Hunter

18 I wish I couldn't feel a damn thing


Notas iniciais
Olá filhos da puta? Como vão? Estão bem? Surpresos da tia Esther estar postando um capítulo grande cedo assim? Eu disse, e pra quem não acreditou CHUPAAAAAAAAAA GOSTOSO
Parei '-'

_ Valary, por favor, me escuta, só um minuto.

_ Não quero ouvir mais nada, Dean. – Estava com raiva demais para pensar naquele momento, eu podia fazer a maior merda na minha vida. Já havia perdoado traições, e descobri que quem trai uma vez trai duas, três... Não sou obrigada a passar por isso de novo, não mesmo.

_ Valary, vamos. – Evan me chamou pela última vez, encarando feio Dean.

_ Vamos. – Respirei fundo, enxuguei minhas lágrimas e virei as costas sem ao menos olhar para Dean, mas tinha certeza que ele estava tão mal quando eu. E quanto a Sam? Não me importava, nada me importava naquele momento. Evan abriu a porta de um carango para mim e eu entrei, qualquer coisa era melhor que ficar naquele lugar.

_ Então, está mais calma? – Evan finalmente quebrou aquele silêncio constrangedor.

_ Acho que sim. – Por fora eu parecia calma, mas minha mente estava tão agitada que só eu sabia.

_ Quer ir a algum lugar?

_ Você conhece algum lugar nessa cidade que não tenha nada para me incomodar?

_ Hm, acho que eu sei perfeitamente onde você quer ir.

Quase dei um sorriso, quando meu celular, que estava na minha mão o tempo todo chamou. Era Sam, resolvi atender.

_ Oi?

_ VALARY FILHA DA PUTA, ONDE VOCÊ ESTÁ?

_ Sam, vai para um lugar onde só tenha você e seu celular, preciso falar com você.

_ Pronto. – Respondeu após alguns minutos. – Agora dá pra você me explicar que porra aconteceu? Dean está aqui quase arrebentando qualquer coisa que vê pela frente e...

_ Não fala o nome dele, por favor.

_ Valary, não...

_ Sim, Sam... Ele estava aos beijos com uma loira peituda siliconada do caralho. – Voltei a chorar, garanto que se fosse em outro momento ele teria rido de mim, mas não.

_ Não acredito que ele fez isso.

_ Sim, ele fez. Agora preciso que você me faça um favor, mas preciso que seja só entre nós.

_ Pode falar.

_ Amanhã você junta tudo que eu tenho, roupas, tudo, e dá um jeito de me entregar.

_ Pra onde você vai?

_ Não sei. Preciso de um tempo pra mim, acho que uma facada no meio da testa teria doído muito menos.

_ Te entendo. Eu faço, mas por favor, mantenha contato e não vai estragar sua vida.

_ Eu sempre estrago, Sam.

_ Eu te amo.

_ Eu te amo mais. E vê se cuida do teimoso do seu irmão.

Naquela altura do campeonato eu não sabia descrever corretamente o que estava sentindo, aliás, ninguém sabe. Eu só sei que cresce a cada segundo que passa, do mesmo modo que diminuí, é uma oscilação entre amor e ódio, chega a ser gostoso e ao mesmo tempo estranho de sentir. Em um instante eu queria fazer Evan voltar para aquela maldita boate e me jogar em cima de Dean, em outro queria simplesmente esquecer que um dia dois irmãos fizeram parte da minha vida. De repente me deu vontade de largar aquele plano maluco de fugir, mas eu ainda estava muito vulnerável a aquela porra toda que acabara de acontecer. Quem sabe eu ainda seja nova e pouco experiente para poder definir para alguém o que seja amor, quem sabe uma pobre criança iludida. Mas infelizmente é assim, vivendo e aprendendo, ou como eu prefiro dizer, se fodendo e aprendendo. Em meio a tantos pensamentos acabei dormindo.

...

_ Valary?

_ Hm?

_ Chegamos.

Abri os olhos e me deparei com um par de olhos verdes, mas infelizmente, ou felizmente, não eram os de Dean.

_ Onde estamos?

_ Então, você disse que queria um lugar calmo e tranqüilo para esfriar a cabeça. Eu e uns amigos em uma noite de porre acabamos vindo parar nesse lugar por acidente e acabou se tornando nosso ponto de encontro. – Não fazia idéia de onde era o maldito lugar, só sei que escutei de repente o barulho de uma cachoeira e pássaros cantando. Desci daquela caminhonete que mais parecia um caixote sobre rodas e arranquei os saltos, deixando a sensação de pisar em terra molhada me dominar, aah, como aquilo era bom.

