Hunter Secret
5 Não olhe para os espelhos. Part1
Notas iniciais
Blackwell estava ali deitada no sofá, que cada vez mais ganhava mais um tom de vermelho. Enquanto isso Dean andava de um lado para o outro pensando “Levo-a no hospital? Não, não temos como explicar isso.” Ele até pensou em chamar Sam, mas depois do ataque o mesmo havia ficado estranho. Dean se aproximou e tocou o pulso de Blackwell, ela estava começando a ficar fria, o que não era surpresa. Já que nesse meio tempo ela havia perdido muito sangue.
O caçador então tomou uma iniciativa extrema – ele iria “costurá-la”. Assim ele caminhou até o bar e pegou uma garrafa de uísque, em seguida o mesmo procurou agulha e linha. Quando Dean já tinha todos os 'materiais' na mão, ele começou. Despejou o uísque no braço de Blackwell e começou a costurar todos os ferimentos.
Dean seguiu quase toda a madrugada fazendo a mesma coisa, uísque e costurar. Tomava todo o cuidado do mundo mesmo sabendo que ela não estava acordada. No final do procedimento o mesmo começou a enrolar o braço da caçadora com uma faixa.
– Você ta me devendo uma. – Ele sussurrava.
Dean a pegou nos braços e a carregou até o quarto, onde a deixou deitada na cama. Ele ficou a olhando, ela parecia serena, mesmo tendo passado por tanta coisa naquele dia. O caçador levou as mãos na cabeça e pensou por um minuto “O que está acontecendo?” Nem ele, nem Sam, nem Blackwell, ninguém sabia por que Dean ficava tão diferente perto dela. A garota já estava começando a virar um vício, uma droga.
Sam estava sentado, inundado pela escuridão que havia em seu quarto. Ele tivera sonhos horríveis do quais uma voz gritava “Você está com ela, mate-a! Mate-a”. O caçador não sabia o que estava acontecendo, não sabia o que aquele sonho queria dizer. Mas ele sentia que isso iria acontecer de novo.
Dean não aguentou ele estava “morto” de sono, mas algo o dizia para ficar. Então o caçador puxou uma cadeira e se sentou. Não demorou muito para o mesmo cair no sono, ele estava podre.
08h00 da manhã.
Blackwell acordara com a luz do sol batendo em seus olhos, parece que a mesma havia se esquecido de fechar à persiana. A loira se sentou com dificuldade, já que estava com o braço imobilizado, o que a princípio foi uma surpresa. Ela jurará que tinha sido levada ao hospital até que retomou a conciencia. Ela estava no seu quarto. A garota pulou para fora da cama, ás pernas fracas quase não se estabilizaram e ela quase ‘beijou’ o chão.
Mas uma mão amiga a segurou na hora, a principio ela tomou um susto. Dean estava parado diante dela a segurando pela cintura, o que era duas vezes estranho. Já que ele estava sem camisa.
– O que está fazendo aqui? – Ela rapidamente olhou para si, estava com medo de estar sem as roupas também. Mas para seu alívio ela estava vestida.
– Que obrigada diferente. – Ele sorria
Blackwell ergueu as sobrancelhas e tirou as mãos do caçador de cima da mesma.
– Obrigada, por me fazer uma boneca de pano. – Ela o fitava
Dean riu, a garota mantinha o nariz empinado mesmo ele tendo a salvo.
– Você não queria ir para o hospital.
Ele a segurou, ela cambaleava tanto que era difícil se manter em pé.
–Obrigada. – Murmurou ela.
Dean ajudou a sentar-se.
– Passou a noite toda aqui? – A voz dela era rouca
– É... Eu fiquei um pouco preocupado sabe.
Ela riu, na verdade os dois riram. Ambos estavam confusos. Ela não sabia o porquê dele ter feito isso, nem ele sabia. Blackwell fechou os olhos e soltou um gemido de dor, Dean teria até achado sexy se ela não estivesse com o braço “estraçalhado”.
Alguns minutos se passaram até que ela abriu os olhos.
– Dean me faça um favor, abra o armário e pegue uma caixa marrom.
Dean balançou a cabeça e se levantou, caminhou até o guarda roupa e o abriu. No fundo dele havia uma caixa marrom – como ela havia dito. Em seguida o mesmo apanhou a caixa e a entregou.
