Hurt

19 Um quarto para meu bebê


Notas iniciais
Como eu disse,aqui está!
Enjoy.

Ainda não conseguia dormir de tão perturbada. Eu tinha certeza, era a voz dele no fundo da linha. Era a voz de Gustav, reconheceria aquela voz dentre um milhão se fosse necessário.

Georg não me ligara novamente como disse que faria, e isso me dava mais certeza de que fora surpreendido por Gustav ,enquanto falava comigo. O ar não chegava mais aos meus pulmões. O que estaria acontecendo em Hamburgo naquele momento?

Revirei-me uma vez mais na cama sentindo o pavor me dominar. Logo hoje... Sentia-me tão mais feliz por ter conhecido Mandy .Amanhã ela viria, seria minha primeira compania em meses.

Levantei-me em um salto da cama, como se a barriga não estivesse ali para dificultar meus movimentos. Tirei o pijama e vesti uma roupa qualquer. Peguei a chave do carro decidida. Enfrentar as horas de viagem até Hamburgo sozinha e na minha condição, não parecia uma ideia tão absurda, era isso ou ficar e acabar passando mal devido ao nervosismo.

Já tinha a mão na maçaneta da porta quando o telefone tocou. Andei rapidamente até ele temendo em quem estaria do outro lado da linha. Minha voz quase não se propagava quando o atendi.

-Alô...

-Karina... -Foi quase impossível impedir algumas lagrimas de rolarem meu rosto, suspirei fundo, deixando o ar inflar meu peito, mas ainda não sentia alívio. A voz de Georg me parecia estranhamente tranquila, mas podia sentir a preocupação dele ao pronunciar meu nome.

-Georg... O que foi aquilo hoje à tarde? Ele sabe? Vocês discutiram?...-Minhas perguntas não obedeciam ao meu cérebro pedindo que se acalmassem, jorravam da minha boca pra fora.

-calma... Tente se controlar. Está tudo bem, Gustav ainda não sabe de nada... -Georg praticamente soletrava as palavras... -Continua tudo na mesma. Só não liguei antes porque acabamos jantando juntos.

Apesar de estar ouvindo ainda não consegui embaralhar os pensamentos.

-Mas eu o ouvi... Pude ouvi-lo...

-Dei a ele uma desculpa qualquer e ele acreditou... Olha, procure descansar, toda esta agitação pode te fazer mal. Só mais uma coisa, quem afinal de contas você conheceu em Magdeburgo.

As batidas do meu coração voltaram aos poucos a serem regulares. E pensar que, o fato de eu estar feliz por Mandy, me impulsionara a ligar para ele naquela tarde.

-É uma boa moça... A contratei para me ajudar com o quarto do bebê, se tudo der certo, e eu acredito que vá, ela será muito útil quando o ele nascer.

-Tudo bem, a gente conversa outra hora. Por favor, descanse já é mais de meia-noite, não deveria estar acordada a esta hora.

Baixei os olhos para a chave do carro que eu ainda mantinha apertando com força em minha mão. De jeito nenhum falaria a Georg o que pretendia antes do seu telefonema.

-Tudo bem... Agora já posso dormir tranquila. Georg... Muito obrigado.

Era a primeira vez que ouvia sua risada doce desde o inicio daquela ligação.

-Descanse minha linda. Não há com que preocupar-se. Eu irei vê-la em breve. Sinto sua falta sua maluca!

Como era bom poder sentir a normalidade voltando em nós...

-Eu também sinto... De vocês dois. Queria que tudo pudesse ser diferente do que está sendo Georg.

-Vai ficar tudo bem... Tchau.

-Tchau, eu amo você Georg Listing.

-Eu também te amo.

Quando voltei para minha cama já podia sentir minhas pernas novamente só não sabia direito o que pensar... As ideias vinham juntas fazendo-me sentir zonza. Uma se sobressaia... E se agora Gustav soubesse toda a verdade afinal, como seria? Estaria feliz, me abraçaria e ficaríamos juntos, ou teria tanta raiva de mim que acabaria por expulsar-me de vez da sua vida?

-Não pense Karina, não pense. Apenas feche os olhos e adormeça... -Falava a mim mesma na esperança de que minha voz espantasse as imagens boas e ruins de minha cabeça.

Por fim, adormeci. Imagens do rosto de Gustav oscilando entre o mais profundo ódio e o mais verdadeiro amor vagaram por toda a noite em meus sonhos, até a manhã seguinte.

Acordei sentindo que sequer tinha dormido. Meu corpo doía tenso e meus cabelos eram úmidos de suor, o que nada tinha a ver com calor. Era pura e simplesmente agonia. Enchi a banheira e emergi na água morna, sentindo-a massagear meu corpo cansado. Não pude evitar sorrir ao ver como minha barriga se salientava para fora da água. Percorri a mão por ela como se pudesse afagar diretamente o bebê que repousava ali.

-Hey bebezinho... Eu preciso muito de você aqui do lado de fora comigo...

Como se pudesse me ouvir, senti o revirar forte do bebê ajustando-se a aquele espaço que começava a ser apertado. Dentro de três meses poderia afagar seu pequeno rosto, sentir seu perfume... No fundo gostaria que fosse uma menina. Poderia ser para ela a mãe que eu mesma nunca tive. Depois que meu pai faleceu, minha mãe decidiu recuperar a juventude perdida e desfrutar de nossa fortuna. Foi assim que me envolvi em um relacionamento sério tão cedo, e a carência fez com eu ficasse nele por tanto tempo. Nunca aconteceria isso com meu bebê, ele viria sempre em primeiro lugar.

