I Am Just a Kid
1 Niccolas diz...
Notas iniciais
Só eu sou tão problemático? Como será que meus pais estão? Desde ontem à noite eles só fazem brigar, estou muito preocupado. E o Junior? Não o vejo faz dias! Eu, como irmão, tenho que me estressar! Ele anda com más companhias e saí todo dia de noite. E agora?
-Niccolas! – a professora gritou e eu dei um pulo na cadeira, a sala toda riu.
— S-sim?
-É só a chamada.
-Ah, presente. – voltei o olhar para minha carteira rabiscando qualquer coisa no caderno.
-Nick, por que você está desse jeito? – Dana, que estava ao eu lado, sussurrou para mim. Droga, estava tão na cara assim?
Dana sempre foi minha melhor amiga, tudo posso contar a ela. Nunca achei a Dana feia, até que ela é bonita: cabelos loiros e ondulados, olhos castanhos e a sua pele é clara e macia. — eu realmente sou detalhista – Ela não é tímida, pelo contrário, é aquela garota extrovertida e que anima a todos.
-Não é nada, só estou com dúvida na matéria. – respondi depois do silêncio profundo.
-Vou fingir que acredito, cara. – Du falou baixo se curvando um pouco para frente para a professora não escutar. – Nem aula ela deu ainda! Tu tá é voando mesmo.
Esse é o Eduardo, o mané da sala e meu melhor amigo. Ele é muito engraçado e só faz brincadeiras, mas por outro lado sempre está comigo para o que der e vier. Se bem que eu me ferro às vezes por causa disso. As garotas gostam dele... É ruivo e sua pele é clara. Eu acho ridículo.
-Deixa, é besteira. – arranquei a folha ao perceber que já estava toda usada.
-Você sempre contou tudo para a gente, por que agora ta calado sofrendo sozinho? – a sábia falou.
-É! Tudo bem que eu vá gozar de sua cara depois e isso vá te afetar pelo resto de sua vida, mas eu vou entender. – ele me deu um tapa nada fraco nas costas.
-Não está ajudando, babaca. – tirei sua mão rindo. – Ei, vocês querem ficar lá em casa de tarde?
-Claro, aproveitamos para fazer o trabalho do professor Ricardo. – sugeriu Dana.
-Ô, CDF, ele nos chamou para passar a tarde de bobeira, não para atolar a cara nos livros. – Du brincou a estressando, fazendo-a jogar a bolinha de papel amassada no olho dele.
-Vamos começar! – a velha professora Ângela levantou-se da sua mesa e todos se calaram a olhando. – Temos teste na próxima semana. Quero que todos estudem os capítulos que eu passei e o resumo sem falta em minha mesa na segunda! – avisou colocando no quadro em letras de fôrma.
-Quantas linhas? – Roberto gritou levantando a mão.
-Eu sei que tem pessoas aqui da sala que fazem letra maior para dar um número certo de linhas... – deu uma pausa olhando para Du, todos caíram na gargalhada, inclusive ele. – Então quero esse resumo digitado e com essas seguintes referências. – virou-se anotando algo mais na lousa.
“Cabeçalho (Nome, turma, data, etc.) tamanho 16; Letra Arial; Texto tamanho 12; etc.”
-Ei, agora é sério, está tudo bem? – Dana interrompeu minha anotação.
-Quando você chegar lá em casa vai ver... – quis terminar a conversa, mas o sinal para o intervalo tocou causando a maior bagunça. Fui logo puxado por Hana, uma garota patricinha que é doida por mim.
-Niiick!! O que você vai fazer de tarde? Ah, é que a gente podia ver um filme no cinema e tomar um milk-shake. – Traduzindo da linguagem de Hana: “Nick, quer ficar longe dos seus amigos e namorar comigo?” Pois é, a patricinha de cabelos castanhos e cacheados com olhos azuis e pele branca faz de tudo para eu ser ‘popular’. Aff.
-Desculpa, mas vou fiar em casa com a Dana e o Du.
-Ah, claro. O casal DD! Ah, Nickizinho, deixa eles um dia!
-Foi mal, hoje é importante. – tirei suas mãos do meu braço e me afastei dando um tchau, os outros dois me esperavam de braços cruzados.
-Aquela menina é chata, einh?! Vive grudada no seu pé! – Dana andou na frente fazendo eu e Du a seguirem.
-Hey! Eduardo! – alguém gritou atrás da gente, Du se virou para falar com Toni, um amigo da sala.
-O que foi? – perguntou. Eles começaram a conversar e eu e Dana saímos de perto para sentar nas mesinhas da cantina. Hum, bateu uma fome.
-Como estão seus pais? – ela me olhava enquanto eu dava uma mordida no ‘X-tudo’.
-Ainda bem que você perguntou. Andam brigando... Não aguento mais a gritaria lá em casa. – falei de boca cheia dando um gole no refrigerante dela.
-E seu irmão?
-O Junior está novamente ‘desaparecido’. Aposto que tá namorando alguma garota de novo, enchendo a cara... – suspirei.
-E aí? Perdi alguma coisa? – Du falou se aproximando com o grandão Toni. Ele era tão diferente... Seu cabelo dos lados era castanho e no meio como uma mecha loira. Ele tinha piercings e brincos. O sujeito era legal e muito gente boa, ninguém tinha medo do estilo dele.
-Não... Mas com vai o time de futebol, Toni?
-Conseguimos ganhar dos ‘Tigres verdes’ semana passada e amanhã temos um torneio. – sorriu.
-Legal, nós vamos. – falou o ruivo animado. Sei não... Foi estranho.
-Beleza, vou jogar um pouco. Fui. – correu depois de receber um aceno de mão do Du. O sinal tocou de novo depois de dez minutos.
O resto da escola foi todo assim, então segui minhas aulas tediosas de Matemática e História. Quando largamos fomos a pé para minha casa, umas duas quadras dali. Entramos já ouvindo as discussões dos meus pais.
-E eu sou o culpado agora? – meu velho gritou da sala para minha mãe que estava na cozinha. Pelo cheiro teríamos lasanha no almoço.
-É! Se não fosse o mau exemplo do pai para o Junior ele não estaria um viciado nas ruas! Ele pode ser preso, Manoel!
-E quem é que não deu o exemplo aqui? Sua-...
-Pai, mãe, meus amigos estão aqui... – avisei antes da sessão palavrão começar.
-Ah, olá meus anjinhos. – logo dona Márcia mudou assanhando os cabelos ruivos do Du e apertando a bochecha da Dana. – Já querem almoçar?
-Não, obrigada tia. Vamos subir e tomar um banho antes.
-A bolsa de vocês está no armário. – ela quis dizer a mala. Meus dois amigos deixam uma mala aqui para virem quando quiser. É louco. Subimos e tudo o que ouvimos foi um xingamento e o barulho da porta batendo. Acho que meu pai saiu.
-Então? O que querem fazer depois do almoço? – perguntei pegando a bolsa deles.
-Eu vou fazer as tarefas. – Dana entrou no banheiro.
-Ei! Dana! Você passa um século no banho! Deixa eu ir primeiro! – gritava Du batendo na porta. Desistiu se jogando na minha cama e pegando meu PSP. – Nick. – sussurrou e eu me virei para encará-lo. – Já disse para a Dana? – senti meu rosto esquentar.
-Err... Não. Não vou contar a ela. Vai estragar nossa amizade. – falávamos baixo mesmo ouvindo o chuveiro ligado.
-Qual é! Tenta pelo menos. – ele riu voltando a jogar futebol, pelo que parecia.
Fale com o autor