I Do Remember
10 Capítulo 10 - Hurt and Anger
Dias se passaram desde a noite em que Julian passara no meu quarto. Eu me sentia estranha às vezes quando estava perto dele. Qualquer brincadeira que ele fizesse sobre mim, eu já me sentia envergonhada e louca para ele mudar de assunto. As coisas que Julian falava para mim nunca realmente me importaram, mas agora... Eu estava com tanto medo de ter me apaixonado pelo meu melhor amigo.
Mas parecia ser a verdade, afinal. Sempre que eu acordava de manhã, me via ansiosa para ir logo para a escola e vê-lo. Eu queria passar o tempo todo com ele, e provavelmente, deveria ficar que nem uma boba olhando para ele. Será que ele havia percebido alguma coisa?
Eu rezava para que a resposta fosse não. Julian era o canalha e sempre fora. Ele podia ser um ótimo amigo, mas era péssimo quando se tratava de relacionamentos. E eu não queria perder a única pessoa que ainda me restava e que se preocupava verdadeiramente comigo.
Agora, Julian e eu estávamos deitados na grama do pátio da escola. Estávamos lado a lado, falando besteiras, mas eu só conseguia me concentrar com o quanto ele parecia mais bonito nesse dia.
— Como está o Oliver? — ele me perguntou, sério.
Falar sobre o Oliver tinha sido meio difícil para mim. Algumas noites atrás, eu havia sonhado com a doença havia acabado com ele. Quando acordei, havia ficado tão perturbada. Naquela manhã, havia sido difícil olhar para o meu sobrinho e não lembrar daquele pesadelo horrível. Tentei pensar que nada de ruim aconteceria com ele, porque não podia acontecer.
— Acho que ele está melhor — eu respondi. Mary conversava muito comigo sobre o Ollie. Deveria ser uma maneira de ela acreditar e de me fazer acreditar de que tudo ficaria bem. — A quimioterapia o deixa muito cansado. Ele quase não brinca mais, mas o vi sorrindo essa manhã.
— Espero que ele melhore, de verdade — disse Julian, pegando e apertando minha mão. Olhei para baixo, para onde nossos dedos estavam se entrelaçando. Meu coração disparou e senti minha pele esquentar. Como ele conseguia fazer aquilo comigo?
— Ele vai melhorar — eu disse, olhando novamente para ele.
Julian me abraçou. Por um momento, eu desejei que a gente continuasse ali, daquela maneira, por muitos e muitos anos. Eu viajei muito em pensar. Logo a Stacy estava em pé, parada, olhando para nós dois.
— Você não tem nada a me dizer, Julian? — questionou ela, olhando de mim para ele.
Julian inclinou a cabeça para o lado ao olhar para ela. Eu conhecia aquilo. Ele estava completamente tranquilo e calmo.
— Eu tenho certeza de que não tenho nada a te dizer, Stacy.
Rapidamente, ela se sentou a nossa frente.
— Bom, já que não podemos ter uma conversa em particular, e que provavelmente, você vai contar tudo para ela — ela olhou para mim — podemos conversar aqui mesmo.
Julian suspirou pesadamente.
— O que você quer?
— Sobre semana retrasada — ela respondeu. — Você sabe que eu tenho razão em querer conversar sobre isso. Eu tenho medo de termos esquecido de algo.
Eu me desviei do abraço de Julian.
— Acho que eu deveria deixar vocês conversarem a sós — eu disse, irritada.
Stacy estava fazendo aquilo para me provocar, mas eu não iria deixar que ela percebesse que aquilo me deixava triste e com raiva. E muito menos, iria deixar que o Julian percebesse o quanto aquilo me deixava ruim.
Quando eu estava prestes a me levantar, Julian puxou meu braço e me impediu.
— Eu não tenho nada a esconder de você — afirmou ele.
— Às vezes, eu queria que escondesse — sussurrei, mais para mim mesma. Não tinha certeza se ele ouviu ou não, mas Stacy logo tratou de se tornar o centro novamente.
— Acho que estou grávida.
E então, aquelas palavras simplesmente acabaram comigo. Ouvir aquilo fez tudo se tornar real. Julian era um canalha, nunca iria querer nada a mais comigo e iria sempre ser o meu melhor amigo e só isso. Eu provavelmente deveria começar a conhecer novos caras e talvez me apaixonasse por algum. E talvez, algum dia, eu esqueceria que tinha pensado que ele seria mais do que um amigo para mim.
— Nunca mais repita isso — indagou Julian, agarrando o braço da Stacy com outra mão. — Nunca mais.
— Mas... Julian, naquela noite...
— Você sabe muito bem o que aconteceu, Stacy — falou ele, segurando a raiva que sentia. — Isso não pode ser verdade.
