Notas iniciais
Uma semana para escrever este capítulo, revisar e tudo mais, e ainda acho que não foi o suficiente
Depois disso, eu e Frank nos tornamos colegas, Mikey rapidamente se tornou amigo dele, já que estudavam na mesma sala. Eu não sabia o que era, mas simplesmente não conseguia conversar normalmente com o Frank, faltavam palavras... eu realmente não sabia dizer o porque, afinal gostávamos de coisas parecidas, e até mesmo sofríamos o mesmo preconceito. Cheguei até mesmo a me relacionar melhor com o Mikes para tentar me aproximar do Frank, sem sucesso. No fim, a gente apenas se cumprimentava, e o sorriso inundava nossos rostos cada vez que a gente se via. A escola sempre foi o lugar que eu mais odiei. Eu odiava os professores que reclamavam de minhas notas, odiava a minha sala que fingia que eu não existia, odiava a gangue do Nelson que me batia e roubava meu lanche todos os dias, mas acima de tudo, eu odiava o olhar de censura das pessoas para cima de mim. Porém as coisas pareciam melhorar depois que o Frank se mudou para lá, minhas notas inexplicavelmente haviam subido, e já que consegui pelo menos me relacionar com ele, eu parei de ser tão anti-social e assim sempre tive duplas nos trabalhos, isso me deixava um tanto feliz, era assustador, mas longe de ser ruim. Tudo parecia estar dando certo enfim... mas é claro que alegria de mais dura pouco e naquele dia mesmo o Nelson idiota tentou novamente roubar meu lanche, porém ele veio só e eu lhe dei um belo soco no estômago. É claro que ele não me provocaria novamente naquele dia, porém ele me fez o favor de recorrer a seu passatempo favorito: bater no pobre do Frank. O Frank era um garoto baixinho, e isto acabava por dar a impressão de ele ser indefeso, e era mesmo. Eu sempre resisti bem as porradas que levava, mas ele ficava incrivelmente abalado, confesso a vocês que achava até mesmo que ele chorava. Bom, como eu ia lhes dizendo a gangue do Nelson logo após ter tentado me bater foram atrás do Frank, e o tonto do Nelson socou-lhe o nariz, o estômago, e quando ele caiu no chão quatro ou cinco garotos o chutavam sem parar, o pobre Frank não conseguia nem gritar. Sem nem sequer pensar, puxei o Michael comigo e juntos nós dois fomos encarar os valentões. Acabei por chutar o saco de três e Mikey socou os outros dois, até que o deixaram em paz. Minha tese havia se comprovado, o Frank chorava como uma criancinha. Ele estava sentado no chão com a cabeça entre os joelhos e lágrimas sem fim desciam pelos seus olhos, era uma visão de dar dó. Quando ele levantou a cabeça eu vi que seu nariz sangrava muito, o soco havia lhe acertado bem onde estava seu piercing e o sangue escorria. — Mikes,volte para a sua sala — falei — eu levo o Frank ao banheiro. Me aproximei do Frank e lhe estendi a mão, ele segurou com força, e soluçando muito ele me disse: — O..o..bri...ga..do, Ge...rard! — Vamos logo ao banheiro, e depois a enfermaria. Levei o Frank ao banheiro, sem nem reparar que fizemos todo o percurso de mãos dadas. Ajudei a limpar seu nariz, e ele se recusou a ir para enfermaria. Eu insisti olhando sua carinha de cachorrinho sem dono, porém ele se recusou firmemente, depois de se recompor conseguiu me perguntar: — Gerard, por que faz isso? — Isso foi uma vingança Frank, para mim e para você — falei sem fôlego — além do mais, desde que te vi no bar do Pereira eu percebi que você era alguém especial. Ele sorriu feliz em resposta, e me encarava com uma expressão surpresa. Foi neste dia que percebi que os olhos cor de mel do Frank faziam meu coração se agitar.
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