Human Race

1 Capítulo 1- Aprisionada


Notas iniciais
Olá, caro (a) leitor (a). Sente-se ou deite confortavelmente, relaxe e aproveite. Boa Leitura.

Eu gostaria de ter evitado as cenas das últimas 48 horas da minha vida, mas, não me arrependo do que fiz que, consequentemente desencadeou tudo isso.

Eu sou Wendy Wright, e moro com minha mãe April e meus irmãos Alan, Adam e Aidan numa pequena casa de quase cinco cômodos, em uma das 24 províncias da Terra, chamada Nu, que é a 13° da lista.

Minha família não tem muito, e acho que isso não se deve só ao fato de nossa província ter apenas lavradores e boticários, o que nos rende pouco de qualquer maneira, mas também ao meu pai ter sido levado pelas tropas dos Alphas quando eu e Alan éramos pequenos.

O que despedaçou tudo que levei anos construindo foi eu ter sido pega roubando algumas maçãs, já que havia um tempo infindável que não comiamos nada, e os pequenos Adam e Aidan –que são gêmeos, inclusive- não entendiam o porquê da longa espera.

Meu pai, Alexander, foi pego roubando, e agora a história se repete comigo 11 anos depois. Parece que a probabilidade de prisão está mesmo no sangue.

O barulho metálico da cela se abrindo me fez erguer o olhar para a sombra alta na penumbra.

–Levante-se, está na hora. –Grunhiu uma voz masculina que parecia tão feliz em me ver quanto eu em ouvi-la.

Os acontecimentos do dia anterior invadiam minha mente num jorro, todos ao mesmo tempo. A chegada dos Alphas na nossa casa, meus irmãos chorando, Alan sendo eletrocutado nas costelas por uma arma de choque, que fora resultado de seu comportamento não muito plausível, minha mãe implorando para não me levarem, eu sendo jogada dentro do camburão...

–Não ouviu? Saia desse cubículo, infratora. –Ele tinha razão quanto ao cubículo. A cela era pequena, não tinha mais que 3mx3m, uma beliche de aço, uma pia e um vaso sanitário.

A noite fora longa, e eu não consegui dormir. Não consegui parar de pensar em minha mãe e meus irmãos. Não conseguia crer que Alan conseguiria mante-los até a minha volta. Isso é, se eu voltasse. Sacudi a cabeça para espantar os maus pensamentos e me levantei, caminhando as cegas até onde vinha à voz guarda.

Meu corpo estava dolorido, e trazia consigo os resquícios do torpor que havia tomado conta durante a noite. Meus passos era cautelosos devido a minha visão turva e a tontura repentina.

–Ande logo, não tenho o dia todo. –Ele seguiu pelo corredor de pouca iluminação, cujas únicas lâmpadas estavam posicionadas de 5 em 5 metros, sem se virar para ver se eu o seguia. Passamos por várias outras celas onde haviam dezenas de outros prisioneiros de aparências decadentes e expressões alienadas. Todos pareciam estar a beira da insanidade, se é que já não estavam. Ficava imaginando o que haviam visto ou sofrido que as deixara assim.

Era realmente uma cena enfadonha para qual eu me obrigava a não olhar, mantendo os olhos no caminho largo pelo qual seguia.

Pigarreei para limpar a garganta que estava seca. –Para onde está me levando? –Minha voz soou muito mais baixa e fraca do que eu gostaria. Fiquei em silêncio, esperando por uma resposta que não veio.

–Hey? Esse quepe está apertado de mais e está prejudicando seu cérebro? Pra onde estamos indo?

O corredor terminava em uma bifurcação de escadarias, e nós acabamos por subir pela escada da esquerda, onde eu sabia que devia ficar a sala do Presidente Sword.

Presidente Sword, como o título que antessedia seu nome sugeria, governava todas as 24 províncias da terra. Foram os homens dele que levaram meu pai 11 anos atrás. Por todas as histórias contadas e ouvidas pelo povo de minha província, ele era um homem realmente terrível. O tipo de pessoa que, quando criança, soterrava um sapo no sal ou colocava fogo nas asas de uma borboleta apenas por diversão; apenas para ter o prazer de ver um ser inferior se afogar na própria agonia.

