Humanidade Dilacerada
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Dói em mim a minha humanidade. Torta, frágil, soberana. No tempo curto (não importa quantos anos vou durar), todas as boas intenções, mais o que falho e falto. No espaço exíguo (aqui ou acolá), todas as boas atitudes, mais o gesto impensado e bruto.
Sofro a minha humanidade. Sob os pés, a Terra e as suas distâncias; sobre a cabeça, rentes, o céu e o limite remoto do universo e os grandes estirões de matéria escura e os outros universos.
Entre mim e a minha humanidade, a dor de me saber impermanente e a consciência de que cada ação e cada palavra valem, ficarão na memória da vida e se projetarão eternamente em longínquos mundos paralelos. Entre mim e ela, também a alegria de que -- até onde posso julgar -- reconheço-me branda, inofensiva, terna... Até doce (quando não mostro os dentes de lobo que morde antes de rosnar).
Em todos os dias, sou eu e a minha humanidade ora humilde, ora soberba; ora sábia, ora estúpida; ora solidária, ora indiferente; ora justa, ora injusta; ora amorosa, ora dilacerada, ora intransigente.
Ela e eu seremos até o meu último dia... Até a última hora... O último segundo... Ela e eu a acertarmos e a errarmos. Ela e eu a escrevermos destino e história. Ela e eu, diante de você -- diferente de mim, igual a mim -- simples e unicamente aqui e agora.
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