I Miss You
64 Minhas esperanças diminuem-Parte 2
Notas iniciais
1 ano e 6 meses depois...
A cada dia que passava minhas esperanças foram diminuindo mais. Eu já não estava aguentando mais nada, eu mal conseguia olhar uma foto nossa que já ficava cabisbaixo. Eu me isolei cada vez mais das pessoas, por isso eu perdi várias reuniões importantes. Violetta estava me ajudando muito, mas ela recusou fazer alguns shows por minha causa. As únicas pessoas com quem estava tendo contato eram Violetta e George.
Estava no meu quarto, deitado na minha cama e torcendo para não começar a chorar como acontecia, praticamente, em todas as manhãs.
–Pai?-Escutei batidas na porta.
–Pode entrar, Vilu-Disse e passei minha mão no rosto, não chorei dessa vez.
–Aqui seu café-Ela entrou e estava segurando uma bandeja. Ela começou a fazer isso quase todas as manhãs, eu parei de tomar café com eles, almoçar e jantar. Passava o dia inteiro dentro do meu quarto, exceto para ir ao hospital e tomar banho.
–Obrigado, Vilu-Disse e me sentei na cama.
–O senhor tem que começar a comer com a gente-Ela disse, sempre dizia a mesma coisa todo santo dia e eu sempre respondia a mesma coisa:
–Eu não quero.
–Mas o senhor precisa ter contato com as pessoas, você só fica trancado nesse quarto e se sai é para ir ao hospital-Ela sempre falava isso.
–O que você quer que eu faça? Que eu vá conversar com as pessoas? Que elas me perguntem como está Angie para eu ficar mal? É isso? Ou então você quer que eu finja que nada disso está acontecendo?-Eu gritei, tinha perdido o controle, depois de Violetta me falar tanto isso eu me cansei.
–Você deve achar que eu não estou sofrendo com tudo isso, não é? Que só porque eu estou tentando parecer forte Angie ainda me faz falta... Ela me faz muita falta, pai. Ela foi uma das únicas que me entendeu nessa casa e que colaborou comigo quando mais precisei- Ela começou a chorar e respirou fundo antes de continuar falando- Não é só porque você está sem esperanças que eu preciso estar também-Ela caminhou em direção à porta, mas antes de sair virou de novo na minha direção- Hoje eu não vim apenas para trazer seu café, vim avisar que Jade, Pablo e Maria Clara vão vir para almoçar, mas eu sei que o senhor não vai querer descer. Eu trago seu almoço-Ela limpou algumas lágrimas antes de sair do quarto.
O que eu fiz? Eu não devia ter me descontrolado desse jeito. Eu sei que a Vilu sente falta da Angie, principalmente depois que li o diário dela... Mas eu não liguei para o que ela estava sentindo... Eu sou um idiota mesmo. Vou ter que sair desse quarto.
Me levantei da cama, caminhei em direção à janela e abri a cortina. Eu me desacostumei com a claridade, que coisa horrível. Fui em direção ao guarda-roupa e peguei uma daquelas roupas que sempre usava. Arrumei meu quarto o que não fazia há tempo.
Finalmente estava tudo arrumado, depois de tanto tempo eu resolvi arrumar aquele quarto. Eu me senti tão bem depois disso, quero dizer, um pouco melhor.
Comi o café da manhã que Vilu tinha trazido para mim e depois levei a bandeja para a cozinha e por sorte não dei de cara com ninguém. Voltei rapidamente para o meu quarto e esperei mais um pouco até escutar a campainha tocar.
Desci as escadas e percebi que Violetta me olhava surpresa, ela não me esperava ali. Pablo e Jade também pareciam surpresos, mas não tanto quanto Vilu. George estava de mãos dadas com uma garotinha, obviamente deveria ser Maria Clara, que parecia muito com Jade. Ela havia crescido muito desde a última vez que a vi, um ano atrás, mais ou menos.
–Pai? Pensei que ficaria lá em cima-Violetta disse.
–Resolvi descer e cumprimentar nossos convidados-Disse.
–Germán! Há quanto tempo! Maria Clara estava com muitas saudades-Pablo me deu um aperto de mão. Acredito que a parte da Maria Clara estar com muitas saudades era mentira, por que ela nem olhou para a minha cara.