Um calafrio percorreu minha espinha, e fez meu corpo tremer levemente.

Nossos passos faziam eco ao baterem ruidosamente contra os degraus de cimento que só aumentavam à medida que a escada se curvava para a direita.

A escadaria terminava no meio de um corredor cheio de portas para ambos os lados, com o chão coberto por um piso de madeira encerado e brilhante. O guarda seguiu novamente pela esquerda, e eu o acompanhei, notando sua mão no cinto, segurando o spray de pimenta.

Ele parou em frente a uma porta de carvalho espessa, que era a última do corredor e girou a maçaneta e me empurrou para dentro da sala de forma nada cavalheira. –A infratora 13.666, senhor. -Só agora vira o rosto do guarda. Devo admitir, o cara era estranho. Ele tinha o cabelo aparado no corte militar padrão, e um bigode escuro e expeço. Sua pele era cor de mel, e, apesar da pouca luz, ele usava um par de óculos escuros.

Passei meu olhar dele para o cômodo onde estava, e não acreditava em como ainda não havia notado tudo aquilo. Deus, eu devo ser muito lerda mesmo.

A grande sala da presidência, que era bem ampla e aberta; tinha as paredes num tom de oliva, e eram enfeitadas por vinte e quatro quadros, que retratavam as províncias da terra nos tempos de guerra. Em um dos cantos da sala, havia uma estátua de mármore do fundador das vinte e quatro províncias. O chão era coberto por um carpete cor de vinho de aparência aveludada. Ao fundo, havia uma janela de 2mx1m, encoberta por uma cortina da mesma cor do carpete. A frente da janela havia uma enorme mesa de carvalho, com uma cadeira proporcional, cujo ocupante, momentos antes de costas, se virou ao ouvir o guarda.

–Obrigado, Moustache. Dispensado. –O “Moustache” fez uma breve continência e saiu da sala, deixando-me cara a cara com o homem que tornou a vida de muitas pessoas um verdadeiro inferno.

–Ora, ora, ora. Outro Wright. Não me surpreende. Eu sempre soube que sua laia não prestava desde que conheci o seu pai. –Abri a boca para manda-lo ao pior lugar que conseguia imaginar, mas ele não me deu tempo para isso.

–Bom, vamos direto ao ponto. Não tenho tempo pra rodeios. Você vai representar sua província no Human Race. Vai ser enclausurada em uma arena com mais 47 infratores das outras 23 províncias. –Ele disse, como se estivesse comentando o tempo.

–Eu não vou fazer nada que queiram, ouviu? Nada. Ache outra pessoa. –Comentei acidamente.

Sword ergueu uma sobrancelha, e deu um sorriso de desdém. –Ah, vai fazer sim. Caso contrário, não posso impedir que Moustache e seus homens matem seus irmãos e sua mãe. Mas sem pressão, a escolha é sua Wright. Toda sua. –Ele cruzou as mãos sobre a mesa, visivelmente satisfeito com meu olhar de culpa e angustia.

–E o que eu ganho com isso? –Perguntei entre dentes.

Seu sorriso de deboche era nojento, apesar de ele ser tão bonito. Ele era um homem alto, com no mínimo 1.80m de altura, pele clara, cabelos loiros aparados baixos, barba por fazer, olhos azuis bebê, que pareciam alternar com um verde claro. Seu corpo tinha os músculos marcados sob o terno grafite.

–Além de ser poupada de tortura e sua família da morte? Bom, se vencer, você e sua província viverão bem até o próximo “jogo”. Então, o que me diz? –Sou sorriso agora era doce, e se eu não o tivesse visto com meus próprios olhos, eu não teria acreditado o quão depravado ele era.

–Ótimo. Quando eu começo?

Notas finais
Agora que você leu a história, que tal deixar um review? Eu realmente gostaria de saber o que você gostou, o que você não gostou, observações e apontamentos úteis, porque tudo isso vai me fazer melhorar e fazer minha história crescer.Obrigada por ler, e até o próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.