I Feel Like a Woman
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Graças à essa Pan_Alban que não desiste de me perturbar aí está mais uma one.
Mais um desafio desse grupo de whats maravilhoso.
#Desafiodasongs
A ideia era que o desafiante mandava uma música e o desafiado escrevia a ideia que vinha.
Casal SasuSaku.
Entretanto, eu não foquei no romance. hihi
Link da música nas notas finais.
Boa leitura! XD
Let's go, girls! Come on!
Vamos lá, garotas! Vamos lá!
Mulher.
Não faça isso. Não faça aquilo. Mantenha a postura. Isso é coisa de menino. Cadê o salto? Sapato alto demais afasta o homem. Coloque um vestido descente ou não irão te respeitar. Curto demais. Longo demais. Que cor cafona! Nada de falar sobre luta, tem que saber falar sobre moda. Não precisa se preocupar com política, querida. Corta o cabelo. Deixa o cabelo crescer. Meninas de respeito casam-se cedo. Nada de ter muitos namorados. Que indecente! Oh, que belo casal. Terão filhos lindos. Cadê os filhos?
Mulher.
Um ser com uma vida pré-programada mais certa do que qualquer programação de um robô.
Eu nasci em um lar cheio de amor e de regras. Filha única já que minha mãe possui dificuldades para conseguir essa dádiva de gerar um filho. Um milagre. Uma benção. A única que poderia realizar os sonhos da família Haruno e levar os genes adiante.
Uma droga.
Eu queria seguir com os meninos para jogar futebol. Via Naruto, meu vizinho, com sua inseparável e surrada bola passando correndo seguido por outros meninos animados e escandalosos. Seus cabelos loiros balançando junto com um lindo e banguela sorriso.
Eu queria correr. Eu queria sorrir como ele.
-Isso é coisa de menino, Sakura. Onde já se viu menina ir jogar bola? -Papai falava.
-Vá estudar piano, querida. Muito melhor. -Mamãe determinava acabando com meus sonhos de criança.
Na adolescência, eu queria usar preto, mamãe me obrigava ao rosa. Queria sair em festinhas na casa de colegas, elas sempre falavam que se divertiam tanto. Não queria ser a nerd excluída. Mamãe me proibia. Aquilo não era índole de mulheres descentes. Mulher direita fica em casa.
No vestibular, eu queria medicina. Apesar de tudo sempre tive um instinto protetor com os demais. Amava cuidar das pessoas e me sentia imensamente feliz quando via alguém se recuperar graças a mim. Uma sensação de que eu poderia ser muito mais do que imaginava. Cuidei de meu avô paterno até sua morte e ele sempre me incentivou nesse caminho. Tinha certeza de que deveria fazer isso.
Mas papai já tinha outros planos para mim. Akasuna é uma família antiga no ramo da advocacia e que melhor caminho para a menina Sakura que não fosse esse? Que importa os sonhos. Quem liga para uma garota que não sabe nada da vida?
-Será uma ótima advogada, casará com Sasori e formará uma família feliz. É o melhor caminho, Sakura. Caminho de uma mulher decente. Irá nos agradecer mais tarde.
Assim que cheguei à faculdade pensei que poderia liberar um lado rebelde e tentar ser um pouco daquilo que sempre quis. Qual a minha surpresa ao descobrir que mamãe tinha me programado bem. Olhava as festas e pensava em ir para meu dormitório. Via as conversas animadas e me escondia nos meus livros cheios de leis. Via as meninas de roupas curtas e só pensava no quanto eram vulgares. Nunca iriam se casar daquele jeito. Uma blasfêmia!
Minha primeira companheira de dormitório foi Hinata e logo nos tornamos amigas. Ela também tinha sido bem treinada. Obedecia ao pai sem questionar ou ao menos falar. Apenas acenos de cabeça confirmando o que o patriarca da família havia ordenado. Um exemplo de mulher decente e que também seguia no caminho da sua programação. Uma boneca de porcelana delicada com seu longo cabelo e um olho azul incrivelmente perolado.
