Notas iniciais
Preparados para aumentar o nivel da bizarrice? Bem, espero que estejam!

“Wow, Time, lembra quando você teve que entrar dentro daquele peixe gigante e brincar de arremesso de Ruto pela dungeon inteira?”

“Lembro! Foi um saco...”

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“Hey, Time! É verdade que você já se infiltrou no forte das Gerudos do deserto e impressionou todas as mulheres de lá com o tamanho do seu Hookshot?”

“Sim, elas até me deram um cartão de membro honorário...”

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“Time! Time! Sabia que a sua história era famosa lá na minha ilha? Todo mundo falava sobre o Herói do Tempo que havia salvado Hyrule de ter um terrível rei ruivo!”

“Ah é...? Legal...”

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“Hey, Time! É verdade que você tinha uma queda pelo Sheik antes de descobrir que ele na verdade era ela?”

“Já CHEGA!” Time arremessou a mesa à sua frente em um gesto de puro aborrecimento.

Twilight cochichou para Wind:

“Eu disse que o sexo do Sheik era um assunto delicado pra ele.”

“Já estou de saco cheio disso!” Time bradou, levando as mãos ao ar e andando enraivecido pela calçada da lanchonete onde eles se encontravam. “Para onde eu vou as pessoas falam como se salvar Hyrule fosse a única coisa que eu tivesse feito como herói!”

Todos os heróis assistiram à cena sem ter a menor ideia do que o companheiro estava falando.

“Para a sua informação, eu não só salvei Hyrule, mas também salvei um lugar mil vezes mais macabro!” Continuou Time, criando um alvoroço. “Eu não sou só o herói de Hyrule! Também sou o herói de Termina! Por que ninguém nunca menciona esse lugar? Eu exijo o meu devido reconhecimento!”

Tri bebeu seu chá ruidosamente, posteriormente segurando sua xícara nas próprias mãos uma vez que a mesa não mais se encontrava presente.

“O que é Termina mesmo?”

“Viu?! É disso que estou falando!” Acusou Time, apontando para o herói estiloso. “Ninguém olha para mim e lembra do herói que impediu a lua sinistra de destruir uma cidade inteira! Eu quero ser devidamente apreciado!”

Com um arremessar de franja que em qualquer outra circunstância teria sido fabuloso, o herói enraivecido marchou para longe do lugar, deixando para trás três heróis muito confusos e uma conta de danos de propriedade para pagar.

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Caminhando pesadamente para nenhum lugar em especifico, Time resmungava baixo.

De repente, o herói soltou um palavrão ao tropeçar em um objeto duro e pesado, indo de encontro ao chão.

“Mas que diabos...AH!”

O objeto reluziu com luz intensa, e assim que Time o puxou para fora do solo, ele começou a flutuar enquanto um pequeno coral invisível cantava “aaaaaahhhh” aos fundos.

“O Triforce...!” Time idolatrou o objeto, sua boca aberta.

Sem se perguntar o porquê do item mais poderoso do universo estar parcialmente enterrado no local mais patético possível, Time olhou à sua volta.

Não havia ninguém por perto (embora o herói estivesse certo de que conseguia ouvir Sky roncando de algum lugar). E o Triforce continuou lá, flutuando a meros centímetros de suas mãos, tão sólido e real que parecia chamar pelo toque do herói.

Por algum motivo, Time imaginou o Triforce deitado dorsalmente em sua cama usando uma Lingerie dourada e sussurrando sedutoramente com uma voz muito grave e masculina ‘Me toque, Link...’.

Essa visão o deixou amedrontado, portanto tratou de desfazê-la.

Time levantou-se do chão e espanou brevemente suas roupas, enquanto sua mente projetava mil e um cenários de como aquele acontecimento poderia trazer paz e harmonia para a sociedade. No final, ignorou todos eles.

Tocou o Triforce.

“Eu quero que a parte de mim que salvou Termina seja reconhecida.”

O Triforce começou a brilhar mais intensamente, fazendo barulhos semelhantes à de um foguete prestes a decolar, e de fato decolando, subindo aos céus e deixando um rastro de arco-íris em meio à uma nuvem de fumaça.

O cenário inteiro começou a brilhar, uma luz dourada envolveu o corpo de Time, erguendo-o do chão. Por alguns instantes, o herói sentia como se seu corpo houvesse deixado o plano no qual estava meros segundos atrás e adentrado um outro plano, o plano espiritual, onde por algum motivo tocava música de elevador.

A luz atravessou seu corpo, e o cenário à sua volta parecia projetar todas as suas memórias, como se sua vida inteira flutuasse ao seu redor. E então, algumas cenas desapareceram.

