I Hate Loving You
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Annabeth.
A pior parte da mudança é sempre a despedida.
Quando penso sobre isso, o único sentimento imaginável é a saudade. E foi por isso que — mesmo não querendo e fazendo grande esforço para não acontecer — chorei no avião. Minha mãe, Atena, perguntou o porquê, mas eu apenas abanei a cabeça para o lado. "Como se ela não soubesse o motivo" penso e rolo os olhos.
Tudo começou com uma viagem que minha mãe fez para o Brasil. Mais especificamente falando, Búzios. Lá, ela conheceu um pescador que se chama Poseidon. Depois de um mês em Búzios, quando minha mãe voltou para Nova Iorque, eles decidiram que a distância do Brasil até Nova Iorque era demais e que um não conseguia viver sem o outro.
Depois de anunciar que iria se casar com o tal pescador, ela me avisou que deixaríamos Nova Iorque para morar em Búzios com ele e seu filho.
No início pensei que ela estava brincando, mas cá estou eu dentro de um avião prestes a conhecer minha nova "família".
***
– Cassetada! — Digo quando o táxi estaciona em frente à casa de Poseidon.
Ela é toda branca e possui uma arquitetura rústica e sofisticada, no entanto a figura que sai de lá não tem a mesma postura da casa.
Elvis, meu Golden Retriever que eu não podia deixar em Nova Iorque, late enquanto o homem se aproxima.
O homem tem cabelos negros, seus olhos são de um verde profundo e brilhoso e seu físico é normal para alguém com a idade que ele aparente ter. Está usando uma camisa havaiana, chinelos e bermuda. Por um instante eu o invejo, já que o calor está insuportável e eu estou de jeans, botas e casaco.
Sem ao menos dizer "Oi" ele dá um longo beijo em minha mãe e ela retribui, eu apenas viro o rosto para o lado.
– Oi garotão! — Ele se dirige ao Elvis, e meu cachorro como belo traidor lambe seu rosto e abana o rabo feliz. — Hey there! — Ele se dirige a mim, provavelmente pensando que eu não entendo português — I'm Poseidon. — Ele me abraçou.
– Eu sou a Annabeth, e eu entendo o português. — Sorri para não parecer grossa.
– Vamos entrar então! — Ele bateu palmas, e nos ajudou com as pequenas malas que trazíamos, afinal o resto da mudança só chegaria no dia seguinte.
Se a casa era bonita por fora, por dentro então... Era um espetáculo. O que mais chamou minha atenção foi a estante de livros, fiz uma jura mental de que leria todos.
Poseidon me levou até a escada. Lá em cima havia um corredor e três portas.
– Você terá que dividir o quarto com o meu filho, Percy, tudo bem?
– Sem problemas.
– Mas ele não está aqui, então você se sinta em casa pra descansar, sua cama já está aí dentro.
– Obrigada, de verdade. — Sorri para ele.
Abro a porta do quarto e um cheiro de maresia e praia logo inunda o corredor. Ao entrar no quarto me deparo com algo simples. Ele é branco por inteiro e possui duas camas de solteiro, cada uma em certa extremidade da parede. Uma porta está ao lado da grande cômoda, acredito que seja o banheiro. A primeira cama – de lençóis azuis – está bagunçada, como se o filho do pescador não tivesse tido tempo de arrumá-la.
Não estou cansada, nem com fome, o que é uma grande surpresa devido à longa viagem. A única coisa que sinto com grande intensidade é o calor. Minha mãe, prevenida como sempre, colocou em nossas malas roupas de verão e de inverno, mas não muita coisa, só o suficiente para nos estabilizarmos até amanhã que é quando o resto da mudança chega.
Pensando nisso vou até a mochila e coloco uma camiseta de alçinha cinza, short preto rasgado e continuo com o meu inseparável par de botas Ugg.
Quando desço para sala, encontro Poseidon e minha mãe se agarrando novamente.
– Vamos parar com essa pegação um minuto! – Digo sorrindo e puxando suas cabeças, de forma que eles se separaram.
– Annabeth! – Atena me olha com olhar de reprovação.
– Ei calma dona Atena, só queria avisar que estou indo dar uma volta na praia. – Digo.
– De botas? – Poseidon começa a rir. – Você não vai durar muito com elas lá.
Olho para as minhas botas, e sorrio.
– Quer apostar? – O encaro com a sobrancelha erguida.
Ele me olha questionador, mas por fim nega com um aceno de cabeça.
– Só não diga que não avisei. – Completa por fim.
– Ok. Eu estou indo nessa. – Faço um carinho no Elvis – usem camisinha! – Sorrio e saio correndo antes que minha mãe me lance mais um olhar ameaçador, e acredite, o olhar dela dói mais do que um tapa.
Vou até a praia que é em frente à casa, e no mesmo instante me arrependo de usar botas. O sol está muito forte e com isso me arrependo também de não ter passado o protetor solar. Deixo a praia, e entro na lanchonete mais próxima, sentando-me no último banco um pouco ofegante, andar de botas na areia não é fácil.
– Posso ajudá-la? – Uma voz diz, acredito que seja do garçom.
Olho para cima e engasgo. Deveria ser proibido um cara ser tão atraente dessa forma. O garoto me fita com os olhos verdes que lembram o mar que eu acabara de ver, sereno e calmo em um belo dia de verão. Seus cabelos são negros, e ele possui uma barba rala o que deixa ainda mais charmoso. Ele usa uma camisa preta, e sobre sua bermuda tem um avental branco, e apesar do calor ele está de tênis. O moreno puxa a caneta presa em sua orelha e me encara.
Primeiramente ele para os olhos em meu decote, e eu puxo minha camiseta para cima quando percebo que ele desviou o olhar para as minhas coxas e por fim meus pés.
– Botas? – Ele sorri dessa vez olhando em meus olhos. – Você é nova por aqui não é?
– Sim para ambas as pergunta, e não, não vou querer nada. – Sorrio puxando minhas pernas para cima e as enlaçando com o braço.
– Sinto muito loira, mas aqui dentro só fica quem consome. – Ele coloca a caneta novamente na orelha e se debruça em minha mesa.
– Não seja por isso. – Digo me levantando.
– Ei, não precisa ir, eu te pago uma água, aí você pode ficar aí.
– Uma água?
– É o mais barato do cardápio. – Ele pisca e pede para que eu me sente. – A propósito, eu me chamo Rodrigo.
– Priscila. – Respondo.
Quando o Rodrigo volta com uma água e dois copos, se junta a mim e então conversamos por pouco tempo até ele ter que retornar ao trabalho. Eu nunca disse tanta mentira em minha vida, mas vocês esperavam o que? Eu não me abriria para um estranho, afinal, e se ele também estivesse mentindo?
Volto para casa já de tarde. Dou uma volta no quarteirão com o Elvis para que ele conheça sua nova vizinhança. Tomo banho e faço como minha mãe e Poseidon, caio na cama e adormeço.
***
Acordo sobressaltada quando sinto um peso em cima de mim, e minha primeira reação é gritar. Ouço o Elvis latir lá embaixo, o que significa que não é ele. Empurro a coisa pesada que vai de encontro ao chão e arqueja um “Ai” dolorido.
A luz se ascende e não consigo esconder a minha surpresa.
– Rodrigo?!/Priscila?! – Ambos dissemos/gritamos.
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