Rebeldia era algo que não existia em Hinata. E nem em mim.
Sasori estudava na mesma faculdade que eu e óbvio que sempre cuidava de mim. Fazia um pouco do papel do meu pai de não me deixar sair para nenhum lugar para beber. Confesso que em alguns momentos, eu ouvia as risadas tão animadas e queria muito participar. Pelo menos descobrir se eu poderia gostar daquilo, mas Sasori estava ali para defender minha honra de mim mesma. Afinal, moças decentes não andam por aí com canecas de cerveja. Moças decentes só vão em jantares de família bebendo com muita graça em suas taças de vinho ou champanhe.
E, assim, permaneço aqui praticando minha habilidade no piano, sendo fluente em três línguas, com um CR exemplar, sendo o orgulho da família, um namoro estável com Sasori, virgem e em dois meses noiva. Porque noivar com 20 anos é o melhor. Evita burburinhos e garante uma família mais feliz.
Estou sentada em uma área comum porque não havia mais cabines individuais na biblioteca. Em breve minha próxima aula começa e, enquanto isso, fico encarando o texto que uma das minhas professoras entregou. Simone Beauvoir com sua frase marcante "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher." Estou olhando para esse pequeno fragmento me sentindo o pior dos seres. Eu me tornei mulher? Afinal, o que poderia ser mulher?
Como que para declarar de vez o fim de qualquer orgulho que eu poderia ter do meu alemão perfeito, eis que surgem as mais populares da faculdade. Confesso que é idiota de minha parte chamá-las assim, mas é impossível, para mim, não as olhar com raiva e devoção. São elas que andam por aí com as roupas que desejam, bebem, beijam e ainda conseguem ser as melhores de suas áreas. Temari desbanca muitos homens na área de engenharia, quebra tabus sendo uma loira genial e ainda pratica luta. Milhares de vezes a vi arrumar brigas e vencê-las. E oh, como eu queria poder ser assim.
Mas a pior delas é Ino Yamanaka. E não apenas por ela ser loira, alta, corpo perfeito e olhos azuis cristalinos. Não apenas por ela ter feito a melhor palestra sobre nanotecnologia que a faculdade já viu. Mas por ela estar vindo em minha direção neste momento.
-Bom dia, Saky!- Ino me cumprimenta com aquele sorriso perfeito me fazendo sentir menor do que já era.
-Olá, Ino.
-Hoje as meninas querem sair para a cidade? Não quer ir? -Mais um ponto que eu odeio nessa mulher. Ela decidiu que iria me fazer sair com as amigas dela e não desiste.
-Preciso estudar.
-Qual é, Saky? Todas nós estudamos horrores. Precisamos de uma diversão também. -Temari falou encarando-me com seus olhos verdes mais escuros que os meus. Mais experientes que os meus.
-Já está na hora da minha aula. Eu preciso ir.
Junto minhas coisas correndo. Sei que o professor Hatake sempre se atrasa, mas não consigo ficar muito tempo perto delas. Para que pessoas tão diferentes de mim ficam querendo me fazer ser igual a elas? A voz de minha mãe me condenando na vez em que tentei fugir de casa para uma festinha volta com força. Eu não posso fazer isso.
-Saky, você quer ir. E sabe que será divertido.- Ino me para usando sua voz persuasiva- Se mudar de ideia é só nos encontrar no ponto de táxi.
Eu vou sair esta noite
Estou me sentindo bem
Vou ficar totalmente relaxada
Quero fazer um pouco de barulho, realmente levantar minha voz
Sim, eu quero gritar e berrar
Saio em disparada. Sim, eu sei que será divertido. Não pelo álcool, mas pelo novo. Pelo novo que eu nunca experimentei.
Entro na sala e espero uma hora até o professor Kakashi Hatake aparecer com uma desculpa qualquer. Não consigo me concentrar nas leis. Artigos e parágrafos não fazem mais sentido. Quanto mais o tempo passa, mais tentadora a proposta de Ino me parece. Uso de todo o meu vasto vocabulário para amaldiçoar essa demônia loira que parece saber do meu ponto fraco e fica me tentando como uma serpente enganando Eva.
