I Hate That I Love.
46 Capítulo 46.
Notas iniciais
POV. Cristiana.
– Não Cristal; Não. — Eu me referia ao pedido dela em ser madrinha de casamento.
Não que eu não queria, era... Bernardo. Eu teria que ficar na casa do lago dos pais dele e aguentar a família tradicional dele. Eu seria madrinha ao lado dele e isso já era negativo. Eu não queria.
– Vamos lá Cristiana, qual é o problema ? Você nem verá tanto Bernardo. A casa é enorme você pode fugir dele. — Ela insistia.
– Cristal você sabe como é minha relação com aquela família principalmente com a vó de Bernardo. — Cecília era uma velha tão chata que nem sorrir ela sorria. — E Laura ? com quem ela vai ficar ?.
– Ela será minha dama de honra. Vamos lá, por favor... — Era tanta insistência que eu acabei aceitando. Depois dos milhares de abraços dela, ela pode finalmente continuar: — Você verá que não será tão chato assim.
Eu realmente esperava que não seria chato.
Depois de conversa bastante com Cristal no meu estúdio e encerrar as fotos fui buscar Laura na escola. A escola dela ficava perto do centro e sempre quando ela saia, íamos tomar sorvete.
Peguei meu adorável livro. A cada dia estava ficando mais encantado com o Oliveira e suas palavras. Deixei o livro no banco do passageiro e liguei o carro. Dirigi ate a escola de Laura e esperei o maldito sinal bater. As vezes eu lembrava do meu tempo de escola, de Rafa, Gabi, Nanda e... maldito seja aquele menino. Vi Laura correr em minha direção e abraçou minha cintura. Abracei ela e perguntei como foi seu dia.
– Chato. — Ela respondeu. — Tchau Larissa.
Larissa era uma amiga dela como toda as meninas da sala dela.
– Vamos logo. — Abri a porta do carro e ela entrou.
Ela sempre sentava atrás, na imensidão do banco. Hoje eu levaria ela para almoçar fora e perguntaria o que ela achava do casamento de Cristal. Laura conhecia todas as modelos com quem eu trabalhava e Cristal era sua preferia. Acho que era porque o namorado/noivo era primo de Bernardo e também um Oliveira.
Chegamos no meu restaurante preferido. Era comida italiana e Laura também gostava. Escolhemos uma mesa perto do fonte onde tinha vários peixinhos. Laura adorava ficar observando os peixes comerem.
– E então, como foi seu dia com seu pai ?. — Perguntei.
– Legal. Ele me levou ao parque e tomamos sorvete e... conhecemos uma menina nova era.... era.... Alice era o nome dela. Ele também ficou com raiva quando falei do Oliveira para ele.
– Mas eu não tenho mais nada com Bernardo, ele não pode ficar com raiva. — Retruquei pensativa.
Fiquei com raiva só de ouvir o nome da mulher, imagine quando Laura relatou sua aparência. Eu as vezes sentia raiva ou ciúmes de Bernardo por coisas tão irrelevantes. Nós não tínhamos mais nada e nunca mais teríamos, mas mesmo assim isso as vezes vinha me pegar.
– Laura... — interrompi ela. — O que você acha de nós duas irmos a um casamento ?.
– Casamento de quem ?.- Ela perguntou.
– Casamento da Cristal.
– Aquela que namora o primo de papai ?. — Assenti com a cabeça. — Acho... legal.
– Então nós vamos.
– No quê ?. — Ela perguntou confusa.
– No casamento de Cristal. Lá na casa do lago do seus avôs.
– Nós vamos ?. — Ela perguntou animada e eu assenti com a cabeça. — Papai também vai, ele vai também e vocês poderão passar um tempão juntos.
Não respondi nada pois ela era criança. Não entendia das coisas. Terminamos o almoço e fomos passear um pouco no parque. Laura ainda estava com seu uniforme escolar e seu cabelo preso em 'rabo de cavalo'. Não compramos nada, apenas decidimos andar. Eu contava a Laura a missão dela em ser a melhor dama de honra. Sentamos no banco próximo a duas árvores enormes que faziam sombras.
– E como está seu livro, mamãe ?. — Laura perguntou.
– Interessante. — Respondi. — Aqui ele conta que perdeu a menina que gostava por um motivo tosco.
– E quem é ele ?.
– Não fala. — Respondi. — Ele não conta o nome da menina, nem dele, nem de ninguém.
– E por que ?.
– Porque ele quer manter identidade. Quando eu consegui terminar de ler o livro, eu lhe conto tudo.
– E se ate lá eu já saber ler ?.
– Você mesma lê o livro.
Ela sorriu e eu sorri também. Conversamos mais um pouco e decidimos ir embora. Quando pegamos o nosso caminho, encontrei Bernardo com a tau de Alice já que pela descrição de Laura, ela era bem parecida.
– Cristiana ?. — Bernardo perguntou surpreso.
– Olá, Bernardo. — Respondi firme fuzilando a garota com os olhos. — Quem é ela ?.
– Ela... é... ela... é... Alice. — Ele respondeu.
Laura abraçou o pai dela e eu continuei a encarar Alice. Encarava ela de canto e ficava observando o jeito dela. Bernardo estava andando para frente e logo me esqueceu. Eu só não entendia o motivo de tanta irritação.
– Vamos Laura, precisamos arrumar as coisas. — Sorri para ela.
– Papai sabia que a mamãe também vai no casamento ? Ela vai ser ma... ma... o que você vai ser mesmo ?.
– Madrinha de casamento. — Respondi. — Vamos ?.
Ela assentiu com a cabeça e antes que Bernardo pudesse falar qualquer coisas fomos embora. Foi o caminho todo emburrada e esperando chegar em casa. Quando chegamos Laura correu escada à cima para tomar seu banho e eu bufei na cozinha com Glória.
– O que foi que ele fez ?. — Glória perguntou.
– Ele está lá com aquela maldita Alice. — Respondi. — Depois vem ficar com raiva que eu esteja gostando de algum autor de livros.
– Se você pode gostar de algum autor; ele pode gostar da Alice.
– Não, não pode. — Retruquei. — O que eu sinto pelo Oliveira é apenas uma admiração intelectual e ele... ele gosta daquela tau de Alice.
– Então você está com ciúmes dele ?. — Ela indagou.
– Não. — Respondi rápido e firme. — Eu não estou com ciúmes de Bernardo. Não temos mais nada e nunca mais teremos. Eu não... na realidade o que estou fazendo aqui ?. — Perguntei irritada. — Eu vou para o meu quarto.
Ouvi as risadas de Glória enquanto eu subia os degraus. Entrei no meu quarto e bati a porta. Joguei meu corpo na cama e respirei irritada. Fui para o quarto de Laura e encontrei a minha pequena Capitu meia sonolenta na cama.
– Está com sono ?. — Sorri e sentei ao lado dela.
– Não... eu... quero brincar com Aninha. — Ela respondeu.
– Você está com sono, pode dormi ate tarde e eu lhe acordo quando ela chegar da casa do pai dela. Durma bem.
Laura deitou na cama e virou para mim. Ela sorriu. Liguei o ar-condicionado e fiquei ao lado dela.
– Mamãe ?. — Ela sorriu. — Por que você não assume que gosta de papai ?.
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