Hurt
18 Capítulo Bônus:Georg Listing
Notas iniciais
De noite Já posto o próximo da história.
Enjoy
Faziam mais de dois meses que a turnê havia acabado e a banda ainda corria com tantos compromissos. Se respirar não fosse algo natural, provavelmente faltaria tempo para isso também.
Fazia muito tempo que não tirava tempo só pra mim. Nem ao menos uma namorada... Bom nisso estávamos todos no mesmo barco. Se não fosse por Tom e seus romances de uma noite só, Tokio Hotel seria a banda mais na seca que eu conheço.
Bill sempre foi o mais controlado, podia viver bem assim. Tom encontrava no sexo casual todo o envolvimento que precisava. Gustav... Bom, ele era minha atual dor de cabeça.
Desde o momento que o conheci ele se tornou o meu melhor amigo. Não que os quatro não se relacionassem muito bem, mas ele era o mais próximo de mim. Os gêmeos, pela própria condição, sempre tiveram um mundinho particular, o que tornava Gustav e eu mais unidos. Ele era o mais próximo de um irmão que eu tinha, já que era filho único.
Vê-lo como estava nos últimos meses me fazia refletir além do normal. Ele nunca foi do tipo pegador, então estava sozinho, e mais calado ainda se é que isso era possível.
Por vezes tinha o olhar distante e balançava a cabeça como se tentasse espantar o pensamento, não precisava de muito para saber exatamente no que ele estava pensando, ou melhor, em quem.
Ele quase nunca tocava no nome de Karina, principalmente se Bill e Tom estivessem juntos de nós. Para mim ele sempre dizia o mesmo “Estou bem”, embora pudesse ver emanando dele uma vontade de gritar. Gustav era incapaz de insultar alguém, então quando estava aborrecido demais para conversar saia para caminhar voltando muitas horas depois, ou enfiava a cara na betaria até chegar a exaustão, o que em suas horas vagas, acontecia com frequência. Era como se tentasse não pensar.
Podia vê-lo em constante conflito consigo mesmo, decidindo entre sucumbir ou seguir em frente. Diversas vezes o via levantar exausto por não ter dormido quase nada na noite anterior.
Só Deus sabe quantas vezes comecei uma conversa com intenção de contar-lhe tudo. Mas não pude. Quando dormíamos e um lugar e acordávamos em outro ficava muito mais fácil entender as razoes de Karina.
Karina...Aquela mulher era especial de uma forma única. Desde o primeiro dia que a vi foi como se a conhecesse desde sempre. Era como se fosse parte da minha família. Não como uma prima gostosa que eu pegaria de vez em quando, mas sim como uma irmã, alguém que eu deveria proteger por que realmente eu amava.
Nem parece que eu era o cara que nunca acreditou na verdadeira amizade entre um homem e uma mulher, ainda mais uma mulher linda como a Karina.
Nos últimos meses a visitei menos do que gostaria. Estar junto a ela era uma coisa importante para mim, ainda mais sabendo que ela estava totalmente sozinha. Gostaria de estar presente no nascimento do bebê que seria dali a poucos meses, mas concordamos que alguém famoso no hospital seria uma coisa bem chamativa.
Naquele dia encontrei com Gustav em um de seus momentos de total absorção nos pensamentos. Estava olhando pela janela com os braços cruzados. Podia jurar que sequer notou minha presença. Nunca o indagava demais, deixava que ele falasse o que tinha vontade e quando tinha vontade, era o melhor a fazer para alguém como ele, chateado demais para conversar com alguém. Fiquei surpreso quando ele por fim dirigiu-se a mim.
-Às vezes me pergunto se era amor realmente... Se ela me amou realmente, ou estava carente demais, solitá...-O interrompi vendo o juízo errado que ele fazia.
-Ela amava você!...-Não poderia deixar que ele acreditasse que ela se foi por falta de amor a ele, muito pelo contrário, foi por ama-lo demais.