Fim da aula e já estou entrando em colapso.
Ligo para meus pais, eles sempre colocam meu juízo no lugar novamente. Sempre funciona.
O telefone toca, ninguém atende.
Ligo mais uma vez, suplico desesperada para que eles me salvem de mim mesma. Nada.
A voz de Ino volta com mais força junto com as imagens de todos brincando e dançando. As conversas sem um rumo certo. Nada de assunto sério ou banal. Nada de coisa de mulher ou de homem. Apenas a diversão. Apenas tudo que eu sempre quis.
Não! Mulheres decentes não podem.
Sasori. Isso! Preciso achar Sasori. Quem mais poderia salvar minha virtude?
Saio com um sorriso no rosto. Estou salva. Procuro, entre os corredores tão conhecidos, pela minha cabeleira ruiva que ao lado de meus opacos fios loiros sempre sobressai.
Encontro os amigos de Sasori perto de meninas vulgares. Não sei como meu Sasori andaria com gente assim, ele com certeza tenta salvar seus amigos. Altruísta sempre. Vejo Deidara beijando furiosamente uma menina. Céus! As mãos dele estão... Viro o rosto corado. Preciso sair daquele ambiente, mas antes preciso achar Sasori.
Viro mais um corredor saindo direto na área externa do prédio. Me encosto no muro recuperando meu fôlego. Meu rosto está em brasas. O que está acontecendo nesse dia?!
Respiro diversas vezes tentando não pensar em propostas de Ino ou em agarramentos pelos corredores. Penso em Beethoven, penso na minha mãe dizendo que moças decentes não fazem nada vulgar e me acalmo. Eu vou ficar bem. Só preciso achar Sasori.
Me preparo para voltar para dentro do prédio quando um som me atrai. São pessoas?
Pergunto-me se devo me aproximar, mas antes mesmo que pense no que estou fazendo já sigo o som. Assim como mosquitos são atraídos para as lâmpadas, eu sigo os barulhos sem controlar meus passos. Um instinto me guia até encontrar um casal.
A menina está sendo prensada no muro com as pernas em volta da cintura dele. E como os dois parecem estar se divertindo...
Observo os músculos do braço dele segurado com força a mulher. A cabeleira ruiva se movimenta e o som de gemidos femininos pode ser ouvido enquanto o homem ataca o pescoço da mulher com prováveis mordidas e chupões. Me questiono se estou vendo certo. Meu futuro noivo sempre foi calmo. O melhor homem para mim sempre teve movimentos contidos. Aquele que sempre foi um exemplo de boa índole.
-Sasori. -Não consigo evitar que o nome saia dos meus lábios e como uma mágica logo os olhos castanhos viram-se para mim.
-Sakura. -Ele se afasta brutalmente da menina. Está ofegante. Cadê o bom moço Akasuna?
-Sakura, eu posso explicar. Não é nada do que você tá pensando. -Sasori aperta a calça. Os botões estavam abertos mesmo?
-Eu não estou pensando nada. -As palavras fluem de mim enquanto a menina me encara com tédio.
-Sakura, querida, você entende né? -Sasori se aproxima segurando meus ombros me permitindo sentir um cheiro doce. O perfume dela.
-Eu entendo? -Encarar seus olhos é a única coisa que consigo fazer.
-Homens tem essa necessidade. Eu não consigo ficar com você, te respeitando como você merece, sem antes aliviar. Homens são mais animais. Precisamos saciar essa necessidade. Entende né? -Ele me olha sorrindo.
-Sakura, deixe-me explicar uma coisa. Às vezes, nós, mulheres, precisamos aguentar algumas circunstâncias que nos deixam infelizes. Só que estará tudo nas suas mãos. Acontece do homem fazer algo que nos magoe, mas é apenas erros de homens. O importante é entender. A família depende de você.
