I Hate You - 2 Season
17 Miracle
Notas iniciais
Estava entrando em casa e fui tomar um copo com água até que eu ouço essa vindo do jardim:
- Seu idiota! Sai daqui! — Sophie exclamava sussurrando. Mas pelo silêncio, eu podia ouvir. — Minha mãe daqui a pouco tá chegando e… Ai meu Deus! O Lucas também vai vim!
- Ainda não tem ninguém. — Era a voz do Simon.
- Mas daqui a pouco vai ter, seu estrume! — Arqueei a sobrancelha. Se eu for até lá, to com medo do que eu vou encontrar.
- Só um beijo, Sophie.
- Eu namoro!
- E tem ciúmes de mim, não dele! — Bocudo!
- Isso é coisa que minha mãe colocou na cabeça dela!
- Então por que ficou irritadinha quando eu falei da Barbara?
- Porque ela é um vaca! Para de tentar me agarrar!
- Eu to longe de você! — Eles ficaram em silêncio por um tempo. — Eu sempre gostei de você. — Não conseguia ver o que acontecia. Se eu fosse até a janela da cozinha. Eles iam me ver. E não quero fazer a tia chata que estraga tudo.
- Não. Eu… Simon, eu… — Não aguentei. Botei a cara na janela e vi os dois se beijando. Jesus! Isso é um milagre! Finalmente! Peguei o copo com água e fui pra sala.
- Oi! — Jason disse entrando. — Ué, cadê a Sophie? — Parecia o Phineas perguntando. Saudades Phineas e Ferb. Saudades.
- Tá lá fora com o Simon. — Ele me beijou.
- Vamos sair hoje!
- Pra onde? — Ele só sorriu. — Jason?
- Uma coisa só minha e sua.
- Meu Deus! Você vai levar uma grávida pra um motel! — Ele riu.
- Não vou te levar pra um motel.
- Pra onde então?
- Vamos no cinema. E depois vamos jantar. E depois… Eu, você, casa, quarto, cama…
- Safado! — Ele riu me abraçando e deu um beijo no meu pescoço. Ouvimos passos e nos afastamos.
- Tchau. — Ouvi a Sophie dizer da porta e depois fechar a mesma. Olhei pro Jason.
- Já entendi. Já entendi. To dando o fora. Vou me arrumar. — Jason disse e subiu. Sentei no sofá e Sophie também. Esperei ela começar a falar, mas ela ficou quieta.
- Pode falar. — Disse.
- To me sentindo a pior pessoa do mundo! — Ela disse e puxou as pernas pra cima, afundando a cara nos joelhos.
- “Não vou beijar o Simon". — A imitei e ela olhou pra mim.
- Hey! É feio ouvir conversa alheia!
- Ouvi sem querer. E o que você vai fazer?
- Eu não sei. Eu quero morrer!
- Para de drama, menina.
- Mãe, é normal eu ficar com vontade de…
- De…? — Perguntei incentivando ela a continuar.
- De… Beijar alguém que não é meu namorado? — Ela disse rápido.
- Ahn… Sim.
- Sério?!
- Claro. Passei minha adolescência inteira com vontade de beijar o Adam Levine. Até depois, na verdade. Até hoje… Enfim, o caso aqui é você.
- Eu não tava falando de pessoas famosas.
- Eu sei. — Ela mordia os lábios e balançava os pés. — Você tem ser sincera com o Lucas.
- Eu sei. Mas como eu vou chegar nele e falar que eu to vontade de beijar o Simon? Ele nem gosta do Simon!
- Sophie? — Olha, eu acho que fudeu. Ela não olhou pra porta e o Lucas continuou parado ali. Chega de crise de adolescente por hoje. Subi pra me arrumar.
(…)
- Você tá tão cheiroso. — Disse pro Jason enquanto me vestia.
- Normal né. — Sei lá, fera. Acho que não.
- Metido! — Olhei pro espelho e ele só sorria.
- Jenny?
- Eu… — Voltei a me vestir.
- Eu vi umas coisas hoje depois do trabalho.
- Que coisas?
- Comprei um berço. — Olhei pra ele através do espelho.
- É sério?
- Lógico que é sério. Chega até o fim de semana. Tenho que desmontar aquela cama do quarto de hóspedes.
- Mas tem que pintar o quarto. E colocar aquela tira tipo papel de parede. E falta ainda os ursinhos…
- Hey, calma. Tem sete meses ainda. — Ele disse rindo. — Parece a primeira vez né?
- É… — Disse me olhando no espelho. A barriga ainda não aparecia. Escutei uma porta bater com força no andar de baixo.
- O que aconteceu?
- Briga de casal.
- Casal? Que casal, Jenny? A gente tá aqui em cima.
- Sophie e Lucas.
- Que porra de casal o que! — Ele murmurou.
- Ela beijou o Simon. — Jason me olhou com os olhos arregalados. — Quer dizer, Simon beijou ela. Lucas ouviu ela contando pra mim.
- E aí?