_ Nossa, Evan, esse lugar é incrível.

_ Eu sei. Você é a primeira garota que vem aqui.

_ Sério? Bom, então estou estreando o lugar.

_ Com certeza. Belo jeito de se despedir de Huntington Beach.

_ Evan, você vai pra onde? Que dia?

_ Tem certeza que quer ir mesmo?

_ Absoluta.

_ França, vamos pegar o vôo amanhã á noite.

França? Ok, aquilo era uma loucura, mas quem sabe naquela loucura eu descobriria onde eu finalmente pertenço.

_ Eu preciso ir em casa pegar algumas coisas antes.

_ Sem problemas. Mas Valary, se não for muito incômodo... O que aconteceu?

Senti um aperto no coração ao lembrar daquilo tudo.

_ Então... Como você deve ter visto, aliás, como todo mundo naquela porra de boate deve ter visto, Dean me pediu em casamento. E logo após eu fui comprar uma bebida e comecei a falar com você, vi que ele ficou enciumado e saiu da boate, uns minutos depois eu fui atrás dele e...

Não consegui terminar de falar e já desabei em lágrimas, sendo confortada pelo abraço de Evan.

_ Valary, eu entendo que você está magoada, dá pra ver que você o amava, ou talvez ainda ame, mas tem certeza que é isso que você quer?

De repente me veio uma espécie de flashback. Desde que ele me tirou daquele bar e descobriu que eu caçava até a última vez que vi aqueles olhos verdes, que estavam cheios de raiva. Meu Deus, e Lilith? E se ela tentar algo contra eles? Ok, Valary, eles já são adultos, sabem se virar sozinhos, e você, para de pensar nos outros e vai seguir a SUA vida. Limpei aquelas últimas lágrimas do meu estoque e com mais certeza que nunca, dei minha resposta.

_ Não vou dizer que é o que eu quero, mas digo que vai ser o melhor pra mim.

Me recostei no peito de Evan, que me abraçou e beijou minha testa. E aquele dia pode não ter sido o melhor na minha vida, mas descobri a pessoa que eu mais amava e mais precisava de mim naquele momento: Valary Katherine Baker.

POV Sam

Depois daquele pedido de casamento que emocionou a todos, inclusive a mim, fui beber alguma coisa e de repente vejo Valary gritando e chorando. Estava com um cara de olhos verdes que a levava embora, que porra foi aquela. Esperei a poeira abaixar por uns cinco minutos e fui falar com Dean, que estava vermelho, mas seu olhar não tinha mais brilho, era como se estivesse... Morto.

_ Dean?

_ SAI DAQUI SAM! ISSO TUDO É CULPA SUA!

_ Mas o que eu fiz?

_ NADA, VOCÊ NUNCA FAZ NADA! – Ele esmurrou a mesa, e de longe percebia que ele estava totalmente fora de controle.

_ Tá bom, cara, mas cadê a Valary?

_ A VALARY? – Percebi que ele deixou escapar uma lágrima e em seguida respirou fundo. – Cara, eu preciso ficar sozinho. – Terminou de falar e correu para o banheiro. Alguma coisa estava acontecendo.

Lembrei que Valary havia saído com aquele loiro esquisito, se ela estiver com o celular menos mal. Liguei para ela com receio de que não atendesse ou deixasse o celular por aí como era típico dela, mas depois de uns 45 segundos ouvi sua voz, aquilo me deixou aliviado e preocupado ao mesmo tempo.

_ Oi? – Sua voz soava rouca e abafada, como se estivesse tentando segurar ou disfarçar o choro.

_ VALARY FILHA DA PUTA, ONDE VOCÊ ESTÁ?

_ Sam, vai para um lugar onde só tenha você e seu celular, preciso falar com você. – Levantei-me de onde estava e fui para fora.

_ Pronto. Agora dá pra você me explicar que porra aconteceu? Dean está aqui quase arrebentando qualquer coisa que vê pela frente e...

_ Não fala o nome dele, por favor. – Na hora saquei que Dean havia a magoado.

_ Valary, não...

_ Sim, Sam... Ele estava aos beijos com uma loira peituda siliconada do caralho. – Sua voz passou de normal, ou melhor, quase normal para chorosa, se fosse em outra situação poderia rir, mas vi que ela estava mal de verdade.

_ Não acredito que ele fez isso.

_ Sim, ele fez. Agora preciso que você me faça um favor, mas preciso que seja só entre nós.

_ Pode falar.

_ Amanhã você junta tudo que eu tenho, roupas, tudo, e dá um jeito de me entregar.

_ Pra onde você vai?