A lembrança do rosto triste de minha mãe me afeta com força. Eu tinha 13 anos e meu pai tinha pedido aulas particulares para minha professora de piano. Minha mãe apenas expulsou a mulher de nossa casa, chorou por uma noite e agiu como se nada de mais houvesse acontecido. Ela tinha sido bem programada.
-Claro, Sasori. Eu entendo. –Minha voz soou doce e o alívio nos olhos castanhos foi quase palpável.
-Você é a melhor mulher do mundo. Noivaremos em pouco tempo e seremos um casal muito fel-
-Você também irá entender que eu tenho minhas necessidades. –Um sorriso doce adorna meus lábios. O mesmo sorriso que treinei arduamente para quando tivesse que ir a jantares importantes com meus pais.
-Como? –Sasori me olha confuso e percebo que a menina atrás dele se mostra mais interessada no assunto.
-Ora, da mesma maneira que você tem suas necessidades, eu tenho as minhas. –Meu sorriso alarga perante a confusão do homem na minha frente- Pode continuar saciando suas necessidades, Sasori. Eu estou indo saciar as minhas.
Sem inibições, não faço condições
Sair um pouquinho fora da linha
Eu não vou ser politicamente correta
Eu só quero me divertir
Me preparo para sair acenando para a menina e mandando um beijo para Sasori. Olho para meu relógio e percebo que preciso me apressar.
Corro entre as pessoas espalhadas no campus, um sorriso do tamanho do mundo nos lábios. Distribuo desculpas pelos empurrões que nem devem ter sido ouvidas.
Chego ao ponto de táxi observando Temari, Ino, Tenten e uma tímida Hinata. Todas com exceção de Hinata parecem estar prontas para um passeio longo e divertido. Eu estou vestindo meu vestido florido sem decote, minha mochila cheia de papéis importantes sobre matérias que não faço ideia e uma coragem do tamanho do mundo.
-Oi!
-Saky! Sabia que viria! –Ino me abraça gritando no meu ouvido.
-Já vai assustar a menina, Ino! –Tenten briga com a loira escandalosa.
-Por que esse sorriso, Sakura? Você não estava assim mais cedo? –Temari me olha desconfiada.
-Acabei de ver Sasori me traindo. –Digo com um sorriso enorme.
-Sakura! Que horrível! Não acredito que ele fez isso. Você tá bem? –Hinata me olha preocupada.
-Eu... Estou me sentindo maravilhosa! –Uma gargalhada escapa de mim.
Logo todas as meninas me acompanham na gargalhada, exceto Hinata que me encara confusa. Mas eu não fui traída, eu fui liberta. A programação deu erro. Desculpe-me, mamãe.
-Então vamos nessa! Tarde e noite de meninas! –Ino gritava animada enquanto o táxi parava em nossa frente.
A melhor coisa a respeito de ser uma mulher
É a prerrogativa de ter um pouquinho de diversão e
Entramos no táxi com Ino gritando animada pedindo para o motorista ligar o rádio. Desconfio que a loira já tinha bebido um pouco de álcool para estar tão animada assim. Mas eu não ia me importar. Não hoje.
Temari mandava Ino calar a boca e Tenten ficava apenas rindo. Hinata olhava tudo assustada o que me lembrava de que não sabia como ela tinha se juntado a nós. Até pensei em perguntar, mas Ino gritava alguma música tornando impossível a comunicação. Pensei que o motorista iria nos mandar descer, mas ele apenas ria da nossa cara. Sério que existem aqueles que não julgam isso errado?
Logo estávamos descendo em frente ao shopping e depois de ouvir um desejo de juízo por parte do motorista seguimos para dentro do prédio. Eu não sabia o que esperar, só sabia que estava na hora de finalmente me tornar mulher.
-Vamos as compras! Vocês precisam seduzir todos hoje. –Ino já saltitava animada em direção à loja.
-Onde nós vamos hoje? –Perguntei curiosa.
-Isso faz diferença? Só aproveita. –Tenten sorriu para mim.
