Ouço duas batidas na porta e vejo o reflexo do cabelo loiro da minha mãe atravez do espelho da sala virado pro lado da porta.

- Quem será? — Perguntou Elisabeth.

- Eu abro. — Eu disse.

Me levantei e caminhei em direção à porta. Minha mãe me fitava com um olhar repreensivo e quase me jogou no chão para entrar na minha casa.

- Eu sabia! Foi você não é? — Perguntou minha mãe direcionando a pergunta à Elisabeth ao mostrar a parte de cima da garrafa que se quebrou na capela.

- Fui eu sim. Eu vim visitar o seu filho e me assustei deixando cair a garrafa de vinho que eu trouxe.- Disse Elisabeth em um tom um tanto raivoso.

- O que veio fazer aqui realmente? Não entende que o Gerard é padre e que não adianta se atirar pra cima dele, pois nunca será correspondida, além do mais você é casada. Não basta ter quase estragado a promissora carreira do meu filho como paróco você ainda tem que vir aqui atormentá-lo?

- Ei Ei, ela não veio me atormentar, mãe. Nós somos amigos, além de tudo que aconteceu entre a gente ainda continuamos amigos e ela não está dando em cima de mim, ela tem respeito! — Cuspi as palavras e minha mãe fez uma feição de insulto e se sentou na cadeira aonde eu estava sentado anteriormente.

- Moon, o que faz aqui?

- Eu vim conversar com o Gerard sobre algo que aconteceu com o meu pai hoje mais cedo.

- Por que não me contou o que houve, querida? — Ela levou as mãos até o rosto de Moon e acarenciou sua bochecha.

- Estou tão desorientada que achei melhor vir falar com ele, já que ele é padre e além disso meu cunhado.

- E o que essa moça — disse ela olhando com despreso para Elisabeth que revidou o olhar- faz aqui também? Isso não deveria ser pessoal, querida?

- Acredita que a presença dela e de Gerard me acalmaram um pouco. Eu estou muito tensa, ele matou uma idosa, Donna. — Moon deixou escapar uma lágrima. Aquilo me matou, eu não gostava de ver ela chorar.

- Mas calma, tudo irá dar certo. James ligou e disse que retornará com a banda no domingo. Hoje é sexta então temos dois dias pra poder-mos fazer uma pequena comemoração, o que acha?

- Tá.

Eu me sentei ao lado de Elisabeth e pedi que ela me acompanhe-se até o quarto. Minha mãe olhou para nós desconfiada, mas continuou a papear com Moon.

Entramos no quarto e eu fechei a porta me sentando ao lado dela na cama.

- Por que ela me odeia tanto, Gee? Ela me trata como um cão sarnento, e não entende que eu sou apenas sua amiga, eu nunca iria destruir sua...- A calei com o dedo indicador.

- Esqueça ela, eu te chamei aqui para te contar uma coisa.

- O que? — Perguntou Elisabeth tirando meu dedo de seus lábios e o apertando fortemente.

- Bem... De uma forma muito errada e rídicula eu acho que me apaixonei pela Moon.

- Jura? — Ela disse com um tom de voz um pouco triste.

- É. Eu não posso me comprometer, mas eu ainda tenho sentimentos, eu ainda amo. Ei que carinha é essa? — Perguntei levantando um pouco o rosto dela que estava baixo com um olhar triste.

- Não é nada. — Ela tentou esboçar um sorriso, mas ficou séria novamente- Você fez um voto com Deus, Gee. Isso é errado, além do mais é o seu irmão que você irá apunhalar pelas costas também. Pense bem, tente chegar em um acordo mental e aceite que você não poderá tê-la. E também, nunca mais a beije, imagine se fosse sua mãe que tivesse visto? Ela teria mais uma hater na lista- rimos juntos- Entendeu mocinho? — Ela esticou o tronco e beijou a minha testa, levando meu rosto até o seu busto, me abraçando com uma mão e afagando meus cabelos com a outra.

- Eu te amo, sabia? O que seria de mim sem você, Beth?

- Eu também te amo muito, Gee. E o que seria de mim sem você? — Rimos.

Depois de alguns minutos em silêncio, ela se afasta um pouco e levanta fazendo um rabo de cavalo nos curtos e negros cabelos.

- Tenho que ir, disse ao Humbert que viria te ver mas não demoraria.

- Tudo bem, manda um abraço pra ele e um outro bem apertado no Jimmy.

- Pode deixar. Ah não esqueça do que eu te disse, ok? — Ela me deu mais um beijo, só que na bochecha, deixando a marca do seu batom vermelho e logo saiu pela porta.

Fiquei ali meditando, tentando imaginar um jeito de esquecer Moon, mas isso era impossível, eu estava apaixonado por ela, mas como? Nós conhemos a pouquissimo tempo.

- GERARD, GERARD VEM AQUI AGORA!- Gritou Elisabeth.

Sai em diparada e me deparei com a minha mãe caida desmaiada no chão.

Notas finais
FELIZ Ano novo novamente. /
Mais???
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.