I Hate Loving You
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Percy.
– Não, não e não! – Annabeth anda de um lado para o outro com os dedos enterrados no cabelo. – Percy isso não podia ter acontecido! – Vejo que ela está ao ponto de entrar no choro enquanto se senta na cama.
– Relaxa Annie, perder o primeiro dia de aula não é o fim do mundo. – Eu digo fazendo menção de tocar em seu cabelo, mas ela se esquiva como se estivesse com nojo de mim.
– Foda-se a escola! Como você pôde? Percy, isso não se faz! Eu... Eu era virgem. – Vejo uma lágrima escorrer.
Começo a pensar conforme o raciocínio da loira. Primeiro ela acorda em um lugar que não faz ideia de qual seja e depois se vê vestida apenas com uma camisa azul – a minha camisa azul – e então eu me mecho ao seu lado e ainda digo “bom dia”... Ela deve estar pensando que...
– Annabeth, você ainda é virgem. – Digo um pouco bravo.
– Sou?
– Sim...
Flash Back on.
Chegamos ao mesmo bar em que fui com Thalia na noite passada, e me surpreendo por vê-la na entrada com Jason. Ele raramente ia a esse tipo de festa... Ou melhor, ele raramente ia a qualquer tipo de festa.
– Primo! – Thalia se joga em meu pescoço assim que me aproximo.
– Priminha! – Digo sorrindo. – E aí cara, saiu da toca? – Troco um Hi-5 com Jason.
– Última noite de férias, você sabe como é né... – Ele dá de ombros.
– Opa, eu sei sim. – Sorrio – esta aqui é a Anna...
– Annabeth! – Thalia abraça a loira que retribui. – Onde você conheceu meu primo? – A morena pergunta quando elas se separam.
– Longa história, mas fica para outro dia... – Annabeth diz e vai em direção ao Jason. – Olha só, o herói do Elvis! – A loira sorri. – Obrigada por hoje.
– Sem problemas. – Jason sorri. – Vamos entrar então?
– Calma – volto-me para Annabeth – onde você conheceu meus primos?
– Essa é uma história mais curta, no entanto é melhor deixarmos pra outro dia. – Ela pisca com um dos olhos.
– É Percy! Vamos aproveitar a noite! – Diz Thalia já entrando no bar, e nós vamos atrás da mesma.
A música está alta, e o bar está cheio – o que não é surpresa. Annabeth vai em direção ao bar e se senta em um dos banquinhos.
– Então é assim que vocês se divertem por aqui?! – Ela grita quando me aproximo.
– Por quê?! É muito diferente do que você está acostumada?
– Na verdade é a mesma coisa, bebida, música, pessoas, fumaça, luzes... – Ela gira no banquinho.
– O que vocês vão querer? – O barman, que brotou de algum lugar, pergunta.
– Cerveja. – Diz Annabeth.
– O mesmo. – Sorrio.
Enquanto esperamos a cerveja a música Happy começa a ecoar pelo bar inteiro. Annabeth batuca com os dedos no pequeno balcão do bar e começa a cantar baixinho.
– Because I'm happy, clap along if you feel like a room without a roof… Because I'm happy, clap along if you feel like happiness is the truth…
O barman retorna com duas cervejas de garrafa. E a música cessa por um instante, o bar inteiro faz um “Ah!” e as vaias começam.
Annabeth olha para mim com um sorriso divertido e bebe um gole da cerveja. Eu faço o mesmo. A música volta com um estrondo e percebo que é o clássico... Malha funk.
– Duvido que você dance essa música. – Sorrio para ela.
Sem dizer nada Annabeth se levanta, bate com sua garrafa de cerveja na minha e vai para a pista. Ela é um pouco desengonçada enquanto dança, mas acerta todos os passos. Quando a música termina, um garçom está próximo, e ela pega uma líquido azul da bandeja e vira de uma vez só.
– Minha mãe é brasileira. – Ela diz quando se aproxima. – Aliás... Minha família inteira é brasileira, você acha mesmo que eu não saberia dançar o clássico?
– Depois dessa nunca mais vou te subestimar. — Digo sorrindo. Mais um garçom passa e ela pega novamente o líquido azul e me oferece.
– Eu não faço ideia do que é, mas é uma delícia! Experimenta.
Bebo um gole do líquido e o gosto é excelente, mas também percebo a intensidade de álcool que ele possui.
– Annie, vai com calma aí! Amanhã a gente espera que você lembre seu nome na escola.
– Percy, nós viemos aqui para curtir, ta lembrado? – Ela me puxa para pista.
A música que toca é Crossroad do Bone Thugs – N – Harmony, essa eu conheço muito bem. Procuro Thalia e Jason e percebo que eles já estão fazendo o passinho que nós inventamos para a mesma. Me junto a eles, e em questão de segundos o bar inteiro está fazendo o mesmo passo, inclusive Annabeth.
Quando a música acaba, muitas outras vêm depois. Nós bebemos, cantamos, pulamos, dançamos e bebemos novamente. Lá pelas tantas, não me aguento mais em pé e me sento. Já se passam das 23h00, mas não me importo muito.
Annabeth se aproxima com mais duas taças daquele líquido azul e se senta ao meu lado.
– Percy Jackson. – Diz ela meio bêbada. – Aquela menina – ela aponta para uma morena bronzeada de olhos verdes que está sentada no bar – não tira os olhos de você desde que nós chegamos aqui, eu acho que você deveria ir lá.
