I Can Be The One Tonight
3 Don't You Want To Be My Friend?
Notas iniciais
Kurt se pegou sorrindo de ler aquela mensagem de Blaine. Como não sorriria? O moreno mal o conhecia e estava oferecendo ajuda para perigos futuros.
O castanho deitou na cama segurando o seu celular e acabou pegando no sono. Só acordou quando seu pai o chamou para jantar. Ele jantou com seu pai falando sobre qualquer coisa, arrumou a mesa e a bagunça do jantar, olhou um jogo na televisão com seu pai e depois voltou ao seu quarto para dormir.
Quando o sai seguinte chegou, Kurt foi alegre para a escola, encontrou-se com Quinn e teve boas aulas, conseguiu até rir das piadas idiotas de um de seus professores.
Ao final da aula, Kurt estava quase saltitando durante o caminho para sua casa. Ele foi com Quinn até a casa dela e depois foi para a sua. Quando estava um pouco antes da metade do caminho, Kurt sentiu que alguém o seguia. Não tinha coragem de olhar para trás, mas ouviu risadinhas, murmúrios e algumas frases. Acabou reconhecendo a voz de um deles daquela noite em que Blaine o mandou correr.
Ele queria novamente sair correndo, mas podiam segui-lo até sua casa e invadi-la. Ele não sabia o quão perigosos eles eram ou até onde iriam para conseguir o que queriam. Ele também não queria pedir ajuda, mas sabia que só uma pessoa podia ajudá-lo. Tirou o celular do bolso e rapidamente digitou uma mensagem para Blaine, dizendo que esse era um bom momento para ele simplesmente aparecer, dizendo também onde exatamente estava e para que direção estava indo.
Mais cinco minutos caminhando, fazendo a volta para não ir para casa e os passos continuavam atrás de si. Blaine não havia o respondido, o que o deixou irritado. Blaine podia muito bem até estar com os outros garotos e estar em silêncio para não chamar atenção.
Kurt foi interrompido de seus pensamentos no momento em que uma bicicleta parou em sua frente e o fez subir na barra de trás. Blaine estava com um moletom preto e grande, com o capuz praticamente tapando o seu rosto. Kurt só reconheceu que era o moreno por conta de seu perfume.
Blaine tirou Kurt dali o mais rápido que conseguiu, sem nem olhar para os meninos que perseguiam o castanho. Mas Kurt sim tinha visto e guardado em sua mente como eles realmente era. O Anderson perguntou onde Kurt morava e o levou até lá.
— Obrigado. Eu não queria te incomodar. – Kurt disse um pouco tímido.
— Não se preocupe, eu não me importo de largar uma boa série para salvar o dia alheio. – Blaine disse irônico.
— Não quer entrar? – Kurt não devia ter perguntado aquilo, mas estava disposto a ver se Blaine o oferecia algum perigo, embora fosse bem claro que não.
— Pode ser. – Blaine largou sua bicicleta e entrou na casa junto com Kurt. – Sua casa é bonita.
— Obrigado. – Agradeceu Kurt, sorrindo para o moreno. – Quer tomar algo?
— Seus lábios para mim... – Pensou o moreno, mas ficou quieto, se limitando a apenas mover a cabeça negativamente. – Você não acha que é perigoso ficar para lá e para cá sozinho?
— Eu estava voltando da escola. – Se explicou Kurt. – Eu não pensei que eles fossem vir de novo atrás de mim.
— Eles não costumam desistir do que eles querem, principalmente se eles quiserem um garoto bonito.
— Então você me acha bonito? – Kurt perguntou desafiador. – Você mesmo disse que eu não fazia o seu tipo.
— E quem disse que eu falei a verdade? – Kurt ficou vermelho com as palavras de Blaine e subiu as escadas, sendo seguido pelo moreno. – Esse é o seu quarto? – Perguntou quando entraram em um outro cômodo.
As paredes eram em um tom claro de marrom, as cortinas da janela eram beges, os móveis também eram claros. Alguns quadros de música enfeitavam as paredes e a cama de Kurt ficava bem no centro do quarto, escorada na parede central.
— Sim, esse é o meu cantinho. – Brincou o castanho. – Passo a maior parte do meu dia aqui. Pode sentar, se quiser.
Blaine assentiu e sentou na cama de Kurt, que tirou o casaco e largou sua mochila em um canto. Ele se virou e viu que Blaine o olhava fixamente, sem nem piscar.