Subitamente, Time estava de volta ao seu plano. Estava no mesmo bosque onde havia encontrado o Triforce, deitado no chão, encarando o céu, e com sua cabeça pulsando.

Reparou, então, que havia algo em cima de seu corpo.

Esperando o mundo entrar em foco, Time não tardou a perceber que o que estava em cima de si não era algo e sim alguém. A pessoa – criança, Time notou- estava desajeitadamente deitada em transversal sobre o estômago do herói, com sua testa tocando o chão.

Um par de olhos azuis nublados virou-se para encarar Time. A criança, que até então aparentava estar confusa, começou a sorrir travessamente ao reconhecer Time.

Time conhecia aquela expressão travessa muito bem.

O herói gritou alarmado com realização de que a criança deitada sobre si era ele mesmo.

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“Do que você se lembra?” Perguntou Time para a criança, ambos sentados em um banco no meio do bosque.

A criança – a qual Time decidiu-se por chamar de Child, uma vez que ela era o próprio Time quando criança – balançava os pés alegremente.

“Eu lembro de ter caído de um penhasco e ido parar em Termina. Ai eu tive que coletar umas mascaras e ir até a lua brincar com as crianças e matar um demônio.”

Time assentiu. Como suspeitava, o Triforce havia separado o herói de Termina, fazendo dele uma pessoa própria. Time percebeu que as suas memórias de Termina estavam um pouco confusas: lembrava-se de ter estado lá, porém os detalhes não eram nítidos.

“Você se lembra de alguma coisa antes disso? Lembra de Ganondorf?”

Child refletiu por alguns momentos.

“Sim, um pouco. Por isso que eu reconheci você. Lembro de quando peguei a Master Sword e fui para o futuro e... eu era você...? Eu acho...” Child fez uma expressão confusa, de quem não consegue lembrar de algo.

“Certo, então você é o herói de Termina, que salvou Clocktown depois de ter salvo Hyrule, embora para salvar Hyrule você tenha ido para o futuro, então no seu passado você era um adulto , que no caso sou eu. Então nós fomos divididos de forma que eu sou o adulto que salvou Hyrule e você é a criança que salvou Termina.” O próprio Time estava confuso ao terminar de falar. “Vai ser um saco explicar isso para os outros.”

Child saltou do banco e começou a vasculhar os seus itens.

“Você também tem a Ocarina?” Perguntou Child, mostrando seu próprio instrumento.

Time apalpou o lugar que sempre guardou a Ocarina do Tempo, sentindo que de fato ela estava lá.

“Sim. Então agora existem duas Ocarinas do Tempo.” A expressão de Time abalou-se momentaneamente ao perceber algo. “Por outro lado, eu não tenho mais as máscaras. Elas provavelmente estão com você.”

Child concordou, fisgando uma máscara aleatória para provar o fato.

Por mais que Time admitisse que o que havia acabado de acontecer parecia esquisito demais para ser realidade, o herói não pode deixar de se sentir contente. Mal podia esperar para que os outros heróis conhecessem Child – uma ótima oportunidade para provar à todos que os seus esforços para salvar Termina eram dignos de respeito e reconhecimento.

Time levantou-se e agarrou a mão de Child.

“Vamos encontrar os outros!” Alegou, começando a correr alegremente e puxando a criança consigo.

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Twilight embaralhou os seis copos à sua frente com uma velocidade tão impressionante que suas mãos pareciam um borrão indistinguível.

Ao terminar, sorriu orgulhoso ao deixar os seis copos posicionados um ao lado do outro, acenando com sua mão que os outros dois heróis já podiam dar os seus respectivos palpites.

“Oh! Hm... Ele está neste aqui!” Wind apontou para o último copo da fila.

Twilight ergueu o copo. Mini não estava lá.

“Heh. Você nunca acerta.” Tri desdenhou, para em seguida apontar para outro copo. “Ele obviamente está aqui.”

Twilight ergueu o respectivo copo, revelando um Mini tonto e cambaleante por ter sido embaralhado rápido demais.

“Arg, Tri! Você acerta todas!” Wind choramingou.

Tri, vestindo seu Linebeck Uniform, reclinou-se para trás em sua cadeira, em uma pose relaxada e orgulhosa.

“Eu tenho o dom.” Falou, com um sorriso arrogante, enquanto recebia o dinheiro da aposta.

“GALERA!”

Tri caiu da cadeira enquanto os outros heróis olhavam na direção da voz.

Avistaram Time correndo em direção ao grupo, arrastando uma criança consigo.

Mini voltou ao seu tamanho normal e Tri se levantou, de forma que os quatro heróis assistiram o Herói do Tempo e a criança se aproximarem.

