I Hate That I Love.
43 Capítulo 43.
Notas iniciais
Eu não queria dormi. Cada vez que tentava dormi, as imagens de Collet vinha sobre minha cabeça. Eu fiquei por várias horas encarando o teto escuro iluminado por bem pouco a luz da lua. Passei três terríveis dias assim, na cama sem sair para qualquer coisa. Desmarquei tudo que iria fazer e não conseguia levantar da cama, apenas chorar. Ninguém sabia de nada e iria ficar assim mesmo. Pobre Neide!. Se sentia culpada, tudo bem o meu jeito falava isso, mas não. Ela não tinha culpa de nada. Eu queria falar isso para ela, mas não encontrava forças nenhuma para levantar da cama.
Depois do terceiro dia consegui me levantar um pouco — sem a insistência de Neide — e ir tomar um banho. No banheiro completamente tomado pelo branco, encarei as paredes por um longo tempo. Eu já não chorava tanto, meu olhar agora era vago. Sempre pensando em alguma coisa, sempre demorando para responder. Era bem melhor do que viver chorando.
– Cristiana ?. — Neide apareceu apenas com a cabeça sob a porta. — Você não acha que é melhor dar uma volta ?. Sei lá, passear um pouco. — Ela suspirou pois não respondi nada. — Soube que tem um ótimo parque bem próximo do hotel, você pode ir lá.
Depois de dois minutos de silêncio, consegui responder alguma coisa, alguma coisa que deixou Neide feliz.
– Está bem, eu acho que vou.
Mas só falei isso para ver Neide sorrir. Nesses três dias ela não sorria, nem mesmo para Laura.
Fiquei um pouco com Laura no colo. Ela estava acordada; e eu pude reparar como ela estava linda. Seus olhos estavam ficando bastante azuis, sua pele branca como a lua e seu sorriso adorável, como jamais visto. Naquele momento, bom aquele momento me fez esquecer de tudo que passei e colocou um belo sorriso em meu rosto.
Era um agasalho cinzento, uma blusa cinza e a calça também cinza. Enquanto esperava o elevador, Débora e Bernardo chegaram. Eu não queria nenhum tipo de provocação ou ate menos trocar alguma palavra com eles. Queria ficar na minha, quieta. Mas não era isso que Débora queria, talvez ela ate quisesse provocar e foi bem isso o que ela fez.
– Ah Cristiana, soube o que aconteceu. Meu Deus, como o mundo está cruel espero que tudo fique bem. — Era obvio que Bernardo havia contado para ela. Era obvio que ela só falou aquilo para provocar.
– É... Obrigado pelo apoio, mas você também deveria saber do quanto eu apoio você na tentativa de manter Bernardo preso, só para você. Sabe, fazer ele de seu premio de consolação e não de um marido (o que deveria ser) é bastante frustante. Mas eu espero que chegue um dia que alguma coisa entre na sua mente e você perceba o quanto é uma vadia idiota. — Desabafei tudo. — Bom, vou descer de escada.
Foi bom ver aquele rosto de felicidade da Débora desmontar em segundos. Me senti ate um pouco melhor, mais feliz. Na recepção me indicaram o parque. Não era tão longe mesmo, ficava a uns 5 minutos daqui. Ele era bonito, mais bonito que imaginei. Um lindo lago lhe cercava, várias árvores, alguns bancos para sentar e crianças brincando na terra. Me perguntei se um dia, Laura estaria feito elas, brincando na terra, completamente suja e sorrindo. Não sei se voltaria para Paris, mas com certeza ela vai estar toda suja.
Comecei a correr, mas foi a coisa mais errada que fiz. Eu ia correndo e as imagens vinha a minha cabeça, eu tentava afasta-las mas elas voltavam com mais forças. Lagrimas que jurei nunca mais chorar, rolavam descontroladas pelo meu rosto corado. Como foi durante todos esses três dias: não consegui terminar qualquer coisa que tentei fazer e sentei no chão, ao lado de uma árvore.
– Por que a brasileira está chorando ?. — Um mendigo bastante sujo parou ao meu lado. Ele falava isso em francês. Sua barba estava suja, suas roupas estavam rasgada e ele tinha um olho branco, obviamente era cego de um olho.
– Por motivos pessoais. — Respondi.
Ele sorriu e sentou ao meu lado.
– Motivos pessoais levam pessoas bonitas à chorarem ?.