- Não sou xereta igual você! — Ele soltou um muxoxo.
- Vai ser pra hoje, Jenny? — Ele ironizou o fato de eu estar demorando e revirei os olhos.
- Terminei, idiota.
(…)
- E aqueles ali? — Jason me perguntou sobre um casal que estava atrás dele no restaurante. Geralmente, quando jantávamos fora só nós dois, tentávamos descobrir sobre o que as outras pessoas conversavam.
- Bom… Vai mais pra sua esquerda, por favor? — Ele foi. — Obrigada. Enfim, ela é prosti. Certeza. E tá falando coisas inapropriadas para menores no ouvido dele.
- Como tu tem tanta certeza?
- Ele tá fazendo umas caretas de gemido. E ele parece ser empresário.
- Fala sobre ela.
- Já falei.
- Ela tem bastante peito?
- Jason!
- Que foi?
- Acho que eu tenho de sobra. — Mas que porra de peito. Tudo quer saber de peito.
- Você tem razão.
- Ah, obrigada. — Sorri irônica. — E aqueles ali? — Apontei pro lado direito.
- Tá difícil saber. Ela é vadia. Ele… parece aqueles cafetões. — Ri. — É sério. Ai meu Deus.
- Que foi?
- Ele é traficante.
- Que? — Ele pirou?
- E ele tá vindo pra cá! — Olhei pro lado. O cara vinha na direção do Jason e… passou reto. Foi no bar. Ri.
- Tu ficou com o cu na mão agora!
- Não tem graça, Jenny! — Gargalhei.
- Nem uma agulha passava! — Ver ele olhar sério pra mim era o mais engraçado.
- Tá. Para de rir! — Já tinha passado alguns minutos e eu ainda gargalhava!
- Tá. — Disse parando de rir. — E aquele alone ali? — Apontei pra um homem sentado sozinho.
- Parece que tem grana. Não sei porque tá sozinho. É bonitão.
- Tá afim, Jay? — Perguntei sorrindo.
- Vá se ferrar, Jenny! — Olhei pra mesa e o cara olhava pra gente. Ele levantou e veio até nós. Só falta rolar barraco.
- Com licença, posso me sentar? — Ele perguntou.
- Claro. — Disse e o Jason olhou pra mim. Dei de ombros.
- Eu queria propor uma coisa. — Olhei pro Jason e ele pra mim. Peguei o copo de vinho — Já fizeram a três? — Me engasguei.
- Isso é sério? — Jason perguntou visivelmente irritado.
- Achei que você era gay. Desculpa. — Ri.
- Ele é meu marido. — Disse rindo.
- É q tem cada bofe enrustido. Não me leva a mal, bonitinho.
- Tá tudo bem. — Disse ainda rindo. — Ele tem um pouco de jeito de gay mesmo. Até falou que você era bonitão. — A desgraça que se chama Jason me chutou debaixo da mesa! Cachorro!
- Jenny! — Ri.
- To brincando.
- Enfim, vou voltar pra minha mesa. — O cara disse.
- Hey! — Chamei ele de volta. — Tenta aqueles dois ali. — Apontei pro casal atrás do Jason. — Ela é prosti.
- Obrigada, linda. — Sorri.
- Jenny.
- Que? Tá doendo ainda, seu idiota!
- Eu tenho jeito de gay?
- Sei lá. As vezes. Quando você tá nervoso parece uma mulher. E quando quer esconder algo, faz a egípcia. — Ele chamou o garçom.
- A conta, por favor? — Ele pediu. Menos de cinco minutos depois, ele já tinha pagado e saíamos do restaurante.
- Você vai ver quem é o gay. — Ele sussurrou no meu ouvido e apertou minha bunda enquanto esperávamos o manobrista trazer o carro.
- Tarado! — Ele sorriu malicioso e eu ri.
(…)
Chegamos em casa já prestes a ir pro quarto, até que escutamos um “até que enfim!".
- O que você tá fazendo aqui? — Perguntei pro Charles.
- Visitinha. E achei que ia ter comida pra mim.
- Vou começar a cobrar, Charles.
- Essa foi a ultima vez. — Ele sempre diz isso. — E como vocês deixam a menina aqui sozinha?
- To legal, tio. — Sophie disse sem se virar.
- To vendo nessa sua cara de enterro.
- Terminaram? — Perguntei. Ela resmungou algo. — Fala mais alto, minha filha. Não sou adivinha.
- SIM! — Ai que mau humor. Mas não é pra menos né coitada.
- Ele foi só o primeiro. — Charles disse.
- E o ultimo.
- Jason! — Repreendi. Coitada da menina.
- Simon veio aqui. — Charles disse como quem não quer nada.
- Sim, tio, eu expulsei ele daqui. E acabou o assunto! Boa noite. — Sophie disse na revolta e subiu.
- Jenny, compra barra de chocolate e aqueles potões de sorvete pra essa menina. — Charles disse. Ri. Mas na verdade eu estava com vontade de matá-lo. Esfriou total minha noite com o Jason.
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