Eu não podia continuar suportando aquilo. Era demais para mim. Levantei-me, me afastando de Julian o mais rápido que consegui, e ele não conseguiu me impedir de sair correndo. Eu o ouvi gritando o meu nome repetidas vezes, e quanto mais ele gritava, mais eu corria. Queria ficar longe dele. Tudo o que eu sentia por ele havia se transformado em nojo. Eu só queria distância.
Mas, então, ele agarrou o meu braço e me puxou para ele.
— Não é verdade o que ela está dizendo — sussurrou ele, olhando nos meus olhos. Eu já havia pensado várias vezes em ter visto os olhos dele brilhando. Mas era tudo enganação.
— Não tente negar o que eu já sei que é verdade, Julian — gritei, soltando-me dele. — Volta para ela. É isso o que sempre acontece, não é? Mas agora, você não vai ter somente um brinquedinho para cuidar!
— Já te falei que isso não é verdade!
— E por que razão ela inventaria algo assim? — disparei, nervosa, me segurando para não cair no choro. — Você sabe que é verdade! Eu sei que vocês já saíram juntos várias vezes.
As mãos dele ficaram em punhos. Percebi que ele estava ficando mais furioso ainda.
— Você já se perguntou porque eu saio com ela? — ele me perguntou, aproximando-se de mim e agarrando meus dois braços. O rosto dele ficou muito perto do meu. — Responda, Rose! Você sabe, não é? Você sempre soube e sempre ignorou isso.
Ele sabia? Ele sabia que eu estava gostando dele de um jeito diferente? Então era isso. Ele fizera aquilo tudo para que eu percebesse que nós seríamos apenas amigos. Julian queria me magoar e me fazer enxergar a verdade. Mas eu continuei sendo a burra e idiota, imaginando como seria beijá-lo ou como seria ficar sozinha com ele e sentir o calor do corpo dele.
Engoli em seco antes de responder:
— É claro que eu sei, Julian.
E saí correndo mais uma vez. Desta vez, não ouvi Julian gritando o meu nome ou ele correndo atrás de mim. Ao mesmo tempo que me senti aliviada, me senti magoada. Ele finalmente havia desistido de mim.
Mas agora eu já entendia. Era tão duro perceber a verdade. Ainda mais daquela maneira. Por que ele havia feito aquilo comigo?
Quando me dei por mim, eu estava atrás do prédio em que ficavam as salas. Eu estava sozinha ali, e não tinha ninguém para me perturbar.
Sentei-me no chão. Nada parecia impedir os pensamentos de invadirem minha cabeça. Aqueles dias haviam sido tão bons. Eu só conseguia pensar no Julian e na possibilidade de ele também gostar de mim. Eu havia esquecido do Paul e do quanto ele era nojento. Não pensava mais que algo de ruim podia acontecer com o Oliver. Pensava que minha vida estava melhorando, mas eu só estava me enganando.
— Rose?
Era o Gary. Levantei-me rapidamente e o encarei.
— O que você quer? — perguntei rispidamente.
— Quero saber porque você está assim — ele respondeu.
— Eu não...
— Esqueça o Julian — falou ele, aproximando-se de mim e olhando bem fundo nos meus olhos. — Ele não merece você e é um canalha. Será que ele não pensa que é um crime deixar você assim?
— Como você sabe que é culpa dele? — perguntei, hesitando em me afastar.
— De quem mais seria?
Abaixei a cabeça. Estava óbvio, é claro. Eu estava sendo tão idiota em confiar e acreditar no Julian.
E de repente, senti os lábios quentes do Gary nos meus. Tentei recuar no início, mas ele segurou minha cintura forte, impedindo-me de ir embora. Mas a boca dele continuou com movimentos leves e a língua dele tentava timidamente encontrar a minha e se entrelaçar com ela. Deixe que ele me beijasse, mas não correspondi imediatamente.
Por fim, passei os braços ao redor do pescoço dele e me entreguei. Eu tinha que esquecer o Julian e aquele seria o primeiro passo.
O beijo do Gary foi de lento para rápido e depois para lento de novo e depois para rápido. Ele continuou a me segurar forte. As mãos dele exploravam minhas costas e uma delas desceu até o meu quadril. Por um pequeno momento, eu voltei a imaginar como seria o beijo do Julian, mas afastei esse pensamento logo em seguida.
Entreguei-me ao máximo que podia. A boca de Gary passou para o meu pescoço. Ele estava me fazendo gostar ainda mais daquilo. Abri rapidamente meus olhos, e flagrei Julian parado há metros de distância, olhando para mim e para o Gary, surpreso, com a boca aberta e os olhos arregalados. Eu não fiz nada e deixei que o Gary continuasse beijando e mordiscando meu pescoço.
No fim, Julian deixou de nos olhar e se virou para atrás, caminhando lentamente. Ele não olhou para mim novamente uma única vez.
Fale com o autor