Hurt

25 Casa comigo


Notas iniciais
Menins...Penultimo capítulo e está doendo!
Como tudo na vida é melhor com trilha sonora, usei para este capítulo "TRAIN-MARY ME" e "THE POLICE-EVERY BREATH YOU TAKE"
Espero que gostem!

A chuva por fim cessava no lado de fora. Em breve nasceria um dia lindo, nada comparado a noite tempestuosa.

Os meus olhos e os de Gustav confidenciavam alguma coisa entre eles, enquanto permanecíamos calados. Não que não tivéssemos nada para ser dito... Apenas ficar ali, olhos nos olhos, parecia ser a melhor coisa a fazer. Os sons de palavras simplesmente não eram necessários.

Meu coração era um cálice cheio até a borda, não havia mais espaço para tanta felicidade. Meu corpo era relaxado e satisfeito. Flutuaria se fosse possível.

A pequena claridade de um dia nascendo apontava dentro do quarto iluminando-nos suavemente. A noite de amor intensa chegava ao fim.

Gustav acariciava meus cabelos espalhados por seu peito, onde minha cabeça repousava serenamente. Podia ouvir os batimentos suaves de seu coração enquanto meus dedos brincavam descontraidamente em sua barriga e braços.

-Como podemos ficar tanto tempo sem isso?...-A voz dele era meio rouca e extremamente sensual... Entendi perfeitamente que ele se referia a noite que tivemos.

Escorei meu queixo no peito dele ficando de bruços, de modo que pudesse encara-lo ao falar.

-Eu não sei você, mas eu li muitos livros durante estes anos.

A risada dele saiu gostosa junto a minha. Não era exatamente uma brincadeira. Nas piores noites tentava adormecer lendo algum romance lindo, onde pudesse ver o meu rosto e o dele nos personagens principais. Parecia meio bobo e juvenil, mas funcionou muitas vezes para que meus sonhos fossem melhores.

O sorriso dele foi desfalecendo à medida que refletia.

-O que foi?...-Podia sentir que tentava falar alguma coisa.

-Você namorou mais alguém?...

Podia ver que verdadeiramente ele estava tentando ficar a par de minha vida nos anos que passamos distantes. Não era uma especulação enciumada, era interesse...

-Não... Não era totalmente descompromissada afinal, meu coração já tinha dono...

-Ótimo! Isso faz com que eu me sinta pior... -Gustav suspirou pesadamente... -Eu estive com outras mu...

Coloquei a ponta dos dedos em seus lábios macios, para que ele se calasse. Podia ver que a pele clara de seu rosto estava extremamente ruborizada. Eu sabia o que ele ia falar... Era obvio que cinco anos, para um homem, é muito tempo, sexualmente falando. De uma forma ou outra, por mais que me doesse incontrolavelmente, fora eu mesma que dei espaço para ele conhecer outras mulheres ao afastar-me dele. Minha cabeça era ciente disso, mas não queria ouvi-lo falando sobre isso... Pude sentir o gosto de fel que tem o ciúme, da mesma maneira que ele sentia. Naquele momento ficou mais fácil entender porque ele tantas vezes me questionava tanto, como na noite anterior em relação a Georg. O ciúme era algo manipulador e eu não deixaria apossar-se de mim.

-Esta tudo bem... Você tinha o direito de tentar.

Minha voz saiu firme e complacente embora uma agulhinha venenosa insistisse em cutucar meu peito.

-Não significou nada.

Nos olhos dele, que sempre falavam algo mais, havia uma pontada de culpa e um pedido de desculpas.

Sabia que ele era sincero do contrario o que estaria fazendo ali então se não amasse unicamente a mim? Este pensamento falou mais alto... Um raciocínio lógico vencendo uma emoção burra. É claro que o fato de ter transado com outra não havia significado nada... Comigo ele fazia amor, e isto bastava.

Sorri largamente para meu amor.

-Eu sei.

Por fim a exaustão da noite em claro pesou em mim. Novamente aninhei minha cabeça em seu peito e deixei o sono me levar tranquilamente. O melhor sonho que eu tivesse jamais se igualaria a perfeição da realidade que eu estava vivendo... Mais uma vez adormecia nos braços de Gustav.