“Wow! Esse é o novo Link? A Nintendo lançou um novo Zelda?” Mini perguntou, ainda aturdido.

“Mini, eu sei que você está tonto mas isso não é desculpas para quebrar a quarta parede.” Wind olhou com reprovação para o pequeno herói, para depois voltar a sua atenção à criança. “Quem é ele e por que ele está sem calça?”

Time sorriu radiante, levantando Child e suspendendo-o no ar à sua frente.

“Ele sou eu! No passado!” Time anunciou, e Child alegremente concordou com a cabeça. “Ele não é uma graça?”

“Isso explica o nariz gigante.” Comentou Twilight, apenas para receber um chute bem mirado em suas Terras Baixas por Child (que se aproveitou de sua posição estratégica, erguido do chão e diretamente à frente de Twilight).

“Gostei dele.” Aprovou Wind.

“Espera, então agora existem dois de você.” Resumiu Tri, ignorando os grunhidos de dor do Herói do Crepúsculo ao seu lado.

“Exatamente!” Time colocou a criança de volta ao solo. “Eu estou chamando ele de Child, para ficar menos confuso. Você sabe quem são eles, certo, Child?”

“Eu lembro deles, um pouco.” Falou Child, analisando o rosto de cada um dos heróis presentes. Tecnicamente, eles eram as memórias de Time, portanto o conhecimento de Child sobre os heróis estava enevoado, de certa forma.

“Certo. Time.” Twilight falou, ainda massageando seus órgãos danificados. “Agora explique como diabos você conseguiu se dividir, porque até onde eu saiba a única coisa que você sabe dividir é esse cabelo.”

Time narrou o seu encontro com o Triforce.

Mini – agora com os pensamentos em ordem – foi o primeiro a comentar:

“Hey... Isso não é meio perigoso? Fazer um pedido desses para o Triforce...”

“Espera, então você encontrou o Triforce e NÃO pediu ingressos para o show do Mindless Self Indulgence?” Tri questionou, incrédulo.

“Ah, parem de ser pessimistas! Eu fiz um ótimo pedido!”

Child sorriu, travessamente.

“É! Agora eu vou poder viver com vocês!” Falou, para depois acrescentar: “E eu sei todos os segredos dele.” Sorriu, apontando para Time.

“Oooohohoho! Esse nanico com certeza será útil!” Wind sorriu, trocando olhares malandros com Twilight.

Seu sorriso, porém, foi desfeito assim que Child colocou sua Fierce Deity Mask, transformando-se na divindade poderosa e obscura, emanando uma aura sombria ao obstruir a visão de Wind com seu corpo de proporções generosas.

“Quem é nanico?” Falou Child, sua voz muito mais madura e poderosa.

Com exceção de Time, todos os heróis olharam assombrados a ex-criança, em especial Wind, que se encolheu boquiaberto sob a visão.

Tão espantado quanto os outros, Twilight sussurrou para si mesmo:

“Olá novo crush.”

Voltando ao normal, Child e Time caíram na maior gargalhada de suas vidas.

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Child estava se dando bem com os outros heróis.

Agora que o herói de Termina não era mais a mesma pessoa que o herói de Hyrule, os seus feitos não eram obscurecidos pelos feitos do mesmo. Dessa forma, os outros heróis se mostravam mais curiosos à respeito da história de Child, e conhecendo-a, não tardavam a reconhecer que a criança era de fato alguém interessante para se ter por perto.

Time estava contente por aquele lado de sua história, mesmo sendo agora um indivíduo próprio, finalmente poder ser apreciado sem estar constantemente sendo colocado às sombras do herói de Hyrule. O herói de Termina agora era independente – podia brilhar sozinho.

Time e Twilight caminhavam sozinhos, à procura de Sky. Mesmo satisfeito com Child, Time ainda achava que seria certo consultar Sky, o primeiro herói, saber sua opinião a respeito do assunto.

Child havia ficado para trás, competindo com Tri para ver quem era o melhor Zora (Child com sua máscara, Tri com sua roupa).

Encontrar Sky sempre era uma aventura por si só – o herói tinha o talento extraordinário de adormecer nos locais mais bizarros de Hyrule. Para isso, os demais heróis haviam encontrado fatores que poderiam auxilia-los na tarefa: a forma mais fácil era pedir para Twilight usar os seus sentidos de cachorro para seguir o cheiro de Sky.

Os heróis sempre sabiam que eles estavam chegando perto quando ouviam frases sonolentas aleatórias a respeito de baleias.

“Uuugh... fique longe... baleia, mmh...”

Time olhou para Twilight.

“Ouviu isso, Twilight? Estamos perto!”

