I Dont Need You
17 Luta interna!
Eu olhava o meu corpo graças aquela tela gigante...
Mas... Não estava acontecendo nada demais.
Estava apenas o meu corpo, parado, morto...
– O que está fazendo esquentadinha? — Uma voz conhecida me tirou de um transe pesado.
– Elda? — Eu perguntei e me virei.
Era ela. Estava com o mesmo kimono, mas tinha sangue nele. Muito sangue.
– Oi querida. — Ela disse irônica.
– O que aconteceu? — Eu perguntei olhando seu kimono manchado.
– Sua culpa... — Ela disse se olhando tristemente.
– Como assim, minha culpa?! — Eu perguntei indignada.
– Você que conseguiu despertar o poder elemental do fogo em apenas uma semana, mas teve suas consequencias. E eu tive as minhas! Se eu não controlasse o fogo aqui dentro, eu morreria. — Ela disse balançando a cabeça em tom de desaprovação.
– O que você tem a ver com isso? — Eu perguntei já com raiva.
– Você já se esqueceu?! Você morre, eu morro! — Ela disse apontando para o telão.
– Ta, mas como eu vou sair daqui a gora? Vem me dizer que é isso que acontece com todo mundo depois que morre?! — Eu perguntei com tanta irônia na voz que ela arqueou uma sobrancelha, parecia querer me desafiar.
– Tem um jeito de você sobreviver... Mas você não vai conseguir. — Ela disse rindo de lado.
– Pode contar.
– Uma luta. Uma luta interna. Aqui mesmo. Só que você só vai poder usar os poderes que eu te dei. — Ela disse sorrindo.
– Tudo bem. — Eu disse me posicionando.
– Vai ser rápido... — Ela disse e logo em seguida tirou de dentro do kimono um katana (espada).
– Isso vai ser injusto, mas já começou. — Eu disse confiante.
– Na verdade... Já acabou. — Ela disse colocando a katana de volta na bainha (capa da espada).
– Como assim?! Eu ainda estou aqui! — Eu disse apontando para o meu corpo.
– 5... 4... 3... 2... 1... Acabou. — Ela disse e ficou me observando.
Eu estava com os olhos arregalados.
A dor era pior que a anterior. Eu não estava sangrando, eu não estava machucada. Não para os meus olhos.
Eu queria gritar, eu queria correr, eu queria contra-atacar, mas nada acontecia.
Enquanto eu achava que não dava para piorar, um corte imenso se abriu em meio ao meu corpo e sangue começou a jorrar.
Eu gritava. Eu conseguia gritar. Aquilo doia demais. A pior coisa que poderia ter sentido em toda a vida.
Eu cai de joelhos no chão. Eu colocava as mãos no corte para estancar o sangue, mas com toda a certeza, não iria funcionar.
– Não vai pedir misericórdia? — Elda perguntou curiosa.
Ela havia se virado em minha direção para me ver sofrer.
Seu rosto estava cheio de meu sangue. Ela passava a língua e parecia gostar.
– Não vai me responder? — Ela perguntou com um olhar quase normal.
Eu não falei nada. Só grunia de dor.
– É assim então... — Ela disse e depois chutou minhas mãos.
Eu abafei um grito mordendo minha língua.
Meu corte estava mais aberto que antes. Eu estava deitada de lado, de frente para Elda.
– Ainda não me respondeu... — Ela disse se aproximando e logo depois me chutou.
Ela havia colocado pouca força em seus músculos, mas eu fui parar muito longe dela.
Eu gritava de dor. O meu corte se abriu mais e ele sangrava muito. O suposto chão da dimensão, estava repleto de meu sangue.
O telão havia sumido. Estava só eu e Elda.
Eu nunca ganharia dela.
– Acabou! — Ela disse e depois me deu um soco na barriga.
–Ah! — Eu gritei e tosci sangue.
Eu me deitei, eu tentava respirar.
Era a mesma sensação de antes.
Parecia que eu estava morrendo novamente.
Tudo estava pesando.
– Eu ganhei. — Eu ouvi Elda dizer e depois a vi sorrir.
Ela estava próxima ao meu rosto.
Meus olhos se fecharam e eu não sentia mais nada.
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