-Nem vem me empurrar vestido, Ino! –Temari já se livrava de uma montanha de roupa que Ino segurava.
-Não é para você!-Ino fazia uma careta na direção da outra loira- Saky e Hina, hora de experimentar tudo isso!
-Aah, e-eu não gosto de roupa curta. –Hinata estava vermelha e quase fugindo da loja.
-Hinata, você não será uma mulher imoral simplesmente por usar uma roupa que deseja. Experimenta e leva só aquilo que gostar de verdade. –Temari dizia séria.
-Isso mesmo. Esqueça o velho Hiashi. Hoje o dia é seu. –Tenten sorria encorajando;
-Ouça a Tenten! Ela sempre faz o seu primo Neji esquecer qualquer coisa sobre a família. –Ino dizia com um sorriso maldoso na face.
-Fazer o que se eu consigo fazer o Rapunzel perder a cabeça...- Tenten disse se gabando arrancando risadas de todas.
Entrei no provador disposta. Vestidos curtos, apertados, com brilho. Brincamos de desfilar na loja com direito a fotos e vendedoras se juntando a nós. Mas de vestidos eu já estava saturada. Shorts. Mamãe sempre disse que quem usa shorts... Bem, quem se importa?
Hinata logo se soltou também dando voltinhas pela loja e ficando extremamente corada quando recebeu assovios vindos de fora da loja.
Oh, oh, oh, enlouquecer totalmente, esquecer que sou dama
Camisa de homem, saias curtas
Oh, oh, oh, realmente ficar desvairada sim, fazendo isso com estilo
Oh, oh, oh, entrar em ação, sentir a atração
Pintar meu cabelo, fazer aquilo que ousar
Oh, oh, oh eu quero ser livre, sim, para sentir o que eu sinto:
Cara! Eu me sinto como uma mulher
O sorriso não saia dos meus lábios. Compramos roupa, compramos sapatos, recebemos cantadas de diversos homens e ignoramos com sucesso. Até ver o salão de beleza.
-Eu quero pintar o cabelo. –Disse decidida.
-Tem certeza, Saky? –Ino me perguntou.
-Preciso de uma marca para além do dia de hoje. Quero pintar o cabelo. E quero pintar de rosa.
-Então, vamos pintar o cabelo da moça! –Temari já puxava todas para o salão.
As garotas precisam de um tempo
Esta noite vamos aproveitar
A chance de sair na cidade
Nós não precisamos de romance
Nós só queremos dançar
Nós vamos deixar nosso cabelo solto
Estávamos na casa da Ino. Apesar de ter um dormitório na faculdade, ela tinha seu próprio apartamento mais perto do centro da cidade. Ino tentava convencer Hinata a usar uma maquiagem mais forte, Tenten estava fazendo um lanche e Temari falando com alguém ao telefone.
Eu me olhava no espelho e aquele reflexo não era meu.
O reflexo mostrava uma mulher. Com um corpo lindo e sensual. Com cabelos róseos curtos e repicados. Com olhos verdes marcados por um negro intenso e lábios bem vermelhos.
A mulher no espelho é linda.
Ela não se importa se falam que ela não pode, porque ela sabe que pode. O corpo dela só pertence a ela independente do que se falam. Ela pode pintar o cabelo da cor que quiser e continuar extremamente eficiente na área que ela escolher, pois ela sabe que não é uma cor que irá influenciar na sua mente. Ela sabe que a falta do cromossomo Y pode mais ser um benefício do que qualquer outra coisa. Ela tem personalidade forte. Ela sabe ser sensual. Ela sabe se divertir. Ela sabe lutar. Ela não vai perder.
Mais do que apenas uma cor de batom ou cabelo, mais do que apenas uma roupa comprada ou um sapato alto. Depois de anos, eu finalmente fiz algo por mim mesma.
Ser uma mulher respeitada não é se privar de diversas coisas, não é ficar neurótica com sua aparência, não é ter que casar cedo, não é ter filhos. Ser mulher é ter poder de decidir o que você quer fazer e aceitar as consequências que vier.