Twilight, em sua forma de lobo, farejou o chão e saiu correndo.

Os roncos e frases sonolentas de Sky os guiaram até a casa de uma bruxa ao norte de Hyrule – próximo ao local onde Time havia encontrado o Triforce.

Ao chegarem ao local, Irene, a aprendiz de bruxa, os aguardava com uma expressão indignada e, sem falar uma palavra, apontou para um dos caldeirões enfileirados na parede de sua casa.

“Francamente.” Falou a garota, dando as costas aos convidados.

Twilight voltou à sua forma humana, e ambos os heróis se aproximaram do caldeirão.

“As preferências de lugares para dormir do Sky serão sempre um mistério.” Falou Twilight, observando o companheiro que roncava no interior do caldeirão, em uma posição que não parecia muito confortável.

Time concordou, desembainhando sua espada e, com o cabo da mesma, batendo ruidosamente no caldeirão.

O caldeirão vibrou emitindo um som estrondoso, e Sky gritou de surpresa.

“Sky, precisamos conversar.” Falou o Herói do Tempo, fisgando o companheiro para fora do recipiente.

“Se homens engravidassem eu estaria com muito medo agora.” Sky falou sem nem pensar, ainda atordoado pelo despertar violento.

Time e Twilight decidiram ignorar o comentário.

Alguns minutos depois, os três heróis estavam do lado de fora da casa da bruxa, sentados sob uma árvore. Time narrava o seu encontro com o Triforce.

“E agora o eu-criança é uma pessoa própria.” Concluiu Time, após quinze minutos de explicação.

Sky o observava com uma expressão mais séria do que ele esperava.

“Espera. Então agora você é duas pessoas diferente.” Sky resumiu. “Existem dois de você, cada um retirado de determinado ponto da sua vida. O seu passado e o seu presente coexistem.”

“Exatamente.”

Sky se levantou.

“Time seu escroto!” Esbravejou o herói, jogando suas mãos para o alto. “Você tem ideia do que você fez?!”

Twilight também se levantou, não muito alarmado.

“Ele tem. Ele acabou de falar tudo o que ele fez. Ele obviamente sabe o que ele fez.” Comentou o Herói do Crepúsculo, como se estivesse somando dois mais dois.

“Não é disso que estou falando!” Sky continuou, zangado. “Você se dividiu, agora é como se no passado houvesse existido dois heróis durante uma mesma época, ou seja, duas pessoas que carregaram o mesmo espírito! Além disso, agora é como se houvesse um vácuo na sua existência, Time! Como você acha que o universo vai interpretar isso?!”

Time coçou o nariz, sua expressão estava confusa.

“Agora que você colocou desse jeito...” Começou o herói.

“Nah, você se preocupa demais.” Twilight interrompeu, se dirigindo à Sky. “Se fosse assim, o universo já estaria entrando em colapso.”

Assim que Twilight concluiu a frase, o universo entrou em colapso.

Um barulho agudo cortou o ar, ao mesmo tempo em que o chão começou a tremer. A iluminação ambiente mudou de alguma forma, embora sozinhos os heróis não conseguissem definir como.

O estatelar de vidro fez os três guerreiros olharem em direção ao céu. Todos eles exclamaram em surpresa ao mesmo tempo assim que viram o trincado logo acima de suas cabeças. O céu parecia feito de vidro, com uma região enorme trincada revelando um espaço vermelho antinatural. Rajadas de vento violentas vazavam por esse trincado e iam em direção a terra, criando ciclones poderosos que arrancavam árvores e destruíam construções.

Os gritos desesperados dos cidadãos logo preencheram o ar, e, como se fosse um toque final, as vilas ao redor foram consumidas em chamas.

“TIME! PUTA MERDA!” Twilight gritou, com as mãos na cabeça. “VOCÊ COMEÇOU O RAGNARÖK!”

“Agora não é hora de mencionar escatologias hereges, Twilight!” Sky repreendeu, para então agarrar os ombros de Time e faze-lo levantar. “Você precisa consertar isso!”

Time estava chocado demais para conseguir responder de imediato.

Twilight começou a correr em círculos.

“Oh não! A imprudência e desejos auto indulgentes de Time criaram um lapso espaço-temporal e agora vamos todos MORRER! Time! TIME! Faça alguma coisa! Você começou isso!”

Como se o caos atual não bastasse, não demorou muito para um som diferente dos demais ruídos de destruição começar emergir. Aos poucos, os heróis perceberam que se tratava de uma música que parecia vir dos céus. Bastou a voz metálica e artificial começar a cantar para que Sky, aos berros, perguntasse ao próprio universo:

“POR QUE ESTÁ TOCANDO VOCALOID NO FIM DO MUNDO?! QUEM FOI O ESTÚPIDO QUE ESCOLHEU ESSA TRILHA SONORA DESRESPEITOSAMENTE INAPROPRIADA?!”

