I Hate You Too!
38 XXXVIII- Não saber o que está fazendo
Notas iniciais
(POV: HASSAN)
Um mês tinha passado. As coisas entre eu e Jonathan permaneceram igual. Nós apenas nos cumprimentavámos durante o dia e ele passava basicamente o dia inteiro fora e eu não buscava saber o porque daquilo. As aulas haviam acabado e eu havia recebido uma grande notícia. A carta do resultado de uma Universidade havia chegado e eu havia sido aceito, felizmente era uma de fase única, havia sido a prova mais extensa, com dois dias de prova, porém o resultado positivo já havia animado todo o meu ser. A única desvantagem era que o campus era longe de casa e talvez eu precisasse pegar dois ônibus, mas esse era o menor dos meus problemas. A felicidade de ter sido aprovado em Medicina supria todas as possíveis desvantagens.
A rotina basicamente voltou a mesma com menos de uma semana da volta de Jonathan. O pai sempre brigando com o filho. Jonathan sempre se mostrando complicado com o relacionamento com o pai e basicamente ignorando minha mãe. Talvez Paulo já estivesse arrependido da volta do filho, na verdade, era óbvio que ele não estava, mas Jonathan era expert em dar dor de cabeça.
A manhã estava bem calma. Havia chovido quase a noite toda e eu adorava dormir ao som da chuva batendo na janela. Mamãe estava fazendo o café, enquanto Paulo havia saído para comprar comida para o café da manhã. Jonathan estava emburrado, sentado a mesa e aquele horário parecia milagre ele estar de pé.
—Bom dia.
—Urh… -Jonathan reclamou alguma coisa pouco compreensível.
—O que houve? -Perguntei olhando para ele, porém minha mãe chegou sorrindo.
—Jonathan está irritado porque o pai dele o acordou.
Típico de Paulo e Jonathan, atritos matinais desnecessários. As vezes, Paulo parecia mais infantil do que Jonathan, nas implicâncias. Podia ter deixado Jonathan dormir, ele não tinha escola ou trabalho mesmo. Jonathan não havia concluído o ano pela mudança aos Estados Unidos. O pior era ver que Paulo se irritava em ter que pagar mais um ano de escola para Jonathan, sendo que talvez essa vez a culpa não era de Jonathan.
—Olá, família! -Paulo falou ao fechar a porta e entrando com os pães. -Que bom que você está de pé, filho! -Falou dando um beijo em minha mãe e sentando-se. -Gabriela tem algo pra te dizer?
Olhei para minha mãe e ela sentou-se sorrindo. Seria uma notícia boa?
—Então… O meu assistente se demitiu essa semana, porque recebeu uma proposta nova de emprego e eu estou sem assistente e pensei se você gostaria de trabalhar comigo no escritório? Você já é maior de idade, tem carteira de motorista e pode me ajudar nos processos? -O loiro prestava atenção em tudo e parecia animado. Paulo sorria e minha mãe também estava feliz. Seria esse o momento da família feliz?
—Eu vou ter que fazer o trabalho sujo pra você? -Perguntou animado.
—Por Deus, Jonathan. -Minha mãe riu, colocando um pouco de café. -Não vivemos uma série de TV. Você vai me ajudar pegando processos, anexando coisas aos processos, fazendo entrevistas, recebendo clientes.
—Ahhh… Eu vou ser sua secretária...
—Assistente, não soa melhor? -Perguntou o encarando e o loiro retribuiu a mesma expressão séria. Jonathan se fosse um pouco mais esforçado seria um ótimo advogado. -Você vai poder aprender muita coisa, no começo pode parecer papelada por cima de papelada, mas você pode até acompanhar algum processo grande que caía comigo e ver como funciona um tribunal de verdade e não todas as maluquices que vocês meninos assistem.
—Mas e a escola, pai? -Jonathan perguntou desafiador. Claro que ele queria se livrar daquilo.
—Esse é o ponto, Jonathan. -Paulo comeu um pedaço de pão. Eu estava apenas de coadjuvante naquele momento. -Você vai estudar durante a noite na escola pública aqui do bairro, porém… Nada de carro para ir a escola, nada de faltas às sextas para ir a festas, boletins todos na minha mão assim que sair e drogas… Já sabe né?
—E eu mudo de presídio quando mesmo?
