Notas iniciais
Obrigaada pelas reviews jrsdiorj ♥

Pela primeira vez desde que havia chegado ao acampamento, resolvi participar das atividades que estavam acontecendo. Eu precisava tirar Finn da minha cabeça para meu próprio bem. Naquele dia, as meninas estavam jogando vôlei. Consegui chegar ao campo a tempo de entrar para um dos times.

Eu nunca fui muito fã de esportes mas sempre que tinha que jogar, eu normalmente me saía muito mal. Eu não era muito forte e nem tinha reflexos muito bons, talvez porque nunca tenha feito nada para desenvolver esse tipo de coisa quando era pequena. Eu fazia balé, mas isso nunca havia sido de grande ajuda para mim, talvez apenas para me ajudar enquanto me apresentava, mas nada além disso.

O jogo estava indo bem. As poucas bolas que vinham na minha direção eu facilmente arremessava-as para o outro lado e dava o assunto por encerrado, mesmo que isso deixasse as garotas do meu time desesperadas. Uma ou outra bola eu não dava conta e arremessava para as árvores, mas eu não era a única que fazia isso, então não me xingavam muito.

O problema aconteceu em algum ponto do segundo set. No outro time, havia duas meninas que faziam parte do time da escola. Até aquele momento elas não haviam conseguido combinar nenhuma bola boa. Mas sorte não era meu sobrenome. Por burrice de alguma menina do meu time, a bola foi lançada bem na mão de uma dessas duas meninas, conseguindo, assim, passar a bola perfeitamente bem para sua companheira. Essa, por sua vez, encaixou-a num ângulo perfeito para a outra bater, e ela assim o fez.

Adivinha aonde a bola foi parar?

Pois é. Ai.

. . . . .

Quando abri meus olhos, todas as meninas estavam em volta de mim com rostos preocupados. Tudo estava girando. Levantei minha mão e toquei meu nariz, apenas para descobrir que tinha muito sangue. Se ainda não haviam colocado um curativo, eu não devia ter ficado desacordada por muito tempo.

“Ok, pessoal, deem espaço pra ela. Não queremos que o ar sujo que vocês exalam pouse sobre ela e faça-a espirrar sangue na roupa de vocês.”, disse Sue, fazendo todos recuarem imediatamente. Sobrou apenas uma pessoa do lado dela que eu não consegui de início enxergar. O sol estava em um ângulo que deixava o rosto dessa pessoa obscurecido.

“Não está quebrado. Está só machucado.”, disse a voz, agora familiar. Eu não podia acreditar que era ele. Depois da idiotice que ele havia feito mais cedo e na noite anterior.

“Cadê o seu diploma, enfermeiro?”, perguntou Sue, num tom não muito amistoso.

“Eu jogo futebol americano. Já machuquei meu nariz umas seis vezes e em três deles ele quebrou. Sei como é sua aparência quando está apenas machucado.”, respondeu Finn, num tom mais delicado do que ela merecia. Sue resmungou alguma coisa sobre as garotas de hoje em dia serem muito escandalosas e que havia um conjunto de primeiro socorros na cozinha e depois se retirou. “Como está se sentindo?”, ele perguntou, impassível.

“Dor.”, foi tudo o que consegui dizer. Porque, somando tudo o que havia acontecido no dia anterior e há minutos atrás era exatamente o que eu estava sentindo.

Ele suspirou. “Vem, vou te levar pra dar um jeito nesse nariz.”. E ele me carregou até a cozinha como se eu fosse incapaz de andar, coisa que ele nem ao menos verificou. Eu provavelmente teria ficado louca de estar nos braços dele de novo, mas levando em conta a dor no meu nariz, a velocidade que tudo estava girando e a minha falta de olfato para sentir seu cheiro, a situação não era muito agradável.

Pude ouvir uma porta sendo aberta e depois a mudança de luz no ambiente. Estávamos dentro da cozinha. Fui depositada sobre uma grande mesa. Fechei meus olhos na esperança de fazer tudo parar de se mexer tão rapidamente. Quando os abri novamente pude ver que tive um pouco de sucesso, já que podia enxergar uma mulher remexendo uma caixinha branca. Finn não estava em nenhum lugar visível.

“Como está se sentindo, querida?”, a mulher falou, perguntando a mesma coisa que Finn.

“Além da dor no meu nariz eu me sinto muito tonta...”, falei, tentando me sentar.

Ela me impediu e me deitou novamente. “Não, não, não. O rapazinho me disse que você levou uma bolada muito forte e que poderia desmaiar a qualquer segundo.”

O rapazão, corrigi mentalmente.

“Pelo que eu estou vendo o sangramento está parando. Vou só trocar os pedaços de algodão que estou trocando periodicamente. Daqui a uma hora você tem que tirá-los. Se sentir que está sangrando novamente pode voltar aqui.”. Com isso ela colocou novos pedaços de algodão no meu nariz. Ela me orientou para ficar deitada até que minha tontura passasse.

Finn havia feito aquilo de novo. Deu uma de super-herói e depois fugiu, sem mais nem menos e provavelmente voltaria a me ignorar. O propósito de tudo aquilo era algo que eu queria saber.