A música continuou, até ser interrompida por uma voz grave que promovia algum serviço.

“E AINDA POR CIMA TEM ANÚNCIOS!! POR QUE RAIOS O UNIVERSO NÃO TEM UMA CONTA PREMIUM?!” Twilight também gritou, compartilhando da indignação de Sky. “Time, faça alguma coisa! Use a sua Ocarina! Volte no tempo!” Falou, chacoalhando freneticamente o Herói do Tempo.

“Eu não posso!” Time exclamou, apavorado.

“E por que não?!” Twilight insistiu.

“É que...” Time hesitou, um tanto quanto envergonhado. “As deusas falaram algo sobre eu estar fazendo uso indevido das viagens no tempo, então elas removeram essa função da minha ocarina.”

“Uso indevido?! O que diabos você fazia com essa Ocarina, Time?!” Sky esbravejou.

“Bem...”

OoOoOoOoOoOoOoOoO

“E os números premiados são: três, vinte e um, trinta e quatro e meio, cinquenta, e cinquenta e nove!”

Time olhou para a sua cartela, sem ter acertado um número sequer.

“Isso não vai continuar assim.”

Song of Time

OoOoOoOoOoOoOoOoO

Time olhou para seu relógio. Paint e Wind chegariam à qualquer minuto e o Herói do Tempo não estava nem perto de terminar de se arrumar. Se ao menos ele não tivesse passado a tarde inteira no bar bebendo leite...

“Time? Chegamos!” A voz de Paint ecoou pelo lado de fora de sua porta. “Estamos entrando!”

Time saltou, alarmado.

O herói olhou para o espelho e quase caiu para trás. Havia saído do banho a pouco tempo e seu cabelo estava enrolado e armado.

“Essa não, eles não podem me ver sem chapinha!”

Olhou para sua ocarina

Song of Time

OoOoOoOoOoOoOoOoO

Time estava sentado em seu sofá, lendo as páginas finais de um livro que havia alugado na biblioteca.

Ao terminar a leitura, o herói percebeu que aquele livro deveria ter sido devolvido à biblioteca quatro meses atrás, e que sua multa seria aproximadamente de seiscentos rupees.

Song of Time

OoOoOoOoOoOoOoOoO

Time sorriu para a selfie que Wind estava tirando do grupo com seu Pictobox. Time, porém, precisou espirrar justo na hora em que a foto foi batida.

Wind, ao conferir a imagem, caiu para trás de tanto rir.

“Gwah hah hah hah hah! Olha a cara do Time!” Falou Wind, com o rosto vermelho.

Time corou.

“Você não pode mostrar isso para ninguém!” Demandou o herói, mesmo embora todos os outros heróis já estivessem formando fila para ver a foto.

“Hah! Vou usar essa foto para chantagear você!” Wind continuou rindo.

Time, em uma tonalidade muito mais sombria, murmurou para si mesmo.

“Essa foto deve ser eliminada.”

Song of Time.

OoOoOoOoOoOoOoOoO

“Time, se o mundo não estivesse acabando eu faria um discurso de sete horas sobre o porquê de você ser um idiota.” Sky falou, sua expressão estoica e reprovadora.

“Eu sempre soube que esse cabelo não podia ser natural.” Twilight comentou, baixo e de forma completamente irrelevante.

O mundo ainda estava caótico, com tornados fazendo destroços rodopiarem nos céus ao som de Ievan Polkka. Sky observou nervosamente o horizonte avermelhado, para depois voltar a encarar Time, impaciente.

“O que acontece se você tentar voltar no tempo?” Arriscou Sky.

“Isso.” Time sacou sua Ocarina, levando-a a boca.

Tocou o Song of Time.

Imediatamente, o som de erro do Windows foi emitido, acompanhado por uma imagem projetada à frente dos heróis onde se lia ‘Erro 404 arquivo não encontrado.’.

O acontecimento foi repetido, com o mesmo som e a mesma imagem se projetando à frente da anterior.

E aconteceu novamente, novamente, novamente, cada vez com intervalos de tempo menores, até que as mensagens apareciam tão rapidamente que atrás dos heróis surgiu a terrível Tela Azul, acompanhada do som de Log Off do Windows.

“Porra, nós crashamos a Ocarina do Tempo.” Twilight amaldiçoou, impressionado.

