I Miss You
44 Matando a saudade
Notas iniciais
Pov. Angie
Depois daquele beijo que o Germán me deu eu pisquei os olhos duas vezes para ver se eu não estava sonhando, mas para a minha surpresa era verdade. Depois de quatro dias separados. quatro dias? Não podia ser só isso. Impossível! Parecia que tinha passado muito mais dias, semanas ou até mesmo meses, mas não importava mais, estávamos juntos de novo. Mas o pior era que estávamos separados por minha culpa, pelo simples fato de não ter deixado Germán explicar tudo direito.
–Me desculpe!- Eu disse quando percebi que era tudo verdade.
–Pelo que?- Germán perguntou confuso.
–Eu não tinha te deixado explicar direito, se tivesse te deixado falar... – Eu estava dizendo até Germán colocar o dedo na minha boca.
–Se eu não tivesse inventado tudo isso sobre o Jeremias, nunca teríamos brigado.
–Parece que os dois fizeram as pazes!- Federico se intrometeu.
–Nós fizemos sim- Germán disse enquanto me abraçou de lado.
–Nós voltamos e eu quero escutar o resto da minha serenata!- Eu disse.
–Eu acho justo!- Germán disse e olhou para Federico- Federico, do começo?- Federico apenas assentiu com a cabeça e Germán voltou a cantar “Te fazer feliz” enquanto Federico tocava, aquela música era muito fofa e acho que nos definia.
Ficava encantada com Germán cantando, até o momento em que ele parou de cantar e percebi Federico sussurrando algo.
–Eu continuo daqui- Federico sussurrou para Germán, acho que era isso que ele tinha falado. Germán balançou a cabeça em afirmação e veio até a minha direção.
–Minha princesa, me concede esta dança?- Germán disse e se curvou com a mão estendida para mim.
–Claro que sim, meu príncipe!- Disse e peguei em sua mão.
Dançamos ali mesmo, no jardim, no meio da madrugada, sem ligar para os vizinhos e uma música que não era nada calma.
–O que está acontecendo aqui?- Olga apareceu bocejando acompanhada de Ramalho, mas não paramos de dançar.
–O que aconteceu senhor Germán?- Ramalho disse, mas ficou sem resposta, já que nós dois não estávamos nem aí para nada, só para o nosso momento.
–Ramalho! Não está vendo que os dois estão em um momento romântico?- Escutei Olga falar.
–Agora estou percebendo- Ramalho disse.
Depois daquela conversa que escutei da Olga e do Ramalho percebi que eles haviam se juntado a nós e começaram a dançar. Pronto! Quatro retardados dançando no jardim de madrugado, não é comum isso acontecer? Toda noite as pessoas saem de suas casas para dançarem no jardim. Mas naquele momento nada importava. Nada mesmo, nem os gritos de uma vizinha mandando a gente calar a boca.
–Eu te adoro- Eu disse para Germán e repousei minha cabeça em seu ombro. Federico tinha mudado de música, para uma mais lenta.
–Eu te adoro mais- Germán disse.
–EU QUE VOU ADORAR ACABAR COM A ALEGRIA DE VOCÊS!- A vizinha chata que estava mandando a gente calar a boca gritou da janela, voltou para dentro e depois voltou com um balde, que definitivamente não parecia estar vazio.
–Germán! Olha só aquilo- Eu disse preocupada apontando para a mulher, mas era tarde de mais, ela já tinha jogado aquele balde, que estava cheio de água, em nós dois e consequentemente ficamos molhados, mas não pouco e o pior era que meu pijama não era muito comprido.
–E DA PRÓXIMA VEZ EU FAÇO PIOR!- A mulher gritou e bateu a janela com força.
Estava molhada e Germán também, mas não ficamos mal. Estávamos rindo daquela situação, que por mais que não fosse lá muito boa, foi engraçada.
–“E da próxima vez eu faço pior”- Germán começou a imitar a mulher.
–“Eu que vou adorar acabar com a alegria de vocês”- Eu entrei na brincadeira e imitei ela também.
–“Eu sou uma velha chata e não posso ver os outros felizes”- Germán continuou.
–Está bem Germán... – Eu parei de dizer e espirrei.
–Ei o que... – Germán começou a dizer e também espirrou.
–Essa água está fazendo efeito- Eu disse e novamente espirrei.
–Senhor Germán, Angeles. Estão bem?- Ramalho perguntou.
–Está sim! Só parece que tomamos um banho indesejado- Eu disse e comecei a rir junto com Germán.