— Ainda acho perigoso você ficar andando sozinho por tudo. – Blaine disse depois de um tempo, percebendo que já tinha olhado demais para Kurt.
— Eu não tenho o que fazer, Blaine. – Kurt se justificou. – Não posso pedir para você me acompanhar por tudo ou pedir para o meu pai.
— Eu posso ajudar. – Blaine disse simples.
— E o que você vai fazer? Vai ficar me carregando por tudo na sua bicicleta? – Blaine abriu um sorriso com as palavras de Kurt antes de o responder.
— Eu carrego você direto nos meus braços se for preciso.
Blaine percebeu que Kurt ficou sem palavras ao ouvir aquilo. Até ele havia se espantado. Nunca encontrou alguém que o fizesse sentir o coração disparado, muito menos alguém com quem ele se preocupasse de verdade. Mas ele sabia que se preocupava com Kurt, sabia que queria Kurt e o queria como nunca quis ninguém.
Todos os garotos que conheceu, eram como os idiotas que estavam perseguindo Kurt, ou os seus outros amigos e procuravam apenas por sexo. Ele nunca se deu a chance de conhecer alguém que pudesse mudar isso, alguém que fosse um real desafio.
Ele sabia que se só tivesse sexo para oferecer a Kurt, era melhor ir embora agora, porque o castanho não aparentava ser alguém que se entregasse por tão pouco. Ele parecia ser o típico garoto romântico, que tem mil e um sonhos sobre como será o primeiro beijo. Ele era muito mais do que Blaine merecia e precisava de muito mais do que o moreno podia o oferecer.
Mesmo assim ele resolveu arriscar. Ele sabia que não iria mudar, não iria largar seus vícios e desejos apenas por Kurt, sabia que não largaria de ficar na rua durante toda a madrugada e sabia que não entraria em um relacionamento sério. Tudo que acontecesse entre eles teria que ser na base da confiança. Kurt teria que confiar que, mesmo que Blaine não mudasse seu jeito, não o trocaria por qualquer um e os dois não poderiam ter rótulo algum.
Só de pensar nisso, Blaine já sentia vontade de desistir. Era bem óbvio que Kurt não iria aceitar uma coisa dessas.
— Não esnobe minha bicicleta, ok? Não sou um príncipe montado em um cavalo, mas pelo menos tenho algo para fugir de quem quiser me perseguir, ao contrário de você. – Blaine levantou e se aproximou mais de Kurt. – Você não tem nem força para bater em alguém. O que vai fazer se da próxima vez eu não conseguir chegar a tempo?
— Eu não sei. Você está certo, não tenho força para bater em alguém, mas acho que correr eu consigo.
— Será? – Brincou Blaine. – Eu sou mais rápido que você.
— Duvido.
Kurt disse e começou a correr pela casa, fazendo Blaine correr atrás dele. Kurt se escondeu ao lado da escada e viu Blaine passar reto, ele riu e voltou para o andar de cima, batendo a porta de seu quarto e a trancando. Ele sentou em sua cama e começou a rir sem parar. Blaine nunca iria encontrá-lo.
Cerca de dez minutos se passaram e Kurt não ouvia um sequer ruído. Ele foi andando lentamente até a porta e, quando ia abri-la, foi prensado contra a mesma, sendo segurado por alguém, que o virou para si.
Blaine encarava Kurt fixamente como anteriormente, porém agora o olhava mais de perto. O moreno quase que não conseguia segurar a vontade que estava sentindo de tocar nos lábios de Kurt com a sua boca, mas o repreendia mentalmente para aguentar.
— Peguei você! – Disse depois de um tempo.
— Como chegou aqui? – Kurt perguntou se soltando dos braços dele, que respirou fundo.
— Pela janela?! – Disse óbvio e novamente se aproximou. – Você precisa de um amigo que te acompanhe até sua casa, pelo menos enquanto aqueles dois ficarem te perseguindo.
— Pensei que você fosse meu amigo. – Kurt olhou rapidamente para Blaine. – Quer dizer... você não quer ser meu amigo?
— Acho que esse é todo o problema.
— O que? Você ser meu amigo?
— Não, isso não. Você não entende, é complicado.
— O que eu não entendo? – Blaine novamente se aproximou de Kurt e o puxou pela cintura.
— Que eu quero ser muito mais do que apenas isso.
Fale com o autor