I Hate You.
3 Capítulo 3 - Believe in me.
I'm losing myself
Trying to compete
With everyone else
Instead of just being me / Believe in me — Demi Lovato.
Os amigos ficaram conversando por mais um tempo, depois a garota desistiu de tentar alertar o amigo sobre a paixonite de Beatriz. Levantaram-se, e foram em direção a sala de aula. Hoje eles teriam aula de música – a aula era opcional, mas o grupo adorava cantar – então todos estariam presentes. Larissa foi até seu quarto e pegou seu violão, indo até a sala de música, onde todos os seus amigos e mais alguns alunos se encontravam. A professora estava na sala a alguns minutos, por isso percebeu o atraso de Larissa, mas não disse nada. A ruiva se sentou atrás de Logan e recebeu olhares de Niall, desaprovando sua ação. Ela apenas o ignorou, e esperou a professora começar a aula.
— Hoje, quem começa é... Você. — a professora apontou para Logan, que se levantou e sentou na frente do microfone. Ele cantou algumas partes de boyfriend, e as garotas aplaudiram, quase se jogando em cima do garoto. Niall percebeu a cena e revirou os olhos, bufando. Logan se sentou novamente, e a professora mandou mais alguns alunos cantarem, até chegar a vez de Niall. Ele cantou uns pedaços de moments e as garotas piraram. Por incrível que pareça, até agora nenhuma das garotas tinha cantado bem. Emma e Beatriz estavam ali só para ver as outras se apresentarem, pois elas não sabiam cantar. A professora apontou para Larissa, e o coração da pobre garota disparou. Ela nunca havia cantado para mais de duas pessoas, sendo que essas eram seus pais, e isso a deixava muito nervosa. Ela se sentou na cadeira e pegou o microfone. As garotas a olhavam com cara de ’’ essa canta mal ’’ e isso só a deixou mais nervosa. Ela ajeitou o microfone em sua altura, e pôs o violão, se preparando para dedilhar as primeiras notas de Believe in me. A garota cantava, e todos a olhavam espantados, por sua voz maravilhosa. Seus braços estavam em volta do violão, e o microfone estava a sua frente. Ao terminar de cantar, todos aplaudiram. Larissa respirou fundo e passou a mão no rosto. Depois de tirar o violão, ela se sentou, no fundo da sala, onde ninguém estaria sentado perto dela para comentar algo. Erro dela. Seus amigos foram até ela, em quanto a mesma estava com a cabeça na cadeira.
— Meu Deus. Você arrasa, garota. — Liam disse, espantado.
— Eu já sabia disso, minha bad girl arrasa em todos os sentidos. — Zayn disse e piscou, trazendo uma cadeira e sentando na mesma. Todos a elogiavam e Niall era o único que ainda a olhava, sem pronunciar uma palavra.
— Você... Ér... — o loiro começou, coçando a cabeça. — você mandou muito bem. — ele disse e deu um sorriso de lado. Era a primeira vez que o garoto falava assim com Larissa, e ela se sentiu bem por isso. Estava cansada de tanta briga e encrenca. Mas isso não queria dizer que ela havia se esquecido da vingança que Niall ia ter.
— Garota, onde você aprendeu a cantar tão bem assim? — Logan chegou, empurrando Niall, que estava na frente da garota. Ela ficou mais nervosa ainda com isso. Não gostava de receber elogios de gente que ela não gostava, ela sentia como se isso fosse uma ironia, e Larissa odiava pensar que não era boa o bastante para algo.
— Realmente. Você me impressionou. — Carlos se pôs ao lado de Logan.
— Ei! Tudo bem, vocês já elogiaram, agora podem ir. — Louis disse, tentando tirar os dois garotos dali.
— Não. Nós viemos falar com Larissa, não com vocês. Então, quietos. — os garotos disseram, e sorriram para Larissa. A garota ficou uma fera, e se levantou, respirando fundo. Todos olhavam para ela agora.
— Eba, já elogiaram. Nossa. Muito obrigada. Agora dá pra vocês saírem que eu quero ficar com os meus amigos? — ela perguntou, e o Logan arregalou os olhos, ouvindo os amigos gritarem ui ou uh.
