I Am Seeing You Until Die Forever
4 Um verdadeiro massacre.
Notas iniciais
O fogo se espalhava cada vez mais, eu estava no meio daquelas chamas ardentes e vermelhas. Era um verdadeiro inferno. As chamas estavam se aproximando de mim, logo eu entraria em contato com elas, eu não queria, eu chorava e gritava por socorro, eu queria correr, mas alguma coisa me segurava, alguma coisa dizia tudo ao contrario. O fogo finalmente relou em meu corpo, eu estava ardendo em chamas, eu só sabia gritar. Isso dói, dói muito! A cada passo que eu tentava dar o fogo penetrava cada vez mais em minha carne, já apodrecida. Uma voz disse, eu consegui ouvir claramente como se tudo ficasse me silencio: “Quando é difícil se libertar, apenas grite. Aceite o seu verdadeiro destino, aceite você como realmente é.”
Acordei assustada através de um pulo, suando. Coloquei as mãos na cabeça, fechando os olhos. Meu coração batia rapidamente, eu estava assustada. Esse sonho está horrível, eu o tenho todas as noites. Porque eu nunca entendo o verdadeiro significado dele? Se é que ele tenha algum. Eu preciso saber o que está realmente causando minha verdadeira loucura. É como uma mascara que eu não quero mais vestir.
Olhei para o relógio ao lado, como sempre eu não estava atrasada. Suspirei, aliviada. Dei de ombros apenas pensando na mesma coisa de sempre, que era apenas um pesadelo estúpido. Olhei para o céu diante da janela, parecia que hoje iria chover. O céu estava escuro com nuvens negras, as quais escondiam os raios do sol. Sorri, era linda essa cena. Arrumei-me rapidamente e peguei meu MP3 em minha estante. Desci as escadas até chegar à sala, meus primos dessa vez estavam lá, mas nem olharam na minha cara. Desviei meu olhar e sai pela porta. Comecei a andar lentamente pela calçada, ouvindo música no meu MP3. A brisa gelada batia em meu rosto, tudo estava muito calmo e agradável. Talvez hoje faça um maravilhoso dia!
É verdade... Hoje não vai ter aquela garota infernal para me irritar... Que maravilha! Muita sorte! Mas... Aquela cena da morte ainda me perturba, principalmente a mensagem. Eu sempre tento esquecê-la, mas não consigo. Os policiais julgaram o acontecimento como um suicídio e ninguém mais tocaram no assunto. Embora alguns rostos estavam tristes, eu era a única que sorria, não sei por que. Ao me aproximar da escola eu desliguei e guardei meu MP3. Eu pensei que ia ser um dia feliz, um dia que ninguém iria me incomodar, mas...
Os olhares vieram diretamente para mim, todos bravos e frios, e como sempre muitos riam. Quando eu me aproximava de alguns alunos para passar nos corredores da escola, eles se afastavam ou saiam correndo, rindo. Olhei para eles confusa, mas logo ignorei, apenas entrando na sala. Lá, mas olhares vieram diretamente para mim, agora todos estavam com olhares frios. Abaixei a cabeça e fui até o meu lugar.
- Ei, Mille... –uma garota se aproximou de mim, cabisbaixa e com um olhar triste.
Olhei para ela, a reconhecendo. Era uma das amigas daquela maldita garota, aquela que sempre andava com ela e ria quando ela fazia uma piadinha de mau gosto sobre mim. O nome dela era Elizabeth.
- Hm? –a encarei.
- Que malvada você é... Seu pedaço de merda! –o olhar triste dela sumiu quando um sorriso sarcástico surgiu. Ela era a pior de todas.
- O que? Vá pro inferno, eu não te fiz nada.
- Ah sim, você fez... Lola era uma garota tão boa, porque você mexeu com a cabeça dela e a fez se suicidar? Por quê?! Ela não te fez nada, sua merda! -ela gritou, fazendo todos olharem para mim.
Arregalei os olhos ao ver todos os olhares sérios para mim. Lembrei-me, Lola era o nome daquela maldita que morreu.
- O que?! Eu não fiz nada! Ela que é a “merda” aqui! Junto com você! –gritei também.
- Problemática. –alguém no fundo da classe disse.
- A única merda é você! Você é um monstro, judia de todo mundo! Insensível! –outra pessoa disse.
- É, monstro! Sua merda! –algumas pessoas repetiam isso várias vezes.