—Engraçadinho. -Paulo riu sem graça. -Mas todo o dinheiro que você ganhar do trabalho será completamente seu para gastar como quiser, com responsabilidade… Se você for preso não tem papai delegado e nem madrasta advogada na família…
—E não é pouco não, viu Jonathan. -Mamãe completou o que fez o loiro sorrir. -Bem, melhor eu ir indo, né amor? Como estamos no meio de dezembro, você começa em janeiro, tá Jonathan? -O loiro confirmou. -Beijo, filho. -Me despedi de minha mãe e ela saiu.
—Eu vou lá em cima aprontar a papelada de hoje e estou também de saída garotos. Cuidado, hein? Juízo! Nada de festa em casa, ouviu Jonathan!
—Ouvi, pai. -O loiro respondeu revirando os olhos, enquanto o pai subia para o andar de cima. -E agora nós, Hassanzito…
—Agora nós, porra nenhuma! -Levantei e fui até meu quarto, porém Jonathan levantou-se e me seguiu. Tentei me apressar e trancar porta, mas antes que eu pudesse o loiro havia me acompanhado e empurrado a porta, evitando que eu trancasse e acabou entrando. -O que você quer?
—Porque tu não fala direito comigo, desde o dia que eu cheguei?
—Vai ver porque eu não goste de ser chamado de doente assim… Não é um elogio muito positivo, sabe?
—Olha…
—O que você quer? -Perguntei de novo indo até a minha cama.
A melhor coisa ao conversar com Jonathan, era não olhá-lo nos olhos, fazer qualquer coisa, mexer na cama ou no celular, mas não conversar olhando para ele.
—Eu exagerei dizendo aquilo para vocês, você não fez certo, foi o mais próximo do Yuri que você já se aproximou e eu, mais do que ninguém, sofri com as ameaças dele, porra… Não é legal imaginar que alguém que eu… -Ele pareceu hesitar.
—Que você? -Jonathan iria se declarar?
—Admiro… Se igualar a Yuri. -O loiro suspirou. -Onde eu tô querendo chegar é, dizer para você que isso foi pouco pensado racionalmente, porém a minha reação também foi e eu vim aqui pra me desculpar sobre isso… Acho que antes de eu ir, nós estávamos tendo uma relação muito amistosa e acho que deveríamos mantê-la.
Nós estávamos tendo uma relação muito mais do que amistosa, estávamos tendo uma romance e estávamos nos dando muito bem, até ele fantasiar que eu e João tínhamos algo e teve que viajar logo em seguida.
—Aceito suas desculpas.
O loiro se aproximou e sentou-se na minha cama.
—Porque você não me olha nos olhos…
Olhei para ele e lá estava Jonathan… Aquele loiro… Não tão belo naquele momento. Jonathan estava sentado sobre a minha cama a poucos centímetros de mim, com sua bermuda moletom solta e com o peito desnudo, naquela época do ano, o calor começava a se tornar insuportável. O loiro estava com o cabelo bem bagunçado, caído sobre a testa, algo que não era comum, estava daquela forma pouco usual por ter sido tirado da cama pelo pai, o maxilar marcado esboçava uns poucos pelos loiros que tinham uma tonalidade levemente mais escura que a do cabelo, os lábios finos e rosados, tão atraentes… E aqueles olhos de um azul tão intenso e lindo…
—Sabe, Has… -Ele se aproximou e eu me afastei, acabei encostando na cabeceira da cama. -Tá com medo?
—Não… -Respondi rápido demais e até sem graça. -Foi uma reação impensada. -Ele riu.
—Nerd do caralho. Era só ter tido, foi impulso. -Ri com seu típico comentário sobre a minha forma de falar.
—Você não me falou nada sobre os Estados Unidos... -Comentei olhando para os lados.
É… Aquilo não era plenamente confortável.
—Nossa… Detestei aquele país… -O loiro pigarreou e me olhou. -Posso sentar ao seu lado?
—C-Claro. -Me afastei um pouco para a outro beirada da cama e ele sentou-se ao meu lado, com as mãos sobre o próprio colo, talvez aquela diferença fosse melhor, não teríamos que olhar um para o outro.
—Eu saí muito pouco sabe. O clima não era legal, por causa da doença da minha avó. E tinha uns enfermeiros e médicos o dia inteiro em casa, nada era muito privado, tinha até um que falava português, nem xingar aquele filho da mãe dava. -Ri e Jonathan virou o rosto me olhando.