“Por que raios uma ocarina teria um sistema operacional?” Sky indagou, porém rapidamente balançou a cabeça e retornou ao foco principal. “Bom, se você não pode voltar no tempo, estamos todos mortos. Adeus pessoal, foi um prazer salvar Hyrule com vocês.”

Time exclamou, surpreso.

“Não! Deve ter algo que nós ainda possamos fazer!”

“Bem, e o que você sugere?” Twilight perguntou, sem grandes esperanças.

“Ora... se dividir minha alma causou tudo isso, talvez se eu conseguisse uni-la de novo...”

Sky, que já havia desistido e estava abalado em seu canto, olhou novamente para cima, seu rosto aos poucos se iluminando.

“É isso... É ISSO!” Sky sorriu, radiante.

“Espera. Eu entendo o porquê disso fazer sentido, mas como você espera conseguir unir a alma desse cara?” Twilight apontou para Time, coçando o nariz em confusão.

“É... duvido que vou conseguir encontrar o Triforce de novo para desejar isso.” Time concordou.

“Eu estava pensando em outro tipo de união, um ritual poderoso e reconhecido pelos deuses, usado para unir almas.” Sky anunciou, com um sorriso perverso.

“Nós estamos falando de satanismo, não estamos? Isso provavelmente vai envolver a vida de um bode, e você sabe qual é a minha opinião a respeito de bodes...” Twilight declarou, fazendo referencia ao fato de que, tendo passado a vida cuidando de bodes, a utilização dos mesmos em rituais satânicos ia contra os seus princípios.

“Não, Twilight, não estamos falando de satanismo.” Sky anunciou, com um sorriso perigoso na direção de Time.

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A igreja foi decorada às pressas.

Uma das paredes estava estourada, deixando parte de igreja coberta por destroços e enfeites estragados. O teto também estava faltando um pedaço, revelando o céu vermelho, nuvens negras, e relâmpagos constantes. O vento rebelde atravessava os vitrais quebrados com um assobio macabro.

Os convidados (que eram basicamente todas as pessoas com quem Time, Sky e Twilight se encontraram no caminho) obviamente não tiveram tempo para se arrumarem apropriadamente.

O padre estava em seu altar, tremendo de medo, contudo tentando bravamente cumprir sua função.

Time, em seu terno vermelho-escuro com corte italiano, também tremia por uma diversidade de razões. Estava apavorado com o potencial fim do mundo, estava envergonhado por estar de pé à frente de tantas pessoas sem nem ter conhecimento algum sobre como se portar naquela ocasião, e estava ansioso pelo que estava acontecendo. Nunca havia se imaginado olhando com expectativas para uma porta de igreja à espera de sua noiva ou seu noivo, mas ali estava ele, fazendo justamente aquilo.

Mil e um pensamentos lutavam por dominância em sua mente, e entre elas estava a conversa que ele, Sky e Twilight tiveram pouco tempo atrás.

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“Pensem comigo, qual é o laço de união mais forte que uma pessoa consegue criar em vida?” Sky jogou a pergunta no ar, esperando as engrenagens da mente de seus companheiros rodarem.

Time quase caiu para trás ao perceber do que Sky estava falando.

“Espera, você não pode estar falando de-”

“Sim, é disso mesmo.” Sky interrompeu, travesso.

Twilight rosnou e jogou as mãos para o alto.

“Parem com o drama e falem de uma vez! Do que é que vocês doidos estão falando?!”

“Caramba, Twilight, depois eu que levo a fama de ser o lerdo do grupo!” Sky anunciou. “Time vai se casar!”

Twilight gritou em puro horror e Time chegou perto de desmaiar – não estava preparado para ouvir as palavras.

“O QUÊ?! Mas que diabos de plano absurdo é esse?!” Twilight voltou a ter seus ataques de pânico.

“Ora, se Time e Child se casarem, eles vão criar uma união afetiva e reconhecida pelos deuses! Esse é o máximo que podemos apostar!” Sky explicou, agitado.

“Não. Não não não não. Isso é insano.” Time declarou, começando a ficar histérico. “Não.”

Sky subitamente avançou sobre os dois companheiros, segurando-os no ar pelos seus respectivos colarinhos.

“Escutem aqui, seus dois lunáticos. O herói do Tempo quebrou o universo por causa de sua necessidade estúpida de ser reconhecido, arriscando a vida de todo mundo por causa disso, e quando eu tento ajudar, vocês decidem ignorar a minha sugestão simplesmente por causa de seus conceitos egoístas de moralidade!” A voz de Sky estava irreconhecível. “Então, agora, Twilight, você vá fazer os preparos, e você, Time, VÁ. ATRÁS. DO SEU. VESTIDO. Alguma pergunta?!”

“Por que eu tenho que ser a noiva?”