– Você pode me dar licença? – Pediu ela gentilmente.
O caçador queria ficar, ele queria ver o que tinha dentro da caixa. Mas ele tinha que sair, e assim o fez.
Blackwell ficou finalmente sozinha no quarto, não que Dean incomodasse, mas ela gostava de ficar sozinha, já havia acostumado a ser assim. A loira ficou pensando por um momento, o que havia na caixa era muito antigo e a mesma jurou nunca usar, mas ela sabia que se não usasse agora, nunca mais usaria. Então ela abriu a caixa e de dentro dela tirou uma flor morta, uma folha antiga e uma pequena adaga.
A caçadora suspirou, pegou uma mecha de cabelo perto da nuca e a cortou com a adaga. Com delicadeza a loira apanhou a flor e enrolou o cabelo na volta do caule da mesma. Apanhou novamente a adaga e num movimento rápido a caçadora cortou a palma de sua mão e pegou rapidamente a flor e o cabelo. Blackwell pegou a folha antiga e colocou a sua frente, juntou as mãos e começou a recitar o que dizia no papel, cada vez que ela terminava de pronunciar uma palavra, o ferimento da mão e do ombro pinicava. Já nas ultimas palavras as lágrimas começaram a escorrer.
Ela brevemente fechou os olhos, mas depois não os abriu. Continuou a recitar tudo de novo só que dessa vez de olhos fechados. Um calafrio percorreu o corpo da loira que assustada largou a flor e o cabelo, do qual ela percebeu que estava branco, na verdade prateado.
Receosa Blackwell começou a desenfaixar seu braço, antes de olhar a mesma rezou baixinho. E em seguida olhou suas feridas, que para sua surpresa estavam realmente melhores, muito melhores. A aparência melhorara tanto que nem parecia recente, mas sim de uns dias atrás. Claro que ela não estava totalmente curada e nem a dor tinha passado, mas pelo menos estava melhor. Calmamente a loira foi recolocando a faixa, tentando deixar ao máximo parecida com a que Dean havia feito.
Dean na sala se remoia, ele estava intrigado “O que será que há naquela caixa?” Pensava ele. Mas o pensamento logo o fugiu quando Sam adentrou o lugar.
– Ei Sammy. – Disse ele alegre.
Sam ergueu as sobrancelhas, fazia tempo que ele não via o irmão tão feliz. O caçador olhou para os lados e por ultimo fitou o sofá.
– Por que tem uma mancha, na verdade uma poça de sangue no sofá? – Ele estava confuso.
– Adivinha, Blackwell ficou menstruada. — Disse Dean ironicamente.
Sam não aguentou e riu junto com o irmão, que estranhamente foi se levantando.
– Vou ver o que ela está fazendo.
Sam soltou uma gargalhada
– Cara deixa a garota respirar.
Dean revirou os olhos e continuou a caminhar.
– Ela foi mastigada por um leviatã, e também me salvou. Então ela merece um pouco de atenção.
Sam mordeu o lábio, ele queria dizer que era a pior desculpa que alguém poderia dado para ver uma mulher, mas então algo melhor veio a mente do caçador.
– Não se esquece da promessa que você me fez! A próxima mulher que nós conheceríamos seria minha. Então nem tente nada com Blackwell. “Ela é minha” – Disse ele rindo.
Dean ficou espantado, ele havia mesmo feito esse juramento. Mas também ele não sabia que iria conhecer ela.
– A gente faz isso com a próxima. – Disse ele já fugindo em direção ao quarto da loira.
A porta estava fechada, mas ele conseguia ouvir o que ela falava.
– Ashley, tem certeza? Você está bem mesmo?
Havia uma pausa em relação ao que ela falava, o que indicava claramente que ela estava ao telefone.
– Sim, sim eu sei que você já é grande.
–
– Por quê?
–
Uma grande pausa se fez, Dean não sabia o porquê, mas ele continuou com o ouvido colado atrás da porta.
– Eu tive um pesadelo.
–
– Não, você sabe que eu não sou assim... Mas e-eu nunca sonhei, nem nada. Nunca... E você sabe.
–
– Só estou preocupada.
–
– Tudo bem.
–
Do nada a porta se abriu, e Blackwell ficou cara a cara com Dean, que corou imediatamente.
– Ashley, te ligo depois.