Percebi, mas não queria encarar ele. Continuei encarando meu colo e logo ele virou para frente novamente.
—E porque você xingaria ele?
—Talvez, por ele ser um ser insuportável. Na verdade, ele só estava querendo transar comigo…
—E você fez?
—O quê? Transar com ele? -Ele me olhou e eu o olhava. Eu não iria o olhar, aquilo não fazia sentido para mim.
Os sentimentos meio que estavam borbulhando. Eu não deveria pensar que sim ou que não e se ele não fosse sincero e mentisse, mas a mentira seria que sim ou que não? Como eu poderia saber? Na verdade, eu não saberia. Eu acreditaria na sua resposta e fim.
—Para que você quer saber isso, interessa? -Perguntou na defensiva. Aquilo seria um sim?
—É… Não me interessa. Mas me fala outras coisas.
—Eu não saí muito, apenas conheci um cara legal e ficamos…
—Um namoro?
—Não seja romântico, Has… As pessoas se pegam, não precisam namorar.
Ele tinha razão. No fim, aquilo era mais do que esperado. Jonathan já era alguém que tinha certa liberdade antes mesmo de eu conhecer, não deveria ser algo tão romântico assim.
—No fim, ele apenas disse que iríamos perder total contato, por causa da minha volta.
—Você sente falta dele?
—Claro que não… -O loiro me empurrou de leve. -Você é um romântico patético, sabia?
—Eu sei. -Concordei. E ele continuava me olhando.
O sentimento de perda, era de longe a pior coisa que a gente sente quando gosta de alguém. Jonathan, talvez, fosse mais importante para mim do que eu para ele. Aquilo nem era para ser uma questão minha. Poderia ser um fato consumado.
—E você com o João?
—Você é o único que ainda insiste em algo que não aconteceu.
—Acho que isso sempre será um tabu entre nós.
—Algo que não aconteceu não pode ser um tabu, Jonathan. Você insiste em algo que não é realidade e é tão teimoso que não pode simplesmente aceitar no que eu digo.
—Você acredita quando eu digo que fiquei com alguém? -Seria tudo um blefe? Uma ponta de esperança aperta meu coração. -Acha que eu inventaria isso?
—Não… Não sei… Na real.
—Se você não acredita em mim, porque acha que eu deveria tanto acreditar em você?
—Jonathan… -Ele tinha razão. Se eu queria que ele acreditasse, eu deveria acreditar nele. -Eu não quero falar sobre isso, o que aconteceu no Estados Unidos não é relevante para mim e ponto.
—Has… Eu não acho que…
—Jonathan, chega né? Nossas vidas caminharam por direções diferentes. Cada coisa que aconteceu com o outro não necessariamente cabe ao outro.
—Você tem razão… Deixamos isso de lado. -O loiro levantou e se encaminhou para a saída. O que eu poderia fazer? O impedir? Talvez, eu deveria fazer isso, talvez não.
Eu estava quebrado.
[...]
(POV: YURI)
Aquele mês havia sido mais complicado do que eu pensava. Nada parecia me animar como antes. Eu havia parado de ir a escola depois do acontecido com João. Onde menos eu pudesse esbarrar com ele seria melhor. Nem uma forma de fazer Hassan pagar eu havia feito, a apatia estava tomando conta de mim. As aulas já haviam acabado. A segunda fase do vestibular da universidade já estava chegando e eu poderia finalmente mudar de ares.
Ao saber que eu havia ido bem na seleção, meu pai ficou feliz e aumentou a minha mesada, mas nem o aumento de dinheiro havia causado muita diferença na minha vida. Já era quase nove manhã e eu havia passado a noite no apartamento com Bruno.
O negro estava deitado ao meu lado, ele estava pelado com o corpo virado para o outro lado da cama, dormindo. Eu estava com minha cueca e também deitado. Havíamos dormido juntos e pela terceira vez o sexo não aconteceu. Bruno me beijava e me acariciava tentava fazer com que a coisa acontecesse, mas meu corpo não respondia e logo eu pedia para ele parar. Bruno era extremamente paciente, não costumava reclamar quando tentávamos transar e não dava certo, mas depois de uma terceira vez, se ele não reclamasse ficaria estranho demais.
