Hurt
2 É uma boa música.
Notas iniciais
Nos sentamos em um café a poucos metros dali,ele de frente para mim.
Ele deu um sorriso agora mais tímido ,não pude deixar de sorrir também.
-Então ,sempre toma um café com estranhas?
-Acho que eu tenho que me apresentar ,meu nome é Gustav .
-Oi Gustav...Eu me chamo Karina.
-Não pude deixar de te observar no mercado...arrisco a dizer que não é alemã...
-Meu alemão é tão ruim assim?
-Não...Digamos que eu tive um "feeling"...-Ele sorriu e continuou -Na verdade deu pra notar quando ouvi você falando outra língua.
Senti um leve ardor no rosto , quando eu iria perder a mania de falar sozinha?
-Está muito longe de casa?
-Eu sou brasileira, mas a minha casa agora é aqui.
-wow, posso perguntar o que a trouxe pra cá?
Ele foi cauteloso ao perguntar , parecia tão fácil conversar com ele respondi com tranquilidade.
-Bom,ao contrario do que muitas pessoas dizem não é uma longa história-dei de ombros-relacionamento longo que não deu certo, uma boa proposta de emprego e aqui estou eu.
Apesar de não conhecer ninguém por aqui ,quis vir assim mesmo, estou aqui a poucos dias na verdade...
-É muita coragem! — ele disse parecia muito sincero
-Bom ,eu moro por aqui , mas viajo bastante –abaixou o olhar e continuou-Eu sou ...
-Músico...
Ele parecia um pouco surpreso quando eu o interrompi.
Já tinha visto a tatuagem antes. Não costumo ser tão atenta a estas coisas mas já o tinha visto. Tokio Hotel,a banda em que ele toca, tem uma música muito boa para falar a verdade.
-Então você já me viu por ai?-Agora ele parecia um tanto decepcionado.
-Na verdade já te ouvi por ai...Tentei ser o mais simpática que pude , me incomodou vê-lo daquele jeito.
Além do mais não é todo mundo que tem um trecho de “Hurt” tatuado na perna.
Ambos sorrimos.
-È uma boa música –ele continuou ainda sem graça.
-Bom... só uma versão- dela-olhei para ele .
-“Nine inch Nails”.Falamos juntos.
Imediatamente nossos olhos se encontraram . Senti minhas mãos gelarem e uma sensação estranha crescendo em meu estômago.
Sair dali era o melhor que eu podia fazer .Não queria sentir nada assim por ninguém ,não agora.
-Preciso ir...
Falei enquanto me levantava .. .-Foi um prazer conhece-lo Gustav...
Já estava de costas para ele procurando pela saída com os olhos quando o ouvi
-Vai embora sem falar o seu telefone para seu único amigo na cidade?
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