Ela não esperou a resposta, desligou na hora e jogou o celular em cima da cama.
– Agora vai ficar me espionando? Olha Dean só por que eu salvei você não quer dizer que agora você tem que ficar assim! Eu não preciso de ajuda e mesmo que precisasse eu não iria pedir a você. – Disse ela irritada.
A loira deixou o quarto e saiu em direção ao banheiro, Dean a seguiu.
– Eu só estou mostrando um pouco de gratidão, afinal mesmo machucada você me salvou.
– Dean inventa outra, você é um caçador e caçadores não tem gratidão. E mesmo que você tivesse alguma eu não a queria.
A caçadora adentrava no banheiro junto com Dean, que nem ligava para onde estavam. Ele só queria continuar a “discutir” queria que ela entendesse as coisas.
– Deixa de ser ingrata garota, eu passei a noite toda cuidando de você.
– E eu salvei você, seu inútil você me devia isso.
Ela começou a desabotoar as calças sem nem ligar que Dean estava no local. Mas no final nem Dean ligava, ele estava tão focado na briga.
– A então você queria a gratidão! – Disse ele ironicamente.
– Argh, não eu não queria. Por mim eu podia estar morta agora, sem restar uma gota de sangue em meu corpo.
Ela agora se livrava da blusa, o que a deixava apenas de calcinha e sutiã. Mas mesmo assim Dean não ligava.
– Você sabe que eu não faria isso, eu não sou um monstro.
O mesmo a agarrou pelo braço ferido o que a fez grunhir.
– Desculpe, eu esqueci.
Ele analisou mais o braço da garota, até que percebeu que estava todo mal enfaixado. Estava torto e quase não cobria todos os ferimentos do ombro.
– Você o desfez? Por quê? – Disse ele desconfiado.
Blackwell mordeu o lábio num ato pensativo, ela não podia contar a verdade. Então ela tinha que fazer ele esquecer de tudo e a melhor maneira era fazer ele ficar com raiva.
– Culpa SUA Dean a culpa é toda SUA. Se você tivesse deixado eu ir no carro com VOCÊS o leviatã NUNCA teria me clonado e ME MACHUCADO.- Ela gritava em certas partes para deixa tudo ainda mais confuso
– Mas você só pensa em SI MESMO e agora eu estou toda ferida e a culpa é TODA SUA. — Continuou
Dean deu uma risada.
– Nada disso é culpa minha, mas eu sei o que você está fazendo! Está...-
Ela tinha medo que ele voltasse no assunto do braço.
– Está colocando tudo para cima de mim, sendo que a culpa disso tudo é SUA. VOCÊ que foi descuidada.
Um alívio percorreu o corpo de Blackwell, ela estava muito agradecida por Deus ter dado menos neurônios ao caçador.
– A culpa não é minha, se você pensasse com a cabeça de cima e não com a debaixo isso não teria acontecido! – Continuou ela
– Cala boca sua vadia! Quem está quase nua na minha frente é você. – Disse ele, que só havia reparado nisso a alguns minutos.
– É porque eu vou tomar banho! Estúpido você que me seguiu até aqui. – Ela já começava a se irritar de verdade
– E foi um grande erro!
– ENTÃO SAIA DAQUI! IDIOTA – Gritou ela.
Dean engoliu a seco, quando a loira pronunciou idiota tudo ficou cinza. Não por que ele se sentiu ofendido, mas porque ele lembrou de algo. Que gostaria de ter esquecido.
– Eu vou embora. — Sussurrou ele.
O caçador abandonou o banheiro imediatamente, e meio abalado o mesmo caminhou até a sala.
– Vocês só sabem brigar? – Perguntou Sam enquanto juntava uns cacos de vidro do chão.
– O que está fazendo? – Perguntou ele mudando de assunto.
– Eu estou limpando a bagunça... Alguém tinha que fazer isso!
Dean balançou a cabeça e começou a ajudar Sam.
– Quando vamos atacar os leviatãs? Afinal viemos aqui por isso, e a chamamos por isso.
– Você chamou...
– Tanto faz, e agora o que faremos?
– Vamos fazer assim, você sai olha por aí e eu fico aqui e falo com a Blackwell. – Sugeriu Dean.
– Por que você tem que ficar aqui? Com ela? –Perguntou Sam.
Dean suspirou.
– Tenho uma coisa para perguntar!