-Eu prometo... -falei em voz alta em direção a grande barriga como se ele pudesse compartilhar dos meus pensamentos.

Saí do banho sentindo-me muito melhor do que entrei. Precisava comer alguma coisa, já era quase hora do almoço e Mandy chegaria ao inicio da tarde como combinamos.

Comi qualquer coisa que tapasse o imenso buraco em meus estômago, estava sempre faminta.

Pouco antes das duas ouvi um carro se aproximando da casa. Fui até a porta e lá estava ela.

Mandy era uma daquelas pessoas que animava facilmente o ambiente somente com sua presença e suas roupas coloridas.

-Karina!-A menina abraçou-me fortemente.

-Olá Mandy... -Apenas retribuía seu abraço amável pensando em como era bom poder ser abraçada por alguém, quando se estava tão sozinha como eu estava... -Que bom que você veio!

-Bom ,vamos lá! No final desta tarde teremos um verdadeiro quarto de bebê!

Mandy me fazia sorrir facilmente com tanta empolgação. Era realmente muito bom tê-la por perto.

Subimos animadamente os degrais da escada indo até o fim do corredor onde seria o amplo quarto do bebê. O anseio de ver todas as coisas que eu havia comprado em seus devidos lugares, fazia com que eu entrasse muito pouco no quarto. Estavam ali o berço grande e pesado e todos os outros móveis que eu escolhera minuciosamente.

Depois de me ouvir matraquear durante horas sobre a cor do quarto, Georg decidiu pinta-lo da cor que eu gostaria. As paredes ganharam então um tom de areia muito claro, quase indiferente ao branco, no teto havia um papel de parede que fazia lembrar o leve azul do céu ,tomado por algumas nuvens. Pintar talvez não fosse o maior talento de Georg, mas a intenção que ele teve em me deixar feliz não tinha preço.

Adentramos o quarto, que recebia muita luz do dia, como se estivéssemos entrando em uma espécie de templo.

-A pintura de Georg parece melhor na claridade! De qualquer forma eu tenho muito papel de parede para algumas partes.

Podia ver as perguntas saracoteando na garganta de Mandy enquanto ela me fitava.

-Georg é o nome do pai do bebê?...-Perguntou por fim deixando transparecer pela primeira vez certo desconforto.

-Não... Georg é apenas um bom amigo... O nome do pai do meu bebê é Gustav.

Mandy sorria consigo mesma como se tivesse observado alguma coisa incomum.

-Georg e Gustav são os nomes de dois dos integrantes da banda que eu mais gosto. Aquela que você olhava o cd no mercado...

Talvez o meu semblante denunciasse alguma coisa. Imediatamente Mandy interrompeu o que dizia e me olhava quase espantada.

-O pai do seu bebê é o Gustav Schäfer, do Tokio Hotel?

Apenas assenti com a cabeça enquanto ela continuava.

-E por que ninguém sabe disso, quer dizer ele é famoso e tal...

Queria poder confiar em Mandy, precisava de alguém com quem compartilhar os meus medos. Era muito mais do que coincidência ser ela a estar ali, podia sentir em meu coração. Nada mais justo então que ela soubesse da minha história.

-Porque nem ele sabe...-Falei de uma vez,vendo um peuqeno estado de choque em seu rosto.

Contei a ela tudo. Como fui parar na Alemanha sofrida por um outro amor e como encontrei aquele que, sem duvida nenhuma era meu verdadeiro amor, como descobri a força que tem uma amizade, a dor da decepção e como parei em uma cidade grávida de um bebê a poucos meses de nascer.

-E aqui estou eu...-Disse jogando os braços ...-E não preciso te dizer que é tipo um segredo não é mesmo?

-É claro que não...-novamente ela me abraçava...Vai ficar tudo bem.

Sorri ao ouvir aquelas palavras que até então somente Georg me dizia.

-O que foi?...-Ela ainda sorria solidária a mim.

-Não é nada... É que Georg sempre me diz isso, “vai ficar tudo bem”, é apenas bom, ter mais alguém que acredite nisso. Vai poder conhecê-lo em breve, chega em duas semanas.

-Então vamos nos mexer! Não quer que ele veja o quarto do mesmo jeito que deixou não é?...-Era incrível como o ânimo de Mandy nuca desaparecia.

Nem eu mesma fazia ideia de que havia tanto a ser feito e nem que havia comprado tantas coisas. Passamos praticamente o dia inteiro empurrando os móveis pesados. Colamos papel de parede decorado em tons de verde oliva claro em partes estratégicas do quarto. Distribuímos os delicados bixinhos de pelúcia pelas prateleiras e guardamos toda a roupa de bebê que havia ali. No fim não podia acreditar que nos duas juntas havíamos transformado tantas caixas aglomeradas em um perfeito quarto de bebê. Tudo superou a minha expectativa. Os tons claros das paredes e dos móveis eram harmoniosos com todo o resto. No enorme berço ,os lençóis continham gravuras delicadas. O que mais me agradou era a linda poltrona com encosto para os pés, em breve sentaria-me ali e amamentaria meu filho. O filho que Gustav me dera.

-Esta incrível, não é mesmo?...-Mandy parecia tão encantada quanto eu.

-Está lindo...-Não havia outra coisa a ser dita por mim.

As horas passaram voando. Preparei um lanche e vi que conversar com Mandy era tão natural quanto com Georg, eles tinham muito em comum.Ambos não mediam esforços para me animar.

Me despedi dela no fim daquele dia com um grande abraço .Ela não aceitou o dinheiro que eu havia proposto a pagar.

“Amigas são para estas coisas "disse ela prometendo-me que voltaria o mais breve possível.

Notas finais
Sem tortura!Reviews....