Notas iniciais
Isso é só um prólogo, não muito grande, nem muito curto. É só para o entendimento da história.

Kate Beckett sabia melhor do que ninguém o que era perder pessoas que ama perder tudo. Seu passado ainda a atormentava e isso fez com quê ela criasse uma barreira dentro de si, para impedir que qualquer pessoa aproximasse, pois ela sabia bem, as pessoas que você mais ama são as que acabam te deixando, ou são tiradas de você.

Kate era advogada, uma muito boa, muitos duvidaram que ela jamais chegasse a terminar a faculdade, houve um tempo em que até ela acreditava nisso, enfrentou uma fase difícil e quase desistiu da faculdade, mas desde criança era o que ela queria ser, tão brilhante quanto sua mãe, costumava dizer isso aos outros e a si mesma.

Perdeu seus pais quando tinha doze anos, sofreram um acidente de carro durante a viagem que faziam para comemorar vinte anos de casados. Desde então, passou por vários lares adotivos, ninguém queria criar uma adolescente rebelde, não que todo adolescente seja santo, estão em fase de desenvolvimento e em busca da própria identidade, claro que são rebeldes. Mas Kate passava todos os limites e era difícil ter que conviver com ela e até mesmo criá-la.

Aos quinze anos, encontrou um casal dispostos a criá-la, nessa fase já tinha baixado a bola, e mesmo que não tivesse, seria obrigada a tal.

Mariam, sua mãe adotiva, tinha trinta anos, foi obrigada a casar com Willian quando tinha dezessete e engravidou. Logo sofreu um aborto e isso acontecia sempre que ela engravidava. Acabou optando por adoção no final das contas.

No começo, foi tudo ótimo, mas logo Kate percebeu que isso não passava de aparência, Willian era agressivo, Mariam sempre tinha ematomas pelo corpo, Kate sabia que eles eram causados por surra. Chamar a polícia não adiantaria. Ele era a polícia. Trabalhava há quinze anos como policial em Los Angeles, onde eles viviam.

Willian era um homem frustrado e sempre descontava sua frustração em Mariam, que parecia já não se importar mais, contanto que Kate não tivesse de presenciar aquilo.

Era estranho para ela, ver como Mariam era tratada e antes tendo seus pais como exemplo, não conseguia entender como um homem poderia ser assim, seus pais eram sempre tão gentis uns com o outro, sempre demonstravam amor e respeito e jamais levantavam a voz.

Quando Kate completou dezesseis anos, Mariam resolveu emancipá-la, mesmo desconfiando do real motivo para que ela tivesse feito aquilo, Kate jamais a questionou a respeito.

Algumas semanas depois, Willian teve um dia difícil no trabalho e quando chegou em casa, descontou em Mariam, Kate não agüentava mais saber o que estava acontecendo e ignorar a situação. Ao ouvir gritos de Mariam que eram abafados por uma das mãos de Willian enquanto ele usava a outra para enforcá-la, Kate correu até a garagem e pegou uma pá, os minutos seguintes se passaram como segundos, quando percebeu, estava atingindo Willian com a pá, bateu muitas vezes e com bastante força. Agora o jogo havia mudado, era ela quem descontava toda sua frustração no homem que já estava no chão.

Quando Kate percebeu o que havia feito, entrou em desespero, Mariam por sua vez, demonstrou toda a calma do mundo. Arrastou Kate até a cozinha para que pudessem conversar.

- Eis o que vai acontecer: eu chamarei a polícia e denunciarei o crime, enquanto isso, você some com suas roupas e com qualquer evidência que prove que você quem tenha feito isso. Quando eles chegarem, irei me declarar culpada. Não quero um advogado, quero ser condenada e se assim pode se dizer, finalmente viver em paz. A casa será sua, também tenho um bom dinheiro no banco, você pode pagar seus estudos com ele e para manter a casa, pode vender um dos carros. Será difícil no começo, mas sei que você é capaz de passar por isso.

- Você não pode fazer isso – disse Kate em meio às lágrimas – eu fiz isso, eu tenho que pagar, os polícias não são burros, eles vão saber a verdade.

- Não Kate, você me livrou de um fardo, se você não tivesse feito isso, eu mesma faria, embora eu já desconfie que você saiba, pelo menos desconfia, desde que decidi te emancipar. Você foi a melhor coisa que me aconteceu em muito tempo. Você já passou por muita coisa, coisas que muitos na sua idade jamais suportariam. Você tem uma força incrível e isso é muito admirável.

Kate prometeu que visitaria Mariam todos os dias. E foi o que ela fez durante um ano inteiro, até que Mariam a fez prometer que não iria mais visitá-la, isso foi difícil para Kate e no início, ela ainda a visitava pelo menos uma vez por semana.

Não muito tempo depois, Mariam morreu, houve uma briga e ela acabou sendo esfaqueada.

Foi uma das outras razões pela qual Kate se tornou advogada, queria dar voz para aqueles que não eram ouvidos, para mulheres que sofreram assim como Mariam. E era por isso que ela era tão incrível, brilhante como sua mãe.

Notas finais
É só para o desenvolvimento da história, próximo capítulo será sobre o Rick, tentarei postar essa semana ainda por causa do feriado, se eu não conseguir, só final de semana. Até lá :P
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