Hunters Love - O Assassino E A Agente
2 Parte Dois
Notas iniciais
Percy perdeu a viagem ao não encontrar Nicolas Di Angelo no Fort Greene, mas também percebeu que foi um blefe do mercenário ao ligar para a esposa e ainda ganhar uma bronca dela por ter caído nessa. Respirava o ar puro do parque ainda sem acreditar que tinha deixado a vida pessoal atrapalhar a captura de Nico de novo.
– Está tudo bem, chefe? – Hazel Levesque perguntou sentando ao lado dele. Ela era tão bonita quanto Thalia, mas sua beleza era diferente. Cabelos castanho-escuros cacheados que desciam até os ombros, olhos da cor do chocolate, e doces como o próprio. Mesmo o uniforme da polícia sendo fora de moda, ela conseguia deixá-lo lindo moldado ao corpo.
– Quase, eu o perdi de novo.
– Não foi só você, chefe, eu...
– Eu sei, Hazel, só não consegui decidir entre ele e Annabeth. Os dois são importantes demais pra mim. – ele riu, os olhos verdes se perdendo pelo chão. Os cabelos pretos e desalinhados pelo vento dando um charme diferente ao Tenente. – Vou acabar sendo demitido.
– Espero que não senhor, quem vai cobrir o maluco do Di Angelo comigo?
Ambos riram, compartilhando a manhã agitada que quase não afetava o parque.
– Temos problemas? – ele perguntou.
– Pessoas não identificadas causaram uma doideira numa cafeteria na Dikeman.
– Onde ele estava?
– Exatamente. Um dos envolvidos, um taxista, disse que o homem que pegou seu taxi e o ameaçou com uma arma tinha cabelos e olhos escuros e vestia preto e uma jaqueta de aviador.
– Droga, Di Angelo. – Percy se levantou seguindo para o carro, resmungando sobre como o amigo lhe dava problemas a cada vez que aparecia.
.:x:.
Não levaram muito tempo para que chegasse a casa de Nico, na Hunt Avenue, no Bronx, no máximo meia hora. Mas todos os vizinhos estranharam o homem chegando em casa algemado com uma garota daquela, ele ignorou todos os olhares, claro.
– Você mora aqui? – ela perguntou com desprezo.
– Qual o problema?
– Nenhum, eu moro em um apartamento enorme de três quartos em Manhattan.
– Que bom, mas eu acho que não perguntei.
Ele a arrastou para dentro, não era arrumado e não parecia muito higiênico. Na sala tinha a TV, um sofá e uma poltrona, uma estante velha com livros novos e uma mesa com um jarro de flores mortas e um caderno enorme. Além da bagunça, uma enorme bagunça de roupas pelo chão.
– Tecnicamente, você perguntou sim. – ela rebateu. – Queria saber de mim.
– Quero saber qual é a tua.
– Perguntou meu nome e o nome do meu alvo, eu é que pergunto, quem é você e qual é a tua?
– Eu sou alguém que você e muita gente conhece como Hades.
Hades. A última vez que Thalia ouviu aquele codinome ainda era uma agente especial, se não estava enganada, Hades era um mercenário que matava qualquer um por dinheiro.
– Muito bem, eu sou Thalia Grace.
Ele parecia ligeiramente desapontado.
– Eu esperava no mínimo um grito ou uma cara assustada. – Nico declarou.
– Da garota que lutou com você no parque até com armas? Sem essa, sou uma ex-agente especial e quero saber o seu nome, não seu codinome.
– Ex-agente? Não existe isso, você só deixa de ser agente quando morre. E meu nome é Nicolas Di Angelo, alcunha, Hades do Olimpo.
– É por isso que estavam me perseguindo, eu abandonei a agencia.
– Estavam perseguindo você, garota?
– Pois é.
– Achei que estava atrás de mim, merda, me envolvi a toa numa briga que nem era minha, só porque você roubou a Sra. O’Leary.
– Roubei quem?
– Minha moto sagrada.
Ele passou a mão pelos cabelos tentando manter a calma. Ela voltou a olhar em volta, percebeu numa prateleira na parede da cozinha, um elmo preto e foi aí que caiu a ficha.
– Você usa a alcunha de Hades do Olimpo sem motivos aparentes?
– Ahá, resolveu assustar agora?
– Você é o próprio assassino? – ele sorriu de um jeito sádico – Espera, isso é impossível. Se for verdade você teria cometido o primeiro crime com... Quantos anos você tem?
– Vinte e sete.