A briga havia sido calma, ele apenas estava reclamando e eu obviamente ignorando. E agora estava aqui, pensando em como as coisas estavam. O sentimento de raiva de João já estava passando e era difícil assumir isso, porém a decepção e a traição ainda estavam afloradas no meu ser.
Bruno começou a se mexer, era sinal de que ele iria acordar. O negro virou para o meu lado e me abraçou. Ele gostava de mim, isso não era mentira, mas até que ponto o sentimento por mim superava o sentimento por dinheiro, era que eu jamais saberia de verdade.
—Oi, amor…
—Oi. -Respondi e logo ele levantou. Aquilo me assustou, será que ele iria começar uma nova briga? Mas não, ele apenas foi para o banheiro.
Respirei e me sentei sobre a cama, me cobrindo com o cobertor que se encontrava ali. Talvez Bruno tivesse que ir ao estágio e me deixasse o dia todo sozinho e quando voltasse eu já teria ido embora. O negro logo saiu do banheiro e ficou parado na porta me encarando.
—Que foi? -Perguntei e ele riu, olhando pra baixo, eu acompanhei o olhar e vi o pênis dele. Duro, excitado e grande. -Guarda esse negócio, você nem deveria estar assim, vai trabalhar não?
—Hoje eu vou me dar folga, baby. -Falou se encaminhando até a cama e subindo sobre a mesma e sobre mim. Ficando sobre meu corpo. -Vamos brincar, vamos?
—Não.. Saí de cima de mim, Bruno! -Empurrei o negro para o lado da cama e ele riu. óbvio que ele iria tirar onda comigo. -Vai se vestir!
—Porque você tá tão frio, hein? -Ele me agarrou e me puxou pra cima dele, me fazendo ficar deitado sobre o seu corpo e eu pude sentir aquilo duro na minha barriga.
—Eu só não tô afim… -Comentei enquanto o loiro deitava ao meu lado. -O melhor que você faz é ir trabalhar hoje, sabia? Logo mais eu vou ter que ir para casa mesmo.
—Yuri, isso tem haver com o motoqueiro? -Não respondi e ele apertou meu braço com força. Bruno não era ciumento excessivo, mas as vezes tinha sérios problemas sobre a propriedade.
—Solta meu braço, seu idiota! -Bravei contra ele, puxando meu braço e levantando.
—Sabe o que eu deveria fazer? -Bruno levantou e me seguiu, me segurando com força pelos braços e me apertando contra a parede e seu corpo. -Eu deveria matar aquele filho da puta, porque há um mês, você nem me dá qualquer atenção, tá sempre com essa cara de morte.
—Eu tô passando por problemas em casa, tá! -Aquilo nunca seria uma mentira, problemas em casa eram habituais, porém também não era verdade. -Me larga e vai para a porra do teu trabalho e me deixa em paz! -Empurrei ele e ele sequer se moveu, porém ele me soltou e saiu, caminhando para o armário.
[...]
Depois da leve discussão com Bruno, ele resolveu ir ao estágio e eu saí de casa. Marco basicamente continuava me informando dos passos de João. Algo que eu nem deveria estar me importando, porém eu queria… Porque? Porque eu não poderia largar esse garoto longe de mim e pronto.
João estava caminhando dentro do edifício da empresa de Marco. Eu havia pago toda a quantia que Marco havia pedido e ele permanecia ajudando João na modelagem. Aquele dinheiro não me faria falta, eu poderia ter deixado o moreno sem auxílio e ele voltaria a vida medíocre dele, porém eu não fiz isso. Por bondade? Pena?
Eu o estava seguindo. O moreno havia descido do andar que estava fotografando e começou a caminhar pelo corredor, de dois andares abaixo. Ele não havia me visto, tenho certeza. Talvez o horário tivesse acabado e ele estivesse indo embora, ou fosse buscar algo importante em algum lugar.
Eu o seguia devagar, sempre o esperando ficar distante o suficiente para que eu não fosse notado. O moreno acabou entrando numa salinha e fechando a porta. Me questionei se deveria me aproximar, aquilo poderia ser arriscado, porém resolvi ir até a porta, se ouvisse qualquer movimentação eu sairia dali e iria me esconder no primeiro lugar que pensasse.
Ao chegar próximo a porta, nem tive tempo de pensar. Senti meu braço ser puxado e a porta abrir muito rápido e fechar mais rápido ainda. Minha voz iria sair alto, porém uma mão tapou minha boca com velocidade.