Ele fechou os olhos com força sentindo-se contrariado.
-Diz isso por que gosta dela...
-Digo isso por que a conheço... E o conheço também, o suficiente para dizer que nem você mesmo acredita no que está dizendo.
-Então por que Georg? Eu sei que a discussão que ela viu entre Tom e eu foi...Horrível, não o reconhecia ali ,nem a mim mesmo. Ficarmos tanto tempo longe também não ajudou, mas eu achei que superaríamos isso...Eu só queria entender como foi tão fácil simplesmente nunca mais voltar. Bati na porta dela, querendo que ela dissesse qualquer coisa, mas me disseram que o apartamento foi vendido.
Suspirei tristemente. Não podia deixar de entender suas razões. Mas precisava persuadi-lo.
-Me diga uma coisa... -Comecei com cautela... -Se fosse preciso ,você largaria a banda por ela?
Pareci não haver muitas dúvidas sobre isso.
-Largaria qualquer coisa por ela.
-E como você acha que ela se sentiria?...-Por fim ele se calou, voltando-se a janela novamente conversando consigo mesmo.
Vendo sua expressão atordoada minha boca postou-se a falar quase involuntariamente.
-Ela está...
-Garotos!...-David, nosso agente surgia na porta... -Só estão esperando por vocês para começarem o ensaio.
-Ia falar alguma coisa Georg? ...-Gustav me olhava um tanto distraído.
-Nada! Vamos logo para o ensaio.
Depois de ensaiarmos por horas, deitei exausto no sofá do estúdio. Estava sozinho e minha cabeça estava novamente voltada em Karina. Ela nunca me perdoaria se eu tivesse dito alguma coisa... Foi por muito pouco. Teria que ter mais controle sobre meus impulsos. Eu já havia me decidido, na hora certa em que eu visse que era o mais correto a se fazer, eu o faria perceber, não contaria, mas não ia impedi-lo de descobrir. De um jeito ou de outro, era uma questão de tempo.
Estava quase cochilando no sofá macio, quando meu telefone se pôs a tocar no meu bolso. Reconheci o numero de cara. Sorri feito um besta para o aparelho pensando no que falaria para irrita-la.
-Aposto que você está tão redonda que nem passa direito pelas portas.
Ela riu do outro lado da linha, divertindo-se.
-É isso que você pretende enviando-me tantos doces? Como vai Georg, parece cansado... -Estava tornando-se menos complicado faze-la rir, ela tinha o bebê para encoraja-la.
-Foi um dia longo...E este barrigão?
-falta muito pouco Georg...
Por um momento senti-me impotente, realmente queria poder segurar sua mão quando ela precisasse, quem sabe durante o parto. A imagem de como seria me fez pensar que talvez alguém precisasse segurar a minha mão.
-Georg?...-A voz de Karina conferia se eu ainda estava na linha.
-Eu estava pensando que deixa-la sozinha no dia do parto não parece ser o certo.
-Ah ,não se preocupe! Conheci alguém que me fará companhia com certeza. A conheci por acaso...
-Por acaso? Como assim? Você está gravida! Pode ser...
-Quem está gravida?-Meu ar faltou quando a voz de Gustav surgiu atrás de mim.
-Eu te ligo depois... -Disse abruptamente desligando o telefone.
Gustav ainda me olhava esperando uma resposta. Pensa cabeça!
-Minha prima!...-não acredito que foi o melhor que pude falar.
-Eu nem sabia que você tinha uma prima... -Disse ele dando de ombros, claramente ignorando o assunto.
-Ela mora longe... Quer jantar comigo hoje?-rapidamente tentei mudar o rumo do assunto.
-Claro.
O estado de espiro de Gustav ultimamente não o permitia juntar um mais um, então dificilmente lhe ocorreria que eu estava falando com a ex-namorada, grávida de um filho dele que eu ajudei a sair da cidade ,mas realmente foi por muito pouco.
Definitivamente precisava ter mais cuidado.
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