“Arg, tanto faz, coloque a criança no vestido então, caramba, sei lá. Só se casem, porra.”

Com isso, os três heróis partiram para colocar o plano mais absurdo da história de Hyrule em prática.

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As portas da igreja se abriram com um rangido, quase sendo arrancadas da parede devido aos ventos enfurecidos dos furacões. O acontecimento tirou Time de seus pensamentos.

O Herói do Tempo observou seu noivo, que também o observava de sua posição.

Child usava um vestido de noiva (não por vontade própria e sim porque encontrar um vestido de noiva que servia na criança foi mais fácil do que encontrar outro terno) emprestado pela filha de um dos convidados que havia sido dama de honra algum momento no passado. Carregava um buquê de flores roxas improvisado, porém o detalhe que mais chamou a atenção de todos foi a máscara que cobria seu rosto ao invés do véu.

Time lembrava-se vagamente da máscara. Se não estava enganado, o herói de Termina havia a adquirido ao ajudar um casal à se reunir e à se casar nos últimos minutos antes da destruição da cidade.

Time até acharia a referência emocionante se não estivesse ocupado demais tentando não surtar.

Acompanhando Child estava Zelda – a princesa Zelda de sua época.

Os dois atravessaram o salão, não tão lentamente quanto acontecia com os casamentos tradicionais. Na verdade, seria mais preciso dizer que eles marcharam apressadamente pelo salão.

Compreensível. Ninguém naquele lugar queria morrer, quanto antes a cerimônia terminasse, melhor.

Ninguém havia pensado na diferença de altura até Child parar ao lado de Time e à frente do padre. Não que realmente fosse um problema, mas era estranho ver um noivo tendo que erguer tanto a cabeça para poder olhar na direção do padre (que injustamente estava no andar superior da escada).

Por conta disso, Zelda prontamente ergueu Child do chão e segurou-o no ar, à altura de Time.

Twilight falou aos fundos:

“Cuidado! Essa posição não é segura para as bolas alheias!”

Time ouviu (com satisfação, não iria mentir) o som se Twilight sendo silenciado por uma cotovelada nas costelas.

Enquanto o padre prosseguia em dizer o que deveria ser dito (embora o fim do mundo não permitisse que ninguém prestasse atenção), outra parte do teto cedeu e um furacão próximo começou a tragar alguns dos convidados que estavam situados na região.

Alguns deles saíram voando na hora, outros (Sky incluído) conseguiram se segurar nos bancos, de forma que seus corpos ficavam tentando voar na direção do furacão mas suas mãos ainda conseguiam os manter presos no salão da igreja.

Alguns gritaram, porém a cerimônia não se interrompeu nem por um segundo – não havia o que se fazer a respeito, afinal.

Finalmente, a dama de honra apareceu carregando as alianças, e assim como Zelda e Child haviam feito, ela marchou apressada pelo salão e quase arremessou os anéis na direção do padre.

“Terminem logo com isso!” Ela implorou, se afastando em seguida.

Time, seguindo as instruções do padre, colocou a aliança no dedo de seu noivo com um sentimento muito, muito esquisito em seu peito. Child fez o mesmo, e então, o padre anunciou:

“E agora, você já pode beijar a noiva.”

Time e Child exclamaram ao mesmo tempo.

“Espera ai, eu não posso beijar ele! Ele sou eu!” Time gaguejou, incrédulo.

Zelda resmungou.

“Agora não é hora para frescura, Time!” Ela anunciou, claramente insatisfeita com a situação.

“Meu jovem, essa união já desafiou leis demais para ser impedida por um fator como esse.” O padre proferiu, sabiamente.

Time não podia discordar. Aquele casamento estava à anos luz de ser considerado ‘normal’ em qualquer sentido da palavra – nunca antes havia sido concretizada uma união pedófila, homossexual, e autogâmica em um único casamento em Hyrule.

“Agora, por favor, beije a noiva.” Ordenou o padre, para então adicionar. “Espera, ele é a noiva, certo? Eu deveria dizer noivo? Há alguma noiva nesta união? Ou os dois de vocês são mulheres trans? Porque se ele é você, e ele é uma mulher trans, você também é uma mulher trans, certo? Mas se vocês dois são mulheres trans, na verdade este é um casamento lésbico, certo? Eu estou casando dois homens lésbicos?”

Ignorando suas bochechas vermelhas (Time definitivamente não gostava de discutir sua orientação sexual no fim do mundo com uma plateia o assistindo), Time falou, irritado.

“Não, não há nenhuma mulher nesta união!”

Child suspirou de alívio.

“Certo, então, beije seu noivo.” Insistiu o padre.