Ela parou para fazer as contas enquanto ele a puxou de um lado a outro trancando a casa e destrancando as algemas.
– Menos quatro? Os crimes começaram antes mesmo de você nascer. Será que você pode me contar alguma coisa, eu contei!
Ele riu, sentando na poltrona e apontando o sofá.
– Eu estou ferrado até a alma e não pretendo deixar você sair pra me ferrar ainda mais, portanto, não tenho intenção de te contar nada.
– Então vou ter que te matar.
– Acho que você não tem essa sorte.
– Aguarde até eu achar algo de útil por aqui.
– Tudo é útil, Srt. Grace. – ele levantou indo para o quarto e levando a mochila.
.:x:.
A mulher andava de um lado a outro da sala furiosa, mas não perdia sua sensualidade. Os cabelos castanho-claros ondulados pelos ombros, os olhos da mesma cor cintilavam sua raiva.
– Thalia já apareceu em casa? – perguntou a um dos secretários.
– Não, senhora.
– E quanto ao homem com ela?
– Eles foram vistos no Fort Greene, Luke puxou a ficha dele.
– Hum. – a chefe instigou o empregado a continuar.
– Nicolas Di Angelo, preso uma única vez por dirigir alcoolizado aos vinte e um anos. Consta no registro geral como desaparecido dois anos depois.
– Quem registrou a ocorrência?
– Oficial Hazel Levesque, polícia de New York.
– Octavian, contate-a e interrogue-a, se ela estiver escondendo alguma coisa sobre ele precisamos saber.
– Reyna, não acha que está exagerando?
– Não, eu preciso pegá-la, antes que a DISK perca credibilidade, onde já se viu uma ex-agente que nos traiu e sumiu no mundo?
– Tudo bem, você quem sabe.
O secretário saiu da sala e ela sentou na cadeira relaxada. Precisava terminar aquilo, rápido. Pegou o celular no bolso e discou para a mansão Grace.
– Jason, sua ajuda será bem-vinda.
.:x:.
Sentou à escrivaninha de seu quarto por alguns instantes, colocou o comunicador no ouvido e ligou o notebook. Ficou olhando os e-mails até cochilar, nem percebeu que Thalia não fazia barulho na casa e isso era sinal de alerta.
– Padre, perdoe-me, pois eu pequei. Eu matei muitos homens, mas eu estou me redimindo porque Deus já me castigou. – Nico murmurou no confessionário. Droga de lembrança maldita que não o abandonava, ainda consegui ouvir o respirar pesado do velho homem do outro lado do biombo.
– Meu filho, este não é o tipo de pecado que eu posso dizer para que vá rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria e vá embora. Você terá o perdão divino se receber de bom grado a punição dos homens.
– O senhor está dizendo que devo me entregar à policia, padre?
– E por que não? É uma forma de demonstrar sua redenção.
Destravou as duas armas que carregava, o padre soltou uma exclamação assustada.
– Sai do confessionário, seu idiota.
– Meu filho...
– Sai, merda!
A igreja estava cheia, como qualquer igreja na Itália, mas Nico não se importou. Colocou o elmo negro e saiu gritando para todos.
– Caiam fora, se não vão levar bala! – ele apontava a arma para a cabeça do padre. – Eu tentei me redimir, saber, senhor padre? Mas eu não posso ir para a cadeia, minha sorella ficaria arrasada.
– Então vá para casa, filho, os coroinhas estão chamando a polícia.
– Você não vai para casa, padre, você será o aviso de Hades. – o som do tiro ecoou pelo vazio da igreja.
Nico tocou o sangue com as luvas e assim formou sua mensagem no chão.
Horas depois, sem o elmo, acompanhava a multidão curiosa que queria ver o bilhete com o sangue do padre.
“Hades do Olimpo está de volta para serviços”, estava estampado na primeira página dos jornais do mundo inteiro, o telefone de Minos, seu mais fiel parceiro, e sua caixa de e-mail fervilhava, Hades era o melhor, era como Zorro, se um se aposentava alguém tomaria seu lugar com o segredo sob a máscara.
Acordou com a mulher gritando.
– O que, Jason? Eu não estou te ouvindo!
– Desliga a merda do telefone, garota. Vão nos rastrear.
– Claro que não, é o meu irmão. – ela voltou a tentar ouvir. – Jason, ta picotando.
A última coisa que ela ouviu foi: Perdão, Lia.
O helicóptero passou zunindo e metralhando a casa de aparência inocente no Bronx.
Notas finais
Até sexta que vem, galera!
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