I Hear Your Voice
1 Like a Prayer
Notas iniciais
A bondosa senhora que habitava a casa de esquina do mais antigo quarteirão de Lima, Ohio era conhecida por toda a cidade. Rachel Berry, ou apenas Rach, como preferia, havia colocado Lima em um alto patamar ao estrelar dezenas de peças na Broadway e lançar inúmeros CD’s, tudo em parceria com o melhor amigo, Kurt Hummel, um exemplo de luta em prol do homossexualismo.
Quando seu melhor amigo e parceiro faleceu, ela voltou à Lima, já em idade muito avançada. Lima era uma grande metrópole já na época, mas aquele pequeno e antigo bairro, próximo ao colégio onde haviam estudado, permanecia intocado.
Life is a mystery
Everyone must stand alone
I hear you call my name
And it feels like home
_ Bom dia Glee. – disse ela, sentando-se com dificuldade ao lado do antigo piano.
_ Bom dia Rach.
Quando retornou à Lima, contava 75 anos de idade. O único que ainda não havia partido era Mike, mas já cantava nas últimas.
_ Hoje uma canção especial... Há tantos anos que não a apresentam. – disse a bondosa judia, tirando uma partitura amarrotada da bolsa.
_ “Like a prayer”? Isso é tão 2010.
_ Calada mocinha. – ralhou gentilmente a outrora morena, sentando em frente ao piano.
When you call my name
It's like a little prayer
I'm down on my knees
I want to take you there
In the midnight hour
I can feel your power
Just like a prayer
You know I'll take you there
Tão logo Mike morreu, Rachel percebeu que estava adoecendo. Sua filha adotiva, Barbra, junto do marido e dos dois filhos mudou-se para Lima, para ajudar no cuidado com a mãe.
_ Tá desafinado isso Rach.
_ Tente ter minha idade e tocar isso e você verá que estou tocando muitíssimo bem. – disse ela, rindo docemente – Mas está faltando alguém... Sem ele, não podemos começar a ensaiar.
I hear your voice
It's like an angel sighing
I have no choice
I hear your voice
Feels like flying
I close my eyes
Oh God, I think I'm falling
Out of the sky
I close my eyes
Heaven, help me
_ Deixe-me fazer o solo Rach, por favor!
_ Na-na-ni-na-não rapaz. Ainda tem que comer muito feijão com arroz para poder virar solista NESSA música. – repreendeu suavemente a judia, pegando seu copo de estrelas.
Like a child
You whisper softly to me
You're in control
Just like a child
Now I'm dancing
It's like a dream
No end and no beginning
You're here with me
It's like a dream
Let the choir sing
_ Ah Rach, por favor…
_ Vai Rach…
_ Por favorzinho.
_ CALADINHOS! SENHOR, COMO DÃO TRABALHO! – riu-se ela – Nunca vi um Glee que desse tanto trabalho.
_ Rach?
_ Prooonto, chegou o queridinho. Agora sim que ninguém mais faz solo.
_ Ora crianças, não sejam birrentas! – replicou ela, sorrindo – Mas agora eu preciso descansar um pouco está bem?
Just like a prayer
Your voice can take me there
Just like a muse to me
You are a mystery
Just like a dream
You are not what you seem
Just like a prayer, no choice
Your voice can take me there
Ela se levantou com certa dificuldade e se dirigiu para fora da sala de música, recomendando aos jovens, juízo.
_ Rach?
_ Sim meu amor?
_ Não demore!
_ Logo estarei aqui para que o ensaio comece.
70 anos. Naquele dia, fazia 70 anos que ele havia partido, cedo demais em sua opinião. Partido sem tido chance de firmar a promessa do casamento entre eles. A morte o levara antes de o padre dizer “Até que a morte os separe”.
Ela sentou lentamente na velha poltrona e fechou os olhos, alisando lentamente a folha de papel em sua mão...
_ Rach? – ... – Rachel? – ... – Estrela?
_ Desculpe, acho que peguei no sono. – riu-se ela, levantando-se rapidamente – Que tal estou?
_ Maravilhosa! – disse Finn se aproximando e beijando-a – Mas o pessoal está impaciente.
Eles entraram de mãos dadas e se depararam com os amigos impacientes. Sam, Puck e Mike usavam um vaso como bola, enquanto Kurt, Tina e Mercedes tagarelavam sob o piano e Artie e Blaine afinavam o mesmo.
_ Aleluia hein Rach! – disse Santana, levantando-se do parapeito da janela, onde ela, Britt e Quinn estavam sentadas.
_ Agora entendo porque você estava tocando mal Rach. – disse Blaine – O antigo piano do coral está todo desafinado.
_ Chega de papo e vamos ensaiar. – disse Finn, pegando a jaqueta de futebol de sob o instrumento e colocando.
_ Desculpa ai Sr. Solista! – disse Sam, jogando o vaso na direção dele.
_ O Finn está certo. – disse Puck abraçando Quinn – Sr. Schue deve estar pelas tampas com o nosso atraso para o ensaio.
_ Culpa da Rach! – disse Britt rindo e apontando.
_ Então é melhor irmos... O trem da meia noite sai logo. – avisou Finn, e todos concordaram.
_ Então vamos logo! – disse a morena judia, revirando os olhos.
_ O ÚLTIMO A CHEGAR É NAMORADO DA BEISTE! – gritou Mike, antes de sair correndo para a porta da frente. Os amigos riram e o seguiram, correndo pelas ruas escuras, abraçados pelo vento, em direção a ferrovia de Lima, de onde o último trem do dia saia.
_ Mãe? – uma mulher na faixa de seus 50 e poucos anos apareceu na porta da sala de piano – Mãe?
Em pouco tempo ela encontrou a mãe, eternamente adormecida em uma poltrona que outrora fora do pavilhão April Hodes e que hoje, enfeitava a varanda da casa de esquina do mais antigo bairro de Lima, Ohio, junto com a partitura, onde estava grifado:
"Just like a dream
You are not what you seem
Just like a prayer, no choice
Your voice "
Notas finais
Há duas semanas atrás, ele fazia o photoshoot da 5ª temporada, alegre e sorridente, finalmente voltando a Glee depois do tumultuado processo de reabilitação que o afastou do final da 4ª temporada. E agora, está morto. Morreu. Se foi.
Eu nunca passei por algo assim, nunca vi um ator/cantor que eu REALMENTE gostava e tinha relevância para mim, morrer. E eu só posso dizer que é um sentimento tão ruim, tão...
Eu fico pensando na Lea, que perdeu o namorado e amigo, o par romântico dentro e fora das telas, o cara que, como ela mesma diz, fazia ela se sentir a mulher mais feliz do mundo. Ele se foi.
Nós nunca veremos a concretização do casamento entre Finn e Rachel, nunca veremos ele ter sua pequena Drizzle, nunca veremos ele assumir o Glee Club de verdade, se tornar professor.
Cory Monteith começou Glee cantando Don't Stop Believin e deixou Glee cantando Don't Stop Believin, então eu posso dizer que a lição principal ele nos ensinou: Nunca deixem de acreditar. O que já fica bem claro pela história de vida dele.
E afinal, o garoto da cidade pegou o trem da meia noite para um lugar que nós não poderemos acompanhá-lo. Mas eu sei que ele está lá, tocando sua bateria e se enrolando nos próprios pés, enquanto espera sua pequena estrela chegar.
Vá em paz Cory
(sim, eu que escrevi esse texto, sei que ele tá rolando por ai.)
Espero que tenham gostado.
Beeijos
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