a dor, tirei o colete à prova de balas, que de nada serviu, devia estar danificado, porque havia uma bala cravada no meu abdômen, peguei o meu punhal preso na bainha da minha bota e levantei um pouco a camisa.
—Merda. — resmusguei, posicionando a ponta da lâmina na perfuração da bala, respirei fundo e comecei a retirar a bala alojada no meu abdômen, quando consegui a encarei por um longo tempo.
Agora
Se passaram 3 meses desde que eu sofri aquele atentado, descobriram que a falha no colete foi proposital, tinha alguém do meu grupo tentando me matar, quando descobri quem era, fiz questão de torturar e matar, com a vida que eu levo, não há espaço para falhas e se alguém tenta te matar, é melhor você se certificar de que essa pessoa vai morrer, se não, já era.
—Eu não vou ficar por muito tempo, que horas são? — escutei Jimin perguntar para J-hope, olhei para trás e vi Hoseok encarando o pulso, fingindo ter algum relógio ali. — Nossa! Muito engraçado, te fode, Hoseok.
—Olha a boca, porra! — reclamei e o Jimin me encarou furioso.
—Eu falo como eu quiser, caralho!
—Como é que é? — perguntei irritado. Como eu era o mais velho da equipe, ele e o Hoseok tinham que me escutar e me obedecer. — Repete que eu to doido para quebrar a tua cara. — ameacei e ele bufou.
—Cacete. — resmungou sem me encarar.
—É o quê? — fingi não escutar e Hoseok riu fraco.
—Nada.
—Nada o quê? — perguntei com um sorriso sacana no rosto.
—Nada, Hyung.
—Que bom. — falei me virando para sair dali, assim que pus os pés para fora daquela sala, percebi uma movimentação estranha, franzi o cenho e fui andando na direção da saída.
—ESTÃO ATACANDO! — escutei Hoseok gritar e eu arregalei os olhos, fui correndo até onde eles estavam e vi o Jimin quebrando o pescoço de um enquanto o Hoseok cravava uma faca na barriga de outro.
—Temos que sair daqui. — falou Hoseok ofegante.
—Algum ideia, hyung? — perguntou Jimin desafiador.
—Tenho. — respondi e ele me encarou confuso, com certeza, não esperava essa resposta. — Preparem o jatinho, vamos sair do país.
[...]
TAE
—Eu não sei como pode ser essencial aprender sobre Chidiock Tichborne. — reclamei e ela revirou os olhos, parecia cansada de ouvir os meus argumentos para não ler aquele poema.
—Apenas leia, Taehyung! — bravejou tentando se encher de paciência.
—Mas eu não quero ler. — repliquei e ela pareceu contar de 1 até 10, foi aí que ela ficou estranhamente calma.
—Taehyung, meu doce, Taehyung, você tem a obrigação de ler. — falou e eu encarei a pequena folha em minhas mãos, eu respirei fundo e abri a boca para começar, mas eu logo a fechei e joguei a folha em cima da mesa. Sun-Hi me encarou com o cenho franzido e pôs o indicador no lábio inferior, parecia pensativa. — Taehyung. — falou e eu cruzei os braços. — Você sabe ler? — perguntou e eu respirei fundo, apenas a encarei e ela sorriu fraco. — Não é vergonhoso, Taehyung, você quer conversar sobre isso?
—Para termos essa conversa, exigiria um grande nível de intimidade, o que nós não temos.
—Eu só quero te ajudar, mas preciso que colabore, sim? — falou e eu respirei fundo.
—É que... — comecei, mas logo parei. — Esquece.
—Se não quer falar, tudo bem, mas eu vou te ensinar a ler. — falou e eu me senti desconfortável com a ideia. — Mas, como eu já tinha preparado essa aula, eu vou ler o poema e nós vamos tentar conversar e aprender mais sobre Tichborne.
—Okay. — ficamos em silêncio um pouco, até que ela resolveu falar.
—Como sabe falar inglês tão bem se não sabe ler? Digo, como aprendeu?
—Eu nasci na Coreia, mas eu vim para cá quando eu tinha 2 anos, pelo que minha mãe diz.
—Então você não sabe falar coreano? — perguntou.
—Não, eu não sei.
—Um coreano que não sabe falar coreano, interessante.
—Nem tanto, as vezes eu me sinto um intruso perto de você ou do Namjoon.
—Você nunca voltou? Nem para fazer visita? — perguntou e eu neguei.
[...]
JIN
—O que nós vamos fazer nos Estados Unidos, Jin? — perguntou Hoseok e eu respirei fundo.
—Vamos atrás de um primo meu, talvez ele possa nos ajudar.
—Ele é tão poderoso assim? — perguntou Jimin.
—Ele é o chefe de uma grande máfia, isso é o suficiente para você? — perguntei e ele apenas deu de ombros. — Bom saber.
—Sério? Vocês parecem um casal de velhos, parem de discutir por pelo menos 1 minuto, isso é irritante! Jin, você é o mais velho, por favor, dê o exemplo. E Jimin, eu vou quebrar a sua cara se continuar com isso.
—Virou festa? Todo mundo quer quebrar a minha cara agora?
—Não, isso não é verdade, você é fofinho demais, ninguém te machucaria... — falei bagunçado os cabelos dele. — ... bom... não muito.
[...]
JUNGKOOK
—Precisamos conversar. — escutei a voz de Suga adentrar o cômodo, eu estava na cozinha, tentando fingir que eu sei cozinhar. Depois que o Suga me contou do que sofria, eu disse que estaria com ele e me mudei para cuidar dele, já faz quase 3 anos que moro aqui e tenho medo de ir embora e deixa-lo aqui sozinho.
—Eu estou ocupado. — mostrei que estava cortando a cebola e ele assentiu.
—Eu percebi. — falou, logo senti seus braços em volta da minha cintura e seu queixo no meu ombro, respirei fundo tentando focar no que estava fazendo, mas parecia impossível, quase cortei o meu dedo três vezes. — Precisa contar a cebola, não o seu dedo. — falou sorrindo divertido e eu ri fraco. — Fiz você rir? — perguntou parecendo surpreso e eu larguei o que estava fazendo. — Estou te atrapalhando?
—Um pouco.
—Então vou ficar aqui mais um pouco, até você me dar a devida atenção.
—Eu estou te dando atenção.
—Não, você está dando atenção para uma cebola, eu me sinto menos importante que uma cebola.
—Como se minha atenção fosse importante para você.
—Ela é, não sabe o quanto. — respondeu depositando um beijo em meu ombro. — Eu posso te beijar ou vou ter que roubar o beijo?
—Nenhum dos dois, você vai ter que fazer por merecer.
—E o que eu tenho que fazer?
—Sério?
—É, eu quero você.
[...]
SUN-HI
—Acho que chega por hoje, amanhã, na mesma hora. — falei guardando tudo na minha bolsa, percebi que ele apenas me encarava, eu olhei para o mesmo e ele não desviou o olhar. — O que foi?
—Como pode ser tão boa?
—Quê?
—Eu estive pensando, aquele seu amigo, o de ontem, você queria ajuda-lo mesmo que ele estivesse naquele estado, não tinha medo dele te machucar? — perguntou e eu respirei fundo.
—A situação do Yoongi é complicada, ele é um grande amigo, nunca me machucaria.
—Ele não parecia estar em si, o que aconteceu?
—Vou confiar a você a história dele, porque acho que nós merecemos um pouco de confiança.
—Merecemos?
—Quero ser sua amiga e quero te ajudar, mas preciso que confie em mim, porque assim eu confiarei plenamente em você.
[...]
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