Meu coração voltou a bater rapidamente, eu estava suando. Culpada por uma coisa que eu não fiz? Por que... Por quê?!
- A culpa foi dela! Eu não sei por que ela se suicidou! Ela que provocava todos, ela me provocava! Ela é a culpada! –disse, olhando para todos.
- Por que você a culpa por causa dos seus atos? É medrosa demais para assumir a responsabilidade? Inútil. Sua merda! –Elizabeth levando seu punho, acertando no meu rosto.
Abaixei a cabeça e coloquei a mão encima do lugar roxo que ela havia provocado. Ela riu e todos riram juntos.
- Isso é só um pouco do que você merece! –alguém disse e tacou uma bolinha de papel em mim.
- Ok alunos, vamos ficar quietos porque eu cheguei. –a professora abriu a porta e entrou na classe.
Todos voltaram para os seus lugares e sorriram normalmente. A aula já havia começado. Alguns lançavam olhares para mim, seguidos de sorrisos e risadas sarcásticas.
Deitei a cabeça na carteira, afundando a cabeça em meus braços. Eu segurava o choro. Por que eles me culpavam? A culpa foi toda dela... Ela é a causadora disso tudo... Droga! Vão todos pro inferno também! Morram todos!
Minha visão ficava zonza, minha cabeça doía muito. Eu tombava minha cabeça para os lados, sentindo meu corpo mole. A professora se aproximou de mim, colocando a mão nas minhas costas e me chacoalhando. A boca dela mexia, mas eu não conseguia ouvir nada. Não consegui manter meus olhos abertos, eu apenas desmaiei.
Eu estava deitada no chão, no meio da sala. Minha visão ainda estava zonza, era difícil saber o que havia acontecido. Ninguém mais falava nada, estava um silencio total. Passei alguns minutos deitada no chão até que minha cabeça parou de doer, minha visão voltava ao normal aos poucos. Levantei e apenas fiquei sentada no chão, colocando uma mão na cabeça, um pouco confusa. Olhei diretamente para o chão, percebendo que minha mão estava encima de uma poça de sangue. Arregalei e dei um pulo para trás, me arrastando para afasta daquilo. Relei em alguém atrás de mim, me virei e olhei para um corpo deitado. Eu estava assustada, a primeira coisa que eu fiz foi chacoalhar o corpo, mas nada adiantou. Ele estava virado de costas para mim, apenas o puxei para ver seu rosto. A pele de seu rosto havia sumido e ele estava sem os olhos, à boca aberta com as bochechas rasgadas dava expressão de medo. Levantei-me rapidamente e me afastei dele, com mais medo ainda.
Quando me levantei olhei para o meu redor, fazendo força para não vomitar. A classe estava repleta de sangue, o chão e as paredes sujas. Corpos dos alunos estavam jogados sobre as carteiras e sobre o chão. Muitos estavam mutilados, sem um braço, sem cabeça ou sem a perna. Um ou outro estava com a barriga aberta e os órgãos espalhados ao seu redor. A professora estava um pouco perto da porta, parecia que tinha tentado correr. Suas duas pernas haviam sido cortadas, as quais estavam enfiadas dentro de sua barriga. Afastei-me mais um pouco, pisando em um olho e o estourando. Ao lado do olho, já estourado, vi uma cabeça com vários lápis fincados no cérebro. Isso é... Um verdadeiro massacre!
Na parede do fundo da sala estava o corpo de Elizabeth pendurado, sendo segurado por apenas um lápis fincado em sua testa, que a prendia na parede. A barriga dela foi cortada e violentamente aberta, com todos os órgãos amassados e poucos visíveis por causa do sangue que os tampava. Afastei-me novamente, me aproximando um pouco da porta, mas fazendo de tudo para não relas na professora morta no chão. Olhei para a lousa, novamente uma mensagem escrita com sangue:
“Não é uma piada, eu me senti tão bagunçada quanto você, eu senti os sentimentos que você vem sentindo. Aceite o destino e como ele realmente é. Pare de fingir e seja você mesma, olhe ao seu redor e mostre para todos como você realmente é!”
Arregalei os olhos, pulando e desviando do corpo da professora caída no chão, saindo correndo pela porta. A cada passo acelerado que eu dava, minha cabeça voltava a doer. Eu quero sair daqui! Eu não quero entender nada, mas também não quero sofrer!
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