Suponhamos que ele sentisse alguma coisa por mim. Ele provavelmente faria de tudo para ficar perto de mim e tentaria se aproximar, coisa que ele nunca fez. Obviamente tentaria me proteger a todo custo, estando sempre por perto cuidando de mim. Ok, isso ele meio que estava fazendo. Ficaria ao meu lado até que estivesse tudo bem, conversaria comigo, coisa que ele maravilhosamente fracassou. Ao invés disso, ele aparecia do nada, meio que me salvava e depois me largava sozinha. Essa não era minha definição de “herói” ou muito menos de “menino que gosta de você”. Quais eram as intenções de Finn, então? E por que ele estava agindo daquela forma? A tontura não me permitiu ir mais fundo no assunto.

“Eu perdi alguma coisa?”, perguntei para a moça que havia colocado os algodões no meu nariz. Ela estava descascando alguma coisa, talvez batatas.

“O diretor anunciou a primeira festa, que vai acontecer hoje a noite, na área da fogueira.”, ela respondeu.

“Ah...”

Fiquei dormindo e acordando durante a hora seguinte, sentindo que a minha tontura diminuía a cada vez que eu despertava. Depois que passou uma hora, a moça tirou os algodões e me liberou depois que aleguei que a tontura havia passado. Era só eu não fazer movimentos bruscos que conseguia caminhar.

Saindo do local, percebi que estávamos no meio da tarde. Lentamente fui andando de volta para o campo, onde (ainda bem!) não estavam mais jogando vôlei. O local estava preenchido por pessoas aqui e ali conversando ou matando tempo. Escolhi uma árvore e me sentei, colocando meus fones e uma música a uma altura que não me deixava ouvir nada do que acontecia a minha volta. Encostei minha cabeça e relaxei, querendo que aquele acampamento acabasse logo.

Tinha alguém balançando meu ombro. Lentamente abri os olhos e vi que era Santana e seus lábios se mexiam sem produzir som algum, eu apenas ouvia a música. Rapidamente me lembrei que estava de fones de ouvido e os tirei, percebendo que ela estava me perguntando se eu não ia me arrumar para a festa.

“Você teeeeeeeeeeeeeem que ir!”, ela implorou, me olhando como se fosse um cachorrinho perdido.

“Claro que eu vou... Mas só se você me arrumar.”, eu disse, sabendo que isso a deixaria elétrica. Santana amava me fazer de bonequinha e ficar me maquiando e arrumando meu cabelo. Ela imediatamente me lançou um enorme sorriso e me puxou com força, me colocando de pé.

“Vai com calma. Eu ainda tô meio mole por causa de uma bolada.”, anunciei, sentindo a tontura começar a voltar.

Ela se desculpou e me levou para nossa barraca/reino. Ela passou as duas horas seguintes passando todos os tipos de produto na minha cara e aplicando todos os tipos de spray no meu cabelo. “Tudo bem, você está pronta.”, ela anunciou, colocando na minha mão um enorme espelho. Fiquei me perguntando como ela havia conseguido levar aquilo dentro da mala sem quebrá-lo em milhões de pedacinhos.

Eu estava incrível, modéstia a parte. Santana havia feito alguma coisa nos meus olhos a parecer que eles estavam bem esfumaçados, mas ao mesmo tempo não tanto. Já o meu cabelo ela não havia feito nada demais (a julgar pelo número de produtos que ela havia aplicado, meu cabelo deveria estar em formato de floco de neve ou coisa do tipo). Ele estava como sempre, minha frente retinha como todos os dias. A única diferença foi que ela havia enrolado a parte debaixo do meu cabelo toda. Estava perfeito. Cada cacho bem definido. Novamente, eu estava incrível.

“Agora coloca aquela sua regata branca e aquela saia de cintura alta preta. Ah, e não se esquece de colocar aquele salto amarelo.”, ela falou, começando a se produzir ela mesma.

“Obrigada, Santie!”, falei, me inclinando e abraçando-a com força.

Ela riu. “Não tem de que, hobbit. Sempre que quiser eu estarei disposta a te produzir.”

Eu soltei-a e fui colocar minha roupa, com bastante cuidado para não bagunçar os cachos que Santana havia feito. Quando estava pronta, coloquei um pouco de perfume e alguns anéis. Fiquei esperando Santana terminar de se arrumar e depois saímos da barraca e fomos para a área da fogueira.

Nós éramos uma das primeiras pessoas a chegar. Tinham vários meninos mas quase nenhuma menina. Alguma música eletrônica estava tocando a uma altura ensurdecedora e havia uma mesa cheia de doces e ponche. A fogueira estava acessa iluminando o local.

Durante mais ou menos uma hora fiquei conversando com Santana. A festa estava uma droga. O pessoal estava utilizando o local como uma pista de dança mas os que estavam fora dela não estavam se divertindo nem um pouco, como eu. Senti vontade de voltar para a barraca e ir dormir mais cedo.

“Sugar!”, gritou Santana, correndo na direção da amiga e me deixando sozinha.

Hora de ir dormir, pensei, já que minha acompanhante tinha me abandonado. Eu estava a meio caminho da trilha para o acampamento feminino quando alguém segurou meu ombro.

Notas finais
:o seizduhfsdiu So, o que acharam? ♥