Meu corpo estava contra a porta, a mão grande tampava minha boca e meus olhos assustados encontraram com os olhos dele. João. O moreno estava com o olho bem marcado por algum tipo de lápis de olho, seu cabelo estava alto, com bastante gel, poderia ser pelo ensaio. Ele usava uma camisa aberta, o abdômen parecia mais definido, embora permanecesse magro e uma calça de couro falso, muito justa. Filho da puta, gostoso.
Tirei as mãos dele de cima de mim, mas ele continuava muito em cima do meu corpo. O que diabos estava acontecendo hoje? Porque esses garotos insistem em ficar em cima de mim?
—Me solta!
—O que você faz aqui?
—Nada do seu interesse…
—Porque você me seguiu? -Ele me interrompeu e eu o empurrei, porém João foi mais hábil.
O moreno segurou meus pulsos com força e aberto. Girou meu corpo numa velocidade e novamente me jogou contra a porta. Meu rosto estava apertado contra a madeira da porta e ele estava atrás de mim… Perto demais!
Estávamos num tipo de depósito, o espaço era pequeno e tinha alguns armários, pouquíssima iluminação e por mais que eu sentisse que não cheirava bem, o cheiro de João havia infestado meu ser.
—Você me quer… -Ele sussurrou. O moreno estava muito perto de mim, eu podia sentir o seu corpo sobre o meu. aquela porta poderia quebrar a qualquer momento de tanta pressão que estávamos pondo sobre ela. -Você… É uma delícia! -O moreno mordeu minha orelha e começou a descer pelo meu pescoço.
—Não! -Falei rápido virando.
Aquele garoto devia ter algum tipo de perfume natural hipnotizador e eu não queria cair nisso.
—Olha! -João encostou em mim novamente e eu olhei pra baixo.
O pau dele estava completamente marcado na roupa de couro falso. Aquele look que poderia parecer brega e forçadamente sexy, estava funcionando. O olho dele brilhava por causa do lápis que estava ali, o corpo era gostoso demais e aquele look de garoto sex shop, estava exercendo a função sexy com maestria.
João segurou no meu cabelo loiro com força e o puxou para trás, deixando meu pescoço a mostra e ele foi com os lábios até a região. Meu corpo começou a vibrar. Aquilo era gostoso. O moreno era gostoso e sabia o que estava fazendo. Eu era quem não sabia o que estava fazendo.
—Jo… -Quis protestar, mas a mão do moreno foi a minha boca, a tapando novamente. Ele deveria ter algum tipo de fetiche com isso, só pode!
As mãos do bartender eram mais rápidas do que a minha mente conseguia processar, quando perceber ele já havia tirado a minha camisa e me beijava e chupava meus mamilos. Seguia descendo pela barriga e logo estava na barra da minha calça. Aquela era a hora que eu poderia me libertar dele, porém meu corpo se quer se movimentava em relação a isso. O moreno abriu o zíper e puxou o botão descendo a minha calça um pouco, até a altura do meio da coxa.
Eu estava duro, aquilo era claro. O moreno começou a mordiscar o meu membro ainda por cima da cueca e aquilo era bom… Nossa, o que eu estava fazendo? Eu deveria deixar aquilo acontecer? Meu orgulho dizia que sim, mas meu corpo não conseguia impedir. João estava ali, com o cabelo espetado, olhos marcados e uma roupa sexy demais para que eu conseguisse me negar aquilo. Já fazia bons meses que eu e Bruno não conseguíamos ir até os finalmentes e meu corpo precisava daquele prazer.
O moreno desceu a minha cueca e já abocanhou aquele pedaço duro do meu corpo e eu me arrepiei. João não foi nada casto e já ia fundo com o oral. As mãos dele apertavam minha bunda e eu nem conseguia tirar minhas mãos, que permaneciam sobre a porta. Os movimentos que o maior fazia eram rápidos, logo ele sugava até a base e voltava para o topo, aquele era um dos melhores orais que eu já havia recebido na vida. Ele me virou com agilidade e eu bati com o peito na porta.
O moreno mordeu uma das nádegas e na outra desferiu um tapa.