Time estremeceu. Por que a ideia de beijar a si mesmo o soava tão aterrorizante? Child parecia estar mais controlado do que Time, mas mesmo assim dizer que a criança estava completamente confortável com a situação seria uma mentira.

Time se aproximou, seu coração batia desesperado em seu peito. Aquele beijo seria seu último esforço para restaurar a paz em Hyrule. Lutar contra Ganon? Tranquilo. Adentrar o poço em Kakariko? Moleza. Conhecer Ruto? Nem tão tranquilo, mas ainda suportável.

Mas beijar a si mesmo? Casar-se com si mesmo?

Aquilo sim seria a prova suprema de que Time, de fato, era merecedor do título de Herói de Hyrule.

Time, agora com seu rosto à apenas cinco centímetros do rosto de Child, levou suas mãos até a máscara do mesmo, tocando-a delicadamente. Se era para se casar, que ao menos fizesse as coisas com decência. Ele conseguiria fazer aquilo. Era só um beijo, afinal. Time já havia beijado outros dos heróis de Hyrule, e tecnicamente eles também possuíam um mesmo espírito. Beijar Child não seria tão diferente.

Time cuidadosamente levantou a máscara.

E então gritou a plenos pulmões.

Ao invés de encontrar o rosto da criança, Time deparou-se cara-a-cara com o horripilante rosto da Great Fairy.

“Mas que diabos?! Como foi que eu não vi esse cabelo rosa voando pra lá e pra cá?!” Time gritou, depois de ter passado doze séculos em seis segundos de assombro.

Child caiu na gargalhada e tirou a máscara da Great Fairy, revelando seu rosto vermelho de tanto rir e lágrimas no canto de seus olhos.

“Desculpe, eu não podia desperdiçar essa chance!” Falou, em meio a tantas risadas que Time tinha certeza que ele já teria caído no chão se Zelda não estivesse o segurando. “E não fique irritado, eu sou você, você faria a mesma coisa!”

Time grunhiu em irritação, mesmo reconhecendo que Child tinha razão.

Aos fundos, foi a vez de Sky gritar, ainda segurando-se no banco da igreja como se sua vida dependesse daquilo (o que de fato dependia):

“BEIJE A PORRA DA NOIVA!”

Time se recompôs e dessa vez não hesitou em lacrar sua boca com a de Child, fazendo a criança engolir a própria risada.

Instantaneamente, o céu clareou.

Com uma salva de palmas milagrosas, o fim do mundo foi cessando.

Os furacões pararam, o trincado no céu desapareceu, a música de Vocaloid foi ficando cada vez mais baixa até não ser mais possível de se ouvir, os incêndios magicamente cessaram.

Inteiros dez segundos depois, Time e Child se afastaram, ambos com um pequeno sorriso em seus rostos. Talvez aquilo não fosse tão ruim, afinal. Qual o problema de se casar consigo mesmo? Aquela possivelmente seria uma união muito mais verdadeira do que vários outras que já haviam sido concretizadas naquela mesma igreja. Afinal, Time e Child obviamente se importavam um com o outro mais do que outra pessoa se importaria.

Além disso, aquele casamento havia salvado Hyrule! Ninguém poderia os julgar ou os condenar pela união fora dos padrões da sociedade atual.

Os convidados, energizados pela segurança restaurada, riram e gritaram e aplaudiram em comemoração. Logo, estavam todos saindo da igreja e contemplando o bom e velho céu azul. Varias regiões ainda estavam destruídas, porém nada que alguns dias de trabalho não pudessem repará-las.

Child insistiu em ser carregado por Time Bridal Style, e assim que os recém-casados saíram da igreja, os outros heróis rapidamente os cercaram.

“Isso é TÃO fofo.” Paint foi o primeiro a falar.

“Não sei dizer se isso foi heroico ou narcisista.” Wind alfinetou, travesso.

A conversa foi interrompida quando uma mão gelada e muito, muito forte agarrou o ombro de Time e o fez girar brutamente.

A visão fez Time gritar por completos 13 segundos.

A princesa Ruto, com seus 2,11 de altura, músculos inflados, barriga de tanquinho, tão bombada que até seus cílios exibiam os bíceps, estava parada atrás do herói do tempo.

E ela segurava uma faca.

Notas finais
Por que por que POR QUE POORRR QUEEEEE a Ruto segura uma faca se ela é tão bombada assim? Nós nunca saberemos. Por que será que todos os capitulos até o momento terminaram com o Time apanhando? Hmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm............................. também não sei. Acho que é satisfatório bater nele BWAHAHAHAHHAHAHA. Obrigada por me acompanharem até aqui! Espero que eu não tenha assustado ninguém com a minha imaginação ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.