Não somos um robô com desejos controlados ou programados. Somos humanos. Tão quanto os homens.
Finalmente, eu me tornei mulher. E como eu estou gostando disso.
A melhor coisa a respeito de ser uma mulher
É a prerrogativa de ter um pouquinho de diversão e
Chegamos em uma boate que Ino elogiou durante todo o trajeto. Hinata está visivelmente assustada ao mesmo tempo que animada. O ambiente escuro com apenas algumas luzes avulsas, corpos se espremendo em uma dança sem sentido, o balcão do bar lotado com diversas pessoas degustando seus drinks, música extremamente alta... Não consigo evitar pensar na minha mãe condenando minha alma ao inferno apenas por estar em um ambiente assim ou no meu pai prometendo me deserdar pelo meu andar em direção ao bar.
Chego ao bar no momento em que um homem moreno recebe seu drink e não hesito em pedir o mesmo que ele. Não faço a mínima ideia do nome da bebida, mas sinto ela rasgar minha garganta mostrando toda a minha inexperiência em relação ao álcool. Mesmo com a dor, eu sorrio. Não pelo prazer do álcool e, sim, pelo prazer de poder beber simplesmente porque eu quis.
Percebo o olhar do moreno em mim e não evito o sorriso em direção ao homem. Analiso-o por inteiro e confesso que ele é lindo com todo o seu porte misterioso e sedutor. Logo me viro achando a cabeleira loira de Ino no meio da pista de dança.
Oh, oh, oh, enlouquecer totalmente, esquecer que sou dama
Camisa de homem, saias curtas
Oh, oh, oh, realmente ficar desvairada sim, fazendo isso com estilo
Oh, oh, oh, entrar em ação, sentir a atração
Pintar meu cabelo, fazer aquilo que ousar
Oh, oh, oh eu quero ser livre, sim, para sentir o que eu sinto
Cara! Eu me sinto como uma mulher
Dançamos. Cantamos. Rimos. Bebemos.
Depois de um tempo que eu não fazia ideia estávamos procurando um local para descansar nossos pés. Minha cabeça girava e eu só conseguia gargalhar de tudo.
Encontramos Tenten, Temari e Hinata. Perto delas estavam alguns meninos que não me importei de conhecer.
-Sakura? Sakura Haruno? Não acredito nisso.
-Naruto? –Olhei em dúvida para o loiro na minha frente. Os olhos azuis não deixavam enganar e o mesmo sorriso estava lá. Não mais banguela.
-Resolveu pintar o cabelo é?
-Pois é. Deu vontade de mudar. –Depois de tantos anos aqui estava eu no mesmo lugar que Naruto. Não temos mais uma bola surrada, mas a diversão continua. O meu sorriso está igual ao dele.
-Gostou do drink? –Uma voz rouca surge ao meu lado fazendo um arrepio correr pelo meu corpo.
-É um bom drink. –O mesmo moreno que antes estava no bar agora está ao meu lado.
Percebo o olhar dele sobre mim e uma culpa me acerta por um instante. Sasori. Ainda não terminei com ele apesar do que ele fez comigo na faculdade. Ele não merece nem o mínimo da consideração que dedico a ele, mas minha consciência cobra uma posição minha. Mesmo assim não posso evitar olhar mais uma vez para o homem e sorrir.
-Quer dançar? –Pergunto indo em direção à pista de dança.
Ele vem. Sei o que ele quer. Mas eu não quero romance. Apenas dançar.
As garotas precisam de um tempo
Esta noite vamos aproveitar
A chance de sair na cidade
Nós não precisamos de romance
Nós só queremos dançar
Nós vamos deixar nosso cabelo solto
A dor de cabeça me acerta em cheio provando que não foi tudo um sonho. Depois de mais um tempo dançando, Hinata passou mal pela bebida e decidimos que era hora de voltar. Descobri que o moreno era amigo de Naruto e também estava com os meninos que eu via correr para jogar futebol. Lembro de ter dançado boa parte da noite com ele apesar de não fazer ideia de qual o seu nome.