— Tudo bem. Se você quer assim, tchau. — Carlos disse e eles saíram dali. Larissa estava muito nervosa para falar com qualquer pessoa, e nenhum dos garotos entendia o porquê disso. A garota pegou seu violão e sua bolsa, e saiu da sala de aula, se segurando para não derramar em lágrimas.
Larissa narrando. (...)
Corri para o mais longe possível, e cheguei até a quadra. Por sorte, não havia ninguém por ali. Deixei meu violão no degrau de cima e me deitei, com as mãos no rosto. Eu queria sumir, desaparecer. Porque tudo tinha que voltar a tona justo agora? Eu não queria lembrar disso, eu não podia. Meu rosto já estava encharcado, e várias lágrimas insistiam em cair do meu rosto. Senti mãos passarem pelo meu rosto, limpando as lágrimas. Olhei para cima, e lá estava Niall. Me assustei, e me sentei. O que ele estava fazendo ali? Ah, claro. Veio tirar fotos ou filmar para lembrar desse momento para sempre, babaca.
— Se você veio pra cá pra me zoar, agora não é um bom momento. — disse e coloquei as mãos no rosto, na tentativa de que ele não me visse chorando.
— Ei. Eu não vim te zoar. — ele disse com uma voz calma, uma voz que eu nunca havia ouvido antes. Uma voz carinhosa. — pelo contrário, eu vim aqui saber porque você está chorando. — ele disse e desceu um degrau, se sentando no mesmo que eu.
— Isso não é da sua conta, caramba. — disse e comecei a chorar mais ainda, me lembrando o motivo do meu choro inicial. Ele passou os braços por volta do meu pescoço, e eu involuntariamente passei os meus braços por sua cintura.
— Você não precisa me contar o motivo, mas me promete que vai parar de chorar. — ele disse, com meu rosto entre suas mãos. Assenti e fechei os olhos, apertando ele mais ainda contra mim. Essa era a primeira demonstração de carinho entre nós dois, sempre fomos tão distantes, tão... Arrogantes um com o outro. Talvez ele não seja como eu pensei. Talvez ele tivesse um coração.
Deitei em seu colo, e ele fazia cafuné em meu cabelo. Eu tinha que contar para ele. Só assim eu ia me sentir melhor.
— Minha mãe. — disse, e ele afroxou os carinhos na minha cabeça, dando a entender que estava ouvindo. — as vezes eu sinto muita falta dela. Falta de desabafar, sabe? Apesar de eu ter alguns amigos, eu não me sinto a vontade pra desabafar com ninguém. E eu preferia ter uma mãe, pra isso. — eu nunca havia falado sobre esse assunto com ninguém, e o mais engraçado é que a primeira vez que eu falava, era justamente com Niall, o garoto mais insuportável de todos os tempos.
— Mas você tem a mim. — ele disse e eu me levantei, o encarando. — é, eu não sou um amigo muito bom, a gente vive se implicando e... A gente se odeia. Mas você pode contar comigo, sempre que quiser. A gente se implica mas nem por isso eu ia te zoar por uma coisa dessas, Lari. — ele disse e eu sorri.
— Ér... Eu acho melhor a gente ir agora. — eu disse, quebrando o clima amigos e me levantei. Desci um degrau, mas antes que eu pudesse descer o outro, meu pulso foi puxado, e quando eu me virei, os braços de Niall estavam sob minha cintura e sua cabeça sob meu ombro. Enrolei meus braços em seu pescoço e fiquei na ponta dos pés, o alcançando. Seu perfume invadiu minhas narinas, e eu senti uma sensação ótima. Seu cheiro era igual chocolate, doce, e viciante. Soltei o abraço e ele deu um sorriso estranho que eu não entendi muito bem.
Dei de ombros e desci as escadas, peguei o violão e fui até meu quarto, guardar o mesmo. Pude ouvir alguns barulhos estranhos no corredor, então encostei na porta, tentando ouvir.
