I Love You K, By Dave K
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Um acidente. Sim, tudo isso foi acidente. Uma série deles. Acidente eu ter sentido o impulso que me fez beijá-lo. Acidente eu ter me apaixonado. Acidente todos terem descoberto a verdade. Um acidente, que o levou antes de eu lhe dizer a verdade.
Foi no dia dos Nacionais. Kurt voltou o New Directions e ao McKinley depois que eu ‘sai do armário’, isso tudo logo após o Glee ganhar as Regionais.
E Blaine... Bom, Blaine só descobriu amar Kurt quando havia perdido a chance e quem tinha Kurt nos braços era eu. Eu o tinha, mas não o deixava saber o quanto eu amava isso, e o quanto eu amava ele.
Estávamos na escola toda no estacionamento, havíamos acompanhado pelo telão as Nacionais. O Glee tinha se popularizado muito, e apenas alguns rapazes do time de lacrosse estavam dando azia.
O ônibus vinha com a buzina disparada. Eles estavam com metade do corpo para fora da janela, Puck e Finn juntos segurando o troféu. Todos nos gritávamos empolgados. Quando aconteceu.
O ônibus mudou o percurso e o local onde eles iram descer. No local, o time de lacrosse havia espalhado 45 latas de óleo, para eles escorregarem. Ninguém sabia, o ônibus derrapou. Ele teve 4 choques e uma capotada. E parecia que eu tinha raio-X, porque eu podia ver tudo que se passava ali dentro.
No primeiro choque, com outro ônibus, eles caíram pra dentro. Mike voou pra trás e deu com a cabeça na traseira do ônibus. Na segunda colisão, os bancos de soltaram. Puck agarrou Quinn, inconsciente de uma pancada com a cabeça e se enfiou entre dois bancos, para se protegerem.
Artie, que estava solto, puxou Brittany, também inconsciente e colocou com pressa o cinto de cadeirante, preso a parede do ônibus.
Tina, Mercedes e Santana se chocavam contra as paredes, Sam bateu a cabeça em uma janela que estourou. Finn foi prensado por bolsas contra um banco. Rachel caiu em baixo de um banco.
Quando o ônibus capotou, começou a parecer uma bola de sucata. O pânico era geral. Assim que parou, eu e o time de futebol corremos até dentro de lá. O tanque de gasolina estava vazando. Sabiamos que era perigoso, mas tiramos eles dali. Mas eu notei que faltava um.
_ Cadê o Kurt? – eu berrei e o vi, a alguns metros.
Ele havia voado por uma janela no quarto encontrão, e quando o ônibus capotou, passou raspando por ele. Eu corri até ele, desesperado.
O sangue empapava a roupa dele, e começou a empapar o meu, assim que o aninhei nos meus braços. Ele estava imóvel, um sorriso fraco aberto ao me ver. Meu coração parou e meu rosto foi banhado pelas lágrimas salgadas que caiam.
_ Amo você... – ele sussurrou, com um último fio de voz, antes de fechar os olhos e deixar a cabeça pender.
Eu o apertei junto a mim e não vi nem ouvi nada. Ambulâncias chegaram. Policiais também. Os pais deles, que vinham de carro pouco atrás, começaram a se desesperar.
Eu só percebi algo, quando senti a mão do pai de Kurt sobre meu ombro, ele tremendo entre as lágrimas, enquanto a mãe do Finn acompanhava o filho na ambulância. Eu vi de relâmpago eles sendo levados, inconscientes, a maioria nem conseguindo respirar sozinho.
Olhei o Kurt, em meus braços e selei nossos lábios uma última vez. Senti o gosto de sangue na minha boca, assim como o frio de sua pele. O coloquei com cuidado nos braços do pai dele e me levantei, partindo em direção ao time de lacrosse.
O capitão, Jeremy, estava falando com o policial, algemado. Ao fim da minha intervenção, havia tanto sangue dele no asfalto, ou tanto asfalto no sangue dele, que teve que chamar outra ambulância.
Meu pai foi me buscar e me levou pra casa, me dando um calmante. Eu tive que tomar quase 10, e soníferos, para poder adormecer.