Me levanto observando a bagunça no quarto de Ino. Todas dormindo de qualquer jeito, largadas em lugares diferentes e saltos jogados pelo chão. Chego ao banheiro e o reflexo do meu novo cabelo me saúda provocando o esquecimento de qualquer dor. Não há arrependimentos.
Eu fico completamente louca
Você consegue sentir isso?
Venha, venha, vamos lá, baby
Eu me sinto como uma mulher
Chego à faculdade pronta para resolver tudo. Pronta para reiniciar tudo se for necessário e para isso preciso terminar algumas coisas. Caminho decidida pelos corredores de sempre arrancando coisas novas. Percebo todos os olhares me seguindo, percebo os cochichos sobre mim, percebo tudo. E continuo sem me arrepender de nada.
Não demoro a encontrar Sasori com seus amigos de sempre. Me pergunto o quanto eu fui idiota de nunca perceber os sorrisos falsos ou o carinho apenas pela obrigação. Céus! Eu o comparava ao meu pai aceitando suas ordens como a coisa mais normal do mundo. Não mais. Nunca mais.
Antes mesmo que pudesse falar qualquer coisa, o grupo de amigos percebe minha presença.
-Sakura? O que? –Sasori olha embasbacado para mim.
Um sorriso se desenha nos meus lábios. Um sorriso de orgulho.
-Eu só vim formalizar o fim do nosso namoro. Nada de noivado. Nada de nada.
-Mas você não pode fazer isso! –Sasori se levanta assustado- Seus pais e meus pais planejam isso desde sempre.
-Eu posso fazer isso sim, querido. –Meu sorriso só aumenta.
-Seus pais não vão deixar você fazer essa loucura, Sakura. Eles vão fazer você recuperar o juízo. –Ele bagunça os cabelos ruivos me encarando com seriedade.
-Eles que tentem. Meu avô paterno deixou boa parte da herança para mim. Faltava só a coragem, mas eu tenho total acesso a ela e isso faz de mim financeiramente independente dos meus pais.- Seguro uma gargalhada quando percebo o olhar incrédulo dele- Então, sim, eu posso acabar o namoro. Posso acabar com os planos que criaram para mim. Eu posso criar os meus próprios planos. Tenha um bom dia, Sasori.
Me afasto ouvindo os assobios dos amigos de Sasori. Todos rindo, me elogiando ou apenas dizendo o quanto o ruivo era louco de me trocar por outra.
Chego à cantina sorrindo. Me sinto leve, livre. Sei que enfrentarei uma guerra com meus pais e reiniciar em um curso totalmente novo será algo trabalhoso. Provavelmente perderei algumas noites de sono, talvez precise enfrentar algum processo judicial contra os meus pais. Mesmo assim tudo parece muito pequeno em relação a minha liberdade.
-Nos encontramos de novo. –Me assusto com a voz inesperada ao meu lado e me deparo com uma pessoa bem conhecida.
-Acho que você gosta de chegar quando eu menos espero.
-Acontece que não nos apresentamos corretamente ontem. –Um meio sorriso surge na face do homem enquanto ele estende a mão para mim- Sou Sasuke. Sasuke Uchiha.
-Sakura Haruno. –Aperto a mão dele sem desviar o olhar.
-Muito prazer em conhecê-la, Sakura. –Sinto todo o tom malicioso usado nessa frase e me arrepio apenas com meu nome em sua voz.
-Muito prazer em conhecê-lo, Sasuke.
Man, I Feel Like A Woman.
Cara, Eu Me Sinto Uma Mulher.
Notas finais
Sei que queriam uns beijinhos do Uchiha, mas nada que a imaginação não possa cuidar depois desse último diálogo né?
Mas essa Sakura só precisava dançar. Agora ela pode ter romances. XD
Link da música: https://letras.mus.br/shania-twain/64387/traducao.html
Man, I feel like a woman de Shania Twain.
Obrigada a todos que passaram por aqui!
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