“ Você tem certeza de que ela não viu? “ Uma voz perguntou. Eu tinha quase certeza que conhecia essa voz.
“ Calma, gatinho. Você acha que eu ia falhar? Tá aqui, meu amor. Agora acaba com a piranha da Larissa.“ Ela disse e riu, sendo deixada no vácuo.
“ Hm. Tudo bem, obrigada. “ Niall respondeu.
“ E aí. Podemos ter nossa noite agora? “ A outra voz perguntou, um tanto maliciosa, e eu pude ouvir uns barulhos de beijo. Ok. Niall iria me pagar. Quer dizer que tudo isso foi um plano estúpido ele? Tudo bem então. Ele que esperasse. Seria uma vingança dupla. Respirei fundo, me segurando para não chorar. Eu havia contado o meu maior segredo para Niall, e ele... Brrrgh!
Saí do quarto, e Niall ainda se encontrava alí, conversando com a mesma voz que eu havia ouvido. Bati a porta, chamando a atenção dos dois para mim, mas eu não liguei. Virei o primeiro corredor que havia ali e dei de cara com Logan.
— Perdida pelo colégio, linda? — ele perguntou. Era incrível como Logan parecia não se abalar pelo fato de eu ter dado um fora nele a horas atrás.
— Não. Eu só estava... — olhei para o lado e vi Niall ali. Ótimo, eu já sabia qual ia ser minha vingança. — indo em direção a sala de aula.
— Hm. Vem comigo então. — ele disse, Niall já estava ao meu lado, encarando Logan.
— Não, ela não quer ir com você. — ele disse e eu ri ironicamente.
— Sim, eu quero ir com você, Logan. — disse e peguei o seu braço, que estava esticado. Fomos assim até a sala de aula, deixando Niall parado com cara de tacho no meio do corredor.
Terceira pessoa.
Larissa provocava Niall a cada cinco segundos, indo falar com Logan ou chamando ele lá para trás. Niall sentia um incômodo dentro do peito dele por isso. Para ele, aquilo era apenas raiva por uma de suas amigas estarem com Logan. Mas, não era uma simples raiva, era outra coisa.
“ Preciso falar com você depois da aula. “ Era o que estava escrito no papel em que Niall deu para Larissa. Ela pegou-o, abriu – sob os olhares do loiro – e leu, sem seguida rasgando-o. O garoto não entendia tais atitudes da ruiva, afinal, a uma hora atrás ela estava desabafando com ele, no meio da quadra, sem ninguém. Ela queria jogar? Então ele ia jogar.
(...)
A aula acabou, e Larissa estava juntando seus materiais. Logan já havia saído de sala, e isso era uma brecha para ele ir falar com a garota. Ele pegou sua mochila, e parou em sua frente, em quanto a mesma tentava escapar.
— O que você quer? — ela perguntou séria e com raiva visível em seus olhos.
— Saber por que você está me tratando assim. — ele disse, e ela deu uma risada irônica.
— Jura, Niall? Eu sempre te tratei assim. — ela disse e saiu da sala, deixando o garoto novamente sozinho. Mal ela sabia que Niall nunca gostou de ser tratado assim.
(...) Primeira pessoa. Niall narrando.
Depois de Larissa sair da sala, respirei fundo e fui atrás de Bia, só ela iria me entender e me explicar o que estava acontecendo. A achei sentada na mesa da cantina, lendo um livro qualquer que eu não fazia questão de saber. Fechei o livro e me sentei ao seu lado, fazendo a mesma virar para mim e abrir um sorriso.
— O que foi meu loiro? — ela perguntou e colocou as pernas sobre o meu colo.
— Problemas, loira. — disse e ela olhou para mim, com uma expressão assustada. Contei tudo o que se passava, e ela sorriu.
— Meu querido amigo, tão ingênuo... Ela está tentando te fazer ciúmes. E, ei... ela não falou direito com você? Hm, isso sim é um problema. — eu parei na parte em que ela disse “ tentando te fazer ciúmes “... Se ela queria me provocar, ela gostava de mim. E isso era um bom sinal, não era?
Fale com o autor