Há beleza no inverno
7 Sentir
Notas iniciais
Era sempre um alívio imenso ouvir o sinal da última aula. Este era o momento em que eu poderia deixar de lado a casca na qual eu me acostumara a viver, e começar a ser eu mesma. Era quando eu e Jack íamos nos encontrar em nosso cantinho, no parque abandonado perto da escola.
Chego lá correndo, e ele já está lá me esperando. Pulo nos braços dele, e ele me gira no ar.
– Oi, Jack – digo, rindo.
– E aí, Elsinha. – ele diz, e me beija. Ficamos abraçados por um bom tempo, algo que eu queria que fosse eterno.
Logo, começamos o nosso pequeno treino. Eu crio alguns flocos de neve, que giram e dançam pelo ar. Depois, criamos alguns bonecos de neve, e até os damos nomes.
– Você percebeu – ele disse, depois de um tempo – Percebeu como os dias estão ficando mais frios?
Eu olho para ele. Estávamos sentados na grama molhada de orvalho, típico do outono. Mas sim, estava ficando mais frio.
O inverno estava chegando.
– Sim, eu percebi – digo, acariciando seu rosto – Nossa estação está chegando.
Beijo seu nariz, deixando um pequeno floco de neve onde meus lábios tocaram. Ele ri, e então, me beija.
Nosso beijo é delicado, caloroso. Nós completamos os vazios um do outro.
Logo, começamos a ficar mais urgentes. Ele me beija com vontade, uma das mãos em minha cintura, e a outra em meus cabelos. Nós parecemos um só, com nossa alma fundindo-se. Ele me deita no chão, e começa a beijar meu pescoço, deixando delicados flocos de neve por onde passa. Quando vejo, ele está desabotoando minha blusa.
–Jack... – sussurro, com a voz falha.
Ele para, de repente, parecendo lembrar-se de onde nós estávamos.
– Ah, bem... Desculpe – ele diz, nervoso.
Eu rio.
– Relaxe, seu bobo – digo – Só... Aqui não, está bem?
Seus dedos passam por meus lábios e contornam meu rosto.
– Claro, minha pequena. – ele diz, e eu derreto.
****
Quando estou com Jack, eu sinto. Durante minha vida inteira, eu me recusei a sentir, pois tinha medo do que poderia acontecer com meus poderes. Mas, com ele, é como se nada mais importasse, e eu apenas sinto.
Nestes momentos, parecia óbvio o que ele diz sobre nós termos nos conhecido antes. A história de nossa infância juntos parece completamente verídica, até por que eu não consigo me imaginar não o tendo conhecido antes. Parece uma ideia estranha, e até errada, nós não estarmos juntos. É como se fossemos obviamente criados para nos conhecer, e é ridícula qualquer ideia de que nós nunca tenhamos nos visto antes.
Mas ainda me incomodava o fato de eu não conseguir me lembrar. E, se o que ele diz é verdade, então os meus pais nos separaram. Por que eles fariam isso?
O que teria acontecido para me fazer esquecer de nossa infância juntos? Essa pergunta ainda me atormentava.
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