Forever can never be long enough for me
Feel like I've had long enough with you
Forget the world now we won't let them see
But there's one thing left to do

Quando os fortes raios de sol me acordaram, já eram quase onze horas. Não havia dormido muito de fato, mas estava descansada. Mais um dia quente pensei comigo... Rolei na cama procurando por Gustav .A lembrança semelhante de um momento como aquele,não era muito boa.

Com a expressão mais suave do mundo ele observava-me sentado em uma poltrona do quarto. O braço apoiando a cabeça escorando-se na guarda. Tinha uma perna cruzada na outra, parecendo totalmente confortável. Como não notei a imensa tatuagem nova na perna, na noite anterior?

Apoiei-me em meu cotovelo para vê-lo melhor... Meu Deus como era lindo! Como suportei tanto? Tinha vontade de premiar a mim mesma por coragem.

Ele havia trocado de roupa, vestia uma outra bermuda e clara e uma camiseta branca. Os tons da roupa davam a ele um ar mais angelical ainda. O perfume masculino inebriava o quarto, e os cabelos pareciam húmidos.

-Porque não esperou por mim para um banho?...Nunca estava cansada demais para ele... -Como conseguiu roupas secas?

-Estou de férias... Minha mala está no carro. Além do mais eu queria estar apresentável para você.

Calmamente ele ficou de pé e tirou a carteira do bolso. Não entedia direito o gesto.

-Se eu soubesse, teria devolvido a caixinha...-As palavras dele não esclareciam nada ainda.

-Ele andou calmamente até mim, ficando ajoelhado na beirada da cama. Sentia-me em um dos romances que eu tanto lia.

Olhando diretamente em meus olhos ele começou a falar com a voz mais doce que eu já tinha ouvido.

-Você não sabe o quanto eu me arrependo de não ter feito isso pessoalmente... Talvez pudesse ter mudado alguma coisa... Dado mais clareza dos meus sentimentos, para que você não temesse em relação a Klaus... Deveria eu mesmo tê-lo colocado em seu dedo dizendo o quanto a amo e que nunca poderá temer que seja diferente.

Então ali estava o que ele procurava dentro da carteira. Anel que ele havia me dado anos antes, meu anel de noivado que muitas vezes eu admirei com adoração.

-Karina, case-se comigo... Em quinze dias.

Sorri enquanto ele falava aquelas palavras e me sugeria o anel. Sentia-me emocionada... Profundamente tocada. Lagrimas de pura alegria formavam-se em meus olhos.

-Acho que não são exatamente estas palavras usadas para fazer o pedido...

O sorriso dele era divertido com minha tentativa de fazer suspense. Eu era realmente péssima nisso.

-O pedido eu já fiz há tempos... Só estou definindo a data. Em quinze dias... Cinco anos de noivado já é o suficiente. Você aceita?

Ambos sorrimos animadamente com a situação. Tanto tempo de sofrimento e solidão acabado -se por fim.

-É claro que sim meu amor.

Nos abraçamos fortemente, como nuca antes.

-Eu te amo Karina, desde o primeiro instante... As palavras saiam abafadas em meu cabelo, mas podia senti-lo feliz.

-Eu também Gustav.

Every breath you take
Every move you make
Every bond you break
Every step you take

Antes de sair do banheiro, olhei mais uma vez para a joia em meu dedo. Era como se nunca tivesse saído dali. Passei a enxugar novamente os cabelos saindo para o quarto. Minha barriga roncava despudoradamente de fome. Já passava do meio dia sem que tenhamos arredado o pé daquele quarto.

Encontrei Gustav deitado na cama com um sorriso bobo nos lábios. Dessa vez eu iria observa-lo, escorei-me na porta para fazê-lo. Não demorou muito para que notasse minha presença.

Ele olhou para mim e eu deitei sobre ele beijando seus lábios. Rapidamente as mãos dele subiram por minha pele nua debaixo do roupão.

-Odeio ter que fazer isso... -Arfei em seu pescoço pondo-me de pé... -Logo Georg chega com Klaus .Ele é esperto o suficiente para fazer perguntas sobre não namorados que dormem juntos.

Gustav riu divertindo-se com a esperteza do filho.

-É com certeza ele é sim... -Mais um sob o domínio de Klaus, parecia estar se referindo a um Deus.