Sam deu de ombros, ele sabia que ele queria mesmo era transar com Blackwell, mas o irmão mais novo sabia que não seria assim tão fácil, pela primeira vez alguém resistiria a Dean.
– Ok, vou indo. – Disse Sam já se dirigindo a porta.
O caçador abriu a porta e apanhou a chave, balançou-a no ar por uns instantes para que Dean visse que o mesmo a tinha levado. Sam começou a caminhar até que a voz surgiu novamente em sua cabeça
– Eu tinha tantas esperanças que você fizesse o certo, mas parece que não!
O caçador piscou e chegou a olhar para os lados.
– Olá? Tem alguém aqui? – Perguntou ele
– Não estou aí babaca. Volte lá e mate-a!
Sam fechou os olhos e encostou-se na parede
– Mate-a, mate-a, mate-a -. A voz ia ficando cada vez mais distante até que sumiu.
O caçador apavorado abriu os olhos e seguiu em direção ao elevador, do qual entrou correndo. Ele se virou para olhar no espelho e então havia alguém atrás dele. Uma morena, alta e muito bonita
– Mate-a. – Disse ela num tom divertido.
Sam apenas olhou para o espelho e então meteu a mão dentro do bolso esquerdo da calça. De lá ele tirou uma moeda dourada antiga, ele olhou novamente para o espelho.
– Mate-a. – Disse a mulher sorrindo.
O caçador segurou a porta antes mesmo dela fechar e deixou o elevador. Ele caminhou novamente até o apartamento, então bateu na porta e Dean abriu no mesmo instante.
– Você não vai? Não tinha pego a chave? – Questionou o mais velho.
– Dean. –Sussurrou ele triste.
Sam fechou a mão e em seguida golpeou Dean, que caio no chão de olhos fechados. O caçador passou pelo mesmo e seguiu em direção ao banheiro, antes de entrar Sam sacou sua arma e só então tentou abrir a porta. Que estava trancada, Sam então deu dois tiros na maçaneta e empurrou a porta que se abriu. Ele adentrou e caminhou até o box onde o chuveiro ainda estava ligado, porém ninguém estava ali. Ele olhou para os lados e viu um cabelo loiro cruzando a porta.
Ele saiu atrás de Blackwell que enrolada numa toalha correu para seu quarto e fechou a porta. Ela não teve tempo de trancá-la já que Sam do outro lado empurrava, a mesma sem força e sem poder usar o outro braço caiu no chão e o mesmo entrou. O caçador se abaixou e a agarrou pelos cabelos
– Sam o que está fazendo?
– Desculpe. – Disse ele gaguejando
O caçador a levantou e a empurrou um pouco para trás e preparou a arma.
– Por que está fazendo isso? – Ela estava apavorada, mas não derramará nenhuma lágrima.
Sam com muita força conseguiu puxar uma parte da moeda para fora do bolso.
– Uma bruxa. – Disse ela.
Sam foi puxando o gatilho até que algo o empurrou o que o fez ir para o lado. Blackwell fechara os olhos, a bala tinha sido disparada. Por muita sorte que não tinha atingido a caçadora. Dean que havia derrubado Sam no chão e agora o chutava.
– Leviatã desgraçado. – Falou o outro.
Dean então levantou o facão que tinha nas mãos até que Blackwell gritou:
–NÃO.
Os dois a olharam.
– Foi uma bruxa, olhe no bolso dele tem uma moeda.
Dean tentou checar, mas Sam o segurou. Na sua cabeça novas instruções chegaram.
– Mate os dois! OS DOIS.
Lágrimas rolaram pelo rosto de Sam que chutou o irmão e se colocou de pé.
– Dean eu vou matá-lo. — Disse ele triste
Sam partiu para cima do irmão, e então os dois começaram a lutar. Sam estava mais forte, parecia que a magia usada pela bruxa o ajudava.
Blackwell vestiu rapidamente um roupão e apanhou uma arma, ela sabia que não podia atirar em Sam, a não ser que ele estivesse matando Dean.
Foi então que o irmão mais novo jogou Dean contra a parede e o ergueu pelo pescoço, e assim começou a sufocá-lo. Blackwell silenciosamente foi para trás de Sam. Então dois tiros foram dados, Sam largou Dean e ambos caíram, só que um desacordado e outro não.
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