–Olá Germán! Faz muito tempo que não nos vemos mesmo-Jade me cumprimentou.
–Sim, eu acabei ficando muito mal por causa desse tempo todo que... Bem... Vocês entendem- Eu disse um pouco cabisbaixo.
–Entendemos-Pablo disse.
Ficamos conversando por um tempo, como isso me fez bem. George e Maria Clara brincavam no chão da sala, ele queria brincar de carrinho e ela de boneca, foi uma briga danada, mas logo foi resolvida por Violetta sugerindo que eles brincassem de bola. Nós quatro acabamos entrando na brincadeira com eles, acabou sendo divertido, mas seria melhor se Angie estivesse aqui.
–Violetta? O almoço está pronto-Olga apareceu na sala limpando a mão no avental e quando me viu ficou tão surpresa quanto Violetta, mas era de se esperar, depois de meses sem eu aparecer para comer só saindo do quarto para tomar banho, ver George e às vezes ir ao hospital era estranho me ver na sala.
–Sim Olga, nós já vamos-Violetta disse.
Olga saiu da sala e ainda parecia processar o que estava acontecendo. Nem era tão difícil assim acreditar que eu tinha, finalmente, saído daquele quarto. Era?
Foi um pouco difícil convencer George e Maria Clara a pararem de brincar, mas no final acabamos convencendo eles.
Fomos para a mesa e nos servimos. George já estava comendo sozinho, ás vezes precisava de ajuda e eu o ajudava, mas Maria Clara não comia direito sozinha, então Jade a ajudava... O que era estranho. Ver Jade ali, uma mãe carinhosa... Estranho, mas aparentemente não impossível.
Terminamos de comer e voltamos para a sala, mas dessa vez deixamos os nosso pequenos brincando sozinhos e resolvemos conversar, mas não sabia que chegaríamos no assunto que menos queria.
–Então Germán, como está Angie?-Pablo perguntou... Era o que eu temia, o que eu evitei há muito tempo... O motivo pelo qual odiava sair do meu quarto. Aparentemente Jade percebeu meu incomodo com essa pergunta e cutucou Pablo.
–Ela está melhor, bem melhor do que no dia do... Bem melhor do naquele dia. Ela não precisa mais de tantos aparelhos, mas ainda não acordou- Reuni forças para falar e acabei conseguindo.
–Que bom, não é?-Ele disse... Para mim não é bom, até os médicos não tinham mais tanta esperança.
–Claro, muito bom- Menti.
Estava ficando tarde e Pablo e Jade resolveram ir embora, mas o que eles não esperavam era que Maria Clara fizesse o maior escândalo para poder continuar aqui.
–Não! Eu quero ficar -Ela disse, ou melhor, berrou.
–Mas filha, nós temos de ir! Vamos logo-Pablo tentava pegar Maria Clara que estava se segurando no sofá.
–Não!-Ela gritou.
–Vamos logo, filha! Depois vamos voltar para você brincar mais-Jade tentava convencê-la a ir embora.
–Eu não quero!-Ela insistia.
Achei situação muito engraçada, mas decidi tomar uma decisão.
–Se quiserem deixa-la ficar aqui-Disse.
–Não! Claro que não! Vocês estão cheios de coisas para fazer e ainda tem aquela outra questão... –Pablo disse, sei que outra questão é essa, mas talvez com a Clarinha aqui pode melhorar um pouco o ambiente.
–Não estamos não! Pode deixa-la aqui, vamos ficar bem-Tentei convencê-los, acredito que eles talvez deixassem ela ficar, mas não porque pedi e sim porque ela fez uma biquinho e começou a piscar os olhinhos.
–Está bem! Mas nada de fazer bagunça!-Jade explicou para ela.
–Eba!- Ela correu na direção de George.
–Germán, se ela incomodar pode nos ligar, ok?- Pablo me disse.
–Ela não vai me incomodar, ela é um anjinho-Disse e Pablo concordou.
Pablo e Jade me passaram algumas instruções sobre algumas coisas para Maria Clara e depois eles foram se despedir de Maria Clara, mas Jade não parecia querer largar ela talvez porque seria a primeira vez que Maria Clara dormiria fora. Demorou um pouco, mas Jade soltou Maria Clara e foi embora junto com Pablo.