—Ah… -Gemi baixinho com o tapa e ele bateu mais forte. -Ah… -Outro tapa. -Para… -Pedi baixinho. -Alguém pode nos ouvir…
—Não me importa! -Comentou batendo novamente. Dessa vez, batendo nos dois lados. Um já deveria estar completamente vermelho. -Eu quero que você gema alto, podem ouvir, eu não ligo. -João bateu novamente e eu me segurei para não gemer alto.
—Arh…
O moreno enfiou o rosto entre minhas nádegas e aquilo deveria ser algo considerado divino. Ele brincava com uma das mãos no meu membro, enquanto a outra ajudava a penetrar meu ânus, enquanto sua língua salivava e umidificava aquele lugar. Eu estava quase sentindo como se a força das minhas pernas fossem ceder e eu cairia ali.
João levantou as mãos e passou pelas minhas costas, enquanto sua língua e boca permaneceram naquele lugar. Por mim, ele não pararia aquilo nunca, porém, era lógico que ele queria ir até o fim e eu… Eu queria? Pra que eu iria negar?
Eu estava completamente envolvido nisso, eu queria aquele sexo, eu queria sentir o moreno… Eu precisava disso.
O moreno levantou-se e se pôs de pé atrás de mim. Seria agora? Virei o rosto e encarei o corpo de João. A barriga estava um pouco suada, aquele depósito estava terrivelmente quente, eu também estava suado. O moreno abriu a calça e logo baixou junto com a cueca. Minha curiosidade falou mais alto e eu fui logo conferir o que… O moreno tinha ali embaixo.
Era a primeira vez que nós estávamos nos vendo pelados. João era grande, talvez um pouco menor do que Bruno, mas isso nunca foi uma coisa muito relevante no sexo, não é? Ele era circuncidado, diferente de Bruno e a glande dele já estava lá, úmida de pré-gozo. O saco era pequeno e estava enrugado, além das veias claras que eram aparentes ali.
—Yuri… -Ele sussurrou no meu ouvido e eu fiquei parado. Os braços do moreno circundaram meu corpo e me apertaram com força. -Eu quero te foder! Posso te foder?
Antes que eu pudesse pensar, minha cabeça já confirmava que sim. João me moveu dentro do pequeno cômodo e me colocou contra uma parede, invés de contra a porta. Eu saquei minha carteira, tirando um preservativo que estava por ali e entreguei ao moreno. João vestiu a camisinha e levou a mão até minha boca.
—Cospe! -Ordenou e eu só fiz isso. Com a mesma mão, ele levou até o meu buraco e lambuzou a região. E o moreno fez o mesmo. Cuspiu na própria mão e massageou seu membro e meu buraco.
Eu estava pronto? Não, mas não ligava! Eu queria. Nem sempre estávamos prontos para o sexo com alguém, porém isso era inevitável! O moreno começou a colocar o membro na entrada e pressionar. Meu corpo se arqueou em rejeição, mas eu o forcei a se inclinar para João. Aquilo ajudaria e facilitaria tudo.
Sexo geralmente era algo pensado em minha vida. Eu sabia que iria transar e nunca era algo que acontecia do nada. E aquele sentimento sexual de iniciação ao sexo sem planos era uma novidade e estava me deixando mais excitado que o normal. A lubrificação deficitária era um empecilho, João fazia bastante força para penetrar e estava machucando, mas eu não negaria que não estava gostando.
O moreno começou a movimentação, sempre colocando cuspe para ajudar. E eu só estava ali, parado me segurando na parede enquanto seguia sentir o moreno mais fundo e mais frequente dentro de mim. João passeava com as mãos pelas minhas costas, enquanto sua boa não largava a minha nuca. E eu só gemia naquela situação de êxtase que acontecia. Os baques entre nossos corpos eram fortes e ritmados e embora eu não queria que acabasse o meu corpo gritava em vontade de gozar.
A sensação de perigo, o desejo do novo por João, a novidade do sexo com alguém diferente de Bruno… Tudo aquilo deixava minha vontade por gozar cada vez mais inflada e eu não me masturbava, pois não queria isso agora, mas o moreno parecia perceber que ele estava me levando às alturas. Tanto que levou uma das mãos ao meu pau e começou uma masturbação.
As dores nem haviam acabado, mas elas não eram o menor problema. A sensação de estar fazendo uma loucura passava e o prazer se sobrepunha. O moreno estava muito suado e eu também e aquilo era sexy demais. Ter seguido João havia sido ótimo, mas eu sabia que me arrependeria depois. Isso era um fato!
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