Quando acordei no dia seguinte, meu pai e minha mãe já estavam prontos pro enterro. Eu me troquei, sem vontade. Chegando ao cemitério, me recusei a ir até o enterro. Sai correndo assim que vi o caixão e fui dar no alto do morro do cemitério.
Sentei e fiquei a observar tudo de longe. Nenhum dos Glee estava ali. O resto do McKinley todo estava, assim como alguns extras.
Passaram-se horas. Já era quase por do sol. Eu ainda estava lá. Não havia mais lágrimas, por mais que eu tentasse. Foi quando senti alguém sentar ao meu lado. Ergui os olhos e dei com Blaine.
_ Fugir não adianta. – foi só o que ele disse. Não respondi, e continuei mirando o monte de terra, onde agora, os funcionários punham o mausoléu do meu Kurt: uma placa de mármore, com Defying Gravity gravado.
_ Dave, o Kurt se foi, eu sei que é difícil, mas é verdade. – disse ele, pondo a mão no meu braço – Eu sei que agora, o que você mais quer é distância de tudo que tenha a ver com ele, mas isso só vai doer mais. Eu sei que parece horrível, ficar perto sem ele aqui. Mas Dave... A gente não pode deixar as coisas pelas quais ele lutou, morrerem.
Ele deu uns tapinhas no meu braço e se levantou. O sol se pôs e eu continuava ali. Levantei decidido e entrei no meu carro, trazido pelo meu pai algumas horas antes. Dirigi por quase uma hora, até chegar ao hospital.
Eles haviam sido transferidos naquela manhã, para um hospital maior. Eu não sabia a extensão dos danos, mas eram bem graves. Tanto que o time de lacrosse estava sendo acusado por homicídio e tentativa de homicídio. Porque além do Kurt, o motorista também morreu.
Cheguei a recepção e me encaminharam pro 8º andar. Era uma grande enfermaria e quando eu sai do elevador, dei com os pais deles saindo de lá.
_ Olá Dave! – disse Carole, me abraçando – Pode entrar, estamos indo tomar um café.
Eles entraram no elevador e eu abri a porta da enfermaria. O estrago tinha sido até pior do que eu havia imaginado.
Mike estava numa cama bem ao fundo, com o respirador, a cabeça enfaixada, em estado de coma induzido. Tina estava sentada ao lado dele, a perna engessada, pontos no rosto, braço engessado e o outro enfaixado.
Puck estava deitado em uma cama, com Quinn aninhada a ele, ambos adormecidos por remédios (para dor e para dormir). Ele estava sem camisa, e com o abdômen enfaixado por um cano do ônibus que havia perfurado. Quinn fraturou quatro costelas, então estava com o tórax meio imobilizado.
Eles estavam burlando as regras estando juntos na cama, mas Carole me contou depois que quando Quinn acordou da pancada na cabeça no ônibus, Puck estava em cirurgia, e ela se recusou a sair da porta da OR e não deitou na própria cama, ficando ao lado dele. E só se deitou, quando pode ser com ele.
Finn estava adormecido também, com Rachel na cadeira ao seu lado, a cabeça no colo dele, as mãos dos dois, juntas. Ela usava um top e calça e na barriga, um corte enorme, com pontos e enfaixado. Finn tinha fios ligados a ele em vários lugares.
Sam estava com a boca em frangalhos. A porrada no vidro havia enchido sua boca de cacos, assim como o rosto. Um dos braços teve que ser operado, de tantos cacos. Santana, com a perna quebrada, a cabeça enfaixada e vários pontos, estava ao seu lado, passando um pano úmido pelas feridas dele, ambos de olhos molhados e parecendo muito mal.
Mercedes estava em uma cama, apagadona. Ela havia quebrado o fêmur esquerdo e passado por uma cirurgia 20 minutos antes, além dos diversos ferimentos ao longo do corpo e uma crise nervosa ao saber da morte do Kurt.
Os únicos “bem” eram Artie e Brittany. O cinto havia salvado eles quando o ônibus capotou. Os outros, foram os bancos que rolaram. Artie fraturou o pulso e um caco de vidro perfurou a perna esquerda, mas só. Britt tinha um grande galo na cabeça, 3 dedos quebrados e um dente perdido.
_ Dave! – disse Britt baixinho, vindo me abraçar. Eu a abracei com cuidado, com medo de machucá-la e apertei a mão de Artie.