– Não, obrigado.
– É um desafio. – Ela diz.
– Sendo assim, eu vi gêmeos aqui no bar e se eu ficar com a morena ali, você vai ter que ficar com eles.
– Tudo bem.
Vou em direção à morena meio relutante, eu não era do tipo “garanhão” que queria pegar todas... Mas como aquilo era um desafio, é claro que eu não resistiria.
– Oi. – Eu sussurro em seu ouvido e sinto que ela estremece, de certa forma é bom causar esse efeito nas meninas. Viro o banco que ela está sentada e antes que ela possa falar qualquer coisa, eu coloco minha mão em sua nuca e lhe dou um beijo. Não sinto nada. A morena até que beija bem, mas não tão bem quanto certa loira deve beijar. Nós nos separamos para arfar, e agradeço aos deuses por essa pequena necessidade que o ser humano tem de respirar para sobreviver. Aproveito a deixa e saio de fininho. Quando procuro por Annabeth, ela está beijando um dos gêmeos. O outro gêmeo se aproxima e separa os dois.
– Priscila? – Ele pergunta.
– O nome dela é Joana. – Diz o gêmeo que ela estava beijando.
– Ei! – Sinto uma mão em meu ombro. – Você pensa que pode me beijar e sair andando? – A morena questiona. – Meu nome é Beatriz.
– O meu é Rodrigo... Olha gata, eu gostaria de falar com você agora, mas tem uma amiga minha precisando de ajuda. – Digo sem tirar os olhos de Annabeth.
Aproximo-me dos gêmeos. Annabeth está no meio de uma confusão entre eles, mas quando me vê corre para os meus braços o que faz com que os garotos olhem para mim.
– Vamos para casa Annie. – Digo.
– O nome dela é Joana!
– Priscila!
– Percy, o que está acontecendo? – Thalia se junta a nós com Jason ao seu lado.
– Quem é Percy? Ele me disse que se chamava Rodrigo. – Beatriz pisa no chão com força.
E então, Annabeth cai no chão. O bar fica em silêncio, e eu me agacho. Quando estou próximo o suficiente, a loira começa a rir.
– Vamos para minha casa. – Diz Thalia. – Annabeth está muito bêbada, sem chance de aula amanhã.
– Vocês não vão sair sem explicar o que exatamente está acontecendo. – Disseram os gêmeos com Beatriz ao lado, pela sua expressão diria que ela também espera uma explicação.
Pego Annabeth no colo, a mesma ainda sorri sem parar. Depois de certa relutância, conseguimos nos livrar daqueles três e todos nós fomos para casa de Thalia e Jason, pois é praticamente em frente ao bar.
Annabeth passa o braço pelo meu pescoço e canta uma música em inglês, que, apesar de eu falar inglês fluentemente não consigo distinguir, mas pela melodia percebo que é “Borboletinha está na cozinha”. Sorrio, acho que ela nunca ficara tão bêbada na vida.
Thalia nos oferece o quarto de hóspedes, e então deito Annabeth na cama.
– Percy você é o meu herói sabia? – Ela diz, tirando a jaqueta e as sapatilhas. – E agora eu estou com tanto sono, e parece que fui beijada por dois buldogues.
Lembro-me dos gêmeos, mas meu pensamento sobre eles não dura muito, pois Annabeth retira o vestido branco e se joga na cama. Fico olhando aquela loira apenas de roupas íntimas jogada na cama, com cada curva perigosa que tenho que me segurar muito para não fazer uma besteira.
– Annabeth, levanta um pouco. – Mordo os lábios, resistindo à vontade de beijá-la e também de tocá-la. Ela faz um beicinho, mas se levanta. Eu retiro minha camisa e dou para ela vestir, sem reclamar ela veste e se deita novamente. Beijo o topo de sua cabeça e me deito ao seu lado.
– Boa noite Annie.
Flash Back Off.
– Então foi isso o que aconteceu?! – Ela pergunta com o ar surpreso e feliz quando termino de contar o relato da noite passada.
– Sim. – Respondo seco.
– Obrigada por cuidar de mim! – Ela beija o meu rosto e tenta me abraçar, mas eu me esquivo. – O que foi Percy? – Pergunta um pouco séria.
– Você espera que esteja tudo bem?
– Sim, por quê? Eu não deveria?
– Você me acusou de uma coisa que eu não fiz Annabeth. – Levanto-me e coloco meu jeans.
– Você esperava o que? Que eu acordasse e dissesse “nossa que máximo, estou dormindo com o Percy e... Olha só, estou seminua!”?
– Não, só esperava que você tivesse um pingo de sensibilidade... – Coloco o tênis. — Eu jamais faria isso com você e com nenhuma outra garota! E fico triste por você pensar que eu sou esse tipo de cara. – Digo fitando seus olhos. – Você sim é uma irresponsável, se não tivesse bebido tanto, nada disso teria acontecido.
– Então agora a culpa é minha?
– Não fui eu que bebi todas, caí no chão do bar e depois tirei a roupa para um menino sem ter consciência do que eu estava fazendo e ainda o culpando por tentar me ajudar. Admito que quando você estava de roupas íntimas eu pensei em fazer alguma coisa, mas acima de tudo eu te respeitei e se você não consegue admitir seus próprios erros, acho melhor eu ir embora.
Saio do quarto furioso e bato a porta.
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