_ Não sei. Preciso de um tempo pra mim, acho que uma facada no meio da testa teria doído muito menos.

_ Te entendo. Eu faço, mas por favor, mantenha contato e não vai estragar sua vida.

_ Eu sempre estrago, Sam.

_ Eu te amo.

_ Eu te amo mais. E vê se cuida do teimoso do seu irmão.

Desliguei o telefone e olhei para cima para que aquelas lágrimas teimosas voltassem para o seu lugar. De certa forma, aliás, de todas as formas, Valary era uma parte de mim agora. Eu não podia deixá-la ir assim, sem mais nem menos. Mas também não podia deixá-la ficar presa a quem havia a magoado. E o pior, desde que a conheci ela sempre foi teimosa, quis fazer as coisas do jeito dela, e isso não vai mudar tão cedo. Agora ela terá que crescer e viver por conta própria, querendo ela ou não.

Recuperei meu ânimo e fui ao banheiro atrás de Dean.

_ Dean?

_ O que é? – Sua voz soava rouca, estava chorando com toda certeza.

_ Sai daí. – Ele saiu da cabine, com os olhos vermelhos e a cara mais amarrada que ele conseguiu fazer até hoje. Minha vontade era dar um soco na cara dele por ter feito aquilo com MINHA Valary, mas preferi usar a cara de pau feelings. – Valary me contou tudo.

_ Que foi? Agora vai jogar na minha cara que eu não presto, falar que eu passei das contas?

_ Acho que não precisa jogar isso na sua cara, você já tem suas próprias conclusões sobre si mesmo.

_ Eu não sei mais o que fazer. – Percebi que havia tocado na ferida, quando ele me abraçou e tirou a armadura pra revelar a face do Dean que poucos conheciam. – Eu queria não sentir nada.

_ Dean, me escuta... Acho que eu não preciso falar que você a magoou. Muito. Mas agora é tarde.

_ Tarde?

_ Ela foi embora, Dean, pra outro país com aquele cara…

_ Não... ME DIZ QUE É MENTIRA, SAM, ME DIZ!

_ Eu queria que fosse Dean. Mas ela foi...

Dean chorava como nunca, acho que não o vi chorar assim nem mesmo quando nosso pai morreu. Tudo bem, Valary ainda não havia ido embora, mas se ele soubesse que ela ainda estava aqui ele ia fazê-la ficar nem que seja na base da porrada, e na boa, eu amo os dois mais que tudo no mundo e eles se separarem ia ser a melhor coisa a se fazer. Sem brigas, sem mágoas, cada um ia encontrar o que lhe fazia bem e ir atrás daquilo. Assim eu espero.

_ Vamos para casa. Ambos precisamos descansar.

Ele não falou nada, acho que assim seria melhor, ele entrou no Impala, e por milagre não colocou um de seus CD’s de Metal insuportáveis, acho que ele fazia aquilo para implicar comigo, e no momento não estava em condições de nada. O caminho até a casa de Bobby foi silencioso e frio, até chegarmos lá. O cheiro de Valary ainda estava por todo canto, e aquilo estava me matando por dentro.

_ Sam?

_ Fala.

_ As coisas de Valary ainda estão aqui?

_ Não, ela me disse que havia pego tudo. — Menti

_ Hum...

_ E a propósito, eu não queria falar isso mas... Ela mandou eu cuidar de você.

Pude jurar que o vi dando um meio sorriso e indo para seu quarto. Lá ele ficou e tenho certeza de que vai chorar mais um pouco antes de dormir. É melhor, deixa ele aproveitar seu momento sem armadura, faz bem. Tranquei toda a casa, pelo que eu conheço Bobby ele ainda ia beber bastante antes de vir para casa. Fui para o quarto de Valary arrumar suas coisas. Inalei profundamente seu cheiro quando abri a porta. Eu ia sentir falta daquilo. Seu gato dormia tranquilamente, aliás, esse bicho ainda existe? Anda quieto demais pro meu gosto. Enfim, não importa. Comecei a arrumar suas roupas e encontrei a blusa do Metallica velha e surrada que ela usava quando a resgatamos daquele bar. Decidi guarda-la, afinal pelo jeito ela ia embora para sempre.

Depois de arrumar suas coisas e esconder aquela camiseta do Metallica muito bem escondida, abri de leve a porta do quarto de Dean e o observei, finalmente ele havia conseguido dormir. Era melhor eu ir dormir também, ou melhor, ir para a cama, porque dormir eu não ia mesmo. É, Valary, depois desse dia nossa vida nunca mais será a mesma, talvez um dia voltássemos a sermos o que éramos antes.

Talvez.

Notas finais
Não me odeiem '-'