I Dont Love You

1 Capítulo único


Perdia-me no encantamento de suas feições conforme o silêncio debruçava-se sobre nós como o manto da noite. Com ele, a sensação de inquietude que tirava-me o sono. Que pensamentos distanciavam os olhos amendoados do agora? O brilho de excitação normalmente refletido nos orbes únicas agora dissipava-se em meio a sua melancolia evidente. Mostrava-se distante. Apesar de tangível ao meu toque, sentia-o longe. Sua atenção e sentimentos já não me pertenciam. Esse pensamento fez com que um buraco profundo perfurasse-me as entranhas – que estava prestes a acontecer?

Direcionou, por fim, os olhos ao meu semblante, ainda sem encarar-me nos olhos. Qual era o seu problema? Por que não perdia-se mais no refúgio que eu lhe proporcionava em meus braços e olhar? A dúvida martelava-me as têmporas, latejante. Podia sentir o sangue pulsando continuamente. Tinha medo, afinal.

— Acho que devemos esquecer isso. – Disse, por fim, sua expressão denotando nada. Apenas descaso marcava-lhe as palavras bem articuladas. Os olhos ainda sem fitar-me diretamente.

— Isso? – Murmurei, encolhendo-me em antecipação. Não queria ouvir.

— Você sabe... - Não, não sei Frank – as palavras escaparam-me por entre os lábios trêmulos, denotando uma força que eu próprio não sentia. Solucei a perspectiva do que estava prestes a acontecer.

— Nós. Ouça, querido, não está dando certo... Vai acabar nos matando.

— É o que você acha? – Não pude controlar a acidez que envolvia a frase. Senta-as queimando-me a garganta. Mas o pouco controle que me restava dissipou-se a ver que nos seus olhos não havia nada além de um grande vazio.

— Eu... Sinto muito Gerard.

— Não sinta.

— Boa noite. E partiu, deixando-me com as migalhas do que antes fora um coração. A dor corroía-me os sentidos. A troco de que, Frank? Por que motivo? Sinto-me como se nunca tivesse sido bom o bastante. Havia algo verdadeiro por trás de suas juras de amor? Por que fazer-me sofrer agora por palavras vazias? Vazias... Como seus olhos. Que lhe custa dizer que tudo nunca significou nada para você, agora que a verdade já desceu sobre o meu peito como um punhal? Que lhe custa terminar o que começou? Vamos, se estamos sendo verdadeiros, diga a verdade por inteira de uma vez! Diga que nunca me amou, e que isso não passou de uma desculpa para fingir que tinha apoio e proteção em alguém. Mate-me! Por que deixar-me sucumbir as lembranças antes boas que agora dissipam-se na neblina da dúvida? Você prometeu ser o último a me machucar, e agora o faz com tamanha perfeição. É isso que lhe diverte? Eu te dei tudo. Dei-lhe meu tempo, verdades, sonhos. Meu coração e minhas paixões. E em troca você me larga a mercê da dúvida e da morte.

Por que, no fundo, eu só queria poder te odiar pela dor que me causa. Porém não posso. Ao menos eu fui verdadeiro ao dizer que te amo. Não foram detectados

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