I Hate You - 2 Season
11 Trauma da Lola
Notas iniciais
- Mais duas porções de docinhos. Sei lá se tem nome pra essa porra… E mais duas caixas de salgadinhos. — Disse escrevendo num papel e contando as coisas pro aniversário da Sophie que é daqui a um duas semanas. Fazer isso num sábado… Mereço…
- E as bebidas? — Ela perguntou.
- Calma que to chegando lá. — A campainha tocou e eu nem precisei perguntar quem era. Óbvio que era o Lucas. Simon já abria a porta, dizia “oi” e quando respondíamos, ele entrava. Um tempo depois ela entrou quase tendo um treco.
- Olha que coisa mais linda! — Disse segurando um gato todo branco.
- De quem é? — Jason perguntou do outro sofá.
- Minha! — Ele olhou pro Lucas.
- Cuidado pro gato não tentar te arranhar, não entrar no meio de vocês, não jogar água na sua cara, não jogar ração na sua calça…
- Você merecia. — Disse. Óbvio que ele falava da Lola.
- Acho que ela não me odeia. — Lucas disse sem entender.
- Jason me deu uma gata uma vez. Ele odiava a coitada.
- Coitada?! Coitado de mim!
- Você mandava a Sophie puxar o rabo dela!
- Com razão! Ela me arranhava toda noite!
- Bem feito!
- Tá, chega, galera. Olha que linda! — Sophie disse e deu um selinho no Lucas. Olhei pro Jason e ele fazia uma careta.
- Qual o nome? — Perguntei.
- Josefina. — Jason disse.
- Mãe, já sei que foi você que escolheu meu nome.
- Tenho bom gosto pelo menos.
- O nome dela pode ser Catarina. — Sophie sugeriu.
- Ah, não fode! — Disse e ela me olhou ofendida. — Isso é nome de gata?
- Depende da Catarina né. — Jason disse e taquei a caixa de contas nele.
- Cristal. — Sophie disse de novo. Ela cismou com “c”, não é possível. — Vai ser esse.
- Só porque a gata é branca.
- Mas é lógico!
- Quero ela longe de mim! — Jason disse. Ele nem olhava pra coitada da bicha!
- Trauma é realmente uma coisa muito séria. — Disse e Sophie concordou.
- Olha, eu tava pensando em colocar só mesa de salgadinho, mãe. — Sophie voltou pro assunto do aniversário.
- Sabe o que eu acho? Vai ser no fim de semana de 4 de julho. Então, pra ser simples, coloca as cores em azul e vermelho e solta fogos de artifícios. Muito mais simples. — Jason só fala merda. Puta que pariu.
- Desde quando eu sou patriota, pai?
- Você é doente, Jason. — Disse revirando os olhos.
- Eu sou simples! Vocês querem tudo cheio de frufru.
- Talvez porque eu seja uma menina!
- Frescura.
- Enfim! — Berrei. — Você não quer deixar essa festa pro ano que vem que é 16? — Ela me olhou com cara de tédio. — Tá, não. Então, que cor você vai querer?
- Vermelho? — To começando a achar que ela puxou minha mãe.
- Que tal roxo e rosa?
- Não! — Ela disse fazendo uma careta. — Então, azul?
- Azul é menininho. — Lucas disse e o Jason concordou.
- Ninguém perguntou pra vocês. — Disse. — Aquele azul que tem no seu quarto?
- É!
- Tá! E só uma mesa né?
- Sim. Doce acho mais fácil colocar na mesa que o povo vai sentar. Os salgadinhos deixa na outra.
- E a gente coloca nessa parte? — Apontei pra um desenho que fiz do restaurante da minha mãe. — Paralelo a janela?
- Pode ser.
- Tem que passar a lista de pessoas ainda.
- Eu sei. É que to em duvida sobre algumas pessoas. E… A tua prima vai vim?
- É a peituda da foto da família? — Lucas perguntou e a Sophie olhou irritada pra ele.
- Fala isso de novo e você nunca vai ter filhos!
- Mas é ou não? E eu ia descrever ela como? A prima vadia?
- Exatamente. — Disse.
- Mas então, ela vem ou não?
- Então né… Talvez. — Sophie não gosta nem um pouco da Ruth.
- Não to afim de ver ela se pegando com o tio Tyler de novo no meu aniversário!
- Ou com o Charles. — Jason disse e apontou pra foto em cima da lareira.
- Ou com o Simon. — Sophie disse fazendo uma careta e eu fiquei chocada.
- Como assim?!
- Ué, ele já pode dirigir e tem um carro. E a tua prima adora um novinho. E pra ajudar, Simon também não é nenhum santo.
- Que bom que pra ele, você é um menino. — Lucas disse e Jason assentiu concordando, me fazendo rir.
(…)
- Mãe, to com problema. — Sophie disse enquanto eu fazia a janta.
- Fala. — To com cara de psicóloga agora.
- Lucas tá puto comigo só porque o Simon dormiu aqui ontem. — Ela disse manhosa e com bico.
- Não é por nada não, mas até eu ficaria.
- Mas não é nada demais!
- Pra você, não pra ele. Imagina uma menina dormindo na casa dele. Ou pior, na casa dele.
- É, eu ia socar a cara dele. Mas, mãe, o Simon é uma menina. Pelo menos pra mim.
- Eu sei disso, mas o Lucas vai ter ciúmes do mesmo jeito.
- Simon riu dele quando ficou sabendo.
- Ele também não ajuda né! Pede pra ele conversar com o Lucas. — Ela riu irônica.
- Não vai rolar. Simon não vai muito com a cara dele.
- Por que não?
- E eu vou saber?
- Será que ele não tem ciúmes também?
- Ciúmes de que?
- De quem será né? De mim que não é.
- Mãe, Simon é meu amigo. — Ela deu ênfase na última palavra.
- E daí? Existe ciúme de amigo também. — Ou talvez não… Enfim… — Antes era só vocês dois e agora brotou um menino no meio. — Ela bufou.
- Eles são muitos complicados.
- Quem não é? — Respondi com uma pergunta rindo.
- Mas eles são demais. Pelo amor de Deus.
- Sophie, faz quanto tempo que o Simon não namora?
- Ele nunca namorou. Mãe, Simon é um vadio. É a versão mais nova do tio Charles.
- Ele sempre te conta das vadias?
- Lógico que conta. — Ela disse irritada e revirando os olhos. — As vezes ele fala tanto que chega a irritar.
- E te joga indireta? — Ela fez uma careta.
- Indireta de que? Pra que tanta pergunta?
- Sei lá. Talvez porque ele goste de você. — Jason disse chegando atrás de mim e pegando um pedaço de tomate.
- Olha, é feio escutar atrás da porta. — Disse.
- To com fome. Mas é sério. Ele parece gostar de você.
- Vocês estão fumados? — Eu e o Jason rimos. — É óbvio que ele não gosta de mim. Não do jeito que vocês tão falando. Simon não é maduro o suficiente pra gostar de alguém assim. Da onde vocês tiraram isso?
- Pra começar, ele não gosta do Lucas e não tem motivo aparente. — Disse.
- Ele vive falando das meninas pra você. Acredite, ele não falaria tanto se não tivesse intenção de algo.
- E você não respondeu sobre as indiretas.
- Mas eu nunca reparei! Ou talvez vocês tenham a mente muito fértil!
- Ou você é cega. — Jason disse.
- Juro, o Simon gostar de mim é quase missão impossível. — Eu e o Jason nos entreolhamos e preferimos nos calar. Não que fosse extremamente visível que talvez ele goste dela, mas parando pra pensar, é bem provável.
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