–É melhor os dois entrarem, se não vão pegar um resfriado- Olga disse preocupada.
–A Olga tem razão Germán, já começamos a espirrar. É melhor entrarmos- Eu disse e Germán assentiu.
Nós cinco entramos na mansão, eu e Germán fomos nos trocar já que estávamos molhados. Eu coloquei outro pijama, só que agora um bem mais quente. Quando voltei para a sala e percebi que Germán havia feito o mesmo que eu, colocado um pijama mais quente.
–Ficou frio de repente, né?- Germán falou esfregando os braços.
–É verdade- Disse também esfregando os braços.
–Ficou frio? Jogaram um balde de água fria em vocês dois! Queriam o que?- Olga apareceu na sala.
–É verdade- Eu disse e espirrei.
–Vou fazer um chá para vocês dois- Olga disse e foi para a cozinha.
–Você quer dormir agora?- Germán me perguntou.
–Mesmo depois disso tudo, eu não estou com sono. A água gelada me acordou- Eu ri um pouco e espirrei denovo, já não estava aguentando mais.
–Pior é que eu também não, pode ser culpa da água gelada mesmo- Germán disse e começou a rir também.
–Então, se não estamos com sono, o que acha de um filme?- Eu disse.
–Pode ser, mas qual? Acho que não temos muitos filmes aqui.
–Ás vezes no quarto da Vilu tem algum. Vamos olhar?- Eu disse e ele assentiu com a cabeça, logo após espirrar.
Subimos para o quarto da Vilu, começamos a olhar por todo canto procurando um filme e acabei achando um, que com certeza eu queria assistir.
–Germán, olha isso- Eu disse entregando o DVD para ele.
–Nossa! Esse filme não é lá muito novo, lembro de quando compramos, foi um tempo depois do lançamento.
–Vamos assistir! Por favor!
–Mas um filme infantil? “Procurando Nemo”? Não tem um melhor não?
–Mas eu quero ver esse- Eu fiz carinha de pidona
–Está bem! Não tem outra solução- Germán disse com tom de rendição.
– Na verdade se quiser achar outra solução, “Continue a nadar, continue a nadar, nadar, nadar para achar a solução” – Comecei a cantar a musiquinha do filme.
–Nossa Angie, não acredito que você sabe essa musiquinha. Faz tanto tempo, 2003, eu acho.
–Eu adorava esse filme, tá legal?
–Mas você já era bem grandinha, não?
–E daí? Eu adoro tá? Seu feio!- Eu disse e mostrei a minha língua.
–Hum, é mesmo? Eu também tenho olha- Germán disse e depois mostrou a língua.
–Vamos parar com isso e assistir o filme?
–Certo! Eu vou pegar uns cobertores, pode ir lá para a sala.
–Está bem- Eu disse e espirrei logo em seguida, estava perdendo a paciência.
Desci até a sala e coloquei o filme no DVD, sentei no sofá para esperar Germán chegar.
–Angeles, eu fiz o chá para vocês- Olga apareceu na sala.
–Muito obrigada Olguinha- Disse e espirrei.
–Nossa, você não para de espirrar, mas esse chazinho vai ser ótimo- Olga disse e percebi que Germán estava descendo as escadas com um cobertor e acabou espirrando- Esse chá vai ser ótimo para o dois! Então tomem, eu vou dormir- Olga disse bocejando e foi para o seu quarto.
–Senta aqui- Eu disse arredando para um lado do sofá.
–Vou sim, já colocou o filme?- Germán perguntou se sentando.
–Já coloquei sim- Eu disse e de repente senti um frio- Germán, me da um cobertor?
–Só se usarmos ele juntos, só trouxe um- Germán disse e eu não vi problema algum.
–Está bem-Eu disse me sentei mais perto de Germán, ele nos cobriu com o cobertor e eu dei play no filme.
–Ai Angie, só você mesmo para me fazer assistir um filme infantil- Germán disse me abraçou.
Nós assistíamos ao filme, na verdade nem tanto já que depois de quatro dias sem se ver direito, brigados, toda hora nos beijávamos, mas tinha horas que nós assistíamos ao filme, bebíamos um pouco do chá da Olga, que era incrivelmente bom e já tinha parado de espirrar um pouco e Germán também.
No finalzinho do filme, acabei dormindo, mas eu sentia as mãos do Germán fazendo cafuné no meu cabelo, o que fez com eu dormisse muito bem, o que não acontecia a muitas noites.
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