-Mandy ainda foge do quarto de Georg para evitar o interrogatório... É engraçado!...-Colocava um short enquanto falava.

Quando olhei novamente para Gustav ele havia corado violentamente. Arqueei uma sobrancelha, da forma que eu fazia quando queria saber algo dele sem ter que perguntar.

-Mandy e Georg são um casal... -Ele jogou os braços vendo como eu o encarava, falando aquilo como se fosse algo óbvio que ele não havia percebido. Maldito ciúme!

Tentei falar alguma coisa sem rir da expressão emburrada dele. Pude sentir sua vergonha ao insinuar algo entre mim e Georg.

-É... Já tem uns quatro anos que eles enrolam um ao outro!...-Seus olhos tornaram-se mais envergonhados ao ouvir que estavam juntos quase desde o momento em que eu fui morar ali... -Deixei o roupão cair no chão revelando-lhe os seios.

-A gente tem que descer mesmo?...-Perguntou manhosamente.

Os olhos dele por nenhum momento saíram de meu busto enquanto eu colocava um sutiã e uma blusa leve.

-Com certeza!...O puxei pela mão trazendo-o para mim ,dando-lhe um beijo terno e apaixonado...-Quero explicar a ele de uma forma que ele possa acompanhar. Klaus é esperto, mas continua sendo uma criança.

-Você está certa.

Beijou-me novamente quase colocando a prova minha decisão de descer.

Desci direto para a cozinha e preparei algo para comermos.

Gustav comia distraidamente ao falar.

-Aqui é um lugar lindo... É bem diferente de Hamburgo .Será que vai conseguir acostumar-se lá novamente? Se quiser podermos comprar uma casa por aqui mesmo...

-Vamos ficar perfeitamente bem onde você estiver... -Estendi minha mão a ele pela mesa.

Mal terminei de fechar a boca o Klaus adentrou a cozinha sorrindo e correndo em direção de Gustav.

-Papai! Você ficou.
Gustav o pegou em seus braços e apertou o pequeno contra o peito.

-É claro que eu fiquei... Que saudade de você!

-Foi só uma noite pai...

-Foi bastante tempo meu amor... -Apenas os adultos sabiam o peso de uma noite mais cinco anos.

Klaus soltou-se de seus braços correndo novamente para a rua.

-Vou pegar meus brinquedos novos... -Revirei os olhos. Georg!

-Espero que isso jogado no quintal seja um bom sinal e não que tenhamos um corpo para ocultar... -Georg trazia suspensa a camiseta molhada de Gustav que ficou na rua na noite anterior... -Sorri para ele e o abracei com força... -Você foi rude com ela?

Pude ouvi-lo na direção de Gustav. Então olhei para seu rosto sem o mínimo sinal de divertimento e suspirei, agradecendo a Deus por aquele maluco em minha vida.

-Só estou feliz por você ser o corajoso da dupla.

-E o bonito também!...Tirei a camiseta ainda molhada de suas mãos colocando-a na mesa.

Gustav dirigiu-se também na direção do amigo e o abraçou como eu. Para eles não era difícil estas manifestações de afeto.

-Obrigado Georg... Por tudo.

Georg novamente tinha o sorriso aliviado nos lábios enquanto retribuía o abraço do amigo.

-Eu sei que você faria o mesmo por mim Gustav.

Klaus entrou novamente na cozinha, sem correr, mal conseguindo andar com pelo menos três tipos de brinquedos diferentes nas mãos.

Olhei para Georg de uma forma critica. Já havíamos conversado sobre excessos anteriormente.

Ele fazia um sinal com as mãos, parecendo desentendido.

-O que? Fomos ao shopping, queria que ele saísse de mãos abanando.

Nossa pequena discussão chegou ao fim quando ouvimos as risadas de Mandy e Gustav nos observando.

-São sempre assim?...-Gustav questionava Mandy.

-Até que estão mais calmos.

Fui até ela e a abracei.

-Porque não entrou antes?...-Quis saber dela.

-Estava esperando um sinal de Klaus de que estava tudo bem.

Nós quatro caímos na gargalhada, como há muito tempo não acontecia.

Notas finais
*Reviews SEM TORTURA!
Podem ir pensando se vão recomendar ,ou nãooo,a fic!
Beijos