I Need A Hero
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Os primeiros três dias haviam sido consideravelmente tranquilos. Pude passar quase o dia deitada na grama com Kurt falando nada com nada sem interrupções. As raras atividades que eu tinha eram coisas como Lacrosse ou algum outro esporte, que eu podia simplesmente dispensar dizendo que eu tinha um problema no joelho.
Mas a vida não é sempre do jeito que queremos.
Mais ou menos no horário do pôr do sol do terceiro dia fomos chamados para a primeira fogueira. Era sempre a parte mais comentada na escola, porque era onde eram contadas as lendas, onde eram cantadas as músicas... Era um momento de interação entre todo mundo.
Dessa vez Kurt e eu não conseguimos um lugar no tronco e tivemos que sentar desconfortavelmente no chão de terra. Não pude deixar de registrar que Fi- os jogadores de futebol estavam sentados do lado oposto, bem de frente para nós.
“Bom, crianças, como vocês já sabem, esta é a hora que faremos a chamada. Hoje vocês irão para os acampamentos mais cedo e ficarão lá até amanhã.”
“Mas e as histórias?”, alguém perguntou.
“E as músicas?”, outra pessoa gritou.
“Lamento, pessoal, mas isso terá que ser adiado para a fogueira de amanhã. Tivemos um... incidente... que impossibilitará atividades maiores. É melhor vocês ficarem nos acampamentos e sairem de lá somente para ir ao banheiro e se o caso for extremo.”, disse Will, se intrometendo. “Pedimos, por favor, para todos, sem exceção, irem para suas barracas.”
Todos bufamos, decepcionados. Ok, eu sei que não estava nem um pouco animada para o acampamento mas eu gostava muito da hora da fogueira. Olhei para Kurt e vi que ele estava digitando um monte de coisa no celular, revoltado, provavelmente para postar na internet posteriormente.
Depois de bastante tumulto, nós, meninas, estávamos na trilha indo para o acampamento. Eu estava começando a listar as possíveis coisas que poderiam ter cancelado a fogueira. Um intruso, do tipo perigoso. Um animal, o que era improvável, porque nossas míseras barracas não eram de proteção alguma (talvez a minha e da Santana, que era bastante resistente, mas as outras, não). Ou algum acontecimento não usual e...
Alguém que estava escondido no meio das árvores me puxou para fora da trilha e para entre todas aquelas milhares de árvores. Um intruso. É claro. Todos fomos mandados para nossos acampamentos para ficarmos juntos e para qualquer sumiço ser facilmente notado e evitado. É claro. Eu estava ferrada. Quem quer que tivesse me puxado para a floresta havia tapado a minha boca, me impedindo de gritar no segundo que eu estava prestes a fazê-lo. Quando alguém percebesse meu sumiço já seria tarde demais.
“Fica quieta.”, a pessoa falou. O que foi estranho. Não o fato de ela ter falado, mas o fato de eu saber de quem era aquela voz. Como eu não saberia?
Comecei a entrar em pânico, mesmo depois de perceber que não era um sequestrador ou serial killer, mas sim Finn Hudson. O que diabos ele estava tentando fazer comigo? Ou melhor, para onde ele estava tentando me levar? Ele nunca nem havia dirigido a palavra para mim a não ser que fosse estritamente necessário. Cheguei a conclusão que eu tinha várias razões para ficar com medo, mesmo que eu sentisse uma não saudável atração por ele.
Ficamos parados no mesmo lugar até que todas as meninas tivessem passado. Ninguém havia percebido a discreta intercepção. Finn havia sido bastante cuidadoso. Todas elas continuavam andando e matracando sobre como aquele acampamento era uma bosta, e blá, blá, blá. E eu lá, na posse de Finn Hudson para ele fazer o que bem desejasse comigo. Eu não era muito forte e havia perdido a capacidade de gritar. Ele realmente tinha bastantes opções.
Quando não havia mais ninguém por perto, Finn colou o rosto na lateral do meu. “Olha só, Rachel, eu agora vou te soltar, mas você não deve correr nem gritar. Eu só estou querendo te ajudar.”, ele falou, fazendo milhares de calafrios subirem e descerem pelo meu corpo, me deixando arrepiada.
Eu assenti, quase desabando de tanto que eu tremia. Ele lentamente foi tirando a mão da minha boca, me permitindo de respirar pesadamente do jeito que meu corpo estava exigindo. Mas, assim como ele pediu, não tentei fugir ou muito menos gritar, resolvendo confiar nele (por mais ridículo que isso possa soar, era o que meus sentimentos mandavam.).
“Olha só o que aconteceu: Um dos meninos do time sumiu hoje, Mike Chang. Os meninos disseram que foi de repente, tão do nada que eles só foram perceber sua ausência muito tempo depois. Avisamos para o Will e ele disse que cuidaria da situação. Ele pulou o nome de Mike na chamada e não comentou nada com ninguém, acho que para não causar um pânico talvez desnecessário em todo mundo. Achamos que ele está perdido pelas trilhas ou algo assim.”
“Certo...”, falei, com dificuldade, ainda com uma pergunta me incomodando. “E você está me contando tudo isso porque...?”
Ele pareceu hesitante por um segundo ou dois. “E-eu acho que para te fazer companhia, te deixar segura.”, ele disse, bastante envergonhado. “Alguma coisa atraiu ou levou Mike para longe e eu quero ter certeza que o mesmo não vai acontecer com você. Eu vim te proteger, Rachel.”, ele falou, bastante sério. Eu fiquei com capacidade de apenas assentir durante alguns segundos, tentando assimilar tudo o que eu sentia por ele com o que ele estava me dizendo. Será que ele se importava? Gostava de mim? Me amava? Eu não tinha a menor ideia, apenas sabia que qualquer oportunidade que eu pudesse me jogar em seus braços não era uma oportunidade que deveria ser desperdiçada.
“Tudo bem...”, falei, sem conseguir tirar meus olhos do dele. Como eles eram lindos. O perfeito tom de castanho.
Ele mordeu os lábios antes de continuar. “Eu trouxe uma barraca sem saber que Puck também havia trazido uma. Podemos usá-la.”
Eu realmente não sabia como reagir a aquilo. Dormir em uma barraca... com Finn?
“Vou colocá-la entre as árvores do acampamento das meninas, acho que é o melhor lugar. E não se preocupe de alguma coisa acontecer. Além de ter uma cerca em volta de todo o acampamento, eu vou ficar acordado a noite toda.”, garantiu.
Eu ainda achava aquilo surreal, loucura. Um dos caras do time de futebol que nunca falou com você de repente chegar e falar que irá dormir junto com você e que ficará a noite inteira acordado apenas para ter certeza que você está bem? Eu tinha a ligeira impressão que algo chamado “sentimentos” estava envolvido na situação toda. “Por que você tá fazendo isso?”
Ele ficou me olhando, sem dizer nada por muito tempo. “Olha, Rachel, eu me importo com você. Não me pergunte de que jeito e muito menos quanto, porque são duas coisas que eu ainda não sei dizer. Mas eu preciso ter certeza de que você está bem e que você continuará aqui amanhã e que nada de ruim acontecerá com você.”
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