George e Maria Clara ficaram brincando o resto da noite, era bom vê-lo se divertindo assim enquanto eu... Bem... Eu ficava aqui na mesma sem saber o que fazer, às vezes pensando em Angie naquele hospital, em George se divertindo e em Violetta largando tudo por minha causa.
Depois de um tempo Olga apareceu avisando que o jantar estava pronto e ficou surpresa de novo me vendo jantar com Violetta, mas resolvi ignorar já que é a Olga. Todos fomos jantar e Violetta ajudou Maria Clara a comer.
Quando terminamos de comer era obvio que George e Maria Clara estavam morrendo de sono apesar dos dois negarem. Subimos com eles e Violetta levou Clarinha para seu quarto enquanto eu levei George para o seu.
Arrumei a cama de George e coloquei um pijama nele. O mandei dormir, mas ele não queria.
–Porque não George? Você está cansado-Tentei convencê-lo a dormir.
–Quero a Clari aqui-Ele resmungou.
–Mas ela vai dormir com a Vilu-Tentei explicar até ver Vilu na porta do quarto de mãos dadas com Maria Clara.
–Pai? Ela não quer dormir no meu quarto-Violetta disse.
–Nem George quer dormir-Disse.
–O que vamos fazer?-Ela perguntou.
–Acho que temos um colchão aqui, talvez podemos coloca-lo no chão-Pensei em um jeito de resolver tudo isso.
–Pode ser — Ela concordou.
Arrumamos o colchão ao lado da cama de George e os mandamos dormir, mas chegamos à outro dilema: Quem dormiria no colchão? Os dois começaram a brigar, mas não porque um queria dormir na cama e sim porque não queriam que o outro dormisse no colchão. No final, Maria Clara acabou indo dormir na cama e George no colchão porque ele disse “que era o mais velho e decidia tudo que tinha de acontecer”.
Esperei os dois pegarem no sono e fui para o meu quarto. Vesti um pijama e arrumei minha cama. Dessa vez não estava tão triste, o dia tinha sido alegre e me fez bem... Foi uma das poucas vezes que isso aconteceu, aliás, a única desde tudo o que aconteceu. Consegui dormir bem.
6 meses depois...
Desde aquele dia que Maria Clara dormiu aqui em casa se passaram 6 meses, muito tempo... Fazem exatos 2 anos e meio que Angie ainda não acordou, é terrível tudo isso. Nas últimas vezes que fui ao hospital tive a impressão de que ela tinha movimentado um dedo ou falado algo, mas no final sempre descobria que era coisa da minha cabeça. Eu estava sentindo tanta falta dela que estava tentando acreditar que ela estava acordando.
Apesar de fazer tanto tempo desde que tudo aconteceu, esses últimos meses foram melhores, mas não tão bons... Minhas esperanças pareciam ter aumentado! Eu não entendia, talvez fosse por causa dessas vezes que tinha impressão de que Angie estava acordando ou porque eu estava menos isolado do mundo.
Hoje acordei mais cedo, queria passar no hospital e depois buscar Maria Clara para brincar com George, eles estavam ficando cada vez mais próximos. Várias vezes ela dormia na mansão e ele dormia na casa dela.
Tomei café em uma lanchonete que ficava perto do hospital e logo depois fui para lá. Passei pela recepção, a recepcionista já me conhecia muito bem e logo disse que eu poderia entrar. Encontrei alguns outros médicos que já conhecia muito bem e entrei no quarto onde estava Angie, logo fui para mais perto dela e me sentei em uma cadeira.
–Meu amor, você precisa ver como George e Maria Clara estão... São melhores amigos! Sempre brincam juntos e se ajudam-Disse e segurei sua mão, tive a leve impressão de que ela tinha se movimentado, mas não criei muita expectativa- Violetta está fazendo uma turnê, ela é uma cantora famosa agora! E seria antes se não fosse por minha causa, mas não vem ao caso-Entrelacei nossas mãos-Vou ter que ir agora, vou buscar Maria Clara para brincar com George.
Me levantei da cadeira e fui dar um beijo em sua testa como sempre faço antes de ir embora, mas quando olhei seu rosto tive a maior surpresa. Eu vi aqueles olhos verdes brilhantes que alegravam meu dia... Não, eu só posso estar louco.
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