– Sim. — Respondi. — Eu acho que nada devia nos fazer chorar, mas afinal... somos fracos.
– Fracos... não somos fracos, somos pessoas. — Ele sorriu cansado. — Bom, deixa-me contar minha história. Eu sou Amir Hassan. Eu sou do Afeganistão, especialmente de Cabul. Bom, o império dominou tudo lá e hoje, somos completamente falidos. Fugi de lá por não aguentar a pressão, bom você poderia dizer que fui fraco e não quis ajudar o meu pais, mas fui pessoa. Pessoa por que não quis ver tanta injustiça junta... Enfim, não somos fracos, somos pessoas e pessoas tem sentimentos.
Eu que estava com os braços enrolados na pernas e com elas juntas aos meu peito. Encarei o lago escuro e fiquei por lá imaginando as palavras do senhor.
– Eu só tenho que lhe falar uma coisa; você não é fraca, você é pessoa. Você pode ate estar sofrendo agora, mas depois vai virar uma pessoa feliz e quem sabe, ate melhor. — Ele levantou e foi embora.
Fiquei com aquilo na cabeça. Quem sabe ele estava certo, quem sabe ele queria falar alguma coisa. As palavras mexeram com a minha cabeça. Eu sou uma pessoa, uma pessoa triste que luta com essa tristeza me deixando ainda mais para baixo. Mas eu posso mudar, esquecer tudo e ser uma pessoa feliz e só tenho que fazer uma coisa: sair de Paris.
Quando olhei para o céu, já estava escurecendo. O céu estava em uma mistura de laranja com roxo e algumas estrelas já surgiam. Caminhem por quatros ruas ate chegar meu Hotel. No elevador não havia ninguém e eu pude encarar meu reflexo. Ao redor dos meus olhos havia uma grande mancha preta e eles estavam fundos. Meus olhos, azuis intensos estavam tristes, mas um pouco melhor. Eu estava melhor por dentro e acabada por fora.
Quando o elevador parou no meu andar e eu pude sair, vi Bernardo sentado no chão ao lado da porta do seu quarto. Parei ao lado dele com as mãos nos bolsos, e fiquei encarando sua imagem. Ele estava com os braços apoiados no joelhos e coçando os olhos com a mão. Pensou em levantar quando me viu, mas apenas virou seu rosto e deu um breve sorriso.
– O que aconteceu ?. — Perguntei.
– Depois que você jogou tudo na cara de Débora, percebi o quanto estava infeliz com ela. Eu já sabia que a gravidez era falsa e só era mais um motivo para me prender nela. Então, decidi colocar tudo para fora e terminei tudo com ela. Agora vou seguir o que eu realmente quero: uma carreira de músico e compositor. — Ele respondeu.
– Que bom Bernardo. — Um sorriso surgiu em meus lábios, um enorme sorriso. Estava feliz por ver Bernardo feliz.
Bernardo finalmente levantou do chão e apertou minha mão, não foi um cumprimento formal ele apenas apertou minha mão.
– Obrigado.
Foi a única coisa que ele disse e entrou no seu quarto. Fiquei encarando o corredor, mas ainda com aquele aperto na minha mão na minha cabeça. Foi tão bom sentir aquilo, tão bom. Entrei no meu quarto e Neide estava sentada, no mesmo lugar de sempre, tomando seu chá e lendo o mesmo livro antigo. Me sentei ao lado dela e procurei forças para ter uma conversa com ela.
– Neide ?. — À chamei e ela apenas levantou o olhar. — Você não tem culpa de nada, não mesmo. Minha reação pode ate fazer você pensar nisso, mas você não tem. Ninguém tem. Eu quero você de volta, falando comigo novamente. Por favor. — Lagrimas rolaram novamente pelo meu rosto. -Eu vou tirar nós três daqui, vou encerrar minha carreira, comprar uma enorme casa e você vai lá morar comigo, eu prometo.
Ela se permitiu rir um pouco e secou minhas lagrimas.
– Eu já falei: não vou mais trabalhar para você, mas aceito ir embora desse lugar.
E então nós duas rimos e tudo estava normal novamente. Abracei Neide como nunca abracei ninguém, suspirei e encerrei meu choro. Agora sim estava feliz, muito feliz. Não iria mais lembrar de nada, voltaria para o Brasil e ficaria por lá, ate o fim de tudo.
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