_ Como estão as coisas? – perguntei, sentando com eles na cama que seria de Britt.
_ Nada bem! – disse Artie, manejando a cadeira – A pancada causou um aneurisma em Mike, e já foram duas cirurgias. O médico acha que vai precisar de mais.
_ E os outros?
_ Puck deu sorte! – disse Britt, dando as mãos ao namorado – O pedaço de metal quase pegou no fígado, mas não acertou nada sério. Quinn teve as fraturas e uma foi exposta. Mas já está bem. O único realmente mal é Finn, e Sam, que não consegue comer nem beber nada.
_ Porque o Finn?
_ Ele não sente as pernas! – disse Artie, pesaroso – O médico localizou uma lesão na medula. Ele vai ser operado amanhã e fará fisioterapia, e estamos torcendo para ele voltar a andar.
Naquele momento, uma luz se acendeu em mim. Kurt havia partido, mas eles que ficaram estavam tão ruins. E se ele não tivesse morrido? Ele estaria aqui, sofrendo. Eu via nos olhos de Sam que ele sofria. Santana sofria junto, todos ali sofriam de dor.
Lembrei das palavras de Blaine, não deixar morrer o que Kurt havia lutado. Ele lutou pelo Glee, pelos amigos. E isso seria meu remédio.
Pelos 6 meses seguintes, minha vida fora de escola era ajudá-los.
Finn precisou de quatro cirurgias na coluna, e depois de 2 meses e meio, pode começar a fisioterapia.
Alugaram uma casa enorme, para eles poderem ficar. Sam precisou de fisioterapia facial. Quinn precisou de fisioterapia, porque as costelas quebradas a deixaram imobilizada 2 meses. Mercedes idem.
Mike, quando se recuperou 4 meses depois também. Mas Finn... Quando ele voltou a sentir as pernas, eu passava 2 horas por dia fazendo os exercícios com ele, carregando-o para cima e para baixo.
Ajudei cada um deles. Ajudei Mike na recuperação, ajudei ele a refazer os primeiros passos de dança.
O melhor disso tudo? Eu sentia Kurt ali ao meu lado, toda vez que eu estava com ele, em especial com Finn, que se tornou quase meu melhor amigo.
Já fazem mais de 5 anos disso tudo e afinal, tomei coragem de vir aqui, perante o tumulo dele. Continua perfeito e está na hora de dizer o que sempre devia ter dito.
Finn POV
Estávamos ali, sobre as arvores, vendo-o ajoelhado. Ele puxou o canivete e talhou algo. Beijou a sepultura e saiu.
Assim que ele sumiu, saímos da sombra e nos aproximamos.
_ Hei amigão! – disse Puck, caindo sentado ao lado da sepultura – Trouxemos cambada pra te ver.
Quinn passou Lara para os braços dele, e ela, como toda criança de 1 anos, começou a tentar pegar as flores sobre o tumulo de Kurt.
_ Até os não nascidos vieram hoje! – disse Artie rindo, enquanto Tina e Britt davam o ‘hi five’ de barriga delas. Eu digo que o Kenny e a Alicia vão ser amigos coloridos, mas ninguém acredita!
Mercedes mancou até o lado da lapide (única seqüela deixada pelo acidente foi um mancar bem leve na verdade) e se apoiou para abaixar, ‘conversar’ com ele, como sempre.
Santana e Sam ralharam com Silver por tentar dar terra para David. Querem que uma menina de quatro anos faça o que com o irmãozinho de um? De chocolate?
Nesse meio tempo, eu me ajoelhei aonde Quinn apontava como sendo a marca de Dave. Quinn sentou na perna de Puck, puxando Lara. Eu me ajoelhei e Rachel se abaixou ao meu lado. Passei os dedos, sentindo as palavras. Estendi os braços e Rachel me entregou o embrulhinho que é nosso filho de quatro meses.
_ Ei pequeno Kurt, é a primeira vez q você vem ver seu chara né? E que dia lindo pra vir não? Sabe por quê? Hoje, seu tio teve a declaração que tanto queria!
Ele abriu um sorriso banguelo e eu comecei a chorar. 5 anos e 7 meses hoje que Kurt morreu.
E afinal Dave gravou: “I love you K, by Dave K”
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