I Hate Loving You
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Annabeth.
Entro em casa e encontro minha mãe de pijama, com uma cara de reprovação.
– Lembrou o caminho de casa?! – Seus olhos estão inchados e seu cabelo emaranhado em um coque, provavelmente por uma noite mal dormida. – Você poderia ter atendido ao telefone pelo menos! Perdeu o primeiro dia de aula... E onde está o Percy?
Aquilo sim desperta minha atenção. Como fui ingênua. Cheguei mesmo a acreditar que ele voltaria para casa, mesmo sabendo que eu não conheço a cidade direito e que também voltaria para lá mais cedo ou mais tarde.
Sem que eu perceba, as lágrimas começam a escorrer.
– Filha... – Atena se aproxima, beija o topo de minha cabeça e me abraça. – Não se preocupe, foi só o primeiro dia... Eu... Eu não deveria ter sido tão explosiva. Sei como essa mudança está sendo difícil para você, mas não precisa chorar... Está tudo bem. – As lágrimas caem ainda mais, e eu a abraço mais forte, como se a qualquer instante ela pudesse se esvair e me deixar sozinha.
– Annabeth! Graças aos deuses você está bem! – Poseidon desce as escadas também com os olhos vermelhos – nós estávamos morrendo de preocupação. Percy nunca passa a noite fora sem me avisar onde está. Afinal, onde está meu filho?
– Eu... Eu não sei. – Digo sentindo as lágrimas tamparem minha visão por inteiro. De repente um pressentimento ruim me invade, e ele vem com tanta força que, minha visão, antes confusa pelas lágrimas, agora escurece de vez. Minha pressão baixa e estou fraca demais para me sustentar em pé. “Percy” sussurro antes de desmaiar.
***
Abro os olhos e a luz forte invade meu campo de visão. Percebo que estou em uma cama, e só depois de um bom tempo consigo distinguir meu quarto e o de... Percy.
Levanto-me da cama tão rapidamente que minha cabeça dói, de forma que não posso evitar uma expressão doída.
– Easy girl! – Ouço aquela voz familiar, e uma sensação de bem estar toma conta de todo meu corpo.
Ele está parado no batente da porta com uma toalha presa à cintura. Seu cabelo está úmido e para minha surpresa, o moreno está sorrindo.
– Percy! – Eu corro em sua direção completamente aliviada, e agarro seu pescoço em um abraço. – Me desculpe, eu fui completamente irresponsável e não deveria ter bebido tanto... E eu... Eu estava tão preocupada com você. – Afasto-me um pouco envergonhada.
– Eu não deveria ter levado tão a sério, quero dizer, você estava bêbada demais na noite passada... Se eu tivesse dormido no sofá, ou impedido que você bebesse tanto, aquela briga não teria acontecido. – Diz ele calmo, ainda sorrindo de canto.
– Estamos bem então?
– Eu não conseguiria ficar bravo com você por muito tempo. – Percy dá de ombros, e eu o abraço novamente. – Annie, eu acho melhor me trocar antes que a toalha caia.
– Isso seria um problema e tanto não é? – Me afasto, mordo os lábios e olho para a toalha.
– Um problemão. – Ele diz sorrindo e voltando para o banheiro.
Olho para o relógio e constato que o mesmo marca 23h00 da noite. Fiquei desacordada por muito tempo. Procuro minha mãe, e a encontro na sala assistindo um filme na companhia do Elvis.
– Bela Adormecida enfim desperta de seus sonhos. – Ela diz. Elvis vem em minha direção e me abraça.
– Muito engraçado dona Atena. O que houve no tempo em que fiquei desacordada?
– Eu chamei um médico e ele disse que o excesso de bebida e a preocupação que você estava sentindo, não eram uma boa combinação, e por isso você acabou desmaiando. Mas estava tudo bem, e você logo emendaria o desmaio com o cansaço que estava sentindo. – Ela ergue uma sobrancelha. – Excesso de bebida moçinha?
Lanço um sorriso tímido a ela.
– De qualquer forma, Poseidon e eu descobrimos que você estava preocupada com o Percy, e isso não foi muito difícil já que o último nome que você falou foi o dele antes de desmaiar. Nós ligamos para ele, que milagrosamente atendeu o celular e contamos tudo. Inclusive a parte em que você disse o nome dele. Depois disso, não demorou muito para que Percy estivesse em casa. E minha filha, esse garoto não saiu do seu lado nem por um instante.
Sorrio ao pensar naquilo tudo.
– Estou indo dormir, e você deveria fazer o mesmo. – Diz ela. — Não vou deixar que perca mais um dia de aula.
– Eba! – Bato palmas fingindo empolgação. Atena me lança um olhar do tipo “é sério” – só vou checar minha caixa de entrada, juro que daqui a pouco estarei na cama.
– Ok. – Ela beija o topo da minha cabeça e sobe as escadas.
Acesso meu email, e para minha surpresa não há nenhuma mensagem dos meus amigos de Nova Iorque. Desligo o computador um pouco desanimada, e subo para o quarto.
Percy está deitado em sua cama digitando algo no celular.
– Então quer dizer que alguém esteve preocupado comigo? – Pergunto ao me deitar.
– Então quer dizer que alguém esteve preocupada comigo? – Ele responde sem tirar os olhos da tela.
– Desconheço essa pessoa. – Respondo virando de costas para ele.
Ouço sua risada.
– Boa noite Annabeth Chase.
– Boa noite.
A sensação que domina meu corpo é tão gostosa, que adormeço no instante em que fecho os olhos.
***
Primeiro dia de aula. Colégio novo, pessoas novas, professores chatos e o problema clássico de primeiros dias... A roupa que devemos usar.
Em meu antigo colégio tínhamos uniforme e não precisávamos nos preocupar com coisas do tipo. Mas assim que acordo de manhã e vejo Percy, muito bem vestido por sinal, devo excluir todas as teorias de que na Goode – meu novo colégio – alguém utiliza uniforme.
Ele está vestindo uma calça preta, um tênis da marca Vans na cor preta também e uma camiseta branca e larga. O tipo de garoto por quem eu teria um abismo.
– Assim está bom? – Pergunto pela milésima vez para Percy. Estou usando uma calça branca cujo modelo inclui alguns rasgos, camiseta regata cinza e um tênis estilo skatista da cor preta. Não passei maquiagem, pois não uso para ir à escola, e deixei meus cabelos soltos.
– Você me perguntou isso várias vezes, e eu já disse que está perfeito para mim, mas diferente das meninas que frequentam a Goode.
– E isso quer dizer...
– Espere e verá... – Ele sorri, mas pela cara que eu devo ter feito Percy continua – ei, você está linda. Vamos? Não podemos nos atrasar se não o Dionísio vai ficar de marcação pelo resto do ano.
O moreno já havia me dito que Dionísio era o nome do nosso diretor, e já havia me dito também o quão insuportável ele podia ser.
– Ok, vamos. – Pego o meu skate atrás da porta, e minha mochila.
– Espera... Você realmente anda de skate?
– Não deveria? – Pergunto.
– Todo dia você me surpreende mais. – Ele sorri e pega seu próprio skate.
Despedimos-nos de nossos